Gráficos Confusos – 01: Doctor Who* ou quando o tempo não importa.

Maurício Abreu Pinto Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

Gráficos Cofusos 1-Time LordPara quem não sabe, “Doctor Who” é uma série da BBC, no ar desde 1963, onde o “Doutor” é um humanóide alienígena de uma raça denominada de “Time Lords”. Como viajante do tempo, os fluxos temporais são apenas um meio para suas aventuras.

Já para nós, o tempo corre do passado para o futuro, e quando isto não é respeitado, os gráficos se tornam confusos ou mesmo desorientadores. Um cuidado que você deve ter é manipular o tempo segundo a experiência cotidiana. Pode parecer óbvio, mas veja abaixo alguns exemplos em que isto não acontece.

1- Quando o tempo anda para trás:

Gráficos Cofusos 1-Tempo anda para trás

Como você vê, neste gráfico o tempo retrocede. Ele se incia em 2014 e termina em 2009. Você pode achar que ninguém faria isto, mas eu imagino pelo menos duas razões:

  1. O autor tem alguma razão MUITO especial para fazer desta maneira. Só que do jeito que está, o gráfico não apresenta nenhuma razão para isto. E assim sendo o leitor fica confuso e precisa fazer um esforço adicional para compreender a mensagem do autor.  Assim, não retroceda no tempo, mas se for muito importante andar para trás, por favor aponte claramente que é isto o que você está fazendo e lembre-se de explicar a razão.
  2. O autor fez uma planilha, por exemplo no Excel, inserindo os dados nesta ordem. Depois, simplesmente marcou a região e clicou no gráfico desejado. Não atentou, entretanto para a cronologia. Bastaria clicar em “Datas em ordem reversa” nas opções do eixo do gráfico. Desatenção, cansaço ou preguiça, não importa; o resultado não é bom. Atenção para isto, portanto.

Assim fica muito melhor. Ok?

Gráficos Cofusos 1-Tempo anda para frente

 2- Quando o autor é um profeta:

Gráficos Cofusos 1-Tempo no futuro

Note que ambos os gráficos apresentam o mesmo período de tempo; de 2012 à um futuro ano de 2017 (este texto foi escrito no início de 2015!). Até aí nada demais. Há circunstâncias em que precisamos fazer estimativas ou projeções.-

O problema que o gráfico da esquerda cria é que como as barras são todas sólidas e da mesma cor, há uma tendência que o leitor as entenda como iguais, quando não são. Na realidade, os dados são reais até 2014. Já a partir daí, o que se observa são projeções! E é importante que o leitor perceba isto de imediato. Uma das formas possíveis é usar barras vazias e linhas tracejadas, para enfatizar a incerteza dos valores apontados, quando em contraste com os realmente coletados. Perceba como isto fica muito mais claro no gráfico da direita.

3- Quando o progresso se esconde:

No gráfico abaixo o que se busca é comparar entre si a participação no mercado de vários fármacos ao longo do tempo. Procure ler o gráfico e me diga: Você consegue fazer isto com facilidade?

Gráficos Cofusos 1-Tempo e progresso oculto

Note que muito embora os dados estejam ali presentes, é necessário esforço para perceber a mensagem do autor. Precisamos ver a evolução de cada fármaco barra a barra, guardá-las na memória, e depois disto compará-las entre si. Isto acontece porque a representação gráfica foi mal escolhida. Mas veja o que acontece quando substituímos o gráfico de barras por um de linhas.

Gráficos Cofusos 1-Tempo e progresso explícito

Agora não precisamos não precisamos mais ler e memorizar barra a barra. A linha já faz isto. A comparação fica mais simples, já que só precisamos comparar um fármaco com outro. Ah! E note também que a partir de 2014 as linhas são tracejadas a indicar que os dados são estimativas.

4- Concluindo:

Como já disse em outra publicação:

Gráficos e tabelas são formas de comunicar. A comunicação inclui três elementos, dos quais apenas dois você pode dominar: os seus dados e a sua técnica para comunica-los. O seu alvo, que é o leitor, entretanto, está fora de alcance.
Sem ele sua atividade é um exercício estéril e inútil. Tomando-o como ponto de partida e chegada, aperfeiçoe sua técnica. Assim você poderá atingi-lo com mensagens claras, definidas e diretas.

 

(*) Este post foi adaptado a partir de

NSFW: Charts – How to avoid these 12 confusing ways to present data.
 http://www.slideshare.net/powerfulpoint/presenting-data-webinar-presentation

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Mas que coisa! Polissemia e outras coisas…

O texto técnico precisa ser preciso.

Para escrever textos técnicos precisamos ser precisos e claros. E isto nem sempre é fácil, por várias razões. Uma delas é que mesmo que o autor saiba perfeitamento do que fala quando lê o seu texto;  e neste sentido está sendo preciso e claro; por outro lado precisa que que o seu leitor entenda o mais perfeitamente possível o mesmo que o autor.

E este problema de comunicação se dá por conta, entre outras, da polissemia da língua. Isto é, as vêzes uma única palavra assume diferentes significados a depender do contexto onde ela se situa. Notou no parágrafo acima os termos “preciso” e “precisa” ?

Pensava nisto quando recebi o texto abaixo por email. É um belo e criativo exemplo de polissemia. Desconheço o autor, e se alguém souber me avise que eu atribuo a autoria.

Coisa

      A palavra “coisa” é um bombril do idioma. Tem mil e uma
utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.

      A natureza das coisas: gramaticalmente, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma “coisificar”. E no Nordeste há “coisar”: “Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?”.

      Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as “coisas” nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. “E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios” (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, “coisa” também é cigarro de maconha.

       Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: “Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já.” E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha.

       Na literatura, a “coisa” é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.

       Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de “a coisa”. A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: “Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!”.

        Devido lugar: “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (…)”. A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. “Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca.” Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.

        Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta “Alguma coisa acontece no meu coração”, de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

        Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim!

        Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem “Coisinha de Jesus”.

         Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, “coisa nenhuma” vira “coisíssima”. Mas a “coisa” tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré (“Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar”), e A Banda, de Chico Buarque (“Pra  ver a banda passar / Cantando coisas de amor”), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou.         Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava
nem aí com as coisas: “Coisa linda / Coisa que eu adoro”.

        Cheio das coisas. As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o “rei” das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas.

        Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, “são tantas coisinhas miúdas”). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade (“ô coisinha tão bonitinha do pai”). Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal. “Esse papo já tá qualquer coisa…Já qualquer  coisa doida dentro mexe.” Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: “Alguma coisa está fora da ordem.”

         Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.

        A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: “Agora a coisa vai.” Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

         Coisa à  toa. Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: “Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente.” E, no verso do poeta, “coisa” vira “cousa”.

         Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.

        Mas, “deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida”, cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda. Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: “amarás a Deus sobre todas as coisas”.

ENTENDEU O ESPÍRITO DA COISA?

 

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Professores deveriam “blogar”?

Professores deveriam blogarDo meu ponto de vista pessoal é óbvio que sim, já que você está lendo um “post” no meu blog.

Mas esta é uma decisão pessoal.

Para ajudar os colegas, listo abaixo razões para fazê-lo e também para não. O tema foi trabalhado no blog de STEVE WHEELER, intitulado “Learning with ‘e’s” em três posts que apresento ao final.

Acho que bons professores são autores, e escrever blogs é uma forma de autoria. O que você acha?

Por quê não ”blogar”?

  1. Falta de tempo suficiente para o blog.
  2. Achar que não têm nada a dizer.
  3. Medo de postar algo que acha que vai ser “abaixo do padrão” ou “errar o alvo”.
  4. Medo do que seus patrões podem dizer, e de suas conseqüências.
  5. Desconhecimento dos benefícios.

Por quê “blogar”?

  1. Faz você refletir.
  2. Pode abrir novos públicos.
  3. Pode criar uma dinâmica pessoal.
  4. Pode lhe dar um feedback valioso.
  5. Estimula sua criatividade.
  6. É divertido.

Concluindo:

Já disse, a decisão é muito pessoal. Ainda mais, as razões pró e contra listadas acima fazem mais sentido no ambiente norte-americano. Precisam ser adaptadas à nossa realidade.

Finalmente, “Professor” não é uma categoria homogênea. Variados  são os graus de conhecimento, habilidades como o computador, tipo e quantidade de vinculos profissionais, objetivos de vida, escolas, tipos de alunos, moradia, condição financeira, gênero, disciplina ministrada e muitas outras variáveis.

Por isto o que é bom para um pode não sê-lo para outro. E por isto também me abstenho de fazer recomendações genéricas. Mas acho que neste mundo contemporâneo todos nós, inclusive (e talvez principalmente) os professores deveriam estar atentos para tomar uma decisão consciente e crítica.

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Os posts do Steve

http://steve-wheeler.blogspot.com/2011/07/seven-reasons-teachers-should-blog.html

http://steve-wheeler.blogspot.com/2011/07/reasons-teachers-dont-blog.html

http://steve-wheeler.blogspot.com/2011/09/i-think-therefore-i-blog.html

Você tem algo a dizer ? Quer ampliar o debate ? Comentários são bem vindos.

Todos queremos ser jovens

O vídeo abaixo tem aproximadamente 10 minutos. Fala da geração que nós professores universitários estamos começando a receber. Lidar com ela é e será um desafio cada vez mais comum para todos os mestres.

Nas reuniões docentes em que participo, venho dizendo isto faz alguns anos. Estes alunos que estamos começando a receber são muito diferentes do que conhecíamos e principlamente do que imaginávamos que viria a ser.

Como disse um aluno meu a propósito deste vídeo;

É assustadoramente fantástico!! Uma ótima produção que nos revela (no papel de educadores) constatações que, acredito,  estão veladas em nós mesmos.

Este é um vídeo para professores, mas é também para todos que de alguma maneira convivem que esta nova geração.

Aproveitem a mensagem e reflitam, caso assim o desejem…

http://player.vimeo.com/video/16641689?color=c9ff23

We All Want to Be Young (leg) from box1824 on Vimeo.

O que você achou da mensagem? Tem algo a dizer?  Ou a comentar?

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O laptop da Xuxa … Ou sobre o consumismo infantil

Recebi esta apresentação de uma amiga e me senti na obrigação de divulgá-la. Não acho que a propaganda é sempre uma vilã. Pais, família, escola e sociedade tem suas responsabilidades específicas.

Mas, o que dizer quando ela se organiza para vender para crianças?

consumismo_inf

Para ver a apresentação, clique a seguir: Consumismo infantil

Seguem também dois links para os que queiram se aprofundar no assunto:

1) Instituto Alana – que atua na conscientização e defesa da Infância contra os abusos comerciais e publicitários, tendo por missão “a união da educação, da cultura e da assistência social para o desenvolvimento da cidadania e da qualidade de vida de todos nós”.

http://www.alana.org.br/

http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/ConsumismoInfantil.aspx

2) Manifesto pelo fim da publicidade e da comunicação mercadológica dirigida ao público infantil. A iniciativa, que já conta com o apoio de mais de 140 instituições e de milhares de internautas de todo o Brasil, está promovendo um abaixo-assinado pela internet, visando o fim dos abusos praticados no meio publicitário brasileiro contra a Infância. Leia, participe e divulgue:

http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/

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Pierre Lévy e a Inteligência coletiva

http://player.vimeo.com/video/10501112

Inteligência coletiva. Espaço antropológico. Espaço do saber. Pierre Lévy from Voz de Milla on Vimeo.

O que é o Método de Polya?

Polya_fotoFaz algum tempo publicamos uma apresentação que dá uma idéia geral do método de Polya. Hoje, apresento de forma mais detalhada o método. Aqui você saberá o que é o método e para que serve. Em posts posteriores mostraremos as suas diferentes etapas.

O que é:

Dito de maneira simples, o método de Polya é um método de resolução de problemas matemáticos. Mas atenção; ele não descreve os passos para resolver um problema matemático. Isto seria uma técnica. Uma técnica descreve em baixo nível o que é necessário pare realizar uma ação.

Por exemplo; para somar dois números de dois ou mais dígitos você deve primeiro colocá-los um em cima do outro, alinhados pela unidade. Depois, iniciando da esquerda para a direita somar primeiro as unidades, depois as dezenas, as centenas, milhares e assim por diante até os números terminarem, não se esquecendo de levar de uma casa para outra todos os valores iguais ou maiores que a dezena (é o “vai um”).

Neste exemplo você percebeu que técnica é a maneira de fazer algo. Já método é a maneira de pensar algo. Isto quer dizer que o Método de Polya te ensina a pensar o problema de modo a descobrir a solução, ou seja, a técnica que vai fazer com que o problema seja resolvido. De forma muito resumida, são quatro as etapas que ele propõe:

  1. Compreender o Problema
  2. Planejar sua Resolução
  3. Executar o Plano
  4. Examinar a solução

Não se engane com a aprente obviedade das etapas acima. Sim, a simplicidade é uma das suas virtudes, mas há muito mais no me´todo. Da maneira com que ele desenvolve o método, listando uma série de perguntas pertinentes a cada etapa, nosd ajuda e muito a pensar e resolver os problemas.

Por isto ele é considerado um método heurístico. A Heurística é uma parte da filosofia que se dedica a inventar maneiras de resolver problemas. E por que isto é importante? Simples: a própria definição de problema explica – um problema é algo cuja solução não surge de imediato à sua mente. Por exemplo, se você sente sede em sua casa, não há problema, é só pegar um copo e enchê-lo com a água que está no filtro, moringa ou geladeira. Mas a mesma sede é passa a ser um problema se você está em um deserto e o oásis mais próximo está a muitas horas de marcha.

Da mesma forma, se você lê um “problema” matemático cuja solução você já conhece, ele não é na realidade um problema. Basta que você aplique a técnica já conhecida, que rapidamente você obtém a resposta. Mas tudo fica diferente quando você lê o enunciado de um problema, e simplesmente paralisa. Você se pergunta: E agora? E a resposta não vem.

Para que serve:

Este é o momento em que o Método de Polya pode te ajudar. Ele te dá os passos necessários para que, frente a um verdadeiro problema, você não fique paralisado. Ele te mostra como pensar para não entrar nesta paralisia. Ele conduz o teu pensamento para gradativamente construir a partir do que você sabe; aquilo que você não sabe, ainda.

Polya foi um cientista matemático, mas também um professor. Por isto, o método pode ser usado tanto por alunos como professores. O aluno usa o método para resolver os problemas. Já o professor o utiliza para ensinar o aluno a pensar a resolução dos problemas matemáticos. Em seu livro “How to solve it”, há inúmeros conselhos para o professor. Na realidade, o tempo todo deixa a impressão que está muito mais preocupado com o professor do que com o aluno. Sua preocupação com o aluno se expressa por meio de seus esforços em capacitar o professor a melhor ensinar ao aluno a maneira de resolver problemas.

Finalmente, acho que embora dirigido para problemas matemáticos, o Método de Polya não se restringe a eles. Isto não é algo que ele diga explicitamente. Mas dado o nível de generalidade com que ele constrói suas etapas, me parece que você possa aplicá-lo em uma série de situações que extrapolam a matemática.

Por exemplo; na primeira etapa ele recomenda: Procure entender o problema. Com isto ele expressa a importância de em primeiro lugar saber o que é solicitado e também quais são os dados que existem para obter o que se solicita. E aqui eu te pergunto: Frente à uma situação difícil na vida, não é sensato antes de tudo tentar entender o que está acontecendo, como se chegou aquilo e quais os recursos que você possui para enfrentá-la?

Acho, portanto que o Método de Polya é diretamente útil à alunos e professores de matemática. Mas acho também que qualquer pessoa deveria interessar-se por ele. Afinal de contas, não estamos todos, uma hora ou outra, às voltas com problemas?

Bem, por hoje é só, mas em um próximo post discutiremos em mais detalhe esta primeira etapa do método: Compreender o Problema.

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Leia também:

Gardner e a Inteligência Lógico-Matemática

A Inteligência Lógico-Matemática na prática