A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner

Há dois grandes grupos de pesquisadores sobre a inteligência. Um a entende como sendo única. Existiria um fator “G” representando a inteligência de uma dado indivíduo, que tendo maior ou menor magnitude definiria esta pessoa como sendo mais ou menos inteligente. Já o outro entende a inteligência como sendo multidimensional, isto é, sendo composta por diferentes tipos, relativamente independentes entre si. Assim é que ideia de que a inteligência é múltipla não é exclusiva de Howard Gardner, mas ele é um dos expoentes mais conhecidos.

Gardner e as inteligências múltiplas para o blog Aprendiz em saúde

Para você acessar a apresentação acima clique aqui.

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A Psicologia Diferencial e o Processo de Aprendizagem na Perspectiva Individual

Olá!

Apresento o abaixo o texto de uma aluna de mestrado que orientei. Acho que pode ajudá-lo a entender um pouco melhor sobre o que é e como a Psicologia Diferencial pode ajudar a compreender o seu processo de estudo.

Prof. Mauricio A. P. Peixoto


A Psicologia Diferencial e o Processo de Aprendizagem na Perspectiva Individual

Alessandra Costa Penna

Extrato de: Estilos de aprendizagem e ambientes de ensino: Estudo comparativo dos estilos verbalizados e visualizador nos contextos presencial e a distância. / . – Rio de Janeiro: UFRJ / Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde, 2007, pg 45-49.

Segundo Jonassen & Grabowski (2001), a psicologia diferencial é o campo da psicologia que estuda o papel das diferenças individuais no comportamento humano. Os objetivos fundamentais desta área da psicologia são o estudo dos comportamentos humanos, a compreensão dos processos mentais, e a procura de causas e compreensão das consequências das diferenças psicológicas entre cada um de nós.

Como cada pessoa se desenvolve de forma diferente, esta vertente da psicologia concentra os seus estudos na variabilidade do ser humano. Entende-se diferenças individuais como as inteligências, os estilos cognitivos e a personalidade. Cada indivíduo possui uma maneira de acomodar as idéias e assimilar mentalmente um conteúdo, e isto é possivel pois cada um possui determinadas habilidades mentais. Os estilos cognitivos e o tipo de controle cognitivo refletem o modo de pensar do indivíduo e sua personalidade.

No processo de aprendizagem os indivíduos apresentam diferentes modos de comportar-se, assim, uma vez respeitadas tais diferenças, é possível promover a igualdade de condições e oportunidades para o aprender.

Para estes autores, a personalidade influencia a estabilidade emocional do aprendiz e a motivação para aprender. A fim de descrever as diferenças individuais, tais autores utilizaram o termo “metáfora geográfica”. Esta vê as diferenças entre os indivíduos como um mapa da mente, no qual cada indivíduo tem um “terreno” diferente. A mente humana pode ser vista como uma paisagem de traços e habilidades que varia de indivíduo para indivíduo. Tal paisagem possui picos e vales. Os picos representariam os traços fortes (resistentes), e os vales a ausência de habilidades específicas de aprendizagem. E, finalmente, a combinação de traços e aptidões de um individuo compõe o estilo e a personalidade.

Estudos denominados de ATI (aptitude-by-treatment interaction research) investigam o efeito das atitudes e  dos traços do aprendiz nos resultados de aprendizagem, a partir das diferentes formas de instrução. “Aptitude” se refere às variáveis de personalidade, estilos cognitivo, habilidades mentais; “Treatment” consiste da estrutura e forma de apresentação das estratégias instrucionais (entendendo como estratégias instrucionais o conjunto de decisões que resultam em um plano, método, ou uma série de atividades com objetivo de atingir uma meta- Jonassen, Grabinger & Harris, 1990 In: Jonassen & Grabowski, 2001); e “Interaction” é o que ocorre entre “aptitude” e “treatment”. Então, diferenças individuais resultam em diferentes desempenhos, resultados. Portanto, diferentes estratégias instrucionais podem facilitar ou inibir, prejudicar, a aprendizagem, dependendo dos efeitos das características estruturais dos tipos de aprendizes. Exemplificando, aprendentes com diferentes traços não respondem similarmente a uma mesma forma de instrução.

O estudo da ATI é útil para entendermos as diferenças individuais no processo de aprendizagem, logo é útil para compreendermos os diferentes estilos de aprendizagens e para analisarmos os diferentes tratamentos de informação.

Cada indivíduo tem uma maneira de acomodar as idéias e assimilar mentalmente um conteúdo, ou seja, constroem significados diferentes para um mesmo conhecimento compartilhado, e aplicam tal conhecimento de forma diferente em novas situações e contextos. Isto é possível, pois que cada um possui determinadas habilidades mentais para processar as informações. E, portanto, os estilos cognitivos e o tipo de controle cognitivo refletem o modo de pensar do indivíduo e sua personalidade.

Cada aprendiz tem sua história de vida, algumas experiências de aprendizado bem sucedidas, outras nem tanto. Este conjunto de experiências serve como pano de fundo para seus aprendizados.

Entendo ser pela consciência de todos estes aspectos, por uma constante retomada de suas próprias preferências, das vantagens e limitações das mesmas, que o aprendiz conhece seus processos de aprendizagem, tornando-se mais eficiente.

Em relação ao ambiente de aprendizagem, os pontos que devem ser ressaltados são (Jonassen & Grabowski, 2001):

·       Cada aprendiz é único na forma como recebe, processa informações, lida com diferentes situações de aprendizagem e aprende.

·       Uma única forma de apresentar informações não vai atingir a todos os aprendizes da mesma maneira. E aqui não estou me referindo somente ao formato dos materiais didáticos, mas à utilização de diferentes mídias, como a impressa e a digital.

·       A combinação de diferentes dinâmicas de trabalho em sala de aula beneficia diversas “preferências” de aprendizagem (estilos de aprendizagem).

·       O conhecimento por parte do professor das suas próprias preferências de aprendizagem e a de seus alunos, deve refletir no planejamento das atividades pedagógicas e na orientação para o desenvolvimento de estratégias de aprendizagem.

·       O aprendiz precisa conhecer suas próprias preferências de aprendizagem para desenvolver estratégias que o auxiliem a lidar com as mais diferentes situações de aprendizagem na escola ou na vida.

Somente nos últimos anos se tem dado ênfase ao modo de aprender dos indivíduos, sob o ponto de vista daquele que aprende (Berbaum, 1993). Silva e Sá (1993) descrevem a aprendizagem como caracterizada pela organização e ativação de conhecimentos nos momentos apropriados, pelo recurso das estratégias cognitivas e sua aplicação eficaz.

Mc Keachie, 1966 (apud: Bordenave, J. D., Pereira, A. M.), a partir de sua experiência com alunos e professores de física, afirma que o ensino se torna mais eficaz quando o professor conhece a natureza das diferenças entre os alunos.

Serafini (1996) compreende a aprendizagem condicionada por diversas variáveis do indivíduo. Para esta autora, cada pessoa tem um estilo de aprendizagem e obtém melhor rendimento quando o segue.

Sadler-Smith e Smith (2004) entendem que a forma de comunicação professor-aluno e as diferenças individuais, estas últimas do ponto de vista dos alunos, interagem modificando o processo de aprendizagem 1e o seu respectivo resultado 2 .

Sohn, Doane e Garrison (2006) estudaram o impacto das diferenças individuais e do contexto de aprendizagem na aquisição de habilidades cognitivas de comparação visual e na transferência desta aprendizagem para novas situações. O estudo foi realizado em um grupo de estudantes da Universidade do Mississipi, e foi visto que, dependendo do treinamento inicial oferecido aos alunos, o resultado de desempenho em uma segunda etapa (de transferência do aprendizado para uma nova situação) variava. Então foi observado o efeito do nível de habilidade cognitiva na performance do estudante em diferentes treinamentos. Com este estudo, tais autores concluíram que para um bom treinamento é importante conhecer as diferenças individuais, antes mesmo de selecionar os indivíduos para serem treinados.

Ao trazer a experiência obtida através da pesquisa realizada por Sohn, Doane e Garrison (2006) para a realidade deste estudo, é possível pensar que, ao conhecer os estilos de aprendizagem dos alunos, o professor poderá optar por diferentes recursos de apresentação dos conteúdos de sua disciplina, e, simultaneamente, os alunos, ao conhecerem seus estilos preferenciais de aprendizagem, poderão fazer uma escolha mais consciente do contexto de ensino no qual melhor se adaptem. Portanto, conhecendo e respeitando tais diferenças, o processo de ensino-aprendizagem poderá acontecer de forma mais harmoniosa.

Quando o professor ensina, deseja que o aluno aprenda e cresça como pessoa humana. E para ensinar, o professor define objetivos, escolhe determinados conteúdos e atividades, mas os alunos não são todos iguais, são pessoas diferentes e singulares. Logo, reagirão de maneira diferente aos professores, aos objetivos das aulas, aos conteúdos (matérias), aos métodos de ensino, e às formas de avaliação. Tais reações diferentes os levarão a aprender de forma diferente. Portanto, as características pessoais dos alunos devem merecer a atenção do professor.

O professor e o aluno necessitam conhecer seu modo de aprender e mediar as possíveis diferenças que surgem de sua relação, uma vez que sabemos que há benefício no aprendizado quando os estilos de aprendizagem dos alunos são respeitados, e quando tais alunos se sentem motivados para aprender. Portanto, o professor, como um mediador do processo de aprendizagem, deve ficar atento aos estilos de aprendizagem de seus alunos, e procurar facilitar a aprendizagem destes utilizando diferentes formas, recursos, de apresentação do conteúdo.

(1) Em termos de funcionamento cognitivo, comportamento durante a aprendizagem, e predisposição para atividades específicas.

(2) Em termos de performance e motivação.

Referências Bibliográficas:

  •  BERBAUM, J. Aprendizagem e Formação. Porto: Porto Editora, 1993.
  • BORDENAVE, J. D.; PEREIRA, A. M. Estratégias de Ensino-Aprendizagem . Petrópolis: Editora Vozes, 1998.
  • JONASSEN, David H.; GRABOWSKI, Barbara L. Handbook of individual differences: learning & instruction. Lawrence Erlbaum Associates, Inc., Publishers, Hillsdale, New Jersey, 2001.
  • SADLER-SMITH, E.; SMITH, T. J. Strategies for accommodating individual’s styles and preferences in flexible learning programmes. British Journal of Educational Technology, vol. 35, nº 4, 2004, pág. 395-412.
  • SERAFINI, M. T. Saber estudar e Aprender. 2ª ed. Lisboa: Presença, 1996.
  • SILVA, A.L. da e SÁ, I. de. Saber Estudar e Estudar para Saber. Porto: Porto Editora, 1993.
  • SOHN, Y.W.; DOANE, S. M.; GARRISON, T. The impact of individual differences and learning context on strategic skill acquisition and transfer. Learning and Individual Differences, vol. 16, nº 1, 2006, pág. 13-30.

Quando você estuda é assim?

Clique na foto para saber!

Quando você estuda é assim

 Sublinhar é uma técnica de estudo onde você ressalta as idéias mais importantes. Por isto fica mais fácil aprender , memorizar e depois fazer a revisão antes da prova.

Mas COMO diferenciar as coisas mais importantes das menos relevantes ????

Quer saber? Pergunte para mim…

Cédric Villani fala sobre Educação Matemática

Saiu no Globo de 14/08/2012. Li, gostei e trago para vocês um extrato da entrevista. Há um grifo meu em determinados trechos, que considero mais relevantes. Quem sabe você concorda comigo…

A entrevista:

digitalizar0001Um dos maiores gênios da matemática, o francês Cédric Villani foge do estereótipo do professor sisudo. Visual extravagante, que lhe rendeu a alcunha de “Lady Gaga da matemática”, o ganhador da Medalha Fields de 2010 – o equivalente ao Prêmio Nobel de sua área – está no Rio para fazer uma conferência no Instituto de Matemática Pura e Aplicada. Em entrevista, ele se disse encantado com a cidade.

• O senhor também mencionou a necessidade de atrair os jovens para a matemática. Com fazer isso diante do fato de a maioria dos estudantes, e das pessoas em geral, ter “medo” de matemática e dos estudos de ciências em geral?

Este é realmente um dos maiores perigos que devemos temer. Primeiro temos que reconhecer que as pessoas aprendem e usam a matemática há milhares de anos, então temos várias ferramentas pedagógicas que são boas e funcionam. São muitos os sistemas usados e hoje temos a possibilidade de compará-los e experimentar. Outra coisa que as pessoas tendem a esquecer é que na pedagogia o melhor método costuma ser aquele que é o preferido do professor; o que ele ou ela desenvolveram por si próprios e sabem por experiência própria que seu sistema funciona. No fim, o que importa é a relação entre os alunos e o professor. Os professores mais motivadores que encontrei na escola eram os que tinham seu próprio estilo, seus próprios exercícios e que davam mais atenção para os alunos que se mostravam mais interessados. Eram os que realmente gostavam da matéria que ensinavam, e isso é motivador. E na matemática, embora alguns princípios sejam importantes, deve-se ter paciência. A matemática não é algo natural para nós. Nossa maneira de pensar é baseada em emoções, sentimentos na identidade visual e no contato com as pessoas, e não na lógica matemática. Esta lógica foi desenvolvida por várias civilizações ao longo do tempo e chegou a nós com esforço. Temos que lembrar disso e que leva tempo para entrarmos no espírito da matemática. E o mais importante na educação matemática não é o

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Tipos de Aprendizes – Seus estilos de Aprendizagem

Infográficos são formas visuais de sintetizar informação. Aprenda um pouco mais sobre estilos de aprendizagem. E, de quebra, talvez você descubra qual o seu estilo.

Tipos de aprendizes-Infográfico

PS: Obrigado Cintia, pela dica!


Leia também:

o que é Estilo de Aprendizagem

Curso de Técnicas de Estudo e Motivação para a Aprendizagem

Como transformar os testes em seus melhores amigos

O que são flashcards? Parte I

Pergunte “por quê? ”. Isto pode te ajudar!

Você precisa de tempo! A Prática Distribuída (Parte 1) – O que é?

Você precisa de tempo! A Prática Distribuída (Parte 2) – Como fazer?

 

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O Quadro horário de estudos: Construindo o seu

Agora está na hora de personalizar tudo o que falamos sobre o Quadro Horário, tanto no que se refere aos pressupostos como aos tipos e objetivos. Em adição, há também outros critérios estes pessoais.

Os Pressupostos

Comece estabelecendo o seu “quadro de pressupostos”. É importante que seja escrito porque você vai voltar a ele várias vêzes durante a construção do quadro horário. Ele tem o seguinte formato:

image

Note que neste quadro você deve ser específico. Por exemplo, no “O que preciso” não escreva:

“Passar no concurso “X” para aumentar meu salário.”

Isto é claro uma necessidade sua mas não é específico para um quadro horário. Seja mais preciso, escreva:

“Estudar todo dia pelo menos 10 horas por dia”

Agora você foi específico. Definiu (em termos de hora) uma quantidade e uma freqüência. Agora preencha o seu desejo. Posso supor que 70 horas semanais de estudo não seja exatamente o seu sonho de consumo. Então o que você acharia bom? Por exemplo, escreva:

“Estudar 3 horas às segundas e quartas à noite e quatro horas no sábado.”

Agora já se nota uma redução de 60 horas e quatro dias do que você precisa (usando sua razão) em relação ao que você quer (usando a sua emoção). O próximo passo é negociar os dois extremos. E para isto você vai negociar com a realidade. Primeiramente você vaí construir o seu quadro horário preliminar. É como você se lembra, uma tabela com dias e horários. E nela você colocará os seus horários comprometidos. por exemplo higiene pessoal, aulas, trabalho e alimentação. Ah! E não se esqueça do deslocamento. O quadro resultante (hipotético) ficaria assim:

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Note que a sua realidade já ocupou cinco dias da semana no horário de 6:00 às 19:00hs. São portanto 65 horas ocupadas com atividades que impedem o estudo individual.

Claro que sua realidade pode ser melhor. No quadro considerei aulas pela manhã e um trabalho de meio expediente à tarde. Pode ser que você não trabalhe, e neste caso ganha mais 20 horas livres. Mas pode ser pior; o trabalho pode ser durante o dia inteiro e eventuais cursos terão que ser feitos à noite e aí o tempo de estudo se reduz as mesmas 20 horas.

De qualquer maneira o raciocínio é o mesmo. Construir o quadro e nele inserir os horários obrigatórios.

Feito isto o que sobra? Dias de semana à noite e finais de semana inteiros. Digamos que você, pobre mortal resolva separar sábado e domingo à noite para o lazer e acordar um pouco mais tarde no sábado e domingo. Assim, o que você pode fazer (equilíbrio entre precisar, querer e poder) é:

“Estudar de segunda à sexta à noite das 20:00 às 24:00hs, sábado das 7:00 às 20:00hs e domingo das 8:00 às 21:00hs.

E portanto o quadro horário ficaria assim:

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A Distribuição do Horário – Os Critérios Pessoais:

Agora que você já determinou a quantidade total de horas de estudo, está na hora de decidir a sua distribuição. Para esta distribuição leve em conta os seguintes critérios:

  • Importância da disciplina
  • Dificuldade da disciplina
  • Tipo de disciplina
  • O seu estilo pessoal de aprendizagem

Chamo a sua atenção de que nenhum dos critérios acima é absoluto. Da mesma forma que os pressupostos, você deve equilibrá-los. Por exemplo, talvez você dedique pouco tempo a uma disciplina muito importante porque para você ela é muito fácil. Ou o contrário, mais tempo para uma disciplina secundária já que ela é muito difícil para você.

Importância da disciplina

É óbvio que se o seu objetivo é ober um bom resultado, disciplinas mais importantes terão mais tempo de estudo que as menos valiosas. Portanto a decisão é fácil. Mas o que determina o valor de uma disciplina (ou de parte do seu conteúdo)?

Penso que o equilibrio entre pelo menos três fatores. Na situação escolar normal o primeiro fator é o grau de exigência do professor. Em média as provas são fáceis ou difíceis?

E à medida que você se aproxima do vestibular ou já na faculdade, da sua graduação; qual a importância para a profissão escolhida?  E este é um segundo fator.

Nos concursos, vestibular inclusive, há determinadas matérias que tem um peso relativo maior do que outras. E como a pontuação final é o somatório ponderado de todas as notas; então, com o perdão do trocadilho, este é mais um fator de peso.

Para facilitar, há um planilha publicada ( http://www.forumconcurseiros.com/forum/showthread.php?t=246172 ) que já tem automatizados alguns cálculos. Por ser automatizada tem a vantagem de exigir menos raciocínio. Por outro lado tem o limite de ser focada em concursos e mais que isto levar em consideração apenas dois dos critérios que eu discuto. O primeiro é o relativo à este tópico; a importância da disciplina. Mas mesmo neste caso a importância é definida apenas pelo seu peso no edital. E o segundo critério é o nível do candidato na disciplina, que é parte do que discutiremos à seguir.

Dificuldade da disciplina

O primeiro fator a tornar difícil uma disciplina já foi discutido acima. Professores ou bancas exigentes tornam tudo mais difícil.

Mas há ainda a quantidade e estrutura da matéria. Obviamente quanto mais conteúdo, mais difícil é dominá-la. Mas perceba que há matérias em que o conteúdo é bem organizado e lógicamente organizado. Outras consistem em um compilação de regras. As primeiras tendem a ser mais fáceis de aprender e memorizar que as segundas (dependendo é claro do seu estilo pessoal de aprendizagem).

Um exemplo em Direito são as matérias de “doutrina” onde os temas são apresentados em um contexto de reflexão e argumentação. Em contraste há as de “código” onde o aluno tem logo de cara uma grande compilação de regras, estando o raciocínio mais oculto, pleo menos em comparação com as anteriores.

Tipo de Disciplina

Aqui não se trata do conteúdo, mas da maneira com que ela é apresentada pelo professor. Por exemplo; se você está aprendendo inglês e o foco é a gramática, um estudo prévio o ajudará na aula. Já se o objetivo é falar, não adianta estudar, você tem que praticar, na aula e fora dela. Por outro lado, se o foco está na produção textual, a sua maneira de estudar é escrever e levar os textos para aula. E isto evidentemente influencia a alocação dos horários de estudo no seu quadro.

Um professor pode organizar sua aula de múltiplas formas, mas para simplificar vou dividi-la em dois tipos; as de preleção e as de debate. Esta divisão é um tanto estereotipada, já que durante a preleção é importante haver participação e durante o debate deve haver algum grau de preleção. A preleção dialogada por exemplo, usa estes dois recursos simultâneamente.

Mas reduzindo à sua forma mais típica nas preleções o professor apresenta a matéria, cabendo ao aluno ficar atento. Aqui, eventuais perguntas são permitidas. Este é talvez o formato mais frequente nos cursos, escolas, conferências e palestras. Já na aula participativa a interação é maior. O professor lança um tema e coordena os debates, cabendo ao aluno trabalhar o assunto por meio de exposição oral, diálogo, questionamento, argumentação e etc.

Fica claro portanto que nas aulas de debate, o seu aprendizado depende da sua participação e esta do que você sabe sobre o tema tratado. A quem ignora o assunto, só resta o silêncio. Por isto se a aula é deste tipo, então é conveniente alocar no seu quadro horário um estudo prévio. No dia anterior à disciplina você estuda o assunto, para que possa desenvolvê-lo durante a aula.

No caso da preleção, o oposto não é necessáriamente verdadeiro. Há que se identificar o tipo de preleção. Simplificando há três tipos de preleção: a “didática”, a panorâmica e a de aprofundamento.

“Didática” é aquela aula em que o professor toma um assunto e o disseca completamente, explicando tudo passo a passo. Uso aqui o termo “didática” entre aspas porque este termo é usado pelo senso comum para descrever este tipo de aula. Didática na realidade é uma área de conhecimento bem mais abrangente do que meramente um formato de preleção.

Na aula panorâmica o professor aborda um tema que pela sua abrangência não pode ser apresentado na sua totalidade quer em uma aula, quer em um curso. Ainda mais, há temas que precisam ser refletidos pelo aluno. Precisam ser processados pelo aluno ao longo de algum tempo. Há outros ainda, que se tomados de imediato pelo aluno tornam-se excessivamente difíceis. Por isto o objetivo de uma aula panorâmica é apresentar o tema na sua totalidade, ressaltando os tópicos principais e a ligação entre as partes.

Finalmente uma aula de aprofundamento toma um tema nos seus detalhes. Procura estabelecer relações com outros temas, explicitar conseqüências obscuras, resolver dififuldades, indicar desdobramentos. Aulas de aprofundamento não são para iniciantes.

Dadas estas características fica clara a alocação de horário de estudo. Se para o debate o estudo é anterior, para preleção varia. Assim uma aula “didática” pressupõe a ignorância do aluno no tema, por isto tudo é explicado. E então cabe ao aluno depois da aula estudar o assunto e eventualmente em aulas posteriores resolver dúvidas. O objetivo neste caso é solidificar o aprendizado.

A aula panorâmica neste aspecto é semelhante. O estudo principal deve ser posterior à aula. Mas neste caso é interessante que no dia anterior ou pouco antes da aula (se você dominar técnicas de leitura eficaz), seja feita uma rápida leitura prévia do tema. O objetivo neste caso é o de aproximar-se do tema de modo a facilitar a apropriação da visão de conjunto que será apresentada pelo professor. Para solidificar o assunto então é que você deverá alocar um período de estudo após a aula.

Finalmente nas aulas de aprofundamento você precisa estudar antes E depois. O “antes” aqui refere-se a períodos de estudo alocados no seu quadro horário antes da aula. Mas também se refere a estudos prévios à aula e mesmo à disciplina atual. Note que eu já disse que aulas de aprofundamento não são para iniciantes. Você não estuda álgebra se não souber aritmética, cardiologia se desconhecer anatomia e fisiologia. Neste sentido uma aula (ou curso) de aprofundamento exige pré-requisitos. Por isto antes de se dedicar a uma delas verifique se você os possui.

Então nas aulas de aprofundamento você deve estudar antes para apropriar-se do tema e identificar pontos obscuros. Cabe então alocar periodos de estudo antes da aula. Mas deve também estudar depois para solidificar o aprendizado e também refletir sobre o assunto.

Seu estilo pessoal de aprendizagem

Estilo pessoal de aprendizagem refere-se à sua maneira individual de aprender, às suas preferências de estudo. Leva em conta seu tipo de inteligência, estilo de raciocínio entre outros. De forma mais precisa demanda estudo especializado. No entanto por agora e para simplificar, há aspectos que você mesmo pode saber.

Por exemplo; você estuda melhor pela manhã ou à noite? Tem mais facilidade com matérias exatas ou humanas? Consegue estudar bem por longos períodos ou precisa de interrupções frequentes? Seu ambiente de estudo ideal é retirado e silencioso ou talvez com algum movimento de pessoas ou sons? Precisa alimentar-se para estudar ou o “lanchinho” o prejudica? Como se sente melhor; “enfrentando” aquela matéria difícil para então desfrutar daquela que te agrada? Ou precisa primeiro “presentear-se” com a fácil para ir “esquentando” e só então dedicar-se à que tem assusta?

Isto tudo importa na hora de escolher o horário. Estudar pode ser muito prazeroso, mas exige sempre um certo esforço e dedicação. Então, a melhor maneira de acertar é aplainar o caminho escolhendo o trajeto de maior probabilidade de sucesso. E isto se faz respeitando seu estilo pessoal de aprendizagem.

Este é um aspecto que muito, mas muito raramente vejo discutido. Particularmente em recomendações para candidatos a concursos públicos. Todos são tratados como se fossem iguais e devessem se submeter aos editais e horários de cursinhos.

Não me entendam mal, é claro que editais e “cursinhos” são importantes. É inteligente ver o que deu certo para outros. No entanto mais importante que isto é você. Não estou dizendo que você deve sempre agir como bem entende.  Pelo contrário, leia o que falei em post anterior sobre o equilíbrio entre o precisar o querer e o poder.

Você deve sempre personalizar seu estudo e também o seu quadro horário. Há em alguns textos alguma referência à personalização. Mas na pesquisa que fiz para construir este texto há apenas a citação de que os modelos apresentados funcionaram para os seus construtores, fazendo-se a ressalva de que pode ser diferente para o leitor.

Mas como personalizar? Mostrar como fazê-lo tem sido o objetivo deste e dos posts anteriores ( “Pressupostos” e “Tipos e Objetivos”).

Finalizando:

Bem como vimos, o quadro horário tem alguns aspectos constantes como o formato, determinação de quantidade de estudo e tempo dedicado à outras atividades obrigatórias, etc. E tem também outros aspectos pessoais, tratados em detalhe neste texto.

Mas se você parar para pensar, até o momento tratei o quadro horário como algo estático. Uma vez construido está gravado em pedra para todo o sempre. Isto não é verdade. Ele é tão fixo como a vida. Novo edital, uma doença, imprevistos, mudanças de professores ou disciplinas, nova bilbiografia a ser explorada, etc, etc, etc. Quantas e com quão regularmente isto ocorre em nossas vidas. Mais que isto, quantas mudanças ocorrem à nossa revelia e que não podemos evitar?

Por conseqüência o seu quadro horário deve mudar. Sempre respeitando os princípios aqui tratados, mas também sempre adequando-se à vida sempre em mudança.

Mas como lidar com tudo isto sem ter que dedicar seu tempo  precioso para mudanças constantes no quadro? No próximo post tratarei disto, apresentando um método proposto por Cal Newport, especialista em estudos de alto nível. É um método que venho usando com muito bons resultados faz já algum tempo.

Até lá!

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Todos queremos ser jovens

O vídeo abaixo tem aproximadamente 10 minutos. Fala da geração que nós professores universitários estamos começando a receber. Lidar com ela é e será um desafio cada vez mais comum para todos os mestres.

Nas reuniões docentes em que participo, venho dizendo isto faz alguns anos. Estes alunos que estamos começando a receber são muito diferentes do que conhecíamos e principlamente do que imaginávamos que viria a ser.

Como disse um aluno meu a propósito deste vídeo;

É assustadoramente fantástico!! Uma ótima produção que nos revela (no papel de educadores) constatações que, acredito,  estão veladas em nós mesmos.

Este é um vídeo para professores, mas é também para todos que de alguma maneira convivem que esta nova geração.

Aproveitem a mensagem e reflitam, caso assim o desejem…

http://player.vimeo.com/video/16641689?color=c9ff23

We All Want to Be Young (leg) from box1824 on Vimeo.

O que você achou da mensagem? Tem algo a dizer?  Ou a comentar?

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