Todos queremos ser jovens

O vídeo abaixo tem aproximadamente 10 minutos. Fala da geração que nós professores universitários estamos começando a receber. Lidar com ela é e será um desafio cada vez mais comum para todos os mestres.

Nas reuniões docentes em que participo, venho dizendo isto faz alguns anos. Estes alunos que estamos começando a receber são muito diferentes do que conhecíamos e principlamente do que imaginávamos que viria a ser.

Como disse um aluno meu a propósito deste vídeo;

É assustadoramente fantástico!! Uma ótima produção que nos revela (no papel de educadores) constatações que, acredito,  estão veladas em nós mesmos.

Este é um vídeo para professores, mas é também para todos que de alguma maneira convivem que esta nova geração.

Aproveitem a mensagem e reflitam, caso assim o desejem…

http://player.vimeo.com/video/16641689?color=c9ff23

We All Want to Be Young (leg) from box1824 on Vimeo.

O que você achou da mensagem? Tem algo a dizer?  Ou a comentar?

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O laptop da Xuxa … Ou sobre o consumismo infantil

Recebi esta apresentação de uma amiga e me senti na obrigação de divulgá-la. Não acho que a propaganda é sempre uma vilã. Pais, família, escola e sociedade tem suas responsabilidades específicas.

Mas, o que dizer quando ela se organiza para vender para crianças?

consumismo_inf

Para ver a apresentação, clique a seguir: Consumismo infantil

Seguem também dois links para os que queiram se aprofundar no assunto:

1) Instituto Alana – que atua na conscientização e defesa da Infância contra os abusos comerciais e publicitários, tendo por missão “a união da educação, da cultura e da assistência social para o desenvolvimento da cidadania e da qualidade de vida de todos nós”.

http://www.alana.org.br/

http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/ConsumismoInfantil.aspx

2) Manifesto pelo fim da publicidade e da comunicação mercadológica dirigida ao público infantil. A iniciativa, que já conta com o apoio de mais de 140 instituições e de milhares de internautas de todo o Brasil, está promovendo um abaixo-assinado pela internet, visando o fim dos abusos praticados no meio publicitário brasileiro contra a Infância. Leia, participe e divulgue:

http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/

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Quem comeu o meu bolo? Ou da luta entre a aparência e a essência.

Alguém comeu o meu bolo! Com certeza alguém está comendo os meus bolos. Na delicatessem perto de casa o bolo sumiu. Na padaria da esquina também não tem bolo. Na cafeteria do shopping, cadê o bolo?

E o que eu encontro? Tortas, tortas e mais tortas! De todos os tipos, tortas quentes ou frias, doces ou salgadas, com e sem frutas, com pouco chantili ou com muito, muito chantili. Coberturas de todos os tipos e cores. Amendoins, castanhas ou amêndoas. Chocolate branco ou preto. Morangos, damascos, maçãs ou pêssegos. E isto sem contar a linha do natural, comida viva ou mais ou menos.

Mas você dirá que há bolos nestes lugares, mas eu não acho. A menos que você chame de bolo aquelas coisas esponjosas que ficam naquelas lindas cristaleiras em cima do balcão. Suspeito até que haja uma única fábrica secreta, dirigida por um empresário de cartola, inescrupuloso, e que, fumando charutos usa o trabalho infantil para produzir todas estas fraudes.

A bolo eu me refiro aquela coisa gostosa, fofinha, não excessivamente doce feita pela mãe ou avó. Ou talvez ainda por aquela cozinheira gorda e simpática, cujo cheiro te faz flutuar até a cozinha. O cheiro do bolo, é claro! Bolo é aquilo que a gente comia de tarde com uma xícara de café. Ou às vezes no café da manhã, quente e com generosas porções de manteiga (manteiga mesmo).

Quem comeu estes bolos?

Mais que isto. Por que as tortas estão vencendo???

Eu tenho uma opinião. Não, uma opinião não. Menos. Uma suspeita. Quem sabe vocês concordam. Sigam o meu raciocínio:

Olhem para um bolo e olhem para uma torta. Quem é mais “bonito”? Bem, gosto não se discute, e alguém pode até achar a torta muito “perua”, cheia de ornamentos “mis”. Mas com certeza a torta promete mais. O bolo é só aquilo; um pedaço de massa. A torta não; ela vem cheia de penduricalhos, cores e formas. Ela se promete aos seus olhos. Diz o tempo todo: – Coma-me!

Já o bolo só tem aquele cheirinho delicioso, e isto apenas quando sai do forno ou está em cima da mesa. Mas, pobre coitado, nós só vemos hoje as coisas por detrás de muros de vidro, e dentro de balcões refrigerados. O nariz foi amputado e o olho agigantado.

Vivemos hoje, como diz Guy Debord, uma sociedade do espetáculo. As coisas estão mais para o que parecem do que para o que são. Julgamos cada vez mais as coisas pela aparência, pelo que os outros dizem delas. Em tempos de Big Brother as pessoas ficam famosas pelo que são vistas, não pelo que fizeram de bom. A realidade importa pouco, mais relevante é o que parece ser. E o que parece ser, é o que se diz muitas vezes e bem alto. Volume é mais importante que verdade.

Precisamos cada vez mais aprender muito e em pouco tempo. A ordem então é simplificar e superficializar. Apenas pílulas de “sabedoria”, Apostilas em vez de livros. Informação em vez de conhecimento. Repetição em vez de compreensão. Rapidez em vez de ponderação. Afirmativas em vez de perguntas. Receitas prontas em vez de reflexão. Importar protocolos em vez de produzir conhecimento. Depender da autoridade em vez de ser seu próprio autor (em qualquer) idade.

Pois é…

Sinto falta do meu bolo. O bolo clássico, cheiroso e fofo, desfrutado com paz e tranqüilidade, entre meus amigos e familiares. Mais que um alimento, um repouso para a alma. Um aforisma chinês diz o seguinte:

As coisas são e parecem ser,
ou 
não são e não parecem ser.
E também são mas não parecem ser, ou
ainda não são mas parecem ser.
É tarefa do homem sábio
separar umas das outras.

Ps: Gosto de tortas e as como. Sinto realmente falta desses bolos, mas aqui o bolo foi mais uma metáfora. Ok?

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Ignorância e Felicidade

Ignorância


Após estudar meus apontamentos desta aula consegui fazer uma conexão interessante entre os conceitos expostos e o meu cotidiano, o que me fez compreender melhor o mundo e as pessoas. O ignorante inconsciente é como o peixe; não sabe que está dentro d’água.
Na minha família ninguém estudou, não fizeram nem o 2 grau, imaginem então vestibular e tal. Portanto, agora eu compreendo a dificuldade deles em reconhecer meus méritos, meus problemas em fazer cada disciplina, cada período, cada ano. Tem uma frase no primeiro filme da trilogia MATRIX que também fala sobre isso:”A IGNORÂNCIA É UMA DÁDIVA”. Se eles não sabem nada sobre nada e estão vivos e felizes (eles acham…) então podem concluir que eu estou perdendo tempo, quando poderia simplesmente estar com eles. Mas a partir da aula citada na primeira parte eu passei a compreendê-los como nunca. E ser paciente.

( Estudante de Enfermagem, aluno da disciplina “Aprendendo a Aprender nas Ciências da Saúde”, ministrada pelo Prof. Mauricio Peixoto na UFRJ, outubro de 2004 )

Felicidade

Sempre olhe para as coisas de forma que você também seja capaz de encontrar algo de bom que possa lhe trazer felicidade.
Não perca nenhuma oportunidade de ser feliz.
Em geral fazemos exatamente o oposto.
Não perdemos nenhuma oportunidade de ficarmos infelizes.
Estar feliz é um grande talento.
Estar infeliz é trivial.
A felicidade é algo que transcende a mente.
(Osho)

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Escrever

Escrevo para saber o que penso.
(Grafite)

Uma palavra é o centro de uma tempestade de significados, sons e associações, irradiando-se indefinidamente como círculos concêntricos num lago.
(Osho)
Um homem sensato criará para a sua vida mais oportunidades do que a vida lhe proporcionará.
(Francis Bacon)

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Um comentário sobre o conhecimento e o aprendizado

Olá a todos os leitores deste blog;

Sou professor de Metodologia Científica na UFRJ para alunos de Pós-Graduação na área da Saúde, e as turmas são compostas predominantemente por médicos. Um dos recursos pedagógicos que utilizo são os diários de campo, relatos individuais das vivências dos alunos durante o curso. Durante o curso trabalho com sucesso, ao par dos conteúdos técnicos específicos, as maneiras de pensar científicamente e as consequências disto em usa vidas pessoais e profissionais. Os diários de campo são uma das formas de expressão e trabalho destes aspectos.

Abaixo reproduzo uma mensagem para os meus alunos, que acho pode ter utilidade para todos aqueles que estão aprendendo e ou ensinando.

A mensagem

Li, em um diário de campo a seguinte afirmação:

Quando entrei para o mundo da pesquisa fiquei fascinada e ao mesmo tempo bateu uma enorme sensação como se eu não soubesse mais nada que aprendi. O início é doloroso pela metodologia e terminologias diversificadas, era um mundo novo que se apresentava, extremamente necessário e vital para quem trabalha na área da saúde. Quando começamos a aprender leitura de artigos científicos , digo assim porque tenho curiosidade se meus colegas têm ou tiveram a mesma sensação, nada que lemos está bom ou pode ser usado. E este sentimento interferiu fortemente no meu dia a dia.

Como esta sensação, é muito freqüente entre os alunos (explícita ou não), resolvi fazer este comentário disponibilizando-o para todos.

Determinados aprendizados são incrementais, isto é; você aprende A depois B, depois C e assim por diante e cada novo conhecimento incrementa o já sabido. Neste caso o conhecimento A é, em certa medida, pré-requisito de B e mais que isto, em B o que acontece é uma ampliação, um refinamento, um aprofundamento de A. Aqui A está presente em B sem alterações significativas. De alguma forma isto é o tradicional, é talvez a maneira como vocês aprendem medicina (pelo menos na graduação).

Mas esta não é a única forma, há outros casos em que B modifica A, às vezes o rejeita como falso, outras vezes impõe certos limites, pode ainda atribuir-lhe novo significado. Neste caso o aprendizado se dá por perturbação. É isto, o que em geral acontece em ciência. Em especial, o estudante de método foca sua atenção nas maneiras de construir o conhecimento, assim como nos seus limites. Aqui o conhecimento é entendido como resultado de um processo de produção; não como revelado pelo douto, maneira habitual da forma incremental.

E a forma de ensino tem um papel muito importante no aprendizado do aluno. Em artigo que publiquei, discorri sobre isto (Peixoto, Silva e Rocha, 2010):

Os diferentes tipos de métodos de ensino têm forte influência na maneira pela qual este equilíbrio é modulado. Farnham-Dyggory (1994, p. 463-77) apresenta três paradigmas instrucionais; o comportamental, o noviciado e o evolutivo, os quais definem a maneira pela qual um noviço pode ser diferenciado do especialista. No primeiro a diferença é predominantemente quantitativa. O especialista sabe mais, faz mais rápido, apresenta-se melhor que o noviço. O aprendizado se faz de maneira incremental, cabendo ao ensino o fornecimento regular e continuado de novos conhecimentos. No noviciado o que existe é a aculturação; o noviço progressivamente assimila a cultura do mestre. Ao final do processo, mestre e aprendiz fazem parte do mesmo mundo afetivo e cognitivo. Já no evolutivo, a diferença se faz pelas teorias explicativas da realidade que um e outro possuem. A diferença é qualitativa, possuindo o especialista modelos mais complexos, abstratos e sofisticados que o noviço. Aqui o aprendizado se faz por perturbação, onde os modelos do noviço são continuamente questionados e desconstruídos. Foi este o paradigma instrucional utilizado para orientar a disciplina aqui descrita.

Como neste caso, são as próprias bases do conhecimento que estão sob ataque, isto pode criar no aluno uma sensação de insegurança. Em especial isto pode ser ainda mais desconfortável nas profissões da saúde, na medida em que, em sua atividade diária precisam confiar nos conhecimentos adquiridos apenas após longo e extenuante esforço. Ainda mais, é dele que dependem no seu trato cotidiano com a vida humana. Neste sentido, clínicos precisam (pelo menos em parte) tomar o seu conhecimento como estável e certo, e não como meramente uma hipótese possivelmente verdadeira. Daí a força do “magister dixit” – o mestre disse.

Mas ao caminhar do clínico para o pesquisador, outro mundo se descarta. O da ciência onde, por definição o conhecimento é mutável, servindo apenas como base para novos avanços. Equilibrar-se entre estes dois pólos, não é tarefa fácil. De certa maneira, quanto mais sabemos, mais sabemos que nada sabemos. Se lhes serve de consolo e motivação cito Pascal pelo texto de Lefrançois:

A Velha Senhora apontou para o gravador, isso significava que eu tinha de desligá-lo, porque ela ia parar um pouco; achei que ela queria ir ao banheiro. Não. Disse que acreditava que alguns estudantes poderiam estar interessados em outro pensamento de Blaise Pascal, aquele por meio do qual esse estudioso afirma que a ciência está entre dois extremos: um, a pura e natural ignorância, estado no qual todos os homens nascem; o outro, o estágio alcançado por almas elevadas que aprenderam tudo o que é possível aos humanos e que, finalmente, chegaram à conclusão de que não sabem nada, que estão, mais uma vez, no estado de ignorância. Entretanto, esse é um tipo de ignorância bem diferente daquela do primeiro estágio, uma ignorância que vê e julga as coisas com mais clareza. Os desafortunados, diz Pascal, são os que só alcançaram o meio do caminho entre os dois extremos – aqueles que aprenderam muito do que a ciência sabe, mas não conseguiram compreender que não sabem nada. Essas almas são as que mais atrapalham o mundo e que vêem as coisas de modo mais obscuro (Pascal, 1820, p. 121). Eu quis protestar, explicar que não somos nem ignorantes nem meio ignorantes, mas a Velha Senhora começou a ler o manuscrito mais uma vez, e eu corri para ligar o gravador; mesmo assim, perdi algumas palavras do que ela disse.

Pois é…

Continuem no caminho da DOUTA IGNORÂNCIA!

Prof. Mauricio Peixoto

Referências:

Farnham-Diggory, S. Paradigms of knowledge and instruction. Review of Educational Research, v.64, n.3, p.463-77, jul./set. 1994.

Lefrançois, G.R.: Teorias da Aprendizagem: O que as Velha Senhora disse, pg 397, São Paulo, Cengage Learning, 2008.

Peixoto, M.; Silva, M.; Rocha, C.. APRENDIZAGEM E METACOGNIÇÃO NO ENSINO DE METODOLOGIA CIENTÍFICA. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, América do Norte, 1226 03 2010. Disponível na web em http://www.portal.fae.ufmg.br/seer/index.php/ensaio/article/view/257/259 . Acesso em 30/06/2010.

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Esses livros dentro da gente.

Esses livros dentro da gente.

Stela Maris Rezende

Tem que ter paixão por palavras. . .
Tem que saber o código lingüístico, a gramática, a sistemática, a esporádica e as regras. Para ter a liberdade e o jogo de desobedecer, de subverter, brincar, desadormecer a linguagem. . .
Tem que ser fiel a si mesmo.
E ter humildade. Para entender o momento em que a sua forçca se perdeu. Nessas horas, o melhor é sofrer bem sofrida a sua tristeza.
Sofrer sem martírio, sofrer com toda a dignidade. . .
Escrever é também não saber escrever sempre.
É errar a mão várias vezes. É enfiar os pés pelas mãos, ontem, hoje e amanhã. Mas não pare nunca de ler as mãos. Aprenda a aprender.
Tem que gostar de aprender

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