As sete inteligências de Gardner


Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Olá!

Veja abaixo um resumo da Teoria das inteligências Múltiplas de Howard Gardner.

Prof. Mauricio Peixoto

Próximo post:

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A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner

Há dois grandes grupos de pesquisadores sobre a inteligência. Um a entende como sendo única. Existiria um fator “G” representando a inteligência de uma dado indivíduo, que tendo maior ou menor magnitude definiria esta pessoa como sendo mais ou menos inteligente. Já o outro entende a inteligência como sendo multidimensional, isto é, sendo composta por diferentes tipos, relativamente independentes entre si. Assim é que ideia de que a inteligência é múltipla não é exclusiva de Howard Gardner, mas ele é um dos expoentes mais conhecidos.

Gardner e as inteligências múltiplas para o blog Aprendiz em saúde

Para você acessar a apresentação acima clique aqui.

Gardner e a Inteligência Espacial-Visual – Conceito (As respostas)

Em um post anterior de mesmo nome, eu apresentei a Inteligência Espacial –visual. La coloquei dois pequenos testes de inteligência visual. Algumas pessoas  tem escrito solicitando as repostas. Pois bem, aí vão elas.

Diferença de forma

Aqui o teste original:

image

Note que os objetos são complexos e parecidos. Este teste verifica sua capacidade de identificar sutis diferenças na forma de objetos.

Aqui a resposta:

image

Marcados em amarelo, observe em cada um dos objetos as pequenas alterações que os tornam diferentes do modelo. Assim a opção “d” é a resposta correta.

Rotação de objeto

Aqui o teste original:

image

Note que em relação a forma alvo:

  • “a” propõe uma rotação horizontal de 180o para a esquerda.
  • “b” propõe uma rotação vertical de 180o para a direita.
  • “c” propõe uma rotação vertical de 90o para a direita.
  • “d” propõe uma rotação vertical de 90o para a esquerda.

Aqui a resposta:

image

Perceba agora as marcações amarelas mostrando o que está errado nas rotações propostas pelas formas e em vermelho o que deveria ter ocorrido caso a rotação tivesse ocorrido corretamente. Assim a opção “d” é a resposta correta.

Mauricio A. P. Peixoto
Professor Adjunto
Laboratório de Currículo e Ensino – NUTES-UFRJ
Líder do GEAC-Grupo de Estudos em Aprendizagem e Cognição

 

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Pierre Lévy e a Inteligência coletiva

http://player.vimeo.com/video/10501112

Inteligência coletiva. Espaço antropológico. Espaço do saber. Pierre Lévy from Voz de Milla on Vimeo.

Como ensinar Metacognição respeitando o estilo de aprendizagem – Um exemplo de video-game (parte 1)

Olá a todos;

Bernadete me pergunta:  Como ensinar a mesma coisa utilizando diferentes estilo de aprendizagem? (queria um exemplo pratico)

Bem, pra começar eu vou mudar um pouco a pergunta:

Como ensinar alguém respeitando o seu estilo de aprendizagem?

E eu mudo a pergunta porque estilo de aprendizagem é individual. Então, cada pessoa posui um único estilo. Assim, se eu estou dando aula para um só aluno, preciso identificar o seu estilo e respeitá-lo. Se a aula é para vários, então é necessário procurar transmitir a matéria de vários formatos, de modo a contemplar as diferenças individuais.

É claro que quanto maior a turma mais difícil personalizar a aula. Uma aula individual pode ser sempre personalizada, já para uma turma nem tanto. No entanto, quando o professor é capaz de apresentar um tema de variadas maneiras, isto favorece o aprendizado. Para um mesmo conteúdo por exemplo:

  1. Ele explica, favorecendo os lógico-matemáticos e linguistas
  2. Ele ilustra mostrando desenhos, mapas ou esquemas, favorecendo os visuais.
  3. Ele conta histórias, anedotas, casos, favorecendo os interpessoais e os intrapessoais.
  4. Ele usa jogos, simulações ou exercícios favorecendo os corpóreo-cinestésicos.
  5. Ele usa sua voz, modulando-a para ressaltar determinados aspectos, ou em alguns casos específicos usa músicas favorecendo os musicais.

Notem que nem sempre é possível fazer tudo isto na mesma aula, e nem todos os temas permitem todas as diferentes formas. É preciso bom senso para lidar com isto.  Mas deixemos de generalidades e vamos para um exemplo prático.

O caso do video-game

Um exemplo|:

João (não é o seu nome verdadeiro) é um estudante universitário, com difiiculdades em acompanhar um curso. Ele estuda, mas os resultados não são muito satisfatórios. Está também desmotivado. Esta falta de motivação é sim, pelo menos em parte, decorrente do baixo desempenho, mas é também conseqüência da sua relação com o conhecimento. Para ele aprender é uma tarefa difícil e desprazerosa.

Desta breve descrição não se pense que João é burro ou incapaz de fazer um esforço produtivo. Ao contrário, durante a etapa de diagnóstico, mostrou uma inteligência viva e ativa. Tembem desenvolvidas a inteligências lógico-matemática e a lingüística. Apenas não as dirige para o estudo.

Seu foco é o video-game. Nesta área reina altaneiro. Sua especialidade são os jogos de estratégia.Debruça-se sobre eles como um general. Analisa-os, planeja, implementa ações, reflete sobre elas e finalmente consegue resolver todos os desafios. Às vezes dá-se ao luxo, apenas por diversão, de configurar o jogo nos maiores níveis de dificuldade para tornálos mais interessantes. Leva horas e dias jogando, sem cansar-se.

Pois é. Tem um qualidades mas não as dirige para o estudo, apesar de desejar bons resultados. Na realidade, trata o estudo como sendo algo qualitativamente diferente e à parte de suas atividades de lazer. Como veremos a seguir, este é o ponto fulcral onde o trabalho se dará. Precisamos mostrar a ele que sua inteligência que tanto serve ao video-game, é fundamental no estudo e se usada ali trará resultados similares.

O Plano

É preciso planejar. Tenho dois objetivos:

  1. Faze-lo desenvolver uma relação positiva com  conhecimento.
  2. Capacitá-lo a usar estratégias de aprendizagem que tornem seu estudo eficaz.

Para atingir o objetivo 1, o caminho tradicional é: a) Mostrar a importância do conhecimento e, b) Mostrar os benefícios pessoais e sociais do conhecimento. Isto se faz falando sobre o assunto, contando casos pessoais, ilustrando de variadas formas, etc. Só que isto não funcionaria com ele. Racionalmente ele sabe de tudo isto, por isto procura estudar, mesmo que sem sucesso.

O que ele precisa é ter prazer no conhecimento. O processo de conhecer deve ser, ele próprio esta fonte de prazer. E para isto ele precisa ser conhecido. João precisa saber como ocorre o aprendizado para poder aprender.

E isto nos leva ao objetivo 2. Note que neste objetivo useii o verbo “capacitar” e não informar, ensinar ou mostrar. As estratégias de aprendizagem devem ser ferramentas para João. Por isto mais que saber que elas existem ou como funcionam, ele deve apropriar-se delas no sentido de torna-las próprias. E isto é mais do que saber usa-las; é usá-las no contexto adequado. Ele precisa saber quando, como e onde usá-las. Mas também precisa saber por que e para que devem ser usadas. Finalmente, é necessário que isto seja um conhecimento “natural”, no sentidoi que que todas estas condições, razões e objetivos s integrem de forma harmoniosa em sua mente.

Para que isto se dê, cabe apresentar-lhe a Metacognição. Uma ferramenta para o seu pensar no estudo. Para conhecer o seu conhecimento. Para gerenciá-lo. Porque o seu problema primário não é o desinterêsse ou a falta de esforço, mas o desconhecimento de como manipular o conhecimento. Ele precisa descobrir o seu mundo cognitivo, suas particularidades, seus desvãos, seus conteúdos e principalmente os seus próprios processos de de pensar e raciocinar o estudo.

Uma aula tradicional faria o seguinte: a) Definiria a metacognição, b) explicaria seu funcionamento, e do mesmo passo mostraria suas características, c) em seguida mostraria como utiliza-la para então d) fazer alguns exercícios de fixação.

Se eu fizesse isto, talvez João aprendesse sobre Metacognição. Mas este não seria um conhecimento próprio, introjetado. Meus planos são outros. É preciso que ele viva este conhecimento. De certa forma, ele precisa aprender metacognição como se fosse não um novo aprendizado, mas o reconhecimento de algo que sempre esteve lá.

E é aqui que Ausubel nos ajuda. Refiro-me à aprendizagem significativa. Segundo este autor o conhecimento está organizado em uma espécie de árvore cognitiva, na qual os conceitos de ordem mais elevada subordinam os mais concretos. Assim, todos os conhecimentos estão relacionados entre si e um dá significado ao outro. Aprender significativamente é então adicionar um novo conceito à esta trama cognitiva, modificando-a. Se esta modificação pelo novo não ocorre o que temos é a aprendizagem mecânica. O aluno repete mecânicamente aquilo que foi dito, sem entender realmente o que está dizendo. É a velha “decoreba”. E não é isto o que eu quero para o João.

Mas para ensinar significativamente é necessário usar um organizador prévio. Isto é; um conceito que não sendo ele próprio integrante do assunto a ser ensinado dá um ponto de partida para o aprendizado do que ainda não se sabe. Como dizia Ausubel, a coisa mais importante do ensino é saber o que o aluno já sabe e partir daí.

Então,  pergunta fundamental agora é:

  • O que o João já sabe e  pode ser um facilitador para o aprendizado da Metacognição?

Note que eu ressaltei o termo “facilitador”. Isto porque não basta ser conhecido préviamente; é necessário que este conhecimento anterior seja analogo ou faça algum tipo de interface com o novo conteúdo.

E este é o “pulo do gato”. Descobrir algo que partindo dele se passe sem traumas para a metacognição. E no caso do João ficcou muito explícito – O video-game!

Mas o que o video-game de estratégia (como é o caso do João) tem em comum com o estudo? Na minha maneira de ver eu acho que ambos:

  • São desafiadores e exigem ser decifrados. Nos dois há algo desconhecido, que para ser conhecido exige superar algumas barreiras.
  • Exigem raciocínio. Não se passa de uma etapa à outra sem reflexão.
  • Neste raciocicinio, tanto o jogador como o estudante precisam manipular e harmonizar múltiplas variáveis ou conteúdos simultâneamente
  • Exigem esforço. Precisa transpirar para atingir os objetivos. São horas e horas de dedicação.

Concluindo então

Meu plano inicial consiste assim de:

  1. Usar o video-game como organizador prévio.
  2. Apresentar o tema principalmente na perspectiva lógico-matemática, por meio de interação lingüística.
  3. Assim como nos video-games, trabalhar o conteúdo em etapas graduais, passando de um conteúdo mais fácil para outro mais difícil apenas quando o anterior já tiver sido dominado. Notar que aqui uso o conceito de ensino para o domínio, isto é, em cada etapa o aluno deve dominar TODO o conteúdo a ser aprendido.
  4. E também, assim como nos video-games o processo, embora trabalhoso deve conter parcelas importantes de prazer.

Dito assim, ensinar parece complicado e difícil. Mas não é, trata-se de conhecer e aplicar os conteúdos certos. Na próxima semana, mostrarei uma aula exemplo deste maneira de ensinar. Ali vocês verão como foi possível condensar todos estes princípios em uma aula de aproximadamente uma hora. Mostrarei a vocês como ensinei metacognição a este aluno que não gostava de estudar.

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Para saber mais leia os seguintes posts:

O que é aprender a aprender? Uma metáfora.

O que é aprender a aprender? Nossos fundamentos

O que é aprender a aprender? – Nossos princípios teóricos

Para saber mais sobre o Ausubel leia o seguinte post:

Aprendizagem: Outros autores – ênfase na pessoa – Ausubel

Como uma pessoa que tem uma inteligência pode desenvolver outra?

 

Letícia, um leitora do blog me pergunta:

Gostaria de saber, como uma pessoa que tem inteligencia interpessoal, pode desenvolver a inteligencia lógico-matemática.???? o motivo da pergunta é imaginemos a situação um líder ( administrador de uma empresa) deve saber efetuar os cálculos, até mesmo para encontrar melhores soluções, ou um promotor público, caso ele não tenha a capacidade de associar o fato as normas, neste caso  sentido lógico, não será eficaz, ou seja não conseguirá a atuar.
Atenciosamente,  
Letícia.

Bem, eu acho esta pergunta muito interessante e me parece que interessa a mais gente. Por isto respondo-a aqui.

Temos UMA inteligência?

Nós não temos UMA inteligência, ou duas, ou três, ou seja lá que número for. Na realidade somos pessoas que agimos em ralação a algo com maior ou menor grau de inteligência. Isto quer dizer que que quando agimos, o fazemos de forma inteira e integral. Não é uma parte de nós que o faz, sem qualquer relação com as outras partes.

Neste sentido então, ninguém “tem  inteligência interpessoal”, se nesta afirmativa está implícito que tê-la implica na inexistência das outras. É claro que de forma mais ou menos natural, temos mais facilidade em determinadas tarefas do que em outras. Isto significa, entre outros, que temos uma de nossas inteligências que desponta na comparação com as outras. E neste caso dizemos que a pessoa “tem aquela inteligência e não a outra. Mas note o “em comparação”. Isto é; todas estão presentes, porém apenas uma determinada, por exemplo a interpessoal, se expressa com maior freqüência ou intensidade.

Um outro aspecto é que dificilmente uma tarefa é tão especializada que exija uma única inteligência. Um líder, por exemplo, pode ter atingido este posto por conta de sua inteligência interpessoal. Mas sua capacidade de lidar com pessoas não foi provavelmente a única responsável pela sua ascenção ao posto. Se ele como líder precisa fazer cálculos, é provável que como liderado também tivesse de fazê-los, mesmo que com outros dados ou objetivos. Ainda mais, se ele precisa fazer cálculos é porque isto é minimamente relevante na sua área. E assim sendo, se ele fosse muito limitado em calcular, isto teria impedido, ou pelo menos dificultado sua ascenção ao papel de líder.

O que fazer então?

Aqui eu respondo mais diretamente à pergunta. De forma mais simplista, este líder precisa aprender a calcular. Chamo a atenção para o texto acima. Ter inteligência interpessoal não implica em que a lógico matemática inexista. Apenas que ela está menos desenvolvida. Mas isto não significa que o líder do exemplo tenha que sofrer sem esperanças. Ele pode usar sua inteligência interpessoal para aplainar o caminho. Há um antigo ditado que diz: “Todos os caminhos levam a Roma.” Aplicado a este caso, vejo dois caminhos possíveis.

O primeiro é o de organizar e liderar uma equipe multidisciplinar, onde as diferentes tarefas são executadas pelos respectivos “especialistas”. É claro que no trabalho em equipe nem tudo pode ser compartimentalizado, e as interfaces precisam ser trabalhadas com adequação. Da mesma forma, algumas tarefas precisam ser compartilhadas, e portanto há que se balancear a proporção de “especialistas” em relação aos “generalistas”. Mas é função do líder harmonizar o grupo e conduzi-los em direção aos objetivos desejados.

Não é a toa que a gerência tem sido comparada à regência. Um maestro rege especialistas; pianistas, violinistas, percussionistas, harpistas, etc. Não é ele próprio um virtuose em um dado instrumento. Sua especialidade é outra; reger. Isto é, conduzir uma orquestra multivariada para a perfeita execução de uma peça sinfônica. E aqui apenas mais um argumento a favor da interação entre as inteligências. O regente, é claro, precisa ter uma inteligência musical bem desenvolvida, mas é também um líder de pessoas, o que implica em demandas para sua inteligência interpessoal.

Há ainda um outro caminho, que não exclui o primeiro, mas o complementa. Este lider pode usar sua inteligência interpessoal para aprender a calcular. Assim:

  1. Aprender pelo diálogo: Esta é a sua força. Ele poderia atrair para junto de si, na empresa ou fora dela pessoas que pudessem ajudá-lo na tarefa. Por exemplo um professor particular com quem pudesse, na conversa, aprender o necessário. Neste caso não poderia ser um professor qualquer. Teria que ser um capaz de ensinar pelo diálogo. Por outro lado poderia fazer bom uso das conversas “de corredor”. Em contato com as pessoas competentes na tarefa a ser aprendida, e em conversas informais, ele estaria buscando os pedaços de informação necessários para o seu aprendizado. Mais que isto, poderia pedir ajuda, nos momentos e para as pessoas que julgasse adequadas. Note que em tudo isto está em jogo a capacidade do líder em relacionar-se e mobilizar pessoas em direção a uma meta. Mas isto não deveria ser problema para este especialista em lidar com gente.
  2. Aprender ensinando: Mesmo sendo difícil para ele a tarefa de calcular, ele poderia tomar para si a responsabilidade de ensinar a quem não sabe alguns aspectos já dominados ou julgados de menor dificuldade. Ensinar o que se sabe, ou se está aprendendo, é muito eficaz para aprender. E neste caso ocorre na relação interpessoal. O ensino, é claro, não seria dirigido aos especialistas, mas aos que o líder se sentisse seguro. Por exemplo, um novo estagiário, ou talvez ajudar uma criança nos deveres de casa. Poderia mesmo, assumir a tarefa de coordenar algum sistema de educação continuada na empresa, onde poderia participar de aulas ou seminários nos quais o especialista escolhido teria o papel predominante. E assim, novamente, estaria lidando com pessoas, a sua força, agora tendo como efeito colateral desejado, o aprendizado das tarefas necessárias.
  3. Tratar os números como pessoas: A linguagem matemática é lógica, e nisto se afasta um pouco das pessoas; mas lida todo o tempo com relações. Como gerente, o lider está adicionando recursos para multiplicar a produção. Precisa evitar que tarefas excessivas e dificuldades de comunicação subtraiam da equipe a capacidade de atingir as metas desejadas. Precisa em algum nível, dividir tarefas e responsabilidades. Em geral, dada a competitividade do mercado, as equipes trabalham no limite onde cabe ao gerente equilibrar a relação entre recursos e metas de modo a  maximizar a produtividade. E este trabalho se faz por aproximações sucessivas, ou iteração. Ao analisar o desempenho da equipe precisa extrapolar para poder prever ações futuras, mas do mesmo passo, precisa interpolar para identificar causas de picos ou vales de produção em desempenhos passados. O desempenho da equipe ou da empresa se avalia em séries numéricas frequentemente temporais. Note aqui, que intencionalmente usei termos da área matemática para fazer interfaces com eventos da vida diária na empresa. Iniciei com as quatro operações básicas da aritmética ampliando para noções mais complexas. Aprender matemática é em grande parte estudar as quantidades e suas relações. Neste nivel mais abstrato faz muitas interfaces com a gerência. Sim, não podemos tratar pessoas com números, já que elas não são. Mas podemos lidar com números como se eles fossem pessoas. Fazer isto não tornará o líder um exímio matemático, mas com certeza, fará com que o domínio das tarefas necessárias seja atingido com menos sofrimento.

E então, Letícia. Será que respondi?

Um abraço, e obrigado pela oportunidade de ensinar
algo relevante para você e provavelmente para outros.

Prof. Mauricio Peixoto

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CONHECER COMO DANÇA: Uma metáfora

Ao aproximar as visões de Whitehead, Dewey, Freire e Rogers sobre o conhecimento, Gill entende que, suas contribuições mais valiosas, vão no sentido de reforçar a necessidade de ver a atividade cognitiva como deve ser vista; mais do que uma mera assimilação ou uma recepção passiva.

A principal dificuldade em cada caso é que estes autores não levam suas percepções longe o bastante. Dirigem-se à uma compreensão reducionista e analítica da natureza da experiência cognitiva. Isto se dá na medida em que consideram o aprendiz e o conhecimento como pertencente à realidades separadas e independentes.

Neste contexto, SER é existir como uma unidade independente e autoconstituida. Conhecer é isolar, definir e explicar cada unidade em termos de outras unidades, até que se obtenha o último e irredutível bloco de realidade. Ainda mais, enquanto esta análise não estiver completa, não se pode afirmar o conhecimento o seu sentido mais próprio. Seguindo a concepção de Michael Polanyi, designarei esta visão atomística como “filosofia crítica”.

As implicações educacionais desta visão são amplas. Os sistemas educacionais americano e europeu (*) centraram-se no esforço de aprender a isolar, analisar e explicar os diferentes dados da experiência como partes isoladas a partir das quais o mundo é construído. O resultado final é a compreensão do processo de conhecer assumindo que o aprendiz e o conhecimento são distintos e independentes um do outro.

Este modelo de compreensão explica a prática educacional tradicional de tratar o conhecimento como uma realidade estática, em que o conhecimento de cada conhecedor, o professor, é transferido para outros conhecedores, os alunos. Este modelo contradiz a compreensão filosófica da cognição como primariamente, se não exclusivamente, uma função da mente.

Já a metáfora guia que serve de eixo para as considerações de Gill é a dança. Este autor entende que a característica focal da atividade cognitiva é a interação entre o aprendiz e o meio, tanto físico quando social. “Essa interação relacional consiste em um processo de troca – dar e receber – em que ambos, o aprendiz e o aprender se definem mutua e continuadamente” (pg 2).

Dançar envolve tanto o corpo quanto a mente, é uma atividade social que se relaciona horizontalmente com outros dançarinos e verticalmente com o que se vai dançar. A interação social incorporada numa contínua transformação do meio repousa no centro da cognição humana e deve formar a essência da teoria e prática educacional.

Implícitos nesta metáfora estão três pressupostos sobre o ato ou processo de conhecer:

  1. O conhecer é relacional, isto é decorre da interação entre o aprendiz e o conhecimento
  2. O conhecer é uma atividade. Interagir é agir entre, é uma ação executada pelo aprendiz, que sofre / recebe as influências do meio (físico, social, intelectual, etc). No entanto, mais do que interação entre a mente e o conhecimento apenas, ele também inclui a participação do corpo, de maneira integrada.
  3. O conhecer é social. Não ocorre em um vácuo pessoal. Surge da inserção do homem no seu meio, pressupondo uma linguagem. Esta mais que forma de comunicação é também ferramenta de construção/ modficação do mundo. Ainda mais, é construída socialmente, estando já presente quando aqui chegamos.

Mesmo Dewey, Freire e Rogers nos seus esforços de enfatizar a qualidade relacional da atividade cognitiva, nunca extraíram suas visões do emaranhado da herança epistemológica contida na filosofia moderna ou crítica. Ao explorar a metáfora da dança Gill nos apresenta um amplo esboço da atividade cognitiva; mais adequada e útil do que a apresentada pela filosofia crítica. Procura ainda completar isto explorando a fábrica de experiências de cognição na perspectiva do pensamento de Maurice Merleau-Ponty e Michael Polanyi. Mas isto é tema para “posts” vindouros…

(*) e também o brasileiro

Referência: Gill, Jerry H.: Learning to Learn: Toward a Philosophy of Education (cap 2), – Ed.:Humanities Press Internacional, Inc., Atlantic Highlands, New Jersey, pp 38-9, 1993.

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Leia também:

Uma síntese dos conceitos de conhecimento

O CONHECIMENTO segundo CARL ROGERS

O CONHECIMENTO segundo PAULO FREIRE

O CONHECIMENTO segundo DEWEY

O CONHECIMENTO segundo WHITEHEAD