Projeto de extensão – Parte 6: Relevância

Título do projeto:

Estratégias de ensino/aprendizagem no desenvolvimento por meio de um blog educativo na área da saúde

Relevância

O projeto é RELEVANTE para variado grupo de usuários do blog, a saber:

1. Público genérico, constituído por pessoas com acesso à web e interesse no tema do blog. Trata-se, portanto de uma população de pessoas cujo número é indeterminado, porém estima-se volumoso. Após a criação do blog, as estatísticas de acesso permitirão estimativas mais precisas.

2. Professores e estudantes com interface nos temas do blog, constituído pela intercessão de parte do público descrito no item anterior e aquele interno da UFRJ a ser mobilizado por futuras ações de divulgação desta ferramenta.

3. Estudantes de graduação e pós-graduação a serem incluídos neste projeto, membros  futuros da equipe deste projeto.

4. Estudantes de graduação e pós-graduação, caudatários dos dados colhidos no blog e utilizados em seus projetos de pesquisa.

É também relevante porque contribui para:

1. Implementar os objetivos da:

a. Política Nacional de Extensão.

b. Universidade Federal do Rio de Janeiro, a saber: “…proporcionar à sociedade brasileira os meios para dominar, ampliar, cultivar, aplicar e difundir o patrimônio universal do saber humano, capacitando todos os seus integrantes a atuar como força transformadora.”

c. PR5-­Pro-­Reitoria de Extensão em sintonia com as Diretrizes para a Extensão Universitária na UFRJ.

2. Ampliar a visibilidade institucional da UFRJ como um todo, da PR5 em particular, e mais especificamente do NUTES-­UFRJ e EEAN-­UFRJ, órgãos da universidade que dão suporte, autorizam e apoiam o presente projeto.

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Projeto de extensão – Parte 5: Justificativa

Título do projeto:

Estratégias de ensino/aprendizagem no desenvolvimento por meio de um blog educativo na área da saúde

Justificativa

TENDO EM VISTA que:

I. A Política Nacional de Extensão (http://www.renex.org.br/documentos/2012­07­13­Politica­Nacional­de­Extensao.pdf) que, entre outros, aponta que a extensão:

  1. É um “…processo acadêmico definido e efetivado em função das exigências da realidade, além de indispensável na formação do estudante, na qualificação do professor e no intercâmbio com a sociedade”.
  2. É “…parte da solução dos grandes problemas sociais do País”.
  3. Implica em “…relações multi, inter e ou transdisciplinares e interprofissionais de setores da Universidade e da sociedade”.
  4. Deve “…possibilitar novos meios e processos de produção, inovação e disponibilização de conhecimentos, permitindo a ampliação do acesso ao saber e o desenvolvimento tecnológico e social do País”.
  5. Objetiva “estimular a utilização das tecnologias disponíveis para ampliar a oferta de oportunidades e melhorar a qualidade da educação em todos os níveis”.

II.  E as Diretrizes para a Extensão Universitária na UFRJ, conforme expressas pela PR5­-Pro­-Reitoria de Extensão (http://extensao.ufrj.br/index.php/o­que­eextensao/conceito#), a saber:

a) Interação dialógica;

b) Interdisciplinaridade e Interprofissionalidade;

c) Indissociabilidade ensino – pesquisa – extensão

d) Impacto na formação do estudante

e) Impacto na transformação social

 E, também, considerando que:

  1. A sociedade contemporânea está cada vez mais imersa em processos e produtos do conhecimento.
  2. O domínio e capacidade de gerir este conhecimento são ambos fontes de poder, e assim sendo, podem tornar-­se ferramentas de inclusão social e democratização da sociedade.
  3. Os novos processos de produção e transmissão do conhecimento, assim como os diferentes meios contextos de aprendizagem são um constante desafio para o velho paradigma acadêmico de produzir saberes e transmiti­-los unilateralmente.
  4. Parcela importante destas transformações ocorre criada, modulada, ampliada modificada e difundida pelas novas Tecnologias de Comunicação e Informação.
  5. A produção de conteúdo na internet é volumosa, dispersa e continuamente mutável.
  6. A sobrecarga da informação tem efeito semelhante ao da ausência, no que se refere ao aprendizado e consequente conduta e ações cotidianas.
  7. O material publicado é variável e de qualidade nem sempre adequada.
  8. Informação de baixa qualidade leva a incompreensões e erro, favorecendo condutas danosas ao indivíduo e à sociedade.
  9. O aprendiz em saúde está cada vez mais imerso em uma sociedade em rede, onde a informação flui em caminhos mutantes.
  10. Cada vez mais processos de aprendizagem fazem uso e demandam competências de alfabetização digital, competências para identificação, seleção e processamento de fontes de informação ‘on line’ de modo a favorecer o pensamento crítico.
  11. A velocidade de transformação acelera­-se no dia a dia, levando à rápida obsolescência da informação disponível.
  12. A aceleração dos processos de aprendizagem tende a dificultar a reflexão, favorecendo a memorização superficial de conteúdos em detrimento da compreensão e aprofundamento.
  13. O profissional de saúde necessita de aprendizagem contínua de qualidade com efeitos diretos na vida humana.
  14. A pletora de conteúdo específico à saúde não se acompanha de materiais que permitam ou estimulem um aprendizado autônomo, crítico e reflexivo. Por isto ações de curadoria responsável tornam ­se cada vez mais relevantes para favorecer na sociedade maior capacidade de gerenciar este grande fluxo de informações, contribuindo para sua transformação em conhecimento socialmente relevante.
  15. Estudantes de graduação e principalmente de pós ­graduação são frequentemente solicitados por múltiplas atividades acadêmicas e profissionais, a favorecer o uso de ferramentas de aprendizado assíncrono e independentes de espaço físico definido.
  16. Sendo a saúde e educação dois temas fundamentais para o exercício da cidadania, tais conteúdos são também de interesse a públicos externos à universidade.
  17. Tais públicos, mutatis mutandi, estão também imersos nesta sociedade da informação, sofrendo da mesma forma as consequências da sobrecarga da informação. Neste sentido, favorecer acesso gratuito e de qualidade a conteúdos dialogicamente construídos pode contribuir para processos de inclusão e democratização dos mecanismos decisórios da sociedade.

JUSTIFICA-SE assim a criação e manutenção de um blog com ênfase na aprendizagem da saúde que permita:

  1. Curadoria de material pertinente e de qualidade, atualmente disponível, porém disperso na rede.
  2. Produção coletiva de conteúdos pertinentes ao tema do blog e considerados relevantes para o público alvo.
  3. Distribuição rápida de material próprio ou de terceiros (respeitados os direitos autorais e de publicação).
  4. Debate público dos temas socialmente relevantes.
  5. Apoio a disciplinas de graduação e pós­-graduação na UFRJ.
  6. Produção de dados para projetos de pesquisa.

 

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Projeto de extensão – Parte 4: Fundamentação Teórica

ítulo do projeto:

Estratégias de ensino/aprendizagem no desenvolvimento por meio de um blog educativo na área da saúde

Fundamentação Teórica

Nas economias baseadas no saber (e é razoável afirmar como relevante este aspecto para o Brasil); três são os fatores significativos para o desenvolvimento:

1­. A capacidade de produzir conhecimento;

2. Suas estratégias para disseminá-­lo;

3­. A capacidade das pessoas de utilizá-­lo.

Assim é que “O desafio é criar espaços que viabilizem o discurso da integração, onde o saber popular seja respeitado e valorizado, unindo-­se aos conhecimentos da academia e dos profissionais das instituições públicas e privadas, como também das organizações não governamentais (Ellery et al, 2010).

É sobejamente conhecido que em grande parte do mundo ocidental se observa grande participação na vida cotidiana das tecnologias de informação e comunicação. Tal fato foi denominado por Castells (2003) de Sociedade da Informação. Um mundo “onde o conhecimento é um recurso flexível, fluido, sempre em expansão e em mudança” (Hargreaves, 2004).

No dizer de Coutinho&Lisboa (2011):

“ O desafio imposto à escola por esta nova sociedade é imenso; o que se lhe pede é que seja capaz de desenvolver nos estudantes competências para participar e interagir num mundo global, altamente competitivo que valoriza o ser-­se flexível, criativo, capaz de encontrar soluções inovadoras para os problemas de amanhã, ou seja, a capacidade de compreendermos que a aprendizagem não é um processo estático mas algo que deve acontecer ao longo de toda a vida.”

Uma das formas para superar este desafio é integrar ensino, pesquisa e extensão, Como afirma Dias (2009) “A pesquisa e a extensão, em interação com o ensino, com a universidade e com a sociedade, possibilitam operacionalizar a relação entre teoria e prática, a democratização do saber acadêmico e o retorno desse saber à universidade.”

Em relação à educação, Coll & Monereo (2010) listam oito fatores de especial importância neste cenário. No que se refere à este projeto três são mais pertinentes:

  1. Informação, excesso de informação e ruído: Se por um lado a disponibilidade de informação na rede é gigantesca, isto não significa necessariamente que os usuários estejam mais e melhor informados. A capacidade de localizar a informação correta e filtros que atestem a qualidade do material obtido são questões chave neste contexto.
  2. A rapidez dos processos e suas consequências: O aumento da velocidade de produção e transformação da informação provoca grande instabilidade nos processos de ensino e aprendizagem.
  3. A escassez de espaços e tempo para a abstração e a reflexão: Afirmam os autores (d’aprés Cébrian, 1998) “a velocidade é contrária à reflexão, impede a dúvida e dificulta o aprendizado”.

Além disto, no que se refere à educação, a rede mundial de computadores é frequentemente vista apenas como repositório de informação. Isto implica em reduzir o processo de busca de conteúdo a mero obstáculo na consecução da meta. No entanto isto não é necessariamente verdade, já que buscas na web envolvem competências na resolução de problemas. Tais competências são em si requisitos para o aprendizado e alfabetização em um mundo progressivamente imerso e dominado pelas tecnologias da informação ( Caviglia; Ferraris , 2008).

Na perspectiva de uma teoria do conhecimento, este projeto se fundamenta nos princípios do construtivismo. Como um paradigma ou visão de mundo postula que a aprendizagem é um processo construtivo ativo. Neste sentido o aprendizado se liga ao conhecimento prévio e as representações mentais são subjetivas (Constructivism, 2015). Matthews, na perspectiva epistemológica, aponta duas teses que são centrais ao construtivismo (El-Hani & Bizzo, 2008):

  1. O conhecimento é uma construção do sujeito, e não algo que ele possa receber passivamente do meio.
  2. O ato de conhecer é um processo de adaptação, que organiza o mundo das experiências, mas não conduz à descoberta de uma realidade dada, independente da mente que a conhece. Embora mais fortemente aderente à primeira, ambas as teses permitem entender e aceitar os objetivos e ações propostos neste projeto. Assim é que entendemos o aprendiz em saúde, potencial leitor deste blog como um indivíduo em construção, interagindo com o mundo segundo suas demandas e características idiossincrásicas. Desta forma, o blog proposto se coloca como uma parte da rede de conteúdos (presencial e/ou virtual) disponível para este aprendiz. Enfatizamos, entretanto, que este projeto procura criar condições para que o blog seja candidato à nó privilegiado nesta rede de informações. Isto porque projeta funções de curadoria e filtro de conteúdo para o seu tema específico.

Na perspectiva do processamento cognitivo, este projeto busca suporte na Cognição Distribuída. De forma simples, este conceito pode ser entendido como a capacidade de interagir significativamente com ferramentas que expandem nossas capacidades mentais. É possível traçar suas raízes em Vygotsky (1978) na sua proposição de dois importantes conceitos:

  1. A cognição humana possui uma propriedade que é a de interpor artefatos mediadores entre o estímulo e seus recursos internos, tais como a linguagem e objetos físicos que a altera de maneira fundamental.
  2. Estes artefatos mediadores derivam do ambiente tanto cultural como físico. Assim sendo, afirma que a cognição humana é uma propriedade não apenas dos processos internos como ainda dos processos sociais e mundo físico.

No entanto é apenas mais tarde, que o termo surge em sua forma mais completa, enunciado por Edwin Hutchins (1995) em seu livro “Cognition in the Wild”. Nele, o autor propõe clara distinção nos estudos sobre a cognição:

“… Tenho em mente a distinção entre o laboratório, onde a cognição é estudada como que encarcerada e o mundo cotidiano, onde a cognição humana se adapta ao seu contexto natural. Espero evocar com esta metáfora um sentido de pensamento ecológico no qual a cognição humana interage com um ambiente rico em recursos organizacionais.” Assim é que fundamentados neste conceito, é possível pensar em processos cognitivos que incluem não só o ser humano, como também as ferramentas que usamos para compartilhar e expandir nosso conhecimento (Reilly, 2010). Por isto, a consecução dos objetivos propostos neste projeto permite definir o blog proposto como ferramenta de Cognição Distribuída. Em particular chamo a atenção para o objetivo: Promover curadoria de conteúdo específico à área do blog, integrando-o a outras ferramentas, tais como bancos de dados ligados à educação e/ou saúde, plataformas de distribuição de conteúdo ( YouTube, Slideshare, Issuu entre outras).

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Projeto de extensão – Parte 3: Relação Ensino, Pesquisa e Extensão

Título do projeto:

Estratégias de ensino/aprendizagem no desenvolvimento por meio de um blog educativo na área da saúde

Relação Ensino, Pesquisa e Extensão

O presente projeto propõe um processo de comunicação entre a universidade e diferentes atores sociais por meio do oferecimento de conteúdos selecionados como ponto de partida para o diálogo com o usuário do blog. Para tal, oferecerá várias ferramentas que promovem a interatividade tais como campos de comentários, enquetes, botões de “gosto/não gosto” e de compartilhamento em redes sociais, melhor descritos no item “Avaliação” deste projeto. Ainda mais, toma o Construtivismo, a Pedagogia de Paulo Freire e a Cognição Distribuída como fundamentação teórica em sintonia com a Política Nacional de Extensão e as Diretrizes para a Extensão Universitária. Para maiores detalhes consultar os tópicos Informações Relevantes para Avaliação da Proposta, Justificativa e Fundamentação Teórica

Na sua própria denominação “Aprendiz em Saúde” o blog propõe-se desde o início como interdisciplinar e interprofissional. Interdisciplinar na medida em que propõe como tema central e transversal a aprendizagem, cujos conteúdos bebem em fontes diversas tais como a Educação, Psicologia e Biociências. Por outro lado sua implementação demanda, de criadores e usuários, o uso de conteúdos advindos da informática e da comunicação. Mais que isto, estes mesmos conteúdos não se explicitam enquanto conceitos a serem dominados abstratamente, mas se mostram embebidos na própria ação da construção, manutenção e uso do blog. Trata-se, portanto de uma cognição que se expressa na atividade em si.

Mas o blog é também interprofissional ao tomar como foco de suas atenções o estudante e profissional da saúde. Espera­-se que no decorrer de sua manutenção o blog possa prover uma combinação de especialização e visão holista. Isto se dará em adição ao já se descreveu no parágrafo anterior, também por meio da publicação de materiais ora específicos à uma dada categoria profissional, ora dirigido a temas mais fundamentais e compartilháveis por todas as áreas. Espera-­se que esta combinação tenha dupla função. Por um lado, dirigir-­se à todos da saúde tanto em seus interesses específicos como nos gerais. Mas por outro, favorecer a comunicação entre as diferentes áreas. Isto porque, assim nos parece, que quando um estudante ou profissional começa a conhecer os temas e interesses diversos dos seus, ele poderá perceber identidades e similaridades entre áreas. Conhecer o outro é um passo importante para o diálogo.

O projeto preocupa-­se ainda em integrar a ação extensionista com aquelas de ensino e pesquisa. Por um lado agregando alunos de graduação e pós-­graduação nos processos de produção e manutenção do blog. Neste sentido, haverá significativo ganho para os alunos participantes. De acordo com seu nível de competência, possibilidades e limites, tais alunos poderão encarregar­-se desde tarefas mais simples, tais como listagem e criação de hiperlinks entre posts até as mais complexas tais como produção de conteúdo e curadoria. Em todos os casos tais ações envolverão aprendizado integrado, variado e no campo de prática de todas as disciplinas já

Por outro lado, a inclusão de tais estudantes neste projeto, abre possibilidades tanto para produção de conhecimento como também para construção de produtos vinculados à processos de educação a distância, interação social e redes de comunicação. Cabe lembrar, já descrito no item “Metodologia” deste projeto, que uma das futuras funções deste blog será a de funcionar como ferramenta de coleta de dados para projetos de pesquisa. Enfatize-se aqui, que dada a natureza das nossas linhas, métodos e técnicas de pesquisa, será muito pouco provável que qualquer dado possa ser obtido sem algum grau de participação dos sujeitos na pesquisa em si. Nosso trabalho com metacognição, psicologia diferencial, raciocínio crítico, e diagnóstico implica em considerar como sujeitos o participante da pesquisa.

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Projeto de extensão – Parte 2: Objetivos

  Título do projeto:

Estratégias de ensino/aprendizagem no desenvolvimento por meio de um blog educativo na área da saúde

Objetivo Geral:

Promover diálogo com a sociedade sobre a área de Métodos e Técnicas para Pesquisar e Aprender por meio de ações integradoras entre a Extensão, o Ensino e a Pesquisa

Objetivos Específicos:

  1. Desenvolvimento de um Blog de acesso livre e gratuito, que proporcione debate público dos temas pertinentes ao blog e que sejam socialmente relevantes.
  2. Produção de conteúdo na área de Métodos e Técnicas de Pesquisar e Aprender dirigido a aprendizes da área da saúde.
  3. Promover curadoria de conteúdo específico à área do blog, integrando­ a outras ferramentas, tais como por exemplo a bancos de dados ligados à educação e/ou saúde, plataformas de distribuição de conteúdo ( YouTube, Slideshare, Issuu entre outras).
  4. Criação de um ambiente virtual de consulta e debate por parte dos alunos, professores da instituição e outros, bem como profissionais da área e interessados pelo assunto.
  5. Desenvolver estudos de acesso e recepção no ambiente virtual.

 

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Projeto de extensão – Parte 1: Resumo da proposta

Título do projeto:

Estratégias de ensino/aprendizagem no desenvolvimento por meio de um blog educativo na área da saúde

 

Resumo da proposta:

O Brasil, enfrenta o desafio de afirmar­-se como parceiro relevante na comunidade internacional e do mesmo passo reconhecer e reforçar seus valores nacionais. Neste sentido o domínio e capacidade de gerir este conhecimento são ambos fontes de poder, e assim sendo, podem tornar­-se ferramentas de inclusão social e democratização da sociedade.

Vivemos cada vez mais em uma Sociedade da Informação que comporta novas maneiras de comportar-­se, trabalhar e aprender. Neste contexto as TICs tem sido importante instrumento para pensar, conhecer, representar e transmitir conhecimentos para outras pessoas e mesmo outras gerações.

Os Blogs, a depender dos princípios que venham a nortear a sua utilização, podem constituir-se em ferramentas importantes para o empoderamento de variados estratos sociais.

O Blog “Aprendiz em Saúde” visa promover diálogo com a sociedade sobre a área de Métodos e Técnicas para Pesquisar e Aprender por meio de ações integradoras entre a Extensão, o Ensino e a Pesquisa. A produção de conteúdo na internet é volumosa, dispersa e continuamente mutável. Mas o material publicado é variável e de qualidade nem sempre adequada. Por isto disponibiliza por meio de um Blog de acesso livre e gratuito, temas pertinentes ao seu foco e que sejam socialmente relevantes. Desenvolve além a produção de conteúdo próprio, ações de curadoria do conteúdo disponível em variadas fontes. Os temas apresentados interessam predominantemente à educação e saúdes, além de alunos de 2º. e 3º.graus que desejam tornar mais eficientes seus estudos acadêmicos e/ou tarefas pesquisa. Seu estilo de textos busca o didatismo

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Sobre o método…

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

No caminho do cientista o método assume papel de relevo. Você, que está iniciando este caminho, suponho que esteja também interessado nele. Neste texto, introdutório, espero ser capaz de facilitar sua aproximação do conceito. Especificamente, espero ser capaz de mostrar que envolve muito mais o “pensar” que o “fazer”.  Se conseguir isto ficarei feliz.  Por favor, ao final deste texto deixe seus comentários , para saber se atingi o objetivo.

Só mais uma coisa. Ao final do texto você vê uma apresentação deste tema. Utilizo-a em minhas aulas. Espero que goste.

Então, vamos lá!

O que é método?

Método é antes de tudo uma maneira de pensar.  E isto você pode perceber a partir da etimologia da palavra. Buscando suas raízes gregas; “método” pode ser dividido em duas partes:

  • Methatravés, para além de, após   OdosCaminho

Significa dizer, no meu entendimento, que método é aquilo que surge após o caminho. Isto é, você faz algo, pensa sobre o que fez e então é capaz de ter em mente o plano que você seguiu. Por exemplo; o que deu certo, seus erros, o que você deveria ter evitado, o que você poderia ter feito, etc. E esta forma de definir método está de acordo com o que diz KAPLAN: “Compreensão dos resultados e principalmente do processo”.

HEGENBERG chama a atenção para o fato de que o método é algo que deu certo, mesmo que não tenha sido pensado a priori: “Um processo exitoso de descoberta, não necessariamente pré-fixado”.

E para ACKOFF ter método é bom, já que este é uma forma de decidir entre técnicas. Uma dúvida que pode surgir, é que frequentemente método e técnica são entendidos como se fossem o mesmo. Mas isto não é verdade. Método aqui é a regra de escolha. Já técnica é o resultado da decisão. De forma simples, o método entra em ação quando você pensa no que vai fazer (ou no que fez), enquanto a técnica existe quando você está fazendo o que pensou (ou pensará).

Assim posso entender a técnica como a ferramenta usada para testar as as ideias do pesquisador. Por exemplo: Questionários, entrevistas, etc. Já o método é a regra de escolha da ferramenta, a forma de planejar, o plano mestre. Por exemplo: Quantitativo, qualitativo, etc

Metodologia é o estudo do método, e ao estudá-lo podemos entendê-lo dirigido a três categorias. No trabalho científico e intelectual, na ciência e na pesquisa.

A Metodologia do trabalho científico e intelectual, preocupa-se com o trabalho em si. Assim debruça-se sobre a aprendizagem significativa, a motivação do trabalho intelectual, as qualidades do intelectual, seus métodos de estudo assim com os métodos do trabalho científico.

A Metodologia Científica lida com a Ciência em aspectos mais filosóficos e neste sentido aproxima-se da epistemologia. Assim seu foco é, por exemplo, sobre o conhecimento científico, as hipóteses, variáveis, leis e teorias. Estuda a proposição científica e o processo de pesquisa.

Finalmente  a Metodologia da Pesquisa foca principalmente nas técnicas de pesquisa, tais como o delineamento de estudos epidemiológicos, qualitativos, teóricos, etc.

O que é pesquisa?

Há várias maneiras de defini-la, mas no sentido estrito e limitado deste texto é o resultado do método. Você pensou no que que precisava fazer e então começa a fazer.

Note que aqui “fazer” não é necessariamente uma ação concreta sobre objetos concretos. Claro que se você está querendo saber se um determinado medicamento funciona, o teste vai implicar que em algum momento você vai agir em ambientes médicos, diagnosticando e tratando pacientes.  Aqui haverá ações concretas sobre eventos concretos. No entanto fazer pode ser mais abstrato, por exemplo realizar uma meta-análise onde você analisa artigos onde pesquisadores usaram concretamente aquele seu medicamento de interesse em pacientes reais. Ou pode ser ainda mais abstrato, por exemplo ao escrever sobre o conceito de doença. Mesmo aqui você estará “fazendo”; analisando e comparando conceitos, contrastando posições similares, mediando posições antagônicas, apontado lacunas e incorreções além de outras ferramentas da argumentação.

Por isto uma forma interessante de entender a pesquisa é inseri-la no chamado “Espaço Quadripolar” (Bruyne). Este autor entende a pesquisa no contexto de quatro categorias: o Epistemológico, o Teórico, o Morfológico e o Técnico.

No polo Epistemológico a preocupação é com a validade do discurso. O enfoque está na natureza do conhecimento. Como diz a Enciclopédia Stanford de Filosofia “…Epistemologia é o estudo do conhecimento e da crença justificada.”. Por exemplo, em um artigo científico ela perguntaria, entre outras coisas, se suas afirmativas podem ser consideradas conhecimento verdadeiro ou apenas opinião do autor.

No polo Teórico se apresenta a teoria de enquadre. Por exemplo, ao testar o efeito da cefalosporina em uma dada doença, você implica aí um conjunto de conceitos sobre o que é doença, o que significa tratar um paciente, o que é um paciente, e etc. Aqui, como no caso anterior estes aspectos ficam pouco visíveis na prática. Por um lado porque não são temas comuns de discussão e por outro porque estão em geral tão profundamente compartilhados  nas comunidades intelectuais que quase se tornam não objetos. Mas ressalto que isto não significa que estejam ausentes ou que não exerça um papel significativo na condução e resultados da pesquisa.

Já o polo Morfológico é mais visível. É nele que se apresentam os  conceitos operacionais da pesquisa. Assim por exemplo temos os critérios diagnósticos e de cura de uma determinada doença, valores laboratoriais, etc.

Finalmente o polo Técnico inclui as  técnicas de pesquisa e as regras de determinação. É onde você verifica se o estudo foi um caso-controle ou um ensaio clínico controlado, por exemplo. É ainda onde você afirma que seus dados foram submetidos à um teste estatístico específico. E também onde você expõe os seus critérios de inclusão e exclusão.

A realização de uma pesquisa, considerada neste contexto, passa muito resumidamente por três fases; a exploratória, o trabalho de campo e a análise do material. Claro que ao final você deve publicar o seu material, mas isto é tema para outro tópico.

Na primeira fase, a exploratória é onde você lança as bases para tudo o que se segue e portanto é tanto importante quanto desconsiderada.

Nela você escolhe o tema, e isto deveria ser muito bem cuidado. Você precisa conhecer bem o assunto, tanto do ponto de vista teórico como do prático. É na sua experiência pessoal que você modula o que aprende e também o que vai pesquisar.

Isto permite delimitar o problema, impor limites à sua pesquisa. Isto é, transforma o tema da pesquisa em um objeto de pesquisa. Significa dizer que você definirá precisamente o que vai pesquisar, discriminado-o de tudo o que é parecido e gera confusão no seu estudo.

Desta forma então você está pronto para construir os seus instrumentos de pesquisa; formulários, fichas, equipamentos, procedimentos, etc. Note que estes instrumentos são deduzidos diretamente do seu tema e objeto. Significa dizer que eles deverão colher tudo o que você precisa (o que é óbvio), sem incluir dados e variáveis adicionais que só servirão para confundir e aumentar desnecessariamente a sua pesquisa (o que não é tão óbvio). E se você não prestar muita atenção. provavelmente é isto o que fará. E uma ficha que conteria quatro ou cinco dados termina com 25, tendo como consequência mais tempo na coleta de dados e mais trabalho na fase de análise do material.

A seguir vem a exploração do campo. É o momento do estudo piloto onde você, com tudo pronto, vai a campo testar tudo o que você planejou e imaginou. Mas note que este não é o estudo final. Aqui você meramente testa suas expectativas, e o faz em reduzidas dimensões para poder rapidamente verificar o que dá certo e o que deve ser mudado. É portanto um estudo igual ao final, só que menor.

A segunda fase é o trabalho de campo onde você está realmente no campo colocando em prática tudo o que fez e pensou até o momento. Esta fase merece um texto maior que o atual, por isto deixo-a para outro momento.

Agora após o trabalho de campo se inicia a análise do material(*). É o momento que você tabula os seus dados, transcreve entrevistas e etc. E você faz isto para atingir dois objetivos. O primeiro é analisar as relações entre as variáveis. Por exemplo se uma coisa é causa da outra, quais são os fatores de risco desta ou daquela doença, se a terapia funcionou ou não, e assim por diante.

Ultrapassada esta fase está na hora da interpretação. É aqui que você esclarece significados e generaliza. Note que esta fase, do ponto de vista lógico não se superpõe à anterior. Se você quer saber se uma determinada terapia funciona é claro que você precisa saber se os seus pacientes melhoraram após o uso da medicação. Mas isto não basta. Importa saber se a melhora justifica o uso da medicação. Isto nem sempre é o caso. Por exemplo,  pode ter havido melhora mas os efeitos colaterais foram excessivos, ou ainda que tratamentos alternativos tem efeitos melhores que os revelados pelo seu estudo. É isto o que significa interpretar. Você contextualiza os seus resultados a luz tanto do ambiente em si onde o estudo foi feito como também em relação ao que a literatura afirma.

E a ciência?

Vimos até gora que método é uma maneira de pensar e que para pesquisar você precisa de método. Em seguida mostramos como a pesquisa não é apenas um conjunto de ações ou atos de fazer. É o que enfatiza o “Espaço Quadripolar”.  Então a pesquisa que é feita se subordina à própria noção de ciência.  E para isto vejamos o que diz Trujillo:

  • “A ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao sistemático conhecimento, com objeto limitado, capaz de ser submetido à verificação”

Nesta definição vemos primeiramente sua natureza dual, lógica e técnica. Ao falar de atitudes racionais, percebemos seu aspecto lógico. Usamos a razão para pensar, investigar, planejar, argumentar, construir hipóteses, identificar lacunas no conhecimento, etc.  Mas também usamos esta mesma  razão para agir quando testamos, medimos, comparamos, calculamos ou executamos experimentos ou observações. Daí que a lógica está sempre presente; de uma forma ou de outra inserida em todos os procedimentos técnicos por meio dos quais se constrói o conhecimento.

Mas este conhecimento não é um qualquer. Ele é sistemático, ou seja, insere-se em uma rede de relações. Cada assertiva científica de alguma forma fundamenta-se em algo que lhe antecede e dela podem ser deduzidas consequências.  Mas estas relações de causa-consequência não são as únicas possíveis, há as de co-ocorrência, antagonismo, simetria e muitas outras. O que importa aqui é que os conceitos científicos inserem-se em uma trama de relações, isto é; em um sistema.

Seu objeto de estudo é limitado. Aqui é preciso definir o significado do termo. Por exemplo; ao tratarmos um paciente acreditamos fazer-lhe um bem. Ele sofre e com nossas ações minoramos o seu sofrimento. Neste caso, “bem” refere-se a aspectos específicos; redução da dor, remissão de sintomas, recuperação de capacidades físicas ou psicológicas perdidas, etc. Neste caso então o objeto é limitado. Não nos referimos à um bem absoluto, algo presente em tudo o que seja bom e ausente em tudo que seja mau. Não nos preocupamos em discriminar nas nossas ações o “bem” do “mal”. Nosso conhecimento e ações não são abrangentes, visando a totalidade. Preocupamo-nos com este ou aquele paciente. As vêzes com grupos populacionais. Nunca com a totalidade como é o caso da filosofia.

Finalmente pretendemos que o conhecimento que produzimos seja verificável (**). Isto quer dizer que o que afirmamos tem que ser passível de verificação no mundo empírico. Se afirmamos que tal ou qual  micro-organismo é causa desta ou daquela doença, precisamos mostrar por exemplo que ele está presente nos doentes, ou que sua retirada impede o prosseguimento da doença, ou ainda que sua inoculação produz a doença, etc.

Há conhecimentos pertencentes à outros domínios humanos que, sendo legítimos, não são verificáveis no sentido deste texto. A afirmativa de que boas ações asseguram a vida eterna na bem aventurança, é legítima no ambito religioso, mas não é verificável. Sua justificação é a fé. Também as afirmativas filosóficas em geral prescindem da verificação já que sua aceitação decorre da argumentação racional.

Concluindo

Então ao terminar estas palavras eu espero que tenha ficado muito claro para você o papel primordial do pensamento  na atividade científica. Que fazer ciência, ou de outra forma “usar um método” é um ato de pensar. Que pesquisar é um conjunto de atitudes racionais, e mesmo quando você está “fazendo”, isto está indissoluvelmente ligado ao pensar. Neste sentido então, as ditas técnicas de pesquisa são uma forma de “pensamento em ação”. Ok?

Notas

(*) Didaticamente é bom dizer que primeiro você coleta, depois você analisa. É lógico, é simples, é (quase) natural.  Mas isto nem sempre é verdade. Há circunstâncias em que a análise dos dados precisa  ser feita durante a coleta. Um caso é o imperativo ético de interromper uma pesquisa claramente danosa aos pacientes. É quando a terapia tem efeitos colaterais graves ou taxa de mortalidade excessivamente elevada. Outro caso é o de certos estudos (alguns qualitativos, p/ex.) nos quais a análise dos dados iniciais modula os procedimentos subsequentes.

(**) O que é “científico” é em filosofia uma discussão sobre a “questão da cientificidade”.  A verificabilidade é apenas um dos aspectos desta discussão. Há outros, mas fogem ao escopo deste texto.

Uma apresentação sobre método

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