Quais os seus conteúdos opcionais?

– O seu caso é muito complicado.
– Por que Doutor? O que houve?
– Você tem uma doença que está em um capítulo que eu
considerei como opcional durante os meus estudos.

https://www.quora.com/How-do-med-school-students-study

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Quantas horas os estudantes de medicina estudam diariamente?

 Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Em Londres:

Acabei de terminar meu terceiro ano de faculdade de medicina no Reino Unido.

No meu primeiro e segundo anos, não tive exposição clínica, foi todo tomado por aulas. Então eram 1-5 horas de aulas por dia, de segunda a sexta-feira. Passava a maior parte do resto do dia estudando esse material. Estudava de 6-8 horas no sábado e descansava no domingo. No período de provas eram 8-12 horas por dia já que não havia aulas.

Neste último ano foi um pouco diferente, pois as aulas eram no hospital. Em geral, meu objetivo era fazer pelo menos 3 horas de estudo nos livros quando tinha aula e 6-8 horas nos dias livres. Eu também tentei tirar os domingos de folga, mas não fui muito boa nisso.

Catherine Frances, MBBS (*)  no King’s College – Londres

No Chile:

Bem, tudo depende do aluno, do teste e do ano. Estou no meu terceiro ano (dos 7 do meu país) e geralmente estudo uma semana para cada teste, pelo menos, 6 horas por dia. Eu sei que eu deveria estudar, todos os dias um pouco, mas quando você tem coisas para fazer o tempo todo e encontrar uma hora livre, você só quer descansar demais.

Valentina Adriazola D,  University Austral do Chile

 

Em Manilha:

Sou estudante de medicina nas Filipinas e, basicamente, estudei 7 dias por semana durante o meu 1º ano. Aulas das 8:00 às 17:00, 5 dias por semana, então fazia uma pausa no máximo até às 21:00hs (academia, recados ou sono). Em seguida, eu retomava o trabalho até 1-2hs da manhã, dependendo da carga de trabalho para o dia seguinte.

Nos finais de semana eu dormia para compensar a falta de sono durante a semana, em seguida, retomava meu trabalho. Nos domingos, porém, tentava não fazer nenhum trabalho até o final da tarde, mas na maioria das vezes não conseguia porque a carga de trabalho para a semana seguinte precisava ser planejada e dividida em partes para que não se tornasse tão esmagadora. Então recomeçava o trabalho após o café da manhã ou depois do almoço.

Jessica Ann B. Jorge,  Universidade de Manilha

No Brasil:

Que tal falar sobre isso nos comentários? ;))

(*) Pré-médico, equivalente ao Ciclo Básico no Brasil

A metacognição pode ser aprendida

 

“A habilidade de aprender de uma pessoa não é fixa, pode se desenvolver. De fato, apenas aceitar isso pode ter um impacto profundo na aprendizagem dos estudantes (Lovett, 2008). Ensinar aos nossos alunos a serem aprendizes estratégicos é, portanto, uma das habilidades mais valiosas que podemos dar. Os cursos que se concentram na aplicação de estratégias eficazes de aprendizagem dos alunos podem melhorar os seus desempenhos nestes cursos; mas podem também melhorar os seus desempenhos no longo prazo e evitar a evasão de estudantes considerados em risco (Lovett, 2008; Weinstein et al., 2000). Surpreendentemente, os comportamentos auto-reguladores e adaptativos podem ser ensinados em tempo mínimo de aula (literalmente, uma questão de minutos ao longo de um semestre) e os alunos rapidamente aprendem a aplicar esses comportamentos sem aviso prévio (Lovett, 2008). Uma vez que os comportamentos são internalizados, os alunos continuam a usá-los, facilitando concentrar sua atenção no conteúdo que estão aprendendo.”

National Association of Geoscience Teachers  (2017)

Lovett, M. (2008). Teaching Metacognition. (more info) Presentation at the Educause Learning Initiative 2008 annual meeting.
Weinstein, C. E., Husman, J., & Dierking, D. R. (2000). Self-Regulation Interventions with a Focus on Learning Strategies. Chapter 22 in the Handbook of Self-Regulation, M. Boekaerts, P.R. Pintrich & M. Zeidner (eds.), Academic Press, p. 727-747.

DINTER – Doutorado Interinstitucional entre UFRJ e Ifes – Aula inaugural

No dia 17 de agosto do corrente ano, às 10h, no Auditório da Eletrotécnica do campus Vitória do Ifes ocorrerá a aula inaugural do DINTER – Doutorado Interinstitucional entre UFRJ e Ifes vinculado ao Programa de Pós-Graduação Educação em Ciências e Saúde.

Na programação do evento estão previstos:

Abertura Oficial;
Palestra intitulada “Educação em Ciências e Justiça Social” com a professora Isabel Gomes Rodrigues Martins do Laboratório de Linguagens e Mediações do NUTES/UFRJ.

Contamos com a sua presença!

Luciano Lessa Lorenzoni
Coordenador Operacional do DINTER UFRJ/Ifes
Coordenadoria de Matemática – Ifes – Campus Vitória
Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática

Como elaborar flashcards? Parte II

Pedro Henrique Maraglia
Mestrando em Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Como fazer um flashcard?

Fabulous-Flash-Card-Template-Download (1)É simples, você precisa apenas de papel, caneta, talvez uma tesoura, e claro ter estudado antes. Você pode comprar pequenos cartões encontrados em papelarias, podendo ser coloridos, ou não, isso fica a seu critério. Você pode também usar folhas de papel oficio A4 e cortar os cartões da forma que desejar. Você pode ainda fazer os flashcards em aplicativos ou programas de computador, com o Flashcardpro®, Supercard®. Ou em sites, como o Goconqr.

A logica de construção dos flashcards é simples. Você pode, por exemplo, fazer um flashcard sobre uma palavra. Você pode utilizar qualquer palavra, por exemplo, “Paralelepípedo”.  Neste caso o seu objetivo é fazer com que essa palavra possa ativar sua memoria, de forma a acessar informações que se relacionam com a palavra escolhida, como em nosso exemplo, “Paralelepípedo” pode estar relacionado com a seguinte informação “formado por seis faces, sendo que duas são idênticas e paralelas entre si”, o que se pretende é que ao ler essa palavra você possa se lembrar desta informação.  Então em um dos lados do papel você escreve a palavra, e este lado será considerado como a frente, e no verso você escreve informações referentes a esta palavra.

Sem título

Outra forma de construção dos flashcards pode ser uma pergunta, por exemplo, quem descobriu o Brasil? Nesse caso a pergunta tem a mesma função da palavra, ativar sua memória para que você possa acessar alguma informação, neste caso do exemplo, “quem descobriu o Brasil? ”Em um dos lados você escreve uma pergunta, e este lado será a frente, e no verso, você adiciona a resposta para essa pergunta.

Sem título

Note que você pode moldar os flashcards de acordo com sua necessidade. Use palavras, perguntas, imagens, equações ou esquemas. O importante é que você obedeça a estrutura básica. De um lado aquilo que vai funcionar como uma solicitação à sua memória, e do outro o conteúdo com o qual você vai confirma se o que você lembrou era mesmo aquilo.

Como utilizar?

Há varias formas de utilizá-los. A escolha entre uma ou outra depende do conteúdo a ser estudado e de suas possibilidades e recursos, entre outros. Aqui sugerimos uma que é muito simples e rápida. Se você achar útil, mais tarde poderá experimentar outras maneiras de usá-los.

O flashcard individual

Como você já leu, o flashcard é um cartão que na frente tem a o tema e no verso a explicação do tema. Então o objetivo é a partir do que está na frente relembrar o que está no verso. Então:

  1. Leia a pergunta ou palavra escrita na frente do flashcard atentamente: Aqui você deve ativar a sua memória de maneira a buscar a informação relacionada com a palavra ou pergunta. Tente relembrar das informações relacionadas a aquela palavra ou pergunta. Você pode fazer isso mentalmente ou em voz alta. Nesse esforço você vai associando a palavra ou pergunta com a informação, e assim você irá fortalecendo a memorização das relações. Faça isso com calma, pois, não adianta pressa e fazer algo de qualquer maneira, sua memória as vezes precisa de tempo.
  2. Após tentar relembrar as informações, confira no verso se acertou ou errou, aferindo seu rendimento. Mas não pare por aí. Acertando ou errando procure memorizar a resposta correta. Repita mentalmente (ou em voz alta)> Isso é muito importante.

flashcards homeopatia

O flashcard em conjunto

Como você viu, a tarefa é simples. Ler e ativar a memória. Isso acontece sempre que você tem um flashcard na mão. Mas note que você provavelmente fará muitos cartões. Então agora você precisa ter uma maneira de utilizá-los ordenadamente. Então:

  1. Estude o assunto antes: É claro, não é? Como você vai construir os cartões se não sabe nada do assunto? Você não precisa saber o assunto profundamente, mas um mínimo que te permita fazer as perguntas e as respostas. Ah! E só para lembrar; enquanto você está fazendo os cartões está também aprendendo. Ok?
  2. Crie o conjunto de cartões: Crie conjuntos específicos por temas. Não será eficiente se você criar centenas de cartões sobre tudo o que você precisa e depois tentar utiliza-los todos ao mesmo tempo. Os conjuntos devem ser sobre um tema específico e ter um tamanho manipulável. Qual é esse tamanho? 10? 20? 30? Isso depende do assunto e da sua memória. Ok?
  3. Coloque os cartões em ordem: Esta ordem depende da estrutura do assunto e de como você acha melhor memorizar.Flashcards-Conjunto de cartões
  4. Use os cartões: Da maneira que já descrevemos. Lendo o tema e tentando responder às perguntas. Comece do início e vá até o final.
  5. Separe os cartões: Faça dois montes. Em alguns cartões você não lembrou não acertou a resposta. Estes vão para o primeiro monte. Os outros ficam no segundo monte.Flashcards-Conjunto de cartões-Lmbrados e esquecidos
  6. Reveja rapidamente o monte dos cartões esquecidos: Para estes, você dedica especial atenção. Faça cuidadosamente o esforço de ler e buscar a resposta. Os cartões lembrados  vão para o segundo monte. Os esquecidos retornam ao primeiro.
  7. Reveja rapidamente o monte dos cartões lembrados. Você já sabe. Ler e responder agora, é só para reforçar a memória.

Então terminou? Sim. Por agora. Mas o estudo se faz em ciclos. Você faz estes 7 passos em vários períodos, repetido as etapas. Você pode ainda, se julgar interessante, embaralhar os cartões entre um ciclo e outro, mantendo os montes separados, é claro.

Mas só um detalhe: Do segundo ciclo em diante comece pelo monte dos cartões esquecidos. Idealmente repetição após repetição, o monte dos cartões esquecidos vai ficando progressivamente menor.

Ainda mais, pode haver um momento em que tudo fica no monte dos cartões lembrados. Aí chega a hora de você avaliar se cabe então fazer novos cartões , aprofundando ou ampliando o conteúdo do conjunto. Ok?

Lembre-se

  • Cada cartão deve conter apenas uma pergunta ou palavra, para você não confundir sua memória.
  • Seja sintético, e valorize o que é realmente importante, um flashcard não deve conter um capítulo de um livro, pois, são maiores as chances de que você esqueça algo quanto maior for o número de informações.
  • Utilize um formato que você compreenda, faça seus próprios flashcards, isso é importante, por que você os constrói de acordo com seu próprio funcionamento, otimizando a utilização dos flashcards.

Lembre-se de atualizar o conjunto de flashcards, mas em que sentido? Você já confeccionou uma série de flashcards para uma determinada disciplina, e pretende continuar utilizando a estratégia com flashcards, continue fazendo os flashcards no decorrer do avanço do seu processo de estudo.

Ao fazer os flashcards você pode gastar uma pouco de tempo, afinal, você tem que por a mão na massa, mas, este esforço provavelmente irá valer a pena, visto que você pode melhorar de forma significativa seu rendimento.

Utilize, e faça proveito desta ferramenta.

Leia também:

O que são flashcards? Parte I

Raciocínio Clínico: por que é tão necessário ao aprendiz em saúde?

Márcia Regina de Assis
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em
Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES).

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

duvidaDe forma geral, o raciocínio clínico é o processo usado por profissionais da área da saúde para refletir e planejar o tratamento do paciente, ou seja, é a tomada de decisão. Serve para orientar e conduzir da melhor maneira possível o tratamento do paciente. É uma função essencial da atividade dos profissionais da saúde. Sem o raciocínio clínico será muito difícil chegar a um diagnóstico, e mais que do que isso, será impossível a condução do tratamento do paciente, seja ele o tratamento fisioterapêutico, fonoaudiológico, terapêutico ocupacional, médico ou de enfermagem.

Durante a graduação os alunos dos cursos da área da saúde, em algum momento aprendem ou pelo menos ouvem falar sobre o raciocínio clinico. No entanto, nem sempre é fácil entender como esse raciocínio será utilizado durante a vida profissional.

Para que o raciocínio clínico seja eficiente não pode haver dicotomia entre a prática e a teoria. É preciso aprender a unir essas duas instâncias para realizar a tomada de decisão.

Não é uma tarefa fácil, mas existem algumas estratégias que podem facilitar esse processo de promoção do raciocínio clínico. Por exemplo:

  1. Realize de exercícios práticos de casos clínicos – sabe aqueles exercícios que muitos livros didáticos, como os de semiologia e os das disciplinas aplicadas, apresentam ao final de cada capítulo? Eles contribuem muito para o processo de desenvolvimento do raciocínio clínico.
  2. Faça esses exercícios utilizando a técnica de mapa mental(*), assim ficará mais clara a visualização de seu processo cognitivo;
  3. Leia prontuários (se já estiver no estágio ou na residência) de forma cronológica. Leia os prontuários sempre fazendo perguntas sobre o porquê de cada decisão tomada. Pense se você tomaria decisão diferente e discuta com o seu professor/preceptor/tutor;
  4. Após (ou durante) a leitura destes prontuários pense em pelo menos mais uma hipótese diagnóstica adicional. Então compare suas semelhanças e diferenças.
  5. Sempre tire suas dúvidas com seu professor. preceptor ou tutor.

O raciocínio clínico depende muito da integração entre o conhecimento teórico e o prático do profissional. Por isto, ao aprendiz é fundamental a leitura crítica dos capítulos de livros acadêmicos, de artigos com evidências científicas, reavaliação constante do aprendizado em sala e muita atenção no campo de estágio e/ou residência.

Se você já é um acompanhante deste blog, sabe que a metacognição ajuda muito nesse processo de aprendizado. Se for a primeira vez que entra aqui, sugiro a leitura dos seguintes posts:

O que é aprender a aprender? Uma metáfora;
Identificação de Eventos metacognitivos presentes em mensagens de membros de uma comunidade virtual de Enfermagem

Boa leitura!

Referência:

Gabinete de Educação Médica da Faculdade de Medicina. Universidade de Coimbra. Estratégias de promoção do raciocínio clínico. Essências Educare. https://www.uc.pt/fmuc/gabineteeducacaomedica/fichaspedagogicas/essencias_n18

(*) Para saber mais sobre mapas mentais clique aqui e acesse uma das aulas do Professor Mauricio Peixoto.