Quer aprender? Durma!!

Pedro Henrique Maraglia
Mestrando do Programa de Pós-Graduação Educação em Ciências e Saúde
Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

garfield-dormindo-e-sonhando-com-conhecimentos

“ Preciso estudar muito, tenho que passar no vestibular”

“Tenho
que estudar e tirar boas notas nas provas. Preciso melhorar meu desempenho!”

Certamente você já ouviu e muito provavelmente disse estas frases. Claro, porque quanto mais se estuda maiores são as notas. Se estudo muito vou bem nas provas.  Se estudo pouco vou mal nas provas.  Ou não?

E neste momento caro leitor, você deve estar se perguntando sobre a sanidade mental deste que vos fala.

  • “Mais é muita matéria, como que não vou estudar muito?”
  • “Olha estou indo bem, estou me matando mas pelo menos tiro boas notas”
  • “Sempre me falaram que tenho que estudar muito para ter resultados”.

Se é assim, porque às vezes mesmo depois de muito estudo, as notas não são o que você espera? Há muitas causas para isto, mas agora vamos nos dedicar apenas a uma: Se você quer aprender tem que estudar. Mas também tem que dormir!

Nem sempre a quantidade de estudo é suficiente. Às vezes você faz um esforço enorme, mas se decepciona com o resultado.  E no caso específico deste post, depende do que você faz com o que estudou. Mas atenção. Cuidado com a conclusão fácil:

  • “ Mas então, se estou estudando muito, vou estudar pouco, em cima da hora, assim poupo meu trabalho e, ainda vai ser mais difícil esquecer”.

Mais  devagar amigo! Vamos por os “pingos nos ” i´s”. Não adianta estudar muito e fracassar ,mas também estudar tão pouco a ponto de não estar preparado. Encontrar o equilíbrio aqui é o ideal e claro se valer dos conhecimentos que vem sendo produzidos por pesquisadores que se dedicam a entender e buscar o melhor para sua aprendizagem. E é isso que vamos apresentar vocês hoje.

Vamos entender a memória:

Quando você se lembra de algo, você diz que este algo está armazenado na sua memória. Ok? Então vamos pensar na memória como uma função do seu cérebro. Há uma memória que chamamos de “curto prazo” e outra de “longo prazo”.

O que importa aqui é que na memória de curto prazo a lembrança é muito rápida. Algo do tipo, ao discar um número de telefone, lembrar-se da sequência dos números.  E às vezes não nos lembramos dos primeiros números e esquecemo-nos dos finais? E aí temos que voltar ao catálogo para terminar de discar? A memória de curto prazo é provisória e, por isto se aquilo que você estudou ficar só na memória de curto prazo pode ser que no dia seguinte, após  uma noite de sono você não lembre de nada. Já pensou?

Mas para isto existe a memória de longo prazo. É ela que você usa para guardar tudo o que você precisará no futuro. Do nome de uma pessoa ao conteúdo da prova.  E felizmente para você há um certo automatismo na passagem do curto para o longo prazo.  Esta é a razão pela qual pelo menos uma parte do que você estudou ontem está disponível hoje e estará amanhã (assim você espera). E o problema é este; você espera…

O que fazer então?

Você já sabe que a memória de curto prazo é…de curto prazo. Ok? E ainda que o sono “apaga” esta memória. E isto é importante porque  se assim não fosse você ficaria a vida inteira se lembrando de tudo o que aconteceu o tempo todo. E o que é pior, haveria um momento em que o “espaço da memória iria acabar” e, sem espaço para lembrar, não iria guardar mais nada. Sua vida seria um eterno presente. Por isto o sono é fundamental ao limpar sua memória de curto prazo preparando-a para novos eventos e informações.

Neste caso então é que ao estudar o dia todo,  acumular muitas informações na sua memória de curto prazo e, no final do dia dormir, você corre o risco jogar fora todo um dia de trabalho.

  • “ Mas então não devo dormir????”

Não, não é bem assim. A memória de longo prazo está disponível para ser usada. E te interessa que as informações possam passar  da memória de curto prazo para a de longo prazo.  Alguma informação sempre passa sem que você faça nada para isto. Mas o que importa aqui é que você seja capaz de ter algum controle sobre isto. Você precisa “dizer” para o seu cérebro qual informação deve ser guardada, e qual pode ser descartada.  Ok?

O critério que o cérebro usa é o da importância. Guarda o que importa e abandona o resto. Assim  o que você precisa fazer é avisar seu cérebro que determinada informação é importante para que ela possa ser transportada para a memória de longo prazo e, não descartada. Para isto, você precisa usar alguns recursos que mostrem ao seu cérebro que aquela informação é importante. E isto se faz de variadas maneiras. Por exemplo:

  • Repetindo as informações (não é muito eficiente)
  • Fazendo ligações entre os assuntos (isto é mais eficiente)
  • Realizando autotestes (ver Como transformar os testes em seus melhores amigos)
  • Estabelecendo metas de aprendizagem (eficiente)
  • Associando o assunto com emoções significativas para você (eficiente)
  • Etc, etc, etc…

Como você viu, há muitas maneiras de sinalizar a importância de um tema ou informação. E todas elas merecem maior detalhamento. Mas e esta história de dormir? Afinal este o tema de agora.

Dormir para aprender. Mas como?

Em resumo o que você precisa fazer é:

  1. Carregar sua memória de curto prazo.
  2. Transferir as informações da memória de curto prazo para a de longo prazo.
  3. Aproveitar a memória!

E então como fazer?

Comece alimentando sua memória. Faça isto estudando. Sublinhe, esquematize, resuma, leia de forma eficiente, faça exercícios, repita o conteúdo. Ou seja, estude bem e em quantidade suficiente.  Mas até aí novidade nenhuma! É o que todos dizem para fazer.

É, mas tem um detalhe. A maneira com que você faz isto faz toda a diferença. Note que esta coisa de curto e longo prazo não é assim tão estanque. Não se pode colocar estes processos em “caixinhas “ separadas. O tempo todo uma se comunica com a outra. Então a forma como você estuda vai favorecer ou não a transferência  de informação da memória de curto prazo para a de longo prazo. Por isto é que acima sugerimos algumas técnicas e entre parênteses dissemos o que era e o que não era eficiente. Por exemplo; conectar os assuntos entre si é muito mais eficiente que simplesmente ficar repetindo a informação.

E o sono? Onde entra nisto? Ele é importante porque auxiliar a fixação do conteúdo. Veja só:

A passagem de informações da memória de curto prazo para a de longo prazo ocorre normalmente durante o dia, mas, é durante o sono que esse trânsito de informações se intensifica.  Além de limpar a memória de curto prazo, o sono é importante para sua memorização.

Durante o sono, sua atividade cerebral aumenta. Isto é comprovado por uma série de estudos. E é neste momento que as informações  armazenadas durante o dia vão ser descartadas, ou  então , direcionadas a memória de longo prazo. Por isto dormir é importante para memorizar.

Mas não basta dormir e deixar para o automatismo cerebral a passagem  das informações para a memória de longo prazo.  Você já sabe que o cérebro guarda o que é importante. Mas ele só sabe qual informação é importante se ela está “marcada” de alguma maneira. E isto você também sabe. Mas questão aqui é que inevitavelmente você sempre está “marcando” informações. Quer você saiba (ou queira) ou não.  É o processamento dos eventos e informações do dia que vai “marcar” a informação como importante ou não.

Por exemplo; as informações que estão relacionadas a emoções acabam por ser memorizadas mais facilmente.  Às vezes você lembra mais da piada ruim que seu professor contou, do que do conteúdo da aula. Não é verdade? Um evento traumático certamente será lembrado; talvez um acidente ou ainda uma notícia ruim. Esses eventos acabam sendo sinalizados para seu cérebro como algo importante e que tem que ser armazenado, e por isso, saem da memória de curto prazo para a memória de longo prazo.

Então se as coisas que acontecem ao longo do dia fazem esta sinalização; o que você deveria fazer para sinalizar com importante aquilo que você estudou?

Como fazer isso?

Eis a sugestão:

  • Estude pouco, mas com qualidade, pouco, mais todo dia e antes de dormir reserve um tempo para fazer uma revisão do que você estudou durante o dia.

Simples não é? Não há nada de mirabolante.

Quando você estuda antes de ir dormir, você está avisando ao seu cérebro que essa informação é importante  e, que não deve ser jogada fora. E durma. Dormir é importante alimentar a sua memória de longo prazo.  Fazendo isso você pode potencializar sua aprendizagem e, ter tempo para outras atividades que também são frutíferas a vida. Estude pouco, mas estude todos os dias!  Esta é a fórmula:

  • Boa memória = Estudar bem e sempre + Revisão antes de dormir

E depois? É só continuar fazendo isto e verificar como dá certo. Ok?

Convite para alunos de Pós-Graduação

Convite estendido para a atividade (não obrigatória, mas bacana) que estamos organizando com a turma de mestrado 2016 no marco da disciplina ECS II…
Todo mundo convidado! Se agradece divulgação!
*Pode assistir de manhã, de tarde, ou em ambos dos momentos!

Turma ECSII – Mestrado Educação em Ciências e Saúde

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Mostra Audiovisual sobre Diversidade

Convidamos para visita à Mostra Audiovisual sobre Diversidade, organizada pelxs alunxs da disciplina de graduação Imagem e Educação, Ciências e Saúde, que ocorrerá de 17 a 21 de outubro, sempre das 12 às 13 horas, no hall do Bloco A.A3 - Programação completa (1).jpg

As sete inteligências de Gardner


Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Olá!

Veja abaixo um resumo da Teoria das inteligências Múltiplas de Howard Gardner.

Prof. Mauricio Peixoto

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