Como transformar os testes em seus melhores amigos

Pedro Henrique Maraglia
Mestrando em Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

O Autoteste
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Chega a semana de provas, as olheiras aparecem, o sono é enxotado pelas consecutivas xícaras de café e, parece haver uma montanha sobre as costas. Assim, as provas acabam por se tornar objeto de pavor e, não ferramentas para auxiliar sua aprendizagem, o que na verdade deveriam ser. Neste artigo, você verá como a utilização de autotestes ou testes práticos, podem incrementar sua aprendizagem.

O que queremos aqui é lhe apresentar uma ferramenta que pode ser muito interessante e, que pode melhorar o seu processo de aprendizagem. Como você verá,  os testes podem deixar de ser aqueles instrumentos temidos, para se transformar em um auxílio para o seu aprendizado. Estamos falando então dos autotestes e não das  provas.

O que é? E por que utilizar?

O Autoteste é em uma forma de avaliação não formal, no qual, você pode obter informações sobre sua própria aprendizagem. Sua utilização pode potencializar seu processo de aprendizagem. Há  uma serie de estudos que afirmam isso. Na produção desta postagem utilizamos como referencial o artigo “Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques: Promising Directions From Cognitive and Educational Psychology” (Melhorando à aprendizagem de estudantes com técnicas eficazes de aprendizagem: Diretrizes promissoras da Psicologia Cognitiva e Educacional) escrito por John Dunlosky e outros autores.

Um exemplo de sua utilização aconteceu  com um grupo de estudantes de psicologia, que durante um curso sobre cérebro e comportamento, foram divididos em dois grupos. Toda a semana um dos grupos  fazia um  autoteste sobre o conteúdo das aulas. O outro, em vez disto, fazia uma revisão sobre o assunto. Nas provas, o grupo dos autotestes teve melhor desempenho que o das revisões.

E há outras vantagens do autoteste.  Primeiro, em comparação com a revisão, ele é mais rápido. Você também não precisa de nenhum treinamento especial para fazer um autoteste. Você já sabe. Afinal, há quanto tempo você já vem fazendo provas? E para professores é a mesma coisa, professores sabem construir provas, portanto sabem construir autotestes.

Outro benefício, é que você faz um “controle de qualidade” do seu estudo. Identificando o que respondeu com facilidade ou não, o que sabe e o que não sabe, o que aprendeu ou não. Ao  encontrar os erros que cometeu, pode saber o que precisa estudar novamente. Desta forma,   observando e mapeando seus  erros e dificuldades , você agora pode otimizar o seu estudo, deixando em segundo plano o que já sabe e dedicando mais tempo naquilo que ainda precisa aprender.

Há aspectos negativos no autoteste, mas eles são muito pequenos se comparados a seus benefícios. Em geral se resumem a uma seleção inadequada do material, isto é, fazer um autoteste fácil sobre coisas que você já sabe não ajuda muito. E então fiquem atentos ao que selecionar. Procure fazer autotestes dos assuntos mais importantes ou difíceis da matéria. Que os seus autotestes não sejam fáceis demais, pois isto criaria a ilusão de que você sabe mais do realmente aprendeu. Mas que também não sejam difíceis em excesso, para que você não fique paralisado. Isto não ajuda em nada. Ficar no meio termo aqui é uma virtude.

 Como fazer?

Os materiais para os autotestes em geral são simples, e consistem em, lista de palavras, figuras, exercícios do seu livro didático e outros, ou seja, não tem nada de mirabolante, sofisticado, são coisas que em geral você já dispõe na sua casa.

Você mesmo pode elaborar e fazer esses testes resolvendo os exercícios do  final do capítulo, ou dos materiais suplementares que em geral acompanham os livros didáticos. Essa resolução pode ser feita de forma rápida, mentalmente, ou o que é ainda melhor, fazer como se fosse um prova, escrever todas as respostas e somente depois checar identificando os acertos e os erros. Mas importante, não basta a atitude de “acertei este”, “errei aquele”. O que importa é reforçar em sua mente, o que acertou e descobrir o certo naquilo que errou. E melhor ainda, pensar nas razões do erro, e assim buscar aprender a aprender!

Testes de memória também podem ser utilizados. Um bom exemplo são os Flashcards, que são pequenos cartões (impressos ou digitais ) que contem na frente uma pergunta ou informação a ser completada e, no verso a resposta ou a informação que falta e complementa a primeira informação. Por exemplo, se você estivesse estudando inglês, poderia usar o flashcard abaixo para memorizar o significado de “paint”.

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Ao preparar e fazer os seus autotestes, leve em consideração os três fatores que influenciam suas condições de aprendizagem:

  1. O formato, que pode variar de acordo com o que você concluir como melhor para sua aprendizagem. Os exemplos citados acima são apenas dois deles, você também pode utilizar testes de múltipla escolha, responder questões formuladas por você mesmo, ou seja, também depende de sua criatividade e autonomia.
  2. A dosagem, é basicamente a quantidade de teste que você deve fazer, e quanto a isso, não existe qualquer indicação de um número ideal de testes, pois, isso vai depender do seu processo de aprendizagem. Feito um teste, se você foi bem, talvez não seja necessário fazer outro, porém, se não deu nada certo, talvez seja interessante refazer o teste, podendo utilizar um novo formato.
  3. O tempo entre os testes, é importante perceber que deve haver algum intervalo entre um teste e outro. Fazer sucessivos  testes, um após outro,  talvez não seja o mais adequado. Isto provavelmente  mais prejudica que  auxilia a sua aprendizagem.  Mais razoável é esperar pelo menos um dia de intervalo entre um teste e outro.

Não se preocupe muito com a sua idade, apesar dos estudos terem trabalhado principalmente com estudantes de graduação, os autotestes podem ser utilizados em qualquer nível de instrução e em diversas situações. Acreditamos que não seja aplicável a situações de aprendizagem para crianças, mais ele é bastante adequado  para as demais faixas etárias.

Concluindo:

Como diz o artigo  base desta postagem, os autotestes apresentam bons resultados nas situações de aprendizagem, em diversos formatos, idades e tempos de realização. Por isto  achamos que você pode, como diz o título deste post: “TRANSFORMAR OS TESTES EM SEUS MELHORES AMIGOS” Ok?

 

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Fracasso aprendido…E como se livrar dele!

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

“Um dado que surpreendeu os pesquisadores do estudo (*),
foi que alunos de baixo desempenho relatam se esforçar
tanto para aprender ou estudar para as provas quanto os de alto rendimento.
O que diferencia esses dois grupos é a menor confiança
dos estudantes de pior desempenho 
 em  relação aos resultados que terão.”
(Antonio Gois, O Globo, 15/02/2016)

 

Fracasso aprendido é isto. Você tenta, tenta, e não dá certo. Um dia você desiste de tentar. Afinal de contas, a vida te mostrou que com você as coisas não dão certo. É justo, é legítimo. E tome frustração.

Nas fases iniciais, você tenta fazer mais, estudar mais. É a fase onde estão os alunos do estudo acima. E, em alguns casos, até dá certo. Mas a que custo!

Há muitas causas para isto; pobreza, alimentação, estrutura familiar, educação prévia, etc.  Em síntese, o resultado da vida que você teve, quer você tenha escolhido isto ou não. O problema é que tudo isto é passado, e “não adianta chorar sobre o leite derramado”. Você é o que é. Mas isto não significa que não possa se transformar. Por agora não dá para pensar muito em motivação. Afinal, você já a tem. É só por causa dela que você tem se esforçado mais e mais.

Que tal parar de fazer “mais do mesmo” e obter sempre o mesmo? O meu conselho é: Pare de fazer mais, faça melhor ! Esqueça o slogan da Nike: “Just do it!”. Pense como o inventor Thomas A. Edison :

“There’s a way to do it better . . . find it!”
(há uma maneira de fazer melhor…descubra-a!)

Fazer melhor é estudar de uma foram mais eficiente e eficaz. Isto significa, usar as estratégias de aprendizagem corretas, no momento e contexto certos.  Por exemplo:

  1.  Você tem muita coisa para ler (é sempre assim), mas tudo é igualmente importante? Certamente há alguns detalhes que são menos importantes que as idéias centrais. Mas como descobri-las senão lendo tudo? Resposta: Use a leitura inspecional, uma técnica que dirigida pelas questões certas (que você pode construir), permite separar “o joio do trigo”, o que é principal do que é secundário.
  2. A leitura inspecional permitiu identificar o que é importante, mas como juntar isto. Resuma da maneira certa. Resumir é um técnica que tem regras e procedimentos. Não é apenas copiar partes do texto. Não deve ser confundida também com as notas de conteúdo. Ainda mais, há alunos que estudam escrevendo; explicando para si o assunto por meio de um texto. Isto é bom e ajuda algumas pessoas pessoas, mas não é resumir.
  3. Os assuntos parecem todos desconexos. Você não consegue entendê-los, fica se perguntando o que “tem a ver” com que. Experimente fazer um mapa mental ou então um mapa conceitual. Ambos são formas de representação gráfica do conhecimento que,entre outras coisas, te ajudam a entender as relações entre os tópicos de um assunto. Ainda mais, facilitam a memorização.

Aprender a aprender é então uma forma de estudar com mais facilidade. Se você melhorar a qualidade do seu estudo (fazer melhor) e mantiver adequado nível de esforço, é muito mais fácil melhorar o seu desempenho. E assim aumenta a sua confiança no sucesso. O fracasso que você aprendeu, vai progressivamente sendo deixado para trás. E assim todos aqueles fatores antigos se mostram cada vez mais incapazes de impedir o seu crescimento pessoal e profissional.

 

(*) Pesquisa da OCDE-Organização para o Desenvolvimento Econômico sobre o desempoenho de alunos no Pisa, que é um teste internacional realizado em 65 paises.

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Cédric Villani fala sobre Educação Matemática

Saiu no Globo de 14/08/2012. Li, gostei e trago para vocês um extrato da entrevista. Há um grifo meu em determinados trechos, que considero mais relevantes. Quem sabe você concorda comigo…

A entrevista:

digitalizar0001Um dos maiores gênios da matemática, o francês Cédric Villani foge do estereótipo do professor sisudo. Visual extravagante, que lhe rendeu a alcunha de “Lady Gaga da matemática”, o ganhador da Medalha Fields de 2010 – o equivalente ao Prêmio Nobel de sua área – está no Rio para fazer uma conferência no Instituto de Matemática Pura e Aplicada. Em entrevista, ele se disse encantado com a cidade.

• O senhor também mencionou a necessidade de atrair os jovens para a matemática. Com fazer isso diante do fato de a maioria dos estudantes, e das pessoas em geral, ter “medo” de matemática e dos estudos de ciências em geral?

Este é realmente um dos maiores perigos que devemos temer. Primeiro temos que reconhecer que as pessoas aprendem e usam a matemática há milhares de anos, então temos várias ferramentas pedagógicas que são boas e funcionam. São muitos os sistemas usados e hoje temos a possibilidade de compará-los e experimentar. Outra coisa que as pessoas tendem a esquecer é que na pedagogia o melhor método costuma ser aquele que é o preferido do professor; o que ele ou ela desenvolveram por si próprios e sabem por experiência própria que seu sistema funciona. No fim, o que importa é a relação entre os alunos e o professor. Os professores mais motivadores que encontrei na escola eram os que tinham seu próprio estilo, seus próprios exercícios e que davam mais atenção para os alunos que se mostravam mais interessados. Eram os que realmente gostavam da matéria que ensinavam, e isso é motivador. E na matemática, embora alguns princípios sejam importantes, deve-se ter paciência. A matemática não é algo natural para nós. Nossa maneira de pensar é baseada em emoções, sentimentos na identidade visual e no contato com as pessoas, e não na lógica matemática. Esta lógica foi desenvolvida por várias civilizações ao longo do tempo e chegou a nós com esforço. Temos que lembrar disso e que leva tempo para entrarmos no espírito da matemática. E o mais importante na educação matemática não é o

Continuar a ler

Copiar ou prestar atenção: Os pressupostos.

No post anterior eu prometi que tendo demonstrado que copiar era tarefa impossível e anotar algo muito mais conveniente, iria hoje mostrar os processos de anotação. E é assim que começamos agora falando dos pressupostos. Sim, porque para anotar você precisa prestar atenção no que está sendo dito. E para prestar atenção…

Pré-requisitos: Visão e Audição

Parece óbvio, não?

clip_image002Se você entra em sala vendado e de ouvidos tampados, não há como prestar atenção! Neste sentido é inútil repisar no óbvio.

Mas há circunstâncias em que isto faz diferença. A primeira delas é quando existe algum defeito de audição ou visão. Note que às vezes, quando discreto, você nem percebe ou se acostuma a ele.

E nem por isto ele deixa de te prejudicar.

Outro caso é o do seu posicionamento em sala de aula. Você ouve ou vê melhor em função da sua distância do quadro e do professor. Uma janela aberta traz ruídos externos e te convida a devanear. Um quadro liso reflete a luz, dificultando a leitura.

Sua turma é mais ou menos barulhenta. Os seus vizinhos de carteira, são mais ou menos conversadores. O jeito, a voz e a movimentação do professor fazem diferença no quanto você vê e ouve durante a aula. Ventilador, ar condicionado, luzes entre outros, todos são fatores podem ajudar ou dificultar sua audição.

Como e vê, as coisas não são assim tão óbvias. Ok?

Condições para ficar atento

Diferenciar Ver de Observar, Ouvir de Escutar e Mexer de Mover

Habitualmente tratamos Ver-Observar, Ouvir-Escutar , Mexer-Mover como sinônimos. E há casos em que isto é adequado. Mas não aqui. Há significados que o diferenciam muito entre, e é isto o que nos importa aqui.

A grande diferença é a consciência. Ver é perceber pela visão; enxergar. Estamos falando do mero uso de um sentido físico: a visão. Já observar, embora implique no “ver”, é:

  • fixar os olhos em;
  • considerar (-se) com atenção;
  • estudar(-se);
  • constatar,
  • perceber.

Note que aqui usamos o termo observar para um ver com atenção e intenção. Isto é; um ver consciente do que e para que se está vendo.

O mesmo ocorre com os pares Ouvir- Escutar, Mexer-Mover.

Escutar é atentar para o que ouvimos. Sabemos que estarnos ouvindo algo e dirigimos a nossa atenção para isto. Quando escutamos, mais que ouvir, está em ação o ato consciente de fazer algo com intenção.

Mexer é revolver; agitar o conteúdo de; pôr(-se) em movimento. Não há aqui a obrigatoriedade da intenção. Mover, no entanto, e no sentido que aqui apresentamos, é começar a agir; determinar-se a fazer (algo), levar a (realizar algo); induzir, mobilizar, reagir. Assim, mover é o resultado de uma decisão – consciente e intencioclip_image002[4]nal.

E é aí que entra a …

Decisão.

Perceber a contínua alternância entre Ver- Observar, Ouvir-Escutar e Mexer-Mover

Quantas vezes só nos damos conta de que estamos vendo ou ouvindo algo quando alguém nos avisa? Antes disto o som ou a imagem chegavam a nós, mas não a percebíamos.

Mas basta que algo diferente ocorra para que o que “não havia” (por não ser percebido), passe à “haver” (porque agora percebido). clip_image004

As coisas são assim. Vemos, ouvimos e mexemos muito mais do que percebemos.

Você percebe todas as vezes que pisca os olhos? Como mexe suas pernas e pés ao andar? A menos que esteja atento para isto, provavelmente não.

E isto é normal. Não podemos estar conscientes de tudo o que acontece conosco e ao nosso redor o tempo todo.

Há, conosco e no nosso ambiente, coisas mais importantes que outras. O carro que vem em minha direção é mais importante que o pássaro que voa acima de mim.

Temos o que se chama de visão focal e periférica. E há na estrutura do olho, elementos responsáveis por isto. Na visão focal eu vejo tudo em detalhes, mas para isto só posso abranger um pequeno setor do meu campo visual. Na visão periférica, o campo é amplo, mas o que vejo é pouco definido e sem detalhes. Sem que percebamos alternamos estas duas visões continuamente. O carro que se aproximava desviou-se. O pássaro que voava acima começa a cantar e isto atrai a minha atenção. A visão focal antes dirigida para o carro, agora foca no pássaro. E isto acontece quase que automaticamente.

Usei a visão apenas como um exemplo mais fácil de perceber, mas o mesmo acontece com a audição e o movimento. Variamos continuamente nosso foco de escuta. Nossa movimentação se faz ora automática, ora dirigida a um objetivo específico. E nem sempre pensamos antes de alterar o foco ou a maneira de fazer algo. Há inclusive mecanismos neurais responsáveis por isto. Mas não importa aqui detalhá-los. Importante é que você perceba como presente e natural este processo de contínua alternância entre Ver- Observar, Ouvir-Escutar e Mexer-Mover.

Por isto, para que possa focar no que importa, preciso selecionar. E é aí que entra a …

Escolha …

Decidir para o que atentar

Precisamos selecionar. Dentre as coisas vistas quais as que serão observadas? Dentre as ouvidas quais as que serão escutadas? Dentre as mexidas, quais serão movidas?

A teoria da Gestalt nos mostra que não percebemos as coisas isoladamente, e sim em uma relação de Figura-Fundo. Isto quer dizer que percebemos melhor um objeto claro em fundo escuro. Vendedores de joias costumam mostrar anéis de prata e ouro (a figura) em cima de um veludo preto ou azul escuro (o fundo). Sabem que isto as ressalta mais.

Por isto, para ficar atento a algo é necessário decidir. Não apenas decidir ficar atento; e isto é muito importante: Você precisa escolher para quais objetos, assuntos, conceitos, palavras ou ideias você vai atentar. Precisa, portanto decidir e escolher o que é importante o bastante para sair do fundo e ficar como figura.

Sem isto não há atenção …

Valorizar o mundo Apreendido:

Apreender vem do latim “apprehëndö” significando, agarrar, segurar, prender. Em linguagem militar quer dizer “tomar posse”. E em um nível mais abstrato de siclip_image006gnifica assimilar mentalmente, Ou seja, é no mundo apreendido que está o conteúdo de sua atenção.

Ora, se o que percebemos é, como diz a Gestalt, um processo de alternância entre a figura e o fundo. E só percebemos a figura porque a fazemos aflorar do fundo; então fica claro que: É do conjunto de coisas que vemos, ouvimos e mexemos para as quais estamos desatentos que partimos para as que estamos atentos, observando e escutando.

Ainda mais; mostramos que esta transformação de figura em fundo e vice-versa é contínua e dependente da consciência. Figura é o que percebemos conscientemente, fundo é o que foge à percepção consciente.

E finalmente, mostramos que o que nos faz trazer algo à consciência é a importância que damos a este algo. A seleção que fazemos então, é simples atentamos para o que importa e deixamos de lado o que não tem valor.

É por isto então que precisamos valorizar o mundo apreendido. Se ele não tem valor, não o trazemos à consciência e, portanto não o agarramos, não o assimilamos mentalmente.

É por isto que para estar atento a um dado conteúdo, é muito importante valorizá-lo. Se estivermos em uma aulaclip_image008 que não nos interessa, será difícil prestar atenção. Então, se você decide que precisa aprender aquele conteúdo, trate de buscar nele alguma coisa que o torne importante.

Concluindo

Então vimos hoje que para prestar atenção é necessário:

  1. Atentar para visão e audição. Tanto os pequenos (e grandes) problemas e também para o ambiente que pode dificultar o que você vê e escuta.
  2. Diferenciar Ver de Observar, Ouvir de Escutar e Mexer de Mover.
  3. Perceber a contínua alternância entre Ver- Observar, Ouvir-Escutar e Mexer-Mover.
  4. Decidir para o que atentar.
  5. Valorizar o mundo Apreendido.

No próximo post desenvolveremos uma questão algo polêmica. Você sabia que para prestar atenção é importante ficar distraído?

Até lá!

Você tem alguma dúvida ou pergunta?

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Copiar ou prestar atenção ?

MP900443316[1]Um problema:

Não sei quanto a você, mas ao longo da minha vida de estudante sempre tive um grande problema: copiar OU prestar atenção. Eu assistia as aulas e a maior parte do que eu deveria aprender (e “caía” na prova) era falada pelo professor. Logo, obviamente eu deveria copiar para o caderno para poder depois estudar (frequentemente na véspera da prova).

Mas o que acontecia era que eu não conseguia acompanhar o professor em tudo o que ele falava. Tentava escrever e me perdia no caderno. Pelo menos para minha velocidade de escrever, os professores falavam rápido demais. E assim quando terminava de descrever uma ideia, o professor já estava muitos conceitos à frente na explicação e eu completamente perdido.

Mais que isto; quando conseguia copiar aula, o fazia de forma tão automática que mal percebia o que estava sendo dito. Ao chegar em casa e tentar estudar, tinha dificuldades. Isto porque eu havia copiado as ideias e às vezes as explicações; mas como não havia prestado atenção na aula, já que a estava copiando, então entender o que havia escrito era um desafio. A “salvação da lavoura” para mim era quando topava com um daqueles raríssimos professores que primeiro escreviam tudo no quadro (dando tempo para o aluno copiar) para só depois começar a explicar.

Para mim, copiar a aula era uma tarefa insana, e por isto volta e meia desistia de fazê-lo para dedicar-me apenas a prestar atenção na aula. Nestes períodos as aulas ficavam muito mais tranquilas. Entendia o que estava sendo dito e acreditava ter aprendido o assunto. Mas quando chegava a casa para estudar e ainda mais nas vésperas das provas descobria que não me lembra de quase nada da aula. E para piorar, não tinha nenhum recurso para ajudar a memória. Afinal, o caderno estava em branco (ou quase).

Durante todo o meu segundo grau vivi este conflito, de resolver um problema, apenas para cria outro. Sim, porque se copiava, eu tinha material para estudo posterior, mas como não prestava atenção, não conseguia estudar depois. Se prestava atenção, a situação se invertia; havia compreensão, mas logo depois esquecendo do que havia sido dito, ficava muito complicado estudar apenas com um caderno quase em branco. E assim durante longo tempo, vivi este conflito, tentando fazer ao mesmo tempo duas coisas para mim mutuamente excludentes.

Será que esta situação não lhe é familiar? Como disse no início do texto, não sei se especificamente você, mas em minha já algo longa vida de professor, tenho percebido isto como um problema muito comum. Portanto acho que se isto não ocorre com você provavelmente vê acontecer com amigos.

Uma descoberta:

Continuando minha história, fui inventado soluções. Ler mais os livros da disciplina, perguntar a colegas, estudar em grupo, etc. Mas uma delas acabou despontando como a mais prática. Lá para o final do segundo grau e início da faculdade, descobri um personagem importantíssimo: A Fanática Copiadora[1]! Embora alguns homens pudessem assim ser classificados, geralmente eram mulheres as ocupantes desta função. Eram colegas de turma dotadas da rara (e muito apreciada) capacidade de copiar com rapidez e eficiência.

Assim, durante algum tempo, uma fanática copiadora e uma máquina Xerox resolveram o meu problema. Durante a aula eu prestava atenção, confiando que antes das provas poderia “xerocar” o caderno da amiga. Ainda mais que na faculdade; livros, artigos científicos e eventualmente apostilas, assumiram um papel mais relevante que no segundo grau.

Mas como tudo muda, isto não funcionou durante muito tempo. Como disse, copiar com eficiência é uma qualidade muito rara. Ao longo do tempo a “minha turma” foi se reduzindo. No início da faculdade éramos 320 alunos, logo fomos subdividos em grupos de 40, com horários e disciplinas diferentes. No meu internato mais divisões e a turma reduziu-se para doze alunos. No mestrado seis e no doutorado dois alunos. E em algum ponto do caminho perdi minha fanática copiadora.

E assim progressivamente fui voltando ao início, ou quase. Isto porque ao longo do tempo fui descobrindo o “caminho das pedras”. Descobri que se por um lado era necessário registrar tudo o que era apresentado em aula, não era necessário copiar tudo o que o professor dizia.

Copiar e Anotar: Dá tudo no mesmo?

O que hoje para mim é óbvio, e talvez também para você; na época não parecia. Vejo hoje que isto continua não sendo óbvio para um bom número de estudantes. Vamos então explorar um pouco isto e logo depois explico a razão deste aprofundamento.

Peço então que você pense no que significa COPIAR. Agora pare alguns segundos e em um papel escreva as ideias que vêm à sua mente para o significado de COPIAR.

. . .

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. . . Pensou???

Bem, então vamos ao que o dicionário Houaiss[2] apresenta como significado[3]:

  • Produzir cópia de, por transcrição ou por imitação
  • Tornar a produzir, por qualquer processo de reprodução; reproduzir
  • Transcrever (trecho selecionado de texto, ou uma imagem do documento ativo) para a área de transferência, sem alterar o conteúdo do documento ativo

Os significados acima são de alguma forma, próximos aos que você pensou? Note que em síntese tudo se refere a que ao copiarmos algo a cópia é idêntica ao original. Chamo sua atenção para isto:

ORIGINAL = CÓPIA !

Agora então eu pergunto: É possível COPIAR uma aula? Isto é; produzir algo que seja IGUAL à aula que você acabou de assistir? Note que ao usar o termo igual, estou perguntando se é possível produzir algo que seja indistinguível do original. É possível produzir algo que você possa mostrar a alguém e esta pessoa possa acreditar que está REALMENTE assistindo a aula que você assistiu?

Acho que você concordará que não é possível. Mesmo que você filme a aula, o espectador saberá que está assistindo a um vídeo de uma aula que já ocorreu. Por melhores que sejam os dispositivos técnicos a serem usados, eles só permitirão uma experiência no máximo muito similar à aula verdadeira. O resultado será apenas uma referência ao original[4].

Assim, acho que neste momento você já está convencido que copiar uma aula é tarefa impossível. Mas se assim é porque usamos o verbo copiar para expressar aquilo que fazemos ao assistir uma aula? Sabemos lá no fundo o que significa copiar. Mas também e ao mesmo aceitamos fazer algo que não é copiar. Aceitamos uma coisa que é uma “meia-sola” do copiar. Ou seja “copiamos” uma aula –  na medida do possível.

Assim, sem nos darmos muita conta do que que fazemos, aceitamos dia após dia executar uma missão impossível. Pode não parecer, mas isto cria um conflito cognitivo e emocional no estudante. Daí as resistências em relação à tarefa. Quem, exceto heróis de cinema, aceitam em sua rotina executar missões impossíveis (e as realizam com sucesso)?

Uma solução possível é utilizar outro verbo: Anotar. Você ou seus amigos talvez usem copiar e anotar como sinônimos. E aí neste caso a missão deixa de ser impossível. Sabe por quê? De novo o Houaiss que nos diz que anotar obviamente é fazer uma anotação e esta significa[5]:

  • Indicação; escrita breve; apontamento, nota, chamada.
  • Série de comentários gerais sobre produção literária, artística ou científica; observação.

Então perceba que anotar não é copiar.

Copiar é passivo, exige do estudante uma atitude de mera reprodução. O que diz o professor é para ser escrito e ponto final. Nada mais. Aliás, o aluno NÃO pode colocar na cópia nada que já não tivesse sido dita pelo professor na aula. Da mesma forma, não pode dela retirar nada. Nos dois casos seria uma distorção do original.

Ao contrário, anotar envolve uma série de ações do aluno para extrair da aula alguns aspectos. Anotar é então uma ação ativa. Implica em uma participação do estudante. Exige sua crítica ao discurso do professor, para selecionar o que é importante e o que não é. Demanda ainda uma decisão do aluno no momento de organizar no papel as informações selecionadas. Ele precisa pensar e decidir tendo em vista o tipo de aula e professor, conteúdo, suas características pessoais, e objetivos futuros da anotação.

Assim; a grande mensagem deste post é que você deve parar de copiar e passar a anotar. Para isto pensar sobre você e seus objetivos para então  produzir as SUAS observações sobre a aula que está assistindo.

Como fazer isto é o que ensinarei nos próximos posts.

Até lá!


[1] Antes que seja criticado enfatizo que na época não usava e hoje também não uso este termo como pejorativo, Atualmente, não acho que esta seja a melhor solução, mas acredito que neste mundo real, para as pessoas que vivem o dilema de copiar ou prestar atenção, ser amigo de uma fanática copiadora é extremamente valioso.

[2]http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=copiar&x=11&y=17&stype=k em 06/11/2011

[3] São vários, mas cito aqui o s mais relevantes.

[4] Note que não estou aqui valorando diferenças entre original e cópia. Não importa aqui que uma ou outra pessoa prefira o vídeo da aula que a própria. Aui, isto não importa. O que procuro enfatizar é a diferença reconhecível entre o original e o que se apresenta como cópia.

[5]http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=anota%E7%E3o&stype=k em 06/11/2011

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O Quadro Horário de Estudos – Os pressupostos.

Dificuldade_Pés adolescentes equilibrando-se em caminho difícilComeço definindo que “Quadro Horário de Estudos” é óbviamente um quadro onde o estudo é distribuido segundo um dado horário. É simples, fácil, sem qualquer problema de entendimento. Ora, se assim é, por que tanta importância se dá à pergunta: –Como fazer um quadro horário de estudos?

Duvida? Apenas um número. Antes de escrever este post fiz uma consulta na internet. Obtive:

Página 80 de aproximadamente 2.530.000 resultados (0,38 segundos)

Este post irá explicar porque isto tem sido difícil para muitas pessoas. E ainda mais, mostrará à você como sair desta dificuldade. A seguir, em outras postagens, mostrarei formas de contruir um quadro horário que seja adequado e personalizado.

O Problema

Em minha opinião há várias razões para a dificuldade de fazer quadros horários, e principalmente de fazê-los funcionar. Dentre elas, cito três que entendo serem as mais importantes:

  1. Diversidade de tipos de quadro
  2. Administração do tempo
  3. Aspectos Psicológicos

O problema então não está no “como fazer” mas em “como pensar para fazer”. Eu explico.

Distribuir as matérias ao longo do tempo não é difícil se você o faz meio ao acaso. O problema surge quando você o faz com o objetivo de ter sucesso no estudo. O quadro horário é uma ferramenta. Não se justifica por si só. Uma afirmativa óbvia. Ok?

Sim, claro. Mas o problema surge quando você mistura o meio com o fim. Isto é, há todo um conjunto de pressupostos que você deve levar em conta para decidir se vai colocar a matéria “a” na segunda ou terça. Se usa uma ou cinco horas para estudá-la.

Em última análise, um quadro horário é um compromisso com você mesmo. E nele precisam ser equilibrados:

  • O que você precisa,
  • o que voce deseja,
  • e o que você pode fazer.

O que você precisa:

Aqui a razão domina. Apenas citando algumas coisas mais comuns:

  • Passar de ano.
  • Passar no concurso.
  • Melhorar de vida.
  • Dominar uma conteúdo necessário à sua profissão.

Você avalia a sua situação atual e decide. Estabelece um objetivo e lista os passos necessários para atingi-los.

Há, é claro, algumas dificuldades nesta etapa. Talvez você necessite de alguma pesquisa para saber quais são os passos, onde obter os recursos, quais os livros necessários, quanto tempo alocar para cada atividade, etc. Pensar racionalmente envolve algumas etapas importantes, e neste blog tenho apresentado várias.

Se você consultar a grande maioria do material publicado, é neste tópico que os textos se desenvolvem. Informam e dão conselhos sobre como alocar as matérias ao longo do tempo. E isto não é difícil, pelo menos racionalmente falando. Só que agora entra em cena uma outra coisa.

O que voce deseja:

Blaise Pascal afirma “O coração tem suas razões, que a própria razão desconhece” (Pensées, 1669). E de alguma forma é por aí a dificuldade de lidar com o quadro horário; já que aparentemente ele é apenas uma ferramenta lógica de administração do tempo.

O problema e que “Um só desejo basta para povoar um mundo.” (Alphonse de Lamartine, 1790-1869). O que desejamos é, por definição, impossível de ser satisfeito. Basta que tendo desejado algo e o obtido,  para que logo após passarmos a desejar mais.

O desejo é algo ligado ao sentimento, e portanto não racional. Não podemos, em geral, justificar plenamente o que desejamos. Às vêzes o que fazemos é moderar nossos desejos. Mas quando isto se dá, o fazemos não porque acabamos com o desejo, mas porque o ocultamos.

Isto significa que quando pensamos dele ter se livrado, o   “sentimento ilhado, morto, amordaçado. Volta a       incomodar” como disse o Fagner em sua música “Revelação”. E é assim que acontece com o desejo. O fato de não termos plena consciência não significa que ele inexista. Continua presente e modulando nossas ações.

Precisamos estudar, mas queremos descansar. Precisamos aprender, mas desejamos festejar. Sabemos que para passar no concurso precisamos investir no estudo e na qualificação. Mas o nosso sentimento se opõe ao sacrifício prévio.

Ou por outra, decidimos buscar uma determinada posição porque racionalmente entendemos que é a mais adequada. No entanto não é ela que nos agrada. Há outras profissões e/ou atividades que nas quais seríamos mais felizes, embora não tão bem pagas.

Por exemplo, soube do caso de uma aluna de Relações Internacionais que à beira da graduação, estagiária remunerada e quase contratada por uma empresa, se demite para estagiar gratuitamente na ONU.

São decisões difíceis. Todas elas desenbocando na contrução do quadro horário. Assim, este quadro horário vai estabelecer meu compromisso com o que preciso fazer ou com o que desejo?

E o que você pode fazer:

Aqui entra um terceiro fator muito importante: A Realidade.  Dentro de certos limites, precisar e querer são abstrações. Existem apenas no plano das idéias.

É claro que ambos tem fortes raízes objetivas no real. É claro que se você percebe que falta dinheiro, é porque provavelmente “sobra mês no final do salário”. É claro que se você deseja uma vida melhor, é porque você percebe que sua vida atual, mesmo que satisfatória em vários aspectos, pode melhorar em outros.

Neste sentido sim, precisar e querer são coisas muito reais. Mas aqui me refiro ao plano operacional. Perceber necessidades e desejos podem ficar restritos ao pensamento e sentimento sem que passem para a ação. É só quando você age em função destas percepções, que a realidade se impõe.

Você pode querer um determinado cargo e precisar dele. Mas a realidade te diz que só quando passar no concurso, é que o desejo e a necessidade serão satisifeitos. E para isto, uma série de ações prévias serão necessárias.

E é aí que “a porca torce o rabo”. Para passar no concurso você precisa se qualificar. E  para isto, no mínimo, você precisa:

  • Tempo para estudar.
  • Tempo para frequentar aulas.
  • Competência para aprender.
  • Dinheiro para cursos, livros e apostilas.
  • Sustentar-se até a vitória final.

Note que os cinco itens acima são concorrentes entre si. Se você trabalha para sustentar-se, reduz-se o tempo para estudo o que diminui suas chances de aprovação. Se você se demite para aumentar o tempo de estudo e portanto aumentar a sua chance de sucesso; quem vai sustentá-lo?

Claro que este é só um exemplo dos múltiplos conflitos possíveis entre tempo, competência e dinheiro.  O que importa aqui é mostrar que, no plano das ações a realidade se impõe. E isto torna ainda mais difícil a decisão.

Concluindo:

O objetivo deste post não é ainda mostrar como construir um quadro horário, mas explicar porque ele é, às vêzes, muito difícil de fazer.

Mostramos que se do ponto de vista lógico o processo é muito simples, “o buraco é mais embaixo” quando se trata de real e concretamente implementá-lo. Isto é; não se trata de meramente alocar matérias em horários. Trata-se de tomar decisões pessoais que implicam em preços a serem pagos. Como na fábula da galinha e o milho, todos querem comer os bolos e o fubá, mas são poucos os que se dispõem a plantar, colher e processá-lo.

Mas na prática o que isto tudo significa? Apenas concluir que é difícil e conformar-se com isto?

Não! Não é isto o que proponho. O primeiro ponto é tomar consciência da dificuldade. Com isto você deixa de ser dominado por por ela. Passa a perceber que as dificuldades não estão apenas na técnica de construção do quadro horário. O verdadeiro campo de batalha é a sua mente.

Por isto chegamos ao segundo ponto. Livre-se das ilusões de que fazer o quadro resolve seus problemas. De que que uma nova e revolucionária forma de construir resolverá tudo. Técnicas de construção ajudam? Com certeza sim. Mas apenas se usadas corretamente pelo construtor; e ainda assim apenas se adequamente consciente dos pressupostos.

O que é melhor? Uma picape 4×4 ou um “carrão” de luxo ? Como veículos, ambos são de alto nível. Mas para compará-los é necessário saber quem vai usá-lo, para quê e onde. Na fazenda, para transporte de ferramentas e insumos agrícolas a picape é a mais indicada. E isto é muito claro. Ok? Já o “carrão” tem finalidades e exigências bem diferentes. O quadro horário é como um destes veículos. Existem de varios tipos, usados por diferentes pessoas, com variadas características e demandas.

Por isto, chegamos ao terceiro ponto. Livre-se da ilusão de que meramente copiar o quadro feito por terceiros irá resolver. Não há um quadro geral. Eles precisam ser personalizados. O que pode ser ensinado é o método geral de construção. Você pode ainda observar vários quadros contruidos, mas apenas para tentar entender como outras pessoas resolveram seus próprios problemas. Não adianta tentar imitar e achar que acabou.

Linhas atrás eu disse que a verdadeira batalha é a sua mente. E este é o quarto e último ponto: a Autoconsciência. Você precisa saber com a maior objetividade possível quem é você. Claro que neste caso o “quem é você” tem como foco a construção do quadro horário. Isto é; por um lado você precisa saber as técnicas de construção do quadro. Mas por outro lado e principalmente, você deve ser capaz de equilibrar o que você precisa, deseja e pode.

E como fazer isto eu explicarei para você na próxima semana, em mais um post deste blog. Até lá!

Professores deveriam “blogar”?

Professores deveriam blogarDo meu ponto de vista pessoal é óbvio que sim, já que você está lendo um “post” no meu blog.

Mas esta é uma decisão pessoal.

Para ajudar os colegas, listo abaixo razões para fazê-lo e também para não. O tema foi trabalhado no blog de STEVE WHEELER, intitulado “Learning with ‘e’s” em três posts que apresento ao final.

Acho que bons professores são autores, e escrever blogs é uma forma de autoria. O que você acha?

Por quê não ”blogar”?

  1. Falta de tempo suficiente para o blog.
  2. Achar que não têm nada a dizer.
  3. Medo de postar algo que acha que vai ser “abaixo do padrão” ou “errar o alvo”.
  4. Medo do que seus patrões podem dizer, e de suas conseqüências.
  5. Desconhecimento dos benefícios.

Por quê “blogar”?

  1. Faz você refletir.
  2. Pode abrir novos públicos.
  3. Pode criar uma dinâmica pessoal.
  4. Pode lhe dar um feedback valioso.
  5. Estimula sua criatividade.
  6. É divertido.

Concluindo:

Já disse, a decisão é muito pessoal. Ainda mais, as razões pró e contra listadas acima fazem mais sentido no ambiente norte-americano. Precisam ser adaptadas à nossa realidade.

Finalmente, “Professor” não é uma categoria homogênea. Variados  são os graus de conhecimento, habilidades como o computador, tipo e quantidade de vinculos profissionais, objetivos de vida, escolas, tipos de alunos, moradia, condição financeira, gênero, disciplina ministrada e muitas outras variáveis.

Por isto o que é bom para um pode não sê-lo para outro. E por isto também me abstenho de fazer recomendações genéricas. Mas acho que neste mundo contemporâneo todos nós, inclusive (e talvez principalmente) os professores deveriam estar atentos para tomar uma decisão consciente e crítica.

Você tem alguma dúvida ou pergunta?

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Os posts do Steve

http://steve-wheeler.blogspot.com/2011/07/seven-reasons-teachers-should-blog.html

http://steve-wheeler.blogspot.com/2011/07/reasons-teachers-dont-blog.html

http://steve-wheeler.blogspot.com/2011/09/i-think-therefore-i-blog.html

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