Todos queremos ser jovens

O vídeo abaixo tem aproximadamente 10 minutos. Fala da geração que nós professores universitários estamos começando a receber. Lidar com ela é e será um desafio cada vez mais comum para todos os mestres.

Nas reuniões docentes em que participo, venho dizendo isto faz alguns anos. Estes alunos que estamos começando a receber são muito diferentes do que conhecíamos e principlamente do que imaginávamos que viria a ser.

Como disse um aluno meu a propósito deste vídeo;

É assustadoramente fantástico!! Uma ótima produção que nos revela (no papel de educadores) constatações que, acredito,  estão veladas em nós mesmos.

Este é um vídeo para professores, mas é também para todos que de alguma maneira convivem que esta nova geração.

Aproveitem a mensagem e reflitam, caso assim o desejem…

http://player.vimeo.com/video/16641689?color=c9ff23

We All Want to Be Young (leg) from box1824 on Vimeo.

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O que mudou na Educação? Por que mudou?

Para todos nós refletirmos. Pais e professores, assim como políticos, jornalistas, filósofos, sociólogos, antropóplogos, economistas, e todos os outros seres seres humanos, já que foi por causa da educação que podemos LER e ENTENDER o que aqui se apresenta…

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A Visão dos Adolescentes-Estudantes de Hoje: Alunos mergulhados nas novas tecnologias e professores nem tanto.

Apologia de Sócrates ou Dos perigos e responsabilidades do professor

No dia 15 de dezembro de 2008 tive a grande responsabilidade de proferir um discurso como representante dos pais durante a Colação de Grau de meu filho na Escola Parque.

Foi um discurso que acredito, fez sentido naquela cerimônia. Mas acredito também que ao referir-se a temas mais amplos, fará sentido neste blog. É também, eu acho, um texto adequado para esta ante-véspera de Natal

Mas isto cabe a você, o leitor, julgar.

Prof. Mauricio Peixoto

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Senhores diretores, senhoras diretoras, meus colegas; coordenadores, pedagogas e professores, 

Senhores e senhoras  pais e mães,

Meu filho, filhas e filhos de outros pais e mães aqui presentes,

A todos agradeço a grande responsabilidade que me foi oferecida de dirigir-lhes a palavra.

A arte é longa e  vida é breve, já dizia Hipócrates. Da mesma forma pouco é o tempo de que disponho.

Vivemos hoje um tempo de indefinições. No dizer de Marx “Tudo o que é sólido se desmancha no ar”.

O mundo está como que atordoado. Mais que crise financeira; uma crise de confiança. Em quem se apoiar neste momento? Em quem acreditar?

No centro capitalista do mundo a estagnação e o desemprego. Apesar disto, no Brasil o dólar dispara. O primeiro mundo em recessão volta os olhos para os paises emergentes. No entanto, aqui e acolá nacionalismos exacerbam-se com visões do passado.

Nossos jovens modelam-se pela celebridade da hora, que tal se tornou pelo fato apenas de ser célebre. Ao mesmo tempo, traficantes e milícias tomam de assalto o estado, procurando legitimar-se no exercício de cargos públicos; outrora símbolos da honra e da probidade.

Senhores e senhoras, meu filho, nossos filhos,

Em tempos de mudança e nevoeiro, importa voltar os olhos para o que não envelheceu. Para o que, com brilho próprio mantém-se vivo apesar dos esforços contrários. Falo de Sócrates; julgado e condenado a morte pelo crime de corromper a juventude. Dele o que diziam seus acusadores?

-Sócrates comete crime e perde a sua obra, investigando as coisas terrenas e as celestes, e tornando mais forte a razão mais débil, e ensinando isso aos outros.

Eis o seu grande crime: Usar a razão e o conhecimento para entender o mundo. Lutar contra a ignorância, o engodo e a má fé. E ainda pior; ENSINAR ISTO AOS OUTROS.

Senhores e senhoras, meu filho, nossos filhos,

Sim. Ensinar é tarefa perigosa. Nestes últimos 2400 anos, de múltiplas e sutis formas ,Sócrates vem sendo repetidamente envenenado.

Sim, Sócrates foi um subversivo. Incitou os jovens a rebelar-se.

Mas chamo a atenção; uma rebeldia de todo longe do protesto dos tolos e ignorantes. Seu chamado era para a sabedoria, para o verdadeiro conhecimento. Os gregos viam a verdade como que oculta em véus, que apenas difusamente revelavam os seus contornos. Cabia aos filósofos retira-los.

Era este o convite socrático; usar o conhecimento e a razão para compreender o verdadeiro mundo, oculto sob os véus da ignorância, do engodo e do preconceito.

E este convite, meus amigos,  me parece agora particularmente importante – confusos que estamos neste mundo pleno de mensagens contraditórias.

Hoje concluo um convívio regular de três anos com a Escola Parque e fico feliz de ter percebido neste tempo todo, que de variadas formas o convite socrático tem sido aceito e estimulado.

Nem sempre estivemos de acordo. Em muitos momentos discordei e não me calei. Mas o tempo todo houve o respeito à discordância.

E aqui explicitamente falo da Heloisa, do Fabio, do Giovani, do Carlão e do Tonico. Mas falo também por inclusão, de todos os 23 professores. Afirmo que cada qual à sua maneira e na sua especialidade, arriscou-se a mais uma vez ser envenenado no julgamento dos ímpios.

Sim, porque verdadeiramente ensinar, é estimular o livre pensar, o raciocínio crítico. O aluno que verdadeiramente aprende, aplica o que sabe no mundo em que vive. E isto é perigoso, porque aqueles que acreditam saber, sentem-se ameaçados quando sua verdadeira  face é revelada.

Senhores pais;

O aluno que aprende incomoda. Mas para nós os pais, é também um prazer.

Neste período de vestibular fiquei muito ansioso quanto ao desempenho do meu filho. Seguidas vezes tive vontade de poupá-lo do sofrimento dos longos e extenuantes exames. Minha esposa em certo momento comentou que se eu pudesse, iria fazer as provas por ele; ao que concordei enfático. No entanto meu filho que escutava o diálogo interveio neste momento dizendo: “-Ainda bem que não pode, porque eu sei mais matemática que você!”.

Pois é. Ele dizia a verdade. E eu que sempre procurei ajuda-lo em seus estudos, percebo que cada vez mais é menor o âmbito de conteúdos nos quais posso ser útil.

Agora então que entra para a faculdade em uma área que não é a minha; o processo deve se acelerar.

Como disse Gibhran “Nossos filhos não são nossos filhos. São filhos da vida…” E hoje uma vida que ele e cada um dos seus amigos e amigos terá de viver de maneira cada vez mais autônoma e independente.

Uma vida que espero, e imagino que os pais aqui presentes também, o permitam se tornar uma pessoa melhor do que já fomos um dia.

Porque é este o ideal da educação, tanto escolar como familiar – Criar um contexto que facilite o crescimento e desenvolvimento de seres humanos sempre maiores e melhores.

Meu filho, nossos filhos,

A vocês têm sido dadas oportunidades que poucos tiveram. Nós com nossas virtudes e limitações, temos feito o que de melhor julgamos para o seu crescimento e desenvolvimento.

Vocês formam hoje uma elite, financeira e cultural. É provável que nas próximas décadas vocês venham a formar algum tipo de classe dirigente neste país e quiçá no mundo. Alguns em órgãos de governo, outros produzindo o novo conhecimento, outros ainda a liderar pessoas em diferentes aspectos da realidade.

Isto porque vocês tiveram e ainda terão por algum tempo condições que poucos desfrutam. Saibam utiliza-las em seu benefício e da coletividade.

Aprendam, estudem, pratiquem. Experimentem o novo, respeitem o antigo. Saibam fazer a adequada síntese entre a tradição que estrutura e a inovação que oxigena.

Mas acima de tudo, saibam que são vocês os responsáveis pelo futuro. Breve o mundo estará em suas mãos; e como disse Violeta  Parra “-Caminhante, não há caminhos. O caminho se faz ao andar.”

Senhores diretores, senhoras diretoras, meus colegas; coordenadores, pedagogas e professores.
Senhores e senhoras  pais e mães

Meu filho, filhas e filhos de outros pais e mães aqui presentes,

Aqui encerro não com as minhas palavras, mas as de minha esposa. Porque apesar do que acabou de ser dito possa ter dado a impressão de uma jornada solitária, afirmo e enfatizo: Desde cedo meu filho, minha esposa e eu temos formado uma forte unidade, onde a educação e aprendizagem tem sido um dos temas muito discutidos e decididos em conjunto.

Por isto o pai agora se retira, para que pelo coração da mãe a mensagem seja entregue.

Uma homenagem a você, meu filho, aos seus amigos e estudantes, potenciais candidatos à universidade:

A primeira coisa que quero dizer é que vocês estão de parabéns!

Aprovados ou não no vestibular, vocês merecem o nosso aplauso e o nosso reconhecimento. Passar para uma universidade de excelência é tarefa árdua e, por que não dizer, desumana?

Sabemos o quanto é difícil dar conta de tamanha quantidade de informações e ainda assim manter a qualidade do seu aprendizado, no momento em que o que está em jogo é a disputa por uma vaga naquelas que são consideradas as melhores faculdades e universidades.

Sabemos o quanto é difícil mergulhar nos livros, focar nas aulas; quando estão aí, vivas e presentes, pressões externas e internas, que tiram a tranqüilidade e te tiram do seu centro.

Considerando que cada um de vocês é, em essência um ser individual e único, e portanto, com competências que ora podem facilitar que ora podem também dificultar o aprendizado, todos vocês, sem exceção, estão passando por esta etapa da vida vitoriosos e merecedores do reconhecimento do papel que ocupam no mundo, na escola, na família e na sociedade.

Que esta consciência permaneça ao longo da sua vida pessoal e profissional. Isto permitirá a sua evolução como ser humano vivo e íntegro, na suas forma de pensar, agir e sentir.

A vocês, parabéns e muito obrigado por tudo que aprendemos nesta caminhada no ano de 2008. Nós, mães e pais, vibramos, torcemos, suamos e sofremos junto com vocês, nossos filhos.

Aprendemos a ouvi-los e a enxergá-los para além da aparência e do óbvio.

Exercitamos flexibilizar negociar e priorizar tarefas, tempo, lazer, tentando colocar cada uma destas coisas no seu devido lugar e no seu momento adequado.

Cobramos demais? Cobramos de menos? Cobramos na medida certa? Não sabemos.

Mas uma coisa nós podemos dizer: Estamos orgulhosos de vocês. 

Nossos filhos queridos, nós te amamos.

Maria Teresa

Cotas de confusão, ou de como escravizar dando-lhes liberdade.

Usei intencionalmente o título da matéria do Globo, pois é exatamente sobre isto o que eu quero comentar. “Redigido às pressas para ser aprovado anteontem no dia da Consciência Negra” (citação do jornal O Globo), o projeto cria reserva de 50% das vagas para alunos de escolas públicas, pretos e pardos, mulatos e índios, sendo metade para a cota racial e a outra metade para a escola pública. Mas há oposição de vários setores ligados à educação. Abaixo um resumo dos argumentos listados:

  1. O texto permite confusão operacional. “Alunos de escolas públicas, pretos e pardos, mulatos e índios” são categorias não excludentes. Por exemplo, em qual cota entra um aluno de escola pública que é preto ou pardo?
  2. Como a cota racial depende por exemplo da prevalência de  pretos e pardos na população de um dado estado, ou estes tomarão indevidamente espaço da reserva para alunos de escolas públicas (no caso da taxa ser muito elevada. P/ex: Bahia = 73,16%), ou caso contrario (Sta. Catarina = 9,68%), os alunos das escolas públicas ficam “esprimidos” na sua metade enquanto a cota racial se “espalha” pela sua metade.
  3. É inconstitucional acabar com o vestibular para alunos de escolas públicas, pretos e pardos,mulatos e índios,  determinando que estes sejam aprovados em função das notas do ensino médio pois fere a autonomia pedagógica das universidades, impendindo-as de estabelecer seus critérios de acesso.
  4. É também inviável pois são milhares de escolas públicas no país, com os mais diversos critérios e níveis de exigência.  Por isto um aluno nota dez em um escola A não é necessáriamente melhor que outro nota 5 da escola B.
  5. Contribui para acirrar a divisão entre negros, mulatos e índios e brancos
  6. Segundo a antropóloga Yvone Maggie da UFRJ “o sistema de cotas é equivocado pois mira no alvo errado”, pois o que o país precisa é investir no ensino básico para produzir eqüidade.

Bem, estes dois últimos tópicos é o que pretendo discutir.  E o farei por intermédio das lições que a história nos dá; isto porque “a história só se repete como farsa”. Afirmo que medidas deste tipo têm e terão efeito oposto ao pretendido.  Para muitos – não por acaso, o projeto é aprovado no “Dia da Consciência Negra” – esta aprovação é festejada como mais um passo na luta pela liberdade do negro.  Afirmo que, ao contrário, é mais uma das muitas medidas protelatórias da escravidão(*), embora com aparência libertária e promotora de justiça social. Continuar a ler