O laptop da Xuxa … Ou sobre o consumismo infantil

Recebi esta apresentação de uma amiga e me senti na obrigação de divulgá-la. Não acho que a propaganda é sempre uma vilã. Pais, família, escola e sociedade tem suas responsabilidades específicas.

Mas, o que dizer quando ela se organiza para vender para crianças?

consumismo_inf

Para ver a apresentação, clique a seguir: Consumismo infantil

Seguem também dois links para os que queiram se aprofundar no assunto:

1) Instituto Alana – que atua na conscientização e defesa da Infância contra os abusos comerciais e publicitários, tendo por missão “a união da educação, da cultura e da assistência social para o desenvolvimento da cidadania e da qualidade de vida de todos nós”.

http://www.alana.org.br/

http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/ConsumismoInfantil.aspx

2) Manifesto pelo fim da publicidade e da comunicação mercadológica dirigida ao público infantil. A iniciativa, que já conta com o apoio de mais de 140 instituições e de milhares de internautas de todo o Brasil, está promovendo um abaixo-assinado pela internet, visando o fim dos abusos praticados no meio publicitário brasileiro contra a Infância. Leia, participe e divulgue:

http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/

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Como ensinar Metacognição respeitando o estilo de aprendizagem – Um exemplo de video-game (parte 1)

Olá a todos;

Bernadete me pergunta:  Como ensinar a mesma coisa utilizando diferentes estilo de aprendizagem? (queria um exemplo pratico)

Bem, pra começar eu vou mudar um pouco a pergunta:

Como ensinar alguém respeitando o seu estilo de aprendizagem?

E eu mudo a pergunta porque estilo de aprendizagem é individual. Então, cada pessoa posui um único estilo. Assim, se eu estou dando aula para um só aluno, preciso identificar o seu estilo e respeitá-lo. Se a aula é para vários, então é necessário procurar transmitir a matéria de vários formatos, de modo a contemplar as diferenças individuais.

É claro que quanto maior a turma mais difícil personalizar a aula. Uma aula individual pode ser sempre personalizada, já para uma turma nem tanto. No entanto, quando o professor é capaz de apresentar um tema de variadas maneiras, isto favorece o aprendizado. Para um mesmo conteúdo por exemplo:

  1. Ele explica, favorecendo os lógico-matemáticos e linguistas
  2. Ele ilustra mostrando desenhos, mapas ou esquemas, favorecendo os visuais.
  3. Ele conta histórias, anedotas, casos, favorecendo os interpessoais e os intrapessoais.
  4. Ele usa jogos, simulações ou exercícios favorecendo os corpóreo-cinestésicos.
  5. Ele usa sua voz, modulando-a para ressaltar determinados aspectos, ou em alguns casos específicos usa músicas favorecendo os musicais.

Notem que nem sempre é possível fazer tudo isto na mesma aula, e nem todos os temas permitem todas as diferentes formas. É preciso bom senso para lidar com isto.  Mas deixemos de generalidades e vamos para um exemplo prático.

O caso do video-game

Um exemplo|:

João (não é o seu nome verdadeiro) é um estudante universitário, com difiiculdades em acompanhar um curso. Ele estuda, mas os resultados não são muito satisfatórios. Está também desmotivado. Esta falta de motivação é sim, pelo menos em parte, decorrente do baixo desempenho, mas é também conseqüência da sua relação com o conhecimento. Para ele aprender é uma tarefa difícil e desprazerosa.

Desta breve descrição não se pense que João é burro ou incapaz de fazer um esforço produtivo. Ao contrário, durante a etapa de diagnóstico, mostrou uma inteligência viva e ativa. Tembem desenvolvidas a inteligências lógico-matemática e a lingüística. Apenas não as dirige para o estudo.

Seu foco é o video-game. Nesta área reina altaneiro. Sua especialidade são os jogos de estratégia.Debruça-se sobre eles como um general. Analisa-os, planeja, implementa ações, reflete sobre elas e finalmente consegue resolver todos os desafios. Às vezes dá-se ao luxo, apenas por diversão, de configurar o jogo nos maiores níveis de dificuldade para tornálos mais interessantes. Leva horas e dias jogando, sem cansar-se.

Pois é. Tem um qualidades mas não as dirige para o estudo, apesar de desejar bons resultados. Na realidade, trata o estudo como sendo algo qualitativamente diferente e à parte de suas atividades de lazer. Como veremos a seguir, este é o ponto fulcral onde o trabalho se dará. Precisamos mostrar a ele que sua inteligência que tanto serve ao video-game, é fundamental no estudo e se usada ali trará resultados similares.

O Plano

É preciso planejar. Tenho dois objetivos:

  1. Faze-lo desenvolver uma relação positiva com  conhecimento.
  2. Capacitá-lo a usar estratégias de aprendizagem que tornem seu estudo eficaz.

Para atingir o objetivo 1, o caminho tradicional é: a) Mostrar a importância do conhecimento e, b) Mostrar os benefícios pessoais e sociais do conhecimento. Isto se faz falando sobre o assunto, contando casos pessoais, ilustrando de variadas formas, etc. Só que isto não funcionaria com ele. Racionalmente ele sabe de tudo isto, por isto procura estudar, mesmo que sem sucesso.

O que ele precisa é ter prazer no conhecimento. O processo de conhecer deve ser, ele próprio esta fonte de prazer. E para isto ele precisa ser conhecido. João precisa saber como ocorre o aprendizado para poder aprender.

E isto nos leva ao objetivo 2. Note que neste objetivo useii o verbo “capacitar” e não informar, ensinar ou mostrar. As estratégias de aprendizagem devem ser ferramentas para João. Por isto mais que saber que elas existem ou como funcionam, ele deve apropriar-se delas no sentido de torna-las próprias. E isto é mais do que saber usa-las; é usá-las no contexto adequado. Ele precisa saber quando, como e onde usá-las. Mas também precisa saber por que e para que devem ser usadas. Finalmente, é necessário que isto seja um conhecimento “natural”, no sentidoi que que todas estas condições, razões e objetivos s integrem de forma harmoniosa em sua mente.

Para que isto se dê, cabe apresentar-lhe a Metacognição. Uma ferramenta para o seu pensar no estudo. Para conhecer o seu conhecimento. Para gerenciá-lo. Porque o seu problema primário não é o desinterêsse ou a falta de esforço, mas o desconhecimento de como manipular o conhecimento. Ele precisa descobrir o seu mundo cognitivo, suas particularidades, seus desvãos, seus conteúdos e principalmente os seus próprios processos de de pensar e raciocinar o estudo.

Uma aula tradicional faria o seguinte: a) Definiria a metacognição, b) explicaria seu funcionamento, e do mesmo passo mostraria suas características, c) em seguida mostraria como utiliza-la para então d) fazer alguns exercícios de fixação.

Se eu fizesse isto, talvez João aprendesse sobre Metacognição. Mas este não seria um conhecimento próprio, introjetado. Meus planos são outros. É preciso que ele viva este conhecimento. De certa forma, ele precisa aprender metacognição como se fosse não um novo aprendizado, mas o reconhecimento de algo que sempre esteve lá.

E é aqui que Ausubel nos ajuda. Refiro-me à aprendizagem significativa. Segundo este autor o conhecimento está organizado em uma espécie de árvore cognitiva, na qual os conceitos de ordem mais elevada subordinam os mais concretos. Assim, todos os conhecimentos estão relacionados entre si e um dá significado ao outro. Aprender significativamente é então adicionar um novo conceito à esta trama cognitiva, modificando-a. Se esta modificação pelo novo não ocorre o que temos é a aprendizagem mecânica. O aluno repete mecânicamente aquilo que foi dito, sem entender realmente o que está dizendo. É a velha “decoreba”. E não é isto o que eu quero para o João.

Mas para ensinar significativamente é necessário usar um organizador prévio. Isto é; um conceito que não sendo ele próprio integrante do assunto a ser ensinado dá um ponto de partida para o aprendizado do que ainda não se sabe. Como dizia Ausubel, a coisa mais importante do ensino é saber o que o aluno já sabe e partir daí.

Então,  pergunta fundamental agora é:

  • O que o João já sabe e  pode ser um facilitador para o aprendizado da Metacognição?

Note que eu ressaltei o termo “facilitador”. Isto porque não basta ser conhecido préviamente; é necessário que este conhecimento anterior seja analogo ou faça algum tipo de interface com o novo conteúdo.

E este é o “pulo do gato”. Descobrir algo que partindo dele se passe sem traumas para a metacognição. E no caso do João ficcou muito explícito – O video-game!

Mas o que o video-game de estratégia (como é o caso do João) tem em comum com o estudo? Na minha maneira de ver eu acho que ambos:

  • São desafiadores e exigem ser decifrados. Nos dois há algo desconhecido, que para ser conhecido exige superar algumas barreiras.
  • Exigem raciocínio. Não se passa de uma etapa à outra sem reflexão.
  • Neste raciocicinio, tanto o jogador como o estudante precisam manipular e harmonizar múltiplas variáveis ou conteúdos simultâneamente
  • Exigem esforço. Precisa transpirar para atingir os objetivos. São horas e horas de dedicação.

Concluindo então

Meu plano inicial consiste assim de:

  1. Usar o video-game como organizador prévio.
  2. Apresentar o tema principalmente na perspectiva lógico-matemática, por meio de interação lingüística.
  3. Assim como nos video-games, trabalhar o conteúdo em etapas graduais, passando de um conteúdo mais fácil para outro mais difícil apenas quando o anterior já tiver sido dominado. Notar que aqui uso o conceito de ensino para o domínio, isto é, em cada etapa o aluno deve dominar TODO o conteúdo a ser aprendido.
  4. E também, assim como nos video-games o processo, embora trabalhoso deve conter parcelas importantes de prazer.

Dito assim, ensinar parece complicado e difícil. Mas não é, trata-se de conhecer e aplicar os conteúdos certos. Na próxima semana, mostrarei uma aula exemplo deste maneira de ensinar. Ali vocês verão como foi possível condensar todos estes princípios em uma aula de aproximadamente uma hora. Mostrarei a vocês como ensinei metacognição a este aluno que não gostava de estudar.

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Para saber mais leia os seguintes posts:

O que é aprender a aprender? Uma metáfora.

O que é aprender a aprender? Nossos fundamentos

O que é aprender a aprender? – Nossos princípios teóricos

Para saber mais sobre o Ausubel leia o seguinte post:

Aprendizagem: Outros autores – ênfase na pessoa – Ausubel

O que mudou na Educação? Por que mudou?

Para todos nós refletirmos. Pais e professores, assim como políticos, jornalistas, filósofos, sociólogos, antropóplogos, economistas, e todos os outros seres seres humanos, já que foi por causa da educação que podemos LER e ENTENDER o que aqui se apresenta…

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Leia também

A Visão dos Adolescentes-Estudantes de Hoje: Alunos mergulhados nas novas tecnologias e professores nem tanto.

O que é Psicologia Diferencial?

A psicologia diferencial investiga o papel das diferenças individuais tais como inteligência, estilos cognitivos, e personalidade no comportamento humano ( Jonassem & Grabowisky: Handbook of Individual Diffferences,Learning and Instruction, 1993)

Em nosso trabalho esta definição faz parte do dia a dia, porque lidamos com pessoas que precisam tornar mais eficientes os seus processos de aprendizagem. Vemos que a maior parte delas não consegue aprender com a eficiência necessária, principalmente porque não sabe estudar. Frequentemente na escola os professores ensinam conteúdos, mas dão muito pouca atenção ao modo de aprendê-los. E, como conseqüência, as pessoastentam aprender como podem e como vêem os outros fazer. Em alguns casos, copiar os comportamentos de sucesso dá certo, mas em outros não.

E é exatamente a psicologia diferencial que nos explica porque isto nem sempre dá certo. Olhe à sua volta e observe as pessoas em suas atividades diárias. Você perceberá como são diferentes entre si. Uns altos, outros magros; uns comunicativos outros mais fechados. Os gostos variam, a forma de vestir também. Mesmo quando faazem as mesmas tarefas, cada um tem um jeito particular de completá-las. Uns gostam de fazer logo tudo, e só param quando terminam completamente a tarefa. Outros preferem completá-la aos poucos.

Por quê então com o estudo deveria ser diferente? Continuar a ler

Cérebro: Nunca deixe de usá-lo – Neuroplasticidade !

Cerebro_Nunca deixe de usa_lo_Neuroplasticidade

Ver a apresentação.

O que é neuroplasticidade? (*)

O conceito de plasticidade neural diz respeito ao fato de que a estrutura do sistema nervoso central não é fixa ou impermeável à influência do ambiente e dos padrões de atividade funcional. A estrutura do sistema nervoso é, ao menos em parte, influenciada pelos padrões de atividade no sistema. O conceito de que os padrões de atividade influenciam a estrutura do sistema nervoso é resumido sob a forma da expressão “plasticidade dependente de atividade”.

(*) O texto acima é um extrato do post de mesmo nome publicado no blog do Laboratório de Neuropsicologia do Desenvolvimento da UFMG.

Lesões e plasticidade neural (*)

O estrago causado no cérebro por um AVC pode provocar perda de sua função, mas através de um fenômeno denominado “neuroplasticidade”, o cérebro pode se reajustar funcionalmente, havendo uma reorganização dos mapas corticais que contribui para a recuperação do AVC.

As mudanças descritas na organização do córtex incluem o aumento dos dendritos, das sinapses e de fatores neurotróficos essenciais para a sobrevivência de células nervosas. Após ocorrer uma lesão, em algum lugar do córtex motor, mudanças de ativação em outra regiões motoras são observadas. Essas mudanças podem ocorrer em regiões homólogas do hemisfério não afetado, que assumem as funções perdidas, ou no córtex intacto adjacente a lesão. Graças a essas reorganizações corticais, que podem ter início de um a dois dias após o AVC e podem se prolongar por meses, os pacientes podem recuperar, pelo menos em parte, as habilidades que haviam sido perdidas.

A recuperação da função nos membros ,promovida pela plasticidade, é dificultada por um fenômeno conhecido como “não-uso aprendido”. Com a perda da função de uma área do cérebro atingida pelo AVC, a região do corpo que estava ligada a essa área também é afetada, perdendo a sua capacidade de movimentação. Como o paciente não consegue mover o membro mais afetado, compensa usando o outro, deste modo, após um certo tempo, quando os efeitos da lesão não estão mais presentes e ocorreram readaptações no cérebro, os movimentos poderiam ser recuperados, no entanto, o paciente já “aprendeu” que aquele membro não é mais funcional.

(*) O texto acima é um extrato do artigo “AVC e Neuroplasticidade” de autoria de Mirella Brito e Nicodemos Teles de Pontes Filho

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Leia também:

Cabeça é matéria-prima. Não é produto acabado

Depois…

Para você refletir.

Para você decidir o que fazer com o seu tempo e sua vida…

Fonte: Nina (um email bem-vindo)

Sobre a Vírgula (,)

, , , , , , , , , , , , , , , , , , ,   !

Em apoio à  a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa):

 

Vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve..

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto..

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que
ninguém mude uma vírgula da sua informação.

 

Detalhes Adicionais

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.