Quadro Horário– O sistema de Cal Newport

Na semana passada, quando tudo parecia terminado e você tinha todas as ferramentas para construir o seu quadro horário, eu digo que a coisa não era bem assim. E aí, muito justamente você fica se perguntando como que é possível ter alguma coisa depois do fim.

Eu explico. É que até pouco tempo atrás esta série terminaria por ali mesmo. Teria apresentado os tipos, os objetivos e as formas de construir. E como novidade teria trabalhado a forma de pensar como eixo condutor do conteúdo. Só isto já seria um avanço, vez que este tema raramente é citado.

Mas algo me incomodava, embora eu pouco percebesse. Durante toda vida eu estudei. Durante toda vida tive mais coisas para fazer que tempo para realiza-las. E já de bom tempo venho estudando e praticando conteúdos e ferramentas de aprendizagem. Quadros horário, portanto, são meus conhecidos de longa data. Então por que deixei de usá-los?

A minha resposta era a de que sendo muito trabalhosos e eu sabendo o que fazer, podia tê-los na minha mente. Teria assim um “quadro horário” altamente dinâmico e interativo. Racionalmente convencido, prossegui embora repetindo a canção do Fagner, o tal do “Sentimento ilhado, morto, amordaçado. Volta a incomodar.”.

E como era este incômodo? Primeiro a sensação vaga de que algo estava errado. Depois descobrir que as datas de tarefas passavam sem que me desse conta. Também trabalhar o dia inteiro e ficar com a sensação de que nada fiz de importante. Ainda mais; uma sensação angustiante de que por mais que fizesse sempre tinha mais o que fazer; e que nunca ia “dar tempo”.

Pois bem, isto se manteve até pouco tempo atrás, quando importei um livro sobre técnicas de aprendizagem[1]. Seu autor[2], um jovem professor de Ciência da Computação na Universidade de Georgetown, produziu o livro à partir de uma pesquisa norteada por uma questão fundamental:

O que estudantes de alto nível de faculdades de elite norte americanas fazem para obter os graus acadêmicos que os distinguem?

As respostas nominaram o sub-título do livro:

As estratégias não convencionais que estudantes universitários reais usam para obter graus mais elevados estudando menos.

Em resumo a resposta básica é que tais estudantes não estudam mais que os outros, mas o fazem melhor. A diferença está no método. E no que se refere à questão da administração do tempo, da mesma forma. E é isto o que passo a descrever agora.

Administração do tempo em cinco minutos diários.

Não me entendam mal. O livro foi um achado e utilizo com sucesso suas orientações. Mas para segui-las uso sim tudo o que já sabia, e foi descrito nos tópicos anteriores. Isto quer dizer que inicialmente eu construí normalmente o meu quadro horário e eventualmente paro e refaço. Agora é na sua manutenção que uso os recursos do Newport, e mesmo nela os conceitos de precisar, querer e poder estão sempre presentes.

Um primeiro aspecto a ressaltar é a importância da administração do tempo. Como disse uma aluna de Harvard: “Administrar o tempo é crítico – é uma competência que você precisa necessariamente desenvolver ao longo dos seus estudos na universidade.”. No entanto o significado disto é muitas vezes mal-entendido. Costuma-se entender administração do tempo como um processo de comprimir o máximo de tarefas em um mínimo de tempo. Mas isto não é verdade[3].

Um primeiro grande benefício da administração de tempo é o combate à ansiedade. Quantas vezes você já não ficou angustiado ao perceber o quanto tinha que estudar? Quantas vezes o sentimento de “nadar muito e morrer na praia?” Quantas vezes a sensação de estar soterrado em livros, apostilas e matéria?. Poucos são os estudantes dedicados que de alguma forma e em alguma intensidade já não passaram por isto.

É bem verdade que uma parte disto é justificada, já que com alguma frequência estudantes veem-se assoberbados em decorrência de tarefas d última hora, imprevistos, cursos excessivos e etc. Não se trata aqui de negar esta realidade. Mas acho que isto é apenas uma parte da verdade.

Outra causa desta angústia é uma espécie de armadilha mental em que nos colocamos. Sabemos tudo o que precisamos fazer e estudar, sabemos dos nossos compromissos diários. O problema aqui é que tudo isto o que sabemos fica flutuando em nossa mente criando uma grande carga de stress. E isto ocorre porque a vivência que temos é a de que tudo aquilo (e o nosso cérebro assim vivencia), é instantâneo. Mesmo que saibamos que uma prova só ocorrerá daqui a 30 dias; pensar nela agora e tudo o que é necessário para se preparar nos angustia como se tudo estivesse ocorrendo agora – fazer a prova e estudar para ela. E como isto é impossível, fica um grande desconforto. Ficar pensando nisto e em outras coisas o tempo todo é muito cansativo. E não adianta tentar dizer para si mesmo que há tempo ou que não devemos pensar no assunto porque neste mesmo instante o pensamento se torna ainda mais forte.

A maneira de desarmar esta armadilha é o quadro horário. Quando você sabe que no dia tal ou qual a tarefa será realizada, ela para de flutuar na sua mente. Foi colocada onde deve ficar: Em uma data específica do futuro. Mas note que aqui já há uma diferença em relação aos quadros anteriores. Se lá mostrávamos que a matéria X iria ser estudada no horário Y, aqui dizemos que parte da matéria será estudada ou tarefa realizada naquele horário. Somos específicos. Esta é a maneira de tira-la da mente: Colocando-a no quadro horário.

Agora o quadro horário se torna o campo de negociação específico entre o precisar, querer e poder. Mas se você acha que isto ficará ainda mais complicado, já que sendo genérico o quadro horário é mais estável e desta forma exigirá uma manutenção constante, veja as características que Newport atribui ao seu sistema:

  1. Para sua manutenção só exige de 5 a 10 minutos diários.
  2. Não o obriga à seguir, minuto a minuto, uma agenda fixa.
  3. Ajuda-o a lembrar, planejar e completar as tarefa importantes antes do último minuto.
  4. Pode ser reiniciada facilmente após períodos de negligência.

Para usar o sistema você só precisa de duas coisas:

  • Um calendário: Pode ser de qualquer tipo, dos mais sofisticados, elegantes ou informatizados até os mais simples e rudimentares. Use aquele que você gostar mais. Só precisa que seja algo que você possa consultar todo dia pela manhã e tenha espaço para anotar pelo menos uma dúzia de itens por dia[4]. clip_image002

  • Uma lista: Escrita em qualquer pedaço de papel que você possa atualizar durante o dia. Aqui também use o que lhe agradar mais. De um belo caderninho de anotações até uma simples folha de papel arrancada do caderno de rascunhos. Se o calendário pode ficar em casa, esta lista você tem que levar consigo. Por isto é bom que seja o mais simples possível[5]. clip_image004

A ideia básica:

Note que você já montou o seu quadro horário a partir das recomendações anteriores. Com isto você tem, de forma aproximada, todos os horários de estudo e as matérias para cada horário. Agora, com este quadro em mãos (que você só faz UMA vez e muito raramente muda), utilize-o como base para o sistema do Newport.

Agora pegue o calendário e nele coloque tudo o que você tem que fazer, nos dias e horários que você pode (use o quadro horário para orientar-se). Quanto tempo à frente? Preencha o calendário com TODAS as tarefas, mesmo que elas ocorram apenas dali a um ano. Com tanto tempo de avanço é bastante provável que algo se modifique. Mas não se preocupe. A mobilidade vem na etapa seguinte com a lista. Se desejar preencha o calendário à lápis. Esta é a sua agenda básica.

E a lista? É simples. A cada dia pela manhã copie as tarefas para a lista e siga-as durante o dia. Agora entra o diferencial. No calendário você fez uma previsão. Só que ao longo do dia imprevistos acontecem, surgem novas tarefas, os tempos imaginados para execução das tarefas mostram-se inadequados, etc. Durante o dia, portanto você vai marcando o que pôde fazer, o que não pôde e o que surgiu de novo. No dia seguinte pela manhã (ou se preferir no mesmo dia à noite) você volta ao calendário, realoca as tarefas não realizadas, atualiza tarefas cujas datas foram alteradas, e insere novas tarefas que surgiram. Feito isto descarta a lista antiga e em uma nova folha de papel faz nova lista. E desta forma você vai gerenciado o seu dia e suas tarefas.

Detalhando o sistema:

Bem comecemos com a lista. O papel é dividido em duas colunas:

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Na primeira coluna você coloca o que copiou do calendário. Na segunda vai tudo o que você lembrou ou foi avisado durante o dia.

A função desta segunda coluna é liberar sua memória, reduzir sua ansiedade e faze-lo ganhar tempo. Por exemplo, pode ser que ao final de uma aula, você arrumando suas coisas para sair, o professor avise da data de um simulado. Rapidamente escreve ali. Pense como seria se você tivesse de abrir sua agenda, procurar o dia correto, e então fazer a anotação. Bem, uma vez ou outra isto até seria possível. Só que ao longo dos dias muitas vezes isto, ou algo parecido tende a ocorrer. E se da primeira vez você faz, das outras acaba dizendo p/ si mesmo: “– Depois eu anoto…” e aí ou acaba esquecendo ou fica com aquilo martelando na cabeça.

Voltemos agora para os cinco minutos matinais onde você atualiza o seu calendário. Comece tendo em mãos a lista do dia anterior que, hipoteticamente. tem a seguinte aparência[6]:

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Comece com o futuro; tem o simulado e a apostila. Neste caso você aloca horários nos dias seguintes para comprar e ler a apostila e também para se preparar para o simulado. Note que estas alocações de horário exigem alguma reflexão. De novo o precisar, o querer e o poder, já citados. Agora pela manhã você tem algum tempo para isto. Se você tivesse tido de anotar tudo na corrida do dia provavelmente teria feito uma anotação apressada sem pensar nas consequências e só descobriria eventuais problemas quando eles acontecessem. Agora não, pode, com mais calma balancear os prós e os contras de cada marcação.

Agora o dia de ontem. Como você vê, até que foi bom. Quase tudo que foi programado aconteceu. Quase tudo. Porém, sem a leitura prévia do texto de Direito Civil a aula vai ficar difícil. Você precisa alocar um horário ANTES da aula para a leitura. Tem que pagar o curso também; outro horário para alocar no dia. Então a sua lista de hoje fica assim:

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Conselhos finais

E assim para encerrar este tópico alguns conselhos do autor do sistema:

  1. O objetivo do sistema é reduzir sua ansiedade e organizar o seu dia. Use-o com critério e bom senso. Ao alocar tarefas e ações no seu calendário seja realista. Leve em conta que as coisas acabam demorando mais do que imaginamos.
  2. Não tente atulhar cada mínimo horário livre com alguma coisa. Pense que normalmente os “horários livres” que aparecem no quadro horário frequentemente se tornam “horários ocupados” na realidade. Reserve horários para transporte, higiene pessoal, alimentação, sono e um mínimo que seja para “não fazer nada”.
  3. Horários não são gravados em pedra. Use o seu calendário como orientação. Gerencie seus tempos conforme a realidade for se impondo a você.
  4. Durante o dia use sua lista. Siga-a passo a passo, marcando aquilo que já foi feito. Isto o libera de pensar a todo o momento no que fazer. Você já fez isto pela manhã.
  5. Anote as novas tarefas na lista. Não pare muito para pensar nas suas consequências. Anote e esqueça. O seu dia está muito ocupado com o presente para ficar perdendo tempo com o futuro. Você terá tempo para isto mais tarde.

Manter este sistema, qualquer sistema, demanda energia e persistência. Então é muito provável que você o interrompa em algum momento. Na verdade o mais provável é que você alterne períodos de estrita observância dos procedimentos com outros mais “frouxos”.

Nas duas circunstâncias não há problema em reiniciá-lo. Você já terá o quadro horário e o calendário prontos. Só precisa atualizá-los no que for necessário. Isto talvez leve algo em torno de 20 a 30 minutos. Neste caso não se preocupe em ter informações completas. Atualize o que for possível e prossiga. O resto vai ser feito na medida em que novos dados forem sendo recebidos. E claro, construa a sua lista, mas isto é o mais fácil, já que você só precisa de um papel em branco. Ok?


[1] Newport, Cal: How to become a Straight A Student, Broadway Books, New York, 2007.

[2] http://cs.georgetown.edu/~cnewport/index.htm

[3] Há algumas exceções, como por exemplo, candidatos à concurso ou talvez alunos de medicina. Nestes casos em geral o tempo é pouco e a quantidade de matéria é muita. Mas mesmo aqui recomendo atenção para não ultrapassar os próprios limites. Às vezes andar mais devagar te faz chegar mais longe e mais rápido. De nada adianta estudar muitas horas seguidas e aprender pouco em decorrência da estafa.

[4] URL da imagem https://calearning.ca.com/static_ca_web/help_learning/pt_BR/user/daily.jpg

[5] URL da imagem http://viniciusscosta.blogspot.com/2011/01/como-gerenciar-melhor-suas-tarefas

[6] Este quadro hipotético toma por base um aluno de graduação em Direito, mas com as devidas adaptações pode ser aplicada a outras situações.

 

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O Quadro horário de estudos: Construindo o seu

Agora está na hora de personalizar tudo o que falamos sobre o Quadro Horário, tanto no que se refere aos pressupostos como aos tipos e objetivos. Em adição, há também outros critérios estes pessoais.

Os Pressupostos

Comece estabelecendo o seu “quadro de pressupostos”. É importante que seja escrito porque você vai voltar a ele várias vêzes durante a construção do quadro horário. Ele tem o seguinte formato:

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Note que neste quadro você deve ser específico. Por exemplo, no “O que preciso” não escreva:

“Passar no concurso “X” para aumentar meu salário.”

Isto é claro uma necessidade sua mas não é específico para um quadro horário. Seja mais preciso, escreva:

“Estudar todo dia pelo menos 10 horas por dia”

Agora você foi específico. Definiu (em termos de hora) uma quantidade e uma freqüência. Agora preencha o seu desejo. Posso supor que 70 horas semanais de estudo não seja exatamente o seu sonho de consumo. Então o que você acharia bom? Por exemplo, escreva:

“Estudar 3 horas às segundas e quartas à noite e quatro horas no sábado.”

Agora já se nota uma redução de 60 horas e quatro dias do que você precisa (usando sua razão) em relação ao que você quer (usando a sua emoção). O próximo passo é negociar os dois extremos. E para isto você vai negociar com a realidade. Primeiramente você vaí construir o seu quadro horário preliminar. É como você se lembra, uma tabela com dias e horários. E nela você colocará os seus horários comprometidos. por exemplo higiene pessoal, aulas, trabalho e alimentação. Ah! E não se esqueça do deslocamento. O quadro resultante (hipotético) ficaria assim:

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Note que a sua realidade já ocupou cinco dias da semana no horário de 6:00 às 19:00hs. São portanto 65 horas ocupadas com atividades que impedem o estudo individual.

Claro que sua realidade pode ser melhor. No quadro considerei aulas pela manhã e um trabalho de meio expediente à tarde. Pode ser que você não trabalhe, e neste caso ganha mais 20 horas livres. Mas pode ser pior; o trabalho pode ser durante o dia inteiro e eventuais cursos terão que ser feitos à noite e aí o tempo de estudo se reduz as mesmas 20 horas.

De qualquer maneira o raciocínio é o mesmo. Construir o quadro e nele inserir os horários obrigatórios.

Feito isto o que sobra? Dias de semana à noite e finais de semana inteiros. Digamos que você, pobre mortal resolva separar sábado e domingo à noite para o lazer e acordar um pouco mais tarde no sábado e domingo. Assim, o que você pode fazer (equilíbrio entre precisar, querer e poder) é:

“Estudar de segunda à sexta à noite das 20:00 às 24:00hs, sábado das 7:00 às 20:00hs e domingo das 8:00 às 21:00hs.

E portanto o quadro horário ficaria assim:

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A Distribuição do Horário – Os Critérios Pessoais:

Agora que você já determinou a quantidade total de horas de estudo, está na hora de decidir a sua distribuição. Para esta distribuição leve em conta os seguintes critérios:

  • Importância da disciplina
  • Dificuldade da disciplina
  • Tipo de disciplina
  • O seu estilo pessoal de aprendizagem

Chamo a sua atenção de que nenhum dos critérios acima é absoluto. Da mesma forma que os pressupostos, você deve equilibrá-los. Por exemplo, talvez você dedique pouco tempo a uma disciplina muito importante porque para você ela é muito fácil. Ou o contrário, mais tempo para uma disciplina secundária já que ela é muito difícil para você.

Importância da disciplina

É óbvio que se o seu objetivo é ober um bom resultado, disciplinas mais importantes terão mais tempo de estudo que as menos valiosas. Portanto a decisão é fácil. Mas o que determina o valor de uma disciplina (ou de parte do seu conteúdo)?

Penso que o equilibrio entre pelo menos três fatores. Na situação escolar normal o primeiro fator é o grau de exigência do professor. Em média as provas são fáceis ou difíceis?

E à medida que você se aproxima do vestibular ou já na faculdade, da sua graduação; qual a importância para a profissão escolhida?  E este é um segundo fator.

Nos concursos, vestibular inclusive, há determinadas matérias que tem um peso relativo maior do que outras. E como a pontuação final é o somatório ponderado de todas as notas; então, com o perdão do trocadilho, este é mais um fator de peso.

Para facilitar, há um planilha publicada ( http://www.forumconcurseiros.com/forum/showthread.php?t=246172 ) que já tem automatizados alguns cálculos. Por ser automatizada tem a vantagem de exigir menos raciocínio. Por outro lado tem o limite de ser focada em concursos e mais que isto levar em consideração apenas dois dos critérios que eu discuto. O primeiro é o relativo à este tópico; a importância da disciplina. Mas mesmo neste caso a importância é definida apenas pelo seu peso no edital. E o segundo critério é o nível do candidato na disciplina, que é parte do que discutiremos à seguir.

Dificuldade da disciplina

O primeiro fator a tornar difícil uma disciplina já foi discutido acima. Professores ou bancas exigentes tornam tudo mais difícil.

Mas há ainda a quantidade e estrutura da matéria. Obviamente quanto mais conteúdo, mais difícil é dominá-la. Mas perceba que há matérias em que o conteúdo é bem organizado e lógicamente organizado. Outras consistem em um compilação de regras. As primeiras tendem a ser mais fáceis de aprender e memorizar que as segundas (dependendo é claro do seu estilo pessoal de aprendizagem).

Um exemplo em Direito são as matérias de “doutrina” onde os temas são apresentados em um contexto de reflexão e argumentação. Em contraste há as de “código” onde o aluno tem logo de cara uma grande compilação de regras, estando o raciocínio mais oculto, pleo menos em comparação com as anteriores.

Tipo de Disciplina

Aqui não se trata do conteúdo, mas da maneira com que ela é apresentada pelo professor. Por exemplo; se você está aprendendo inglês e o foco é a gramática, um estudo prévio o ajudará na aula. Já se o objetivo é falar, não adianta estudar, você tem que praticar, na aula e fora dela. Por outro lado, se o foco está na produção textual, a sua maneira de estudar é escrever e levar os textos para aula. E isto evidentemente influencia a alocação dos horários de estudo no seu quadro.

Um professor pode organizar sua aula de múltiplas formas, mas para simplificar vou dividi-la em dois tipos; as de preleção e as de debate. Esta divisão é um tanto estereotipada, já que durante a preleção é importante haver participação e durante o debate deve haver algum grau de preleção. A preleção dialogada por exemplo, usa estes dois recursos simultâneamente.

Mas reduzindo à sua forma mais típica nas preleções o professor apresenta a matéria, cabendo ao aluno ficar atento. Aqui, eventuais perguntas são permitidas. Este é talvez o formato mais frequente nos cursos, escolas, conferências e palestras. Já na aula participativa a interação é maior. O professor lança um tema e coordena os debates, cabendo ao aluno trabalhar o assunto por meio de exposição oral, diálogo, questionamento, argumentação e etc.

Fica claro portanto que nas aulas de debate, o seu aprendizado depende da sua participação e esta do que você sabe sobre o tema tratado. A quem ignora o assunto, só resta o silêncio. Por isto se a aula é deste tipo, então é conveniente alocar no seu quadro horário um estudo prévio. No dia anterior à disciplina você estuda o assunto, para que possa desenvolvê-lo durante a aula.

No caso da preleção, o oposto não é necessáriamente verdadeiro. Há que se identificar o tipo de preleção. Simplificando há três tipos de preleção: a “didática”, a panorâmica e a de aprofundamento.

“Didática” é aquela aula em que o professor toma um assunto e o disseca completamente, explicando tudo passo a passo. Uso aqui o termo “didática” entre aspas porque este termo é usado pelo senso comum para descrever este tipo de aula. Didática na realidade é uma área de conhecimento bem mais abrangente do que meramente um formato de preleção.

Na aula panorâmica o professor aborda um tema que pela sua abrangência não pode ser apresentado na sua totalidade quer em uma aula, quer em um curso. Ainda mais, há temas que precisam ser refletidos pelo aluno. Precisam ser processados pelo aluno ao longo de algum tempo. Há outros ainda, que se tomados de imediato pelo aluno tornam-se excessivamente difíceis. Por isto o objetivo de uma aula panorâmica é apresentar o tema na sua totalidade, ressaltando os tópicos principais e a ligação entre as partes.

Finalmente uma aula de aprofundamento toma um tema nos seus detalhes. Procura estabelecer relações com outros temas, explicitar conseqüências obscuras, resolver dififuldades, indicar desdobramentos. Aulas de aprofundamento não são para iniciantes.

Dadas estas características fica clara a alocação de horário de estudo. Se para o debate o estudo é anterior, para preleção varia. Assim uma aula “didática” pressupõe a ignorância do aluno no tema, por isto tudo é explicado. E então cabe ao aluno depois da aula estudar o assunto e eventualmente em aulas posteriores resolver dúvidas. O objetivo neste caso é solidificar o aprendizado.

A aula panorâmica neste aspecto é semelhante. O estudo principal deve ser posterior à aula. Mas neste caso é interessante que no dia anterior ou pouco antes da aula (se você dominar técnicas de leitura eficaz), seja feita uma rápida leitura prévia do tema. O objetivo neste caso é o de aproximar-se do tema de modo a facilitar a apropriação da visão de conjunto que será apresentada pelo professor. Para solidificar o assunto então é que você deverá alocar um período de estudo após a aula.

Finalmente nas aulas de aprofundamento você precisa estudar antes E depois. O “antes” aqui refere-se a períodos de estudo alocados no seu quadro horário antes da aula. Mas também se refere a estudos prévios à aula e mesmo à disciplina atual. Note que eu já disse que aulas de aprofundamento não são para iniciantes. Você não estuda álgebra se não souber aritmética, cardiologia se desconhecer anatomia e fisiologia. Neste sentido uma aula (ou curso) de aprofundamento exige pré-requisitos. Por isto antes de se dedicar a uma delas verifique se você os possui.

Então nas aulas de aprofundamento você deve estudar antes para apropriar-se do tema e identificar pontos obscuros. Cabe então alocar periodos de estudo antes da aula. Mas deve também estudar depois para solidificar o aprendizado e também refletir sobre o assunto.

Seu estilo pessoal de aprendizagem

Estilo pessoal de aprendizagem refere-se à sua maneira individual de aprender, às suas preferências de estudo. Leva em conta seu tipo de inteligência, estilo de raciocínio entre outros. De forma mais precisa demanda estudo especializado. No entanto por agora e para simplificar, há aspectos que você mesmo pode saber.

Por exemplo; você estuda melhor pela manhã ou à noite? Tem mais facilidade com matérias exatas ou humanas? Consegue estudar bem por longos períodos ou precisa de interrupções frequentes? Seu ambiente de estudo ideal é retirado e silencioso ou talvez com algum movimento de pessoas ou sons? Precisa alimentar-se para estudar ou o “lanchinho” o prejudica? Como se sente melhor; “enfrentando” aquela matéria difícil para então desfrutar daquela que te agrada? Ou precisa primeiro “presentear-se” com a fácil para ir “esquentando” e só então dedicar-se à que tem assusta?

Isto tudo importa na hora de escolher o horário. Estudar pode ser muito prazeroso, mas exige sempre um certo esforço e dedicação. Então, a melhor maneira de acertar é aplainar o caminho escolhendo o trajeto de maior probabilidade de sucesso. E isto se faz respeitando seu estilo pessoal de aprendizagem.

Este é um aspecto que muito, mas muito raramente vejo discutido. Particularmente em recomendações para candidatos a concursos públicos. Todos são tratados como se fossem iguais e devessem se submeter aos editais e horários de cursinhos.

Não me entendam mal, é claro que editais e “cursinhos” são importantes. É inteligente ver o que deu certo para outros. No entanto mais importante que isto é você. Não estou dizendo que você deve sempre agir como bem entende.  Pelo contrário, leia o que falei em post anterior sobre o equilíbrio entre o precisar o querer e o poder.

Você deve sempre personalizar seu estudo e também o seu quadro horário. Há em alguns textos alguma referência à personalização. Mas na pesquisa que fiz para construir este texto há apenas a citação de que os modelos apresentados funcionaram para os seus construtores, fazendo-se a ressalva de que pode ser diferente para o leitor.

Mas como personalizar? Mostrar como fazê-lo tem sido o objetivo deste e dos posts anteriores ( “Pressupostos” e “Tipos e Objetivos”).

Finalizando:

Bem como vimos, o quadro horário tem alguns aspectos constantes como o formato, determinação de quantidade de estudo e tempo dedicado à outras atividades obrigatórias, etc. E tem também outros aspectos pessoais, tratados em detalhe neste texto.

Mas se você parar para pensar, até o momento tratei o quadro horário como algo estático. Uma vez construido está gravado em pedra para todo o sempre. Isto não é verdade. Ele é tão fixo como a vida. Novo edital, uma doença, imprevistos, mudanças de professores ou disciplinas, nova bilbiografia a ser explorada, etc, etc, etc. Quantas e com quão regularmente isto ocorre em nossas vidas. Mais que isto, quantas mudanças ocorrem à nossa revelia e que não podemos evitar?

Por conseqüência o seu quadro horário deve mudar. Sempre respeitando os princípios aqui tratados, mas também sempre adequando-se à vida sempre em mudança.

Mas como lidar com tudo isto sem ter que dedicar seu tempo  precioso para mudanças constantes no quadro? No próximo post tratarei disto, apresentando um método proposto por Cal Newport, especialista em estudos de alto nível. É um método que venho usando com muito bons resultados faz já algum tempo.

Até lá!

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O Quadro horário de estudos – Tipos e objetivos

Na semana passada discutimos os pressuspostos da construção do quadro horário. Mostramnos que o seu preenchimento adequado depende de um equilíbrio entre o que você precisa, quer e pode fazer.  Agora  tenho como objetivo apresentar os diferentes tipos de quadro horário. Mais específicamente, mostrar que apesar do seu formqato básico ser sempre o mensmo, os diferentes tipos assim se conformam em função dos seus diferentes objetivos.

O Formato básico:

É muito simples. Como para todos os tipos, o seu objetivo é distribuir eventos ou conteudos a ensinar/aprender, localizando-os no tempo. Assim:

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Na  primeira coluna você coloca o horário (M=Manhã, T=Tarde, N=Noite))  distribuido pelas linhas e nas seguintes os dias (2a., 3a, …Domingo). E na intercessão entre linhas e colunas você coloca o conteúdo (C), escolhido para estudar.

Muito simples, ok? É verdade, mas note que neste momento vc já tomou uma decisão. Por exemplo, ao construir este quadro, assuniu o compromisso com você mesmo de usar a tarde de 4a. para estudar o conteúdo “C3”. E como mostramos no post anterior isto quer dizer que idealmente você decidiu que:

  1. Precisa estudar C3: Isto é, este conteúdo é necessário para você atingir os seus objetivos.
  2. Deseja estudar C3: Você está (ou pretende estar) motivado para deixar de fazer outras coisas de modo a estudar o conteúdo.
  3. Pode estudar C3: Naquele horário será possível realmente estudar o conteúdo e também que basta a tarde de quarta para completar o estudo. Ou seja, a dimensão do conteúdo é adequada à quantidade de tempo que vc alocou para ela.

Pois é, tudo simples e óbvio. Não parece?  Se você acha isto, então peço que releia o post sobre pressupostos. No mundo real, as coisas não costumam ser assim tão simples.

Distribuição de disciplinas:

Abaixo você vê um quadro cujo objetivo é informar aos alunos que disciplina ocorre quando. Ele é aprefentemente diferente do formato básico apresentado linhas atrás. Mas note em primeiro lugar que neste caso não há muita necessidade de precisão. Tanto que o horário fica reduzido à uma pequena célula. Por exemplo; o horário da Metodologia (11/13h) está apenas listado na coluna da segunda.

Mas em segundo lugar perceba que a importância aqui não está no horário, mas na disciplina. A pergunta que os alunos do mestrado provavelmente se fazem é: Quando é a “Metodologia”?

Note que para consultar a tabela o aluno “entra” nela pela disciplina. Por isto a disciplina está na primeira coluna. Esta é a razão pela qual esta coluna é a “coluna indicadora”. Ela te diz por onde você  deve começar a ler a tabela.

E daí? Para que te serve saber disto? Simples. Ao final desta série você deverá saber contruir um quadro horário pessoal. Então uma das primeiras perguntas será: O que é mais importante? A hora? O dia? A disciplina? E portanto a escolha do conteúdo da coluna indicadora dependerá da sua resposta. Ok?

MESTRADO E DOUTORADO EM PSICOLOGIA (*)
Estudos da Subjetividade
QUADRO DE HORÁRIOS PARA 2º sem./2011

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(*) Extrato do quadro horário disponível em http://www.slab.uff.br/horario.php

Uma outra forma de representar a mesma coisa é o quadro abaixo(1). Note que de novo a pergunta que se responde claramente com ele é que disciplina ocorre quando. Aqui náo há coluna indicadora, mas a maeira de apresentar deixa isto claro.

E isto nos leva a uma segunda propriedade destes quadros. São ferramentas de comunicação. Isto é comunicam alguma coisa a alguém. E isto interessa a você já que o seu quadro horário de estudo deverá representar (e comunicar a você claramente) o seu compromisso pessoal. Seja qual for o formato ele deve ser detalhado o suficiente para conter toda a informação necessária, mas também simples o bastante para que possa rápidamente saber  que tem que fazer e quando.

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(1) Extrato do quadro horário disponível em www.uff.br/pos…/horarios/quadro%20mod%201%202009.doc

Este é um aviso importante, porque volta e meia encontro tabelas que são excessivamente informativas por conta de um desejo do aluno de nela inserir tudo. E assim o quadro fica carregado com disciplinas, horários, conteudos, bibliografia, notas, etc.

Reconheço que nestes casos a tabela fica muito informativa, e em determinadas circunstâncias pode ser um recurso de síntese interessante. Mas com isto se perde o objetivo principal: te ajudar à rápidamente fazer o que é necessário.

Distribuição do seu estudo.

Até agora lidamos com quadros que comunicam decisões dos professores para os alunos. Agora vamos seguir outro caminho, que é o do aluno para si mesmo. Estamos falando do quadro horário de estudo própriamente dito:

E aqui voltamos ao formato básico de linhas com horários e colunas com dias. Há quadros simples em que os dias se deistribuem apenas de 2a. à 6a. e outros que usam todos os dias da semana. Há ainda os que colocam horários mais genéricos como manhã, tarde e noite e outros que divididos em períodos de 30 minutos extendem-se das 7:00h à meia-noite.

Aqui o que temos então é uma decisão do aluno, balanceando a quantidade de matéria, o tempo necessário para estudá-las e sua capacidade de fazê-lo. Detalhar estas decisões é tema para o proximo post. Agora só uma apresentação.

Se você está mais livre (ou não se adequa a horários rígidos)  pode fazer uso de um quadro mais simples.

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No outro extremo podemos construir um com colunas sete colunas para os dias da semana e linhas para cada período de uma hora. A quantidade de horas é uma decisão pessoal (mais tarde amplarei este tema). Você pode fazer à mão, com qulaeur programa de computador ou usar um modelo já pronto:

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O quadro acima pode ser baixado gratuitamente como uma cortesia do Prof. William Douglas em http://www.williamdouglas.com.br/painelcontrole/uploads/quadro%20-%20modelo.pdf 

No entanto, como mostrei no post anterior, o problema não está no quadro em si, já que este é apenas uma matriz de linhas e colunas com dias e horários. A questão maior é como distribuir dentro dele os conteudos a serem estudados. E este será o tema do post da semana que vem.

Até lá!

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O Quadro Horário de Estudos – Os pressupostos.

Dificuldade_Pés adolescentes equilibrando-se em caminho difícilComeço definindo que “Quadro Horário de Estudos” é óbviamente um quadro onde o estudo é distribuido segundo um dado horário. É simples, fácil, sem qualquer problema de entendimento. Ora, se assim é, por que tanta importância se dá à pergunta: –Como fazer um quadro horário de estudos?

Duvida? Apenas um número. Antes de escrever este post fiz uma consulta na internet. Obtive:

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Este post irá explicar porque isto tem sido difícil para muitas pessoas. E ainda mais, mostrará à você como sair desta dificuldade. A seguir, em outras postagens, mostrarei formas de contruir um quadro horário que seja adequado e personalizado.

O Problema

Em minha opinião há várias razões para a dificuldade de fazer quadros horários, e principalmente de fazê-los funcionar. Dentre elas, cito três que entendo serem as mais importantes:

  1. Diversidade de tipos de quadro
  2. Administração do tempo
  3. Aspectos Psicológicos

O problema então não está no “como fazer” mas em “como pensar para fazer”. Eu explico.

Distribuir as matérias ao longo do tempo não é difícil se você o faz meio ao acaso. O problema surge quando você o faz com o objetivo de ter sucesso no estudo. O quadro horário é uma ferramenta. Não se justifica por si só. Uma afirmativa óbvia. Ok?

Sim, claro. Mas o problema surge quando você mistura o meio com o fim. Isto é, há todo um conjunto de pressupostos que você deve levar em conta para decidir se vai colocar a matéria “a” na segunda ou terça. Se usa uma ou cinco horas para estudá-la.

Em última análise, um quadro horário é um compromisso com você mesmo. E nele precisam ser equilibrados:

  • O que você precisa,
  • o que voce deseja,
  • e o que você pode fazer.

O que você precisa:

Aqui a razão domina. Apenas citando algumas coisas mais comuns:

  • Passar de ano.
  • Passar no concurso.
  • Melhorar de vida.
  • Dominar uma conteúdo necessário à sua profissão.

Você avalia a sua situação atual e decide. Estabelece um objetivo e lista os passos necessários para atingi-los.

Há, é claro, algumas dificuldades nesta etapa. Talvez você necessite de alguma pesquisa para saber quais são os passos, onde obter os recursos, quais os livros necessários, quanto tempo alocar para cada atividade, etc. Pensar racionalmente envolve algumas etapas importantes, e neste blog tenho apresentado várias.

Se você consultar a grande maioria do material publicado, é neste tópico que os textos se desenvolvem. Informam e dão conselhos sobre como alocar as matérias ao longo do tempo. E isto não é difícil, pelo menos racionalmente falando. Só que agora entra em cena uma outra coisa.

O que voce deseja:

Blaise Pascal afirma “O coração tem suas razões, que a própria razão desconhece” (Pensées, 1669). E de alguma forma é por aí a dificuldade de lidar com o quadro horário; já que aparentemente ele é apenas uma ferramenta lógica de administração do tempo.

O problema e que “Um só desejo basta para povoar um mundo.” (Alphonse de Lamartine, 1790-1869). O que desejamos é, por definição, impossível de ser satisfeito. Basta que tendo desejado algo e o obtido,  para que logo após passarmos a desejar mais.

O desejo é algo ligado ao sentimento, e portanto não racional. Não podemos, em geral, justificar plenamente o que desejamos. Às vêzes o que fazemos é moderar nossos desejos. Mas quando isto se dá, o fazemos não porque acabamos com o desejo, mas porque o ocultamos.

Isto significa que quando pensamos dele ter se livrado, o   “sentimento ilhado, morto, amordaçado. Volta a       incomodar” como disse o Fagner em sua música “Revelação”. E é assim que acontece com o desejo. O fato de não termos plena consciência não significa que ele inexista. Continua presente e modulando nossas ações.

Precisamos estudar, mas queremos descansar. Precisamos aprender, mas desejamos festejar. Sabemos que para passar no concurso precisamos investir no estudo e na qualificação. Mas o nosso sentimento se opõe ao sacrifício prévio.

Ou por outra, decidimos buscar uma determinada posição porque racionalmente entendemos que é a mais adequada. No entanto não é ela que nos agrada. Há outras profissões e/ou atividades que nas quais seríamos mais felizes, embora não tão bem pagas.

Por exemplo, soube do caso de uma aluna de Relações Internacionais que à beira da graduação, estagiária remunerada e quase contratada por uma empresa, se demite para estagiar gratuitamente na ONU.

São decisões difíceis. Todas elas desenbocando na contrução do quadro horário. Assim, este quadro horário vai estabelecer meu compromisso com o que preciso fazer ou com o que desejo?

E o que você pode fazer:

Aqui entra um terceiro fator muito importante: A Realidade.  Dentro de certos limites, precisar e querer são abstrações. Existem apenas no plano das idéias.

É claro que ambos tem fortes raízes objetivas no real. É claro que se você percebe que falta dinheiro, é porque provavelmente “sobra mês no final do salário”. É claro que se você deseja uma vida melhor, é porque você percebe que sua vida atual, mesmo que satisfatória em vários aspectos, pode melhorar em outros.

Neste sentido sim, precisar e querer são coisas muito reais. Mas aqui me refiro ao plano operacional. Perceber necessidades e desejos podem ficar restritos ao pensamento e sentimento sem que passem para a ação. É só quando você age em função destas percepções, que a realidade se impõe.

Você pode querer um determinado cargo e precisar dele. Mas a realidade te diz que só quando passar no concurso, é que o desejo e a necessidade serão satisifeitos. E para isto, uma série de ações prévias serão necessárias.

E é aí que “a porca torce o rabo”. Para passar no concurso você precisa se qualificar. E  para isto, no mínimo, você precisa:

  • Tempo para estudar.
  • Tempo para frequentar aulas.
  • Competência para aprender.
  • Dinheiro para cursos, livros e apostilas.
  • Sustentar-se até a vitória final.

Note que os cinco itens acima são concorrentes entre si. Se você trabalha para sustentar-se, reduz-se o tempo para estudo o que diminui suas chances de aprovação. Se você se demite para aumentar o tempo de estudo e portanto aumentar a sua chance de sucesso; quem vai sustentá-lo?

Claro que este é só um exemplo dos múltiplos conflitos possíveis entre tempo, competência e dinheiro.  O que importa aqui é mostrar que, no plano das ações a realidade se impõe. E isto torna ainda mais difícil a decisão.

Concluindo:

O objetivo deste post não é ainda mostrar como construir um quadro horário, mas explicar porque ele é, às vêzes, muito difícil de fazer.

Mostramos que se do ponto de vista lógico o processo é muito simples, “o buraco é mais embaixo” quando se trata de real e concretamente implementá-lo. Isto é; não se trata de meramente alocar matérias em horários. Trata-se de tomar decisões pessoais que implicam em preços a serem pagos. Como na fábula da galinha e o milho, todos querem comer os bolos e o fubá, mas são poucos os que se dispõem a plantar, colher e processá-lo.

Mas na prática o que isto tudo significa? Apenas concluir que é difícil e conformar-se com isto?

Não! Não é isto o que proponho. O primeiro ponto é tomar consciência da dificuldade. Com isto você deixa de ser dominado por por ela. Passa a perceber que as dificuldades não estão apenas na técnica de construção do quadro horário. O verdadeiro campo de batalha é a sua mente.

Por isto chegamos ao segundo ponto. Livre-se das ilusões de que fazer o quadro resolve seus problemas. De que que uma nova e revolucionária forma de construir resolverá tudo. Técnicas de construção ajudam? Com certeza sim. Mas apenas se usadas corretamente pelo construtor; e ainda assim apenas se adequamente consciente dos pressupostos.

O que é melhor? Uma picape 4×4 ou um “carrão” de luxo ? Como veículos, ambos são de alto nível. Mas para compará-los é necessário saber quem vai usá-lo, para quê e onde. Na fazenda, para transporte de ferramentas e insumos agrícolas a picape é a mais indicada. E isto é muito claro. Ok? Já o “carrão” tem finalidades e exigências bem diferentes. O quadro horário é como um destes veículos. Existem de varios tipos, usados por diferentes pessoas, com variadas características e demandas.

Por isto, chegamos ao terceiro ponto. Livre-se da ilusão de que meramente copiar o quadro feito por terceiros irá resolver. Não há um quadro geral. Eles precisam ser personalizados. O que pode ser ensinado é o método geral de construção. Você pode ainda observar vários quadros contruidos, mas apenas para tentar entender como outras pessoas resolveram seus próprios problemas. Não adianta tentar imitar e achar que acabou.

Linhas atrás eu disse que a verdadeira batalha é a sua mente. E este é o quarto e último ponto: a Autoconsciência. Você precisa saber com a maior objetividade possível quem é você. Claro que neste caso o “quem é você” tem como foco a construção do quadro horário. Isto é; por um lado você precisa saber as técnicas de construção do quadro. Mas por outro lado e principalmente, você deve ser capaz de equilibrar o que você precisa, deseja e pode.

E como fazer isto eu explicarei para você na próxima semana, em mais um post deste blog. Até lá!

CNPq elabora programa para intercâmbio de estudantes de engenharia entre Brasil e Portugal

Repassando email recebido!

Segunda, 25 de Maio de 2009 09:51

Na semana passada, o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Marco Antonio Zago, e o coordenador do Programa de Intercâmbio da Universidade do Porto, João Falcão e Cunha, se reuniram para discutir os detalhes do programa para intercâmbio de estudantes de engenharia. O objetivo da iniciativa é apoiar grupos de pesquisa brasileiros e portugueses, tendo a participação de estudantes de doutorado que sejam membros de grupos de pesquisa, em estágios de doutorado-sanduíche.

Os estudantes brasileiros deverão realizar na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (Feup) parte de sua tese de doutoramento a ser defendida no Brasil, enquanto os estudantes portugueses deverão realizar em instituições brasileiras parte de sua tese de doutorado a ser defendida em Portugal.

Poderão ser selecionadas até dez propostas de parcerias, elas devem ser compostas por um grupo de pesquisa brasileiro e um da Feup. Para cada proposta selecionada, o grupo brasileiro será beneficiado com até três bolsas, pelo CNPq, enquanto o grupo português será beneficiado com a mesma cota, pela Feup.

O processo de inscrição está previsto para ser aberto nas próximas semanas e as áreas ofertadas são: bioengenharia; engenharia biomédica; engenharia civil; engenharia e gestão de transportes; engenharia eletrotécnica e de computadores; engenharia industrial e gestão; engenharia informática; engenharia mecânica; engenharia química e biológica; engenharia do ambiente; engenharia metalúrgica e materiais; engenharia de georecursos; e engenharia física.

Mais informações sobre esse programa, no www.cnpq.br . (Com informações do CNPq)

Concurso da Prefeitura de Erebango (RS)

03 Vagas com salário de até 6,4 mil.

Até o dia 05/06/2009 estarão abertas as inscrições para o Concurso da Prefeitura de Erebango – Rio Grande do Sul – que oferece 03 oportunidades de trabalho para a atividade de 2º e 3ª graus. A remuneração para início de carreira alcança a casa de R$ 6420,00 .

O edital do concurso está em:

http://www.objetivas.com/docs/001_2009_edital_abertura_inscricoes_erebango.pdf

Concursos da UFABC

Aos interesssados, repasso email recebido:

Caros colegas:
Os concursos da UFABC tiveram os prazos de inscrição prorrogados até o dia 01 de junho.
Na área de ensino temos 8 vagas, sendo: 2 para ensino de física, 2 para ensino de química,
2 para ensino de biologia e 2 para ensino de matemática.
Serão formadas bancas específicas para cada sub-área do edital.
O edital completo pode ser baixado em
www.ufabc.edu.br
Agradeço a gentileza de divulgarem a possíveis interessados.
Cordialmente
Marcelo Zanotello