A metacognição pode ser aprendida

 

“A habilidade de aprender de uma pessoa não é fixa, pode se desenvolver. De fato, apenas aceitar isso pode ter um impacto profundo na aprendizagem dos estudantes (Lovett, 2008). Ensinar aos nossos alunos a serem aprendizes estratégicos é, portanto, uma das habilidades mais valiosas que podemos dar. Os cursos que se concentram na aplicação de estratégias eficazes de aprendizagem dos alunos podem melhorar os seus desempenhos nestes cursos; mas podem também melhorar os seus desempenhos no longo prazo e evitar a evasão de estudantes considerados em risco (Lovett, 2008; Weinstein et al., 2000). Surpreendentemente, os comportamentos auto-reguladores e adaptativos podem ser ensinados em tempo mínimo de aula (literalmente, uma questão de minutos ao longo de um semestre) e os alunos rapidamente aprendem a aplicar esses comportamentos sem aviso prévio (Lovett, 2008). Uma vez que os comportamentos são internalizados, os alunos continuam a usá-los, facilitando concentrar sua atenção no conteúdo que estão aprendendo.”

National Association of Geoscience Teachers  (2017)

Lovett, M. (2008). Teaching Metacognition. (more info) Presentation at the Educause Learning Initiative 2008 annual meeting.
Weinstein, C. E., Husman, J., & Dierking, D. R. (2000). Self-Regulation Interventions with a Focus on Learning Strategies. Chapter 22 in the Handbook of Self-Regulation, M. Boekaerts, P.R. Pintrich & M. Zeidner (eds.), Academic Press, p. 727-747.
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Como elaborar flashcards? Parte II

Pedro Henrique Maraglia
Mestrando em Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Como fazer um flashcard?

Fabulous-Flash-Card-Template-Download (1)É simples, você precisa apenas de papel, caneta, talvez uma tesoura, e claro ter estudado antes. Você pode comprar pequenos cartões encontrados em papelarias, podendo ser coloridos, ou não, isso fica a seu critério. Você pode também usar folhas de papel oficio A4 e cortar os cartões da forma que desejar. Você pode ainda fazer os flashcards em aplicativos ou programas de computador, com o Flashcardpro®, Supercard®. Ou em sites, como o Goconqr.

A logica de construção dos flashcards é simples. Você pode, por exemplo, fazer um flashcard sobre uma palavra. Você pode utilizar qualquer palavra, por exemplo, “Paralelepípedo”.  Neste caso o seu objetivo é fazer com que essa palavra possa ativar sua memoria, de forma a acessar informações que se relacionam com a palavra escolhida, como em nosso exemplo, “Paralelepípedo” pode estar relacionado com a seguinte informação “formado por seis faces, sendo que duas são idênticas e paralelas entre si”, o que se pretende é que ao ler essa palavra você possa se lembrar desta informação.  Então em um dos lados do papel você escreve a palavra, e este lado será considerado como a frente, e no verso você escreve informações referentes a esta palavra.

Sem título

Outra forma de construção dos flashcards pode ser uma pergunta, por exemplo, quem descobriu o Brasil? Nesse caso a pergunta tem a mesma função da palavra, ativar sua memória para que você possa acessar alguma informação, neste caso do exemplo, “quem descobriu o Brasil? ”Em um dos lados você escreve uma pergunta, e este lado será a frente, e no verso, você adiciona a resposta para essa pergunta.

Sem título

Note que você pode moldar os flashcards de acordo com sua necessidade. Use palavras, perguntas, imagens, equações ou esquemas. O importante é que você obedeça a estrutura básica. De um lado aquilo que vai funcionar como uma solicitação à sua memória, e do outro o conteúdo com o qual você vai confirma se o que você lembrou era mesmo aquilo.

Como utilizar?

Há varias formas de utilizá-los. A escolha entre uma ou outra depende do conteúdo a ser estudado e de suas possibilidades e recursos, entre outros. Aqui sugerimos uma que é muito simples e rápida. Se você achar útil, mais tarde poderá experimentar outras maneiras de usá-los.

O flashcard individual

Como você já leu, o flashcard é um cartão que na frente tem a o tema e no verso a explicação do tema. Então o objetivo é a partir do que está na frente relembrar o que está no verso. Então:

  1. Leia a pergunta ou palavra escrita na frente do flashcard atentamente: Aqui você deve ativar a sua memória de maneira a buscar a informação relacionada com a palavra ou pergunta. Tente relembrar das informações relacionadas a aquela palavra ou pergunta. Você pode fazer isso mentalmente ou em voz alta. Nesse esforço você vai associando a palavra ou pergunta com a informação, e assim você irá fortalecendo a memorização das relações. Faça isso com calma, pois, não adianta pressa e fazer algo de qualquer maneira, sua memória as vezes precisa de tempo.
  2. Após tentar relembrar as informações, confira no verso se acertou ou errou, aferindo seu rendimento. Mas não pare por aí. Acertando ou errando procure memorizar a resposta correta. Repita mentalmente (ou em voz alta)> Isso é muito importante.

flashcards homeopatia

O flashcard em conjunto

Como você viu, a tarefa é simples. Ler e ativar a memória. Isso acontece sempre que você tem um flashcard na mão. Mas note que você provavelmente fará muitos cartões. Então agora você precisa ter uma maneira de utilizá-los ordenadamente. Então:

  1. Estude o assunto antes: É claro, não é? Como você vai construir os cartões se não sabe nada do assunto? Você não precisa saber o assunto profundamente, mas um mínimo que te permita fazer as perguntas e as respostas. Ah! E só para lembrar; enquanto você está fazendo os cartões está também aprendendo. Ok?
  2. Crie o conjunto de cartões: Crie conjuntos específicos por temas. Não será eficiente se você criar centenas de cartões sobre tudo o que você precisa e depois tentar utiliza-los todos ao mesmo tempo. Os conjuntos devem ser sobre um tema específico e ter um tamanho manipulável. Qual é esse tamanho? 10? 20? 30? Isso depende do assunto e da sua memória. Ok?
  3. Coloque os cartões em ordem: Esta ordem depende da estrutura do assunto e de como você acha melhor memorizar.Flashcards-Conjunto de cartões
  4. Use os cartões: Da maneira que já descrevemos. Lendo o tema e tentando responder às perguntas. Comece do início e vá até o final.
  5. Separe os cartões: Faça dois montes. Em alguns cartões você não lembrou não acertou a resposta. Estes vão para o primeiro monte. Os outros ficam no segundo monte.Flashcards-Conjunto de cartões-Lmbrados e esquecidos
  6. Reveja rapidamente o monte dos cartões esquecidos: Para estes, você dedica especial atenção. Faça cuidadosamente o esforço de ler e buscar a resposta. Os cartões lembrados  vão para o segundo monte. Os esquecidos retornam ao primeiro.
  7. Reveja rapidamente o monte dos cartões lembrados. Você já sabe. Ler e responder agora, é só para reforçar a memória.

Então terminou? Sim. Por agora. Mas o estudo se faz em ciclos. Você faz estes 7 passos em vários períodos, repetido as etapas. Você pode ainda, se julgar interessante, embaralhar os cartões entre um ciclo e outro, mantendo os montes separados, é claro.

Mas só um detalhe: Do segundo ciclo em diante comece pelo monte dos cartões esquecidos. Idealmente repetição após repetição, o monte dos cartões esquecidos vai ficando progressivamente menor.

Ainda mais, pode haver um momento em que tudo fica no monte dos cartões lembrados. Aí chega a hora de você avaliar se cabe então fazer novos cartões , aprofundando ou ampliando o conteúdo do conjunto. Ok?

Lembre-se

  • Cada cartão deve conter apenas uma pergunta ou palavra, para você não confundir sua memória.
  • Seja sintético, e valorize o que é realmente importante, um flashcard não deve conter um capítulo de um livro, pois, são maiores as chances de que você esqueça algo quanto maior for o número de informações.
  • Utilize um formato que você compreenda, faça seus próprios flashcards, isso é importante, por que você os constrói de acordo com seu próprio funcionamento, otimizando a utilização dos flashcards.

Lembre-se de atualizar o conjunto de flashcards, mas em que sentido? Você já confeccionou uma série de flashcards para uma determinada disciplina, e pretende continuar utilizando a estratégia com flashcards, continue fazendo os flashcards no decorrer do avanço do seu processo de estudo.

Ao fazer os flashcards você pode gastar uma pouco de tempo, afinal, você tem que por a mão na massa, mas, este esforço provavelmente irá valer a pena, visto que você pode melhorar de forma significativa seu rendimento.

Utilize, e faça proveito desta ferramenta.

Leia também:

O que são flashcards? Parte I

Raciocínio Clínico: por que é tão necessário ao aprendiz em saúde?

Márcia Regina de Assis
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em
Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES).

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

duvidaDe forma geral, o raciocínio clínico é o processo usado por profissionais da área da saúde para refletir e planejar o tratamento do paciente, ou seja, é a tomada de decisão. Serve para orientar e conduzir da melhor maneira possível o tratamento do paciente. É uma função essencial da atividade dos profissionais da saúde. Sem o raciocínio clínico será muito difícil chegar a um diagnóstico, e mais que do que isso, será impossível a condução do tratamento do paciente, seja ele o tratamento fisioterapêutico, fonoaudiológico, terapêutico ocupacional, médico ou de enfermagem.

Durante a graduação os alunos dos cursos da área da saúde, em algum momento aprendem ou pelo menos ouvem falar sobre o raciocínio clinico. No entanto, nem sempre é fácil entender como esse raciocínio será utilizado durante a vida profissional.

Para que o raciocínio clínico seja eficiente não pode haver dicotomia entre a prática e a teoria. É preciso aprender a unir essas duas instâncias para realizar a tomada de decisão.

Não é uma tarefa fácil, mas existem algumas estratégias que podem facilitar esse processo de promoção do raciocínio clínico. Por exemplo:

  1. Realize de exercícios práticos de casos clínicos – sabe aqueles exercícios que muitos livros didáticos, como os de semiologia e os das disciplinas aplicadas, apresentam ao final de cada capítulo? Eles contribuem muito para o processo de desenvolvimento do raciocínio clínico.
  2. Faça esses exercícios utilizando a técnica de mapa mental(*), assim ficará mais clara a visualização de seu processo cognitivo;
  3. Leia prontuários (se já estiver no estágio ou na residência) de forma cronológica. Leia os prontuários sempre fazendo perguntas sobre o porquê de cada decisão tomada. Pense se você tomaria decisão diferente e discuta com o seu professor/preceptor/tutor;
  4. Após (ou durante) a leitura destes prontuários pense em pelo menos mais uma hipótese diagnóstica adicional. Então compare suas semelhanças e diferenças.
  5. Sempre tire suas dúvidas com seu professor. preceptor ou tutor.

O raciocínio clínico depende muito da integração entre o conhecimento teórico e o prático do profissional. Por isto, ao aprendiz é fundamental a leitura crítica dos capítulos de livros acadêmicos, de artigos com evidências científicas, reavaliação constante do aprendizado em sala e muita atenção no campo de estágio e/ou residência.

Se você já é um acompanhante deste blog, sabe que a metacognição ajuda muito nesse processo de aprendizado. Se for a primeira vez que entra aqui, sugiro a leitura dos seguintes posts:

O que é aprender a aprender? Uma metáfora;
Identificação de Eventos metacognitivos presentes em mensagens de membros de uma comunidade virtual de Enfermagem

Boa leitura!

Referência:

Gabinete de Educação Médica da Faculdade de Medicina. Universidade de Coimbra. Estratégias de promoção do raciocínio clínico. Essências Educare. https://www.uc.pt/fmuc/gabineteeducacaomedica/fichaspedagogicas/essencias_n18

(*) Para saber mais sobre mapas mentais clique aqui e acesse uma das aulas do Professor Mauricio Peixoto.

A Metacognição como Tecnologia Educacional Simbólica

Maurício Abreu Pinto Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Faz algum tempo publiquei um artigo em que propus a Metacognição como uma Tecnologia Educacional Simbólica (http://goo.gl/UOPQV1). Ali fundamentei esta proposição e mostrei como a metacognição pode ajudar alunos e professores na tarefa de aprender e ensinar. Mas no importa aqui, enfatizo que se você quer aprender mais e melhor, a metacognição pode te ajudar. Recomendo que você se aproxime mais desta área. Acho que pode ser bastante proveitoso.

No post de hoje trago uma apresentação de slides onde eu procuro clarificar e atualizar o tema. Sinta-se livre para comentá-la. Ok?

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Promessas enganosas da Educação a Distância – Você está pronto para estudar sozinho?

Ead_Flexibildade_Trabalho2“Propaganda enganosa, boletos de mensalidades impressos com valores diferentes do contratado, dificuldades para falar com a secretaria do curso ou para se inscrever em disciplinas. Esses problemas, relatados ao GLOBO por alunos de escolas de ensino superior do Rio e de Niterói, vêm transformando o sonho do diploma universitário em pesadelo. E mostram que escolher uma universidade é tarefa tão complexa quanto optar por um curso.” (O GLOBO, 25/7/2012)

Diferentes aspectos da EAD tem sido objeto de discussão; fatores políticos, econômicos, técnicos, currículo, projeto instrucional, entre outros. O artigo do GLOBO privilegia a falta de cumprimento pelas instituições de ensino das promessas que fazem quando tentam vender seus cursos. E isto é algo muito relevante para o candidato à cursos a distância.

Outro aspecto importante é o aprendiz. Não são todos os que estão preparados para o estudo independente. Sim, alunos que trabalham precisam da EAD. Mas eles também precisam de um apoio para poder estudar a distância. E isto nem sempre é dado nestes cursos.

Na universidade o enfoque que dou às pesquisas do meu grupo de estudos dirige-se à aprendizagem relacionada ao aprendiz. Mais especificamente debruça-se sobre opiniões e vivências sobre o processo de aprendizagem em si, transformações pessoais decorrentes do curso e aspectos ligados à possibilidade de gerência metacognitiva.

Temos observado que parte importante das dificuldades de alunos em cursos a distância decorre de limitações na sua autonomia e capacidade de estudo independente. Por exemplo; em survey com 286 com alunos do primeiro período do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas a distância de um consórcio de universidades públicas no Rio de Janeiro, observamos que apenas 35% se referiram a dificuldades relacionadas ao design didático do curso em tela. A maior dificuldade apontada pelos alunos foi relacionada a aspectos de cunho pessoal (65% das assertivas). E nestas, 68% referiam-se a problemas em adaptar-se ao método da EAD.

Considerando a importância do estudo independente na EAD, é significativo que apenas 3% dos alunos tenha tido algum tipo de ensino formal de técnicas de estudo, 57% jamais tiveram qualquer tipo de informação sobre o assunto e os 40% restantes tenham sido instruídos de maneira informal por amigos, professores ou livros.

Talvez por isto boa parte das estratégias de aprendizagem utilizada tenha sido as que favorecem estudo mais superficial, tais como a leitura silenciosa (79%), sublinhar (76%) e anotar (58%). Dado interessante, é que apesar da grande dificuldade apontada ser de ordem pessoal; quando solicitados a sugerir soluções apenas 7% referiu-se a responsabilidades individuais, sendo os 93% restantes dirigidos ao design instrucional.

Em outro estudo, este qualitativo com 23 alunas de Licenciatura em Pedagogia, o quadro foi similar. Os sujeitos relataram dificuldades em estabelecer rotina e disciplina de estudo, interagir com outros alunos, adaptar-se à modalidade e desenvolver estudo autônomo. No entanto, durante o curso observou-se adaptação progressiva com redução destas dificuldades. Outras porém mantiveram-se insolúveis; a saber; administrar a quantidade de leitura, participar das tutorias presenciais e a distância e lidar com a tecnologia pertinente à modalidade.

Estudo qualitativo com alunas de Pedagogia da UERJ buscou relacionar processos de aprendizagem com a metacognição. Foram entrevistadas alunas de turmas que completaram todo o curso na modalidade a distância. As primeiras dificuldades relatadas por estas alunas, tem sua origem nas experiências anteriores ao curso de EAD. Essas experiências em sua maioria realizadas em ambientes presenciais geraram algumas expectativas em relação à forma como deveriam ser as condutas de alunos e professores, como seriam as avaliações e os materiais. Ao mesmo tempo, de acordo com os relatos, pouquíssimos alunos foram em busca de informações pertinentes a natureza do curso. Simultaneamente, nos parece que de pouco serviram as indicações contidas no manual do aluno, uma vez que em nenhum momento foram citadas.

Durante a análise das entrevistas, percebemos que dois tipos de aprendizes enfrentaram menos dificuldades, ou as enfrentaram de uma forma mais consciente. Em primeiro lugar, alunos com alguma experiência anterior em cursos de graduação, por talvez já terem estabelecida a diferença de nível entre o curso profissionalizante e o de graduação. Em segundo lugar aqueles que já tinham um nível de organização mais sólido. Estes aprendizes foram capazes de modificar a partir de experimentação algumas alternativas para as dificuldades identificadas. Eram os aprendizes que identificavam uma dificuldade, examinavam a situação e executavam uma possível solução.

Metacognição é um termo amplo usado para descrever diferentes aspectos do conhecimento que construímos sobre como nós percebemos, recordamos, pensamos e agimos. Uma capacidade de saber sobre o que sabemos. Aqui, é relevante citar que envolve atividades de monitoramento e consequentes controles dos processos cognitivos. Assim, a metacognição faz relação com estratégias utilizadas pelos indivíduos, para monitorar, testar, ordenar e controlar as suas habilidades cognitivas, nos esforços individuais para aprender. Isto é, perceber, no ato mesmo de fazê-lo, em que medida o assunto está sendo corretamente compreendido ou escrito. Na medida em que isto é feito de forma adequada o aprendizado melhora. São pelo menos duas as razões para tal.

Compreender ou produzir um texto é uma tarefa complexa, produto de um processo de pensamento. Neste sentido então, produz-se momento a momento, por interação entre processo e produto, este modificando aquele e vice-versa. Ora, quanto mais se sabe sobre o processo e o produto, maior é a eficiência das modulações recíprocas. Decorre daí que maior o conhecimento metacognitivo, maior é o desempenho nestas tarefas. Isto porque a metacognição pode determinar o modo pelo qual o aprendiz organiza o seu pensamento ou o texto produzido.

Ainda mais, ser capaz de prever o grau de aprendizado de um dado tópico, torna o estudo mais eficaz. Por um lado evita o desperdício de esforço em estudar algo já sabido. Por outro, indica maior investimento naquilo que ainda não se aprendeu. Diminui portanto a possibilidade de prejuízo ao deixar de lado algo importante. Este raciocínio tem suporte empírico. Já se demonstrou ser baixa a capacidade de previsão de estudantes sobre material textual, assim como os benefícios do treinamento metacognitivo. Os mesmos benefícios observam-se em adultos acima dos 65 anos. Também a maneira como se acredita ser o aprendizado na Internet, determina em grande parte como o aluno se comporta no curso.

Assim é que, fundamentados na literatura pertinente e nos achados de nossa linha de pesquisa, sentimo-nos confortáveis em, do mesmo passo ressaltar a importância da metacognição e indicar o seu uso como ferramenta útil para o aprendizado.

Você tem alguma dúvida ou pergunta?

Deixe sua questão no campo de comentários !

O Quadro Horário de Estudos – Os pressupostos.

Dificuldade_Pés adolescentes equilibrando-se em caminho difícilComeço definindo que “Quadro Horário de Estudos” é óbviamente um quadro onde o estudo é distribuido segundo um dado horário. É simples, fácil, sem qualquer problema de entendimento. Ora, se assim é, por que tanta importância se dá à pergunta: –Como fazer um quadro horário de estudos?

Duvida? Apenas um número. Antes de escrever este post fiz uma consulta na internet. Obtive:

Página 80 de aproximadamente 2.530.000 resultados (0,38 segundos)

Este post irá explicar porque isto tem sido difícil para muitas pessoas. E ainda mais, mostrará à você como sair desta dificuldade. A seguir, em outras postagens, mostrarei formas de contruir um quadro horário que seja adequado e personalizado.

O Problema

Em minha opinião há várias razões para a dificuldade de fazer quadros horários, e principalmente de fazê-los funcionar. Dentre elas, cito três que entendo serem as mais importantes:

  1. Diversidade de tipos de quadro
  2. Administração do tempo
  3. Aspectos Psicológicos

O problema então não está no “como fazer” mas em “como pensar para fazer”. Eu explico.

Distribuir as matérias ao longo do tempo não é difícil se você o faz meio ao acaso. O problema surge quando você o faz com o objetivo de ter sucesso no estudo. O quadro horário é uma ferramenta. Não se justifica por si só. Uma afirmativa óbvia. Ok?

Sim, claro. Mas o problema surge quando você mistura o meio com o fim. Isto é, há todo um conjunto de pressupostos que você deve levar em conta para decidir se vai colocar a matéria “a” na segunda ou terça. Se usa uma ou cinco horas para estudá-la.

Em última análise, um quadro horário é um compromisso com você mesmo. E nele precisam ser equilibrados:

  • O que você precisa,
  • o que voce deseja,
  • e o que você pode fazer.

O que você precisa:

Aqui a razão domina. Apenas citando algumas coisas mais comuns:

  • Passar de ano.
  • Passar no concurso.
  • Melhorar de vida.
  • Dominar uma conteúdo necessário à sua profissão.

Você avalia a sua situação atual e decide. Estabelece um objetivo e lista os passos necessários para atingi-los.

Há, é claro, algumas dificuldades nesta etapa. Talvez você necessite de alguma pesquisa para saber quais são os passos, onde obter os recursos, quais os livros necessários, quanto tempo alocar para cada atividade, etc. Pensar racionalmente envolve algumas etapas importantes, e neste blog tenho apresentado várias.

Se você consultar a grande maioria do material publicado, é neste tópico que os textos se desenvolvem. Informam e dão conselhos sobre como alocar as matérias ao longo do tempo. E isto não é difícil, pelo menos racionalmente falando. Só que agora entra em cena uma outra coisa.

O que voce deseja:

Blaise Pascal afirma “O coração tem suas razões, que a própria razão desconhece” (Pensées, 1669). E de alguma forma é por aí a dificuldade de lidar com o quadro horário; já que aparentemente ele é apenas uma ferramenta lógica de administração do tempo.

O problema e que “Um só desejo basta para povoar um mundo.” (Alphonse de Lamartine, 1790-1869). O que desejamos é, por definição, impossível de ser satisfeito. Basta que tendo desejado algo e o obtido,  para que logo após passarmos a desejar mais.

O desejo é algo ligado ao sentimento, e portanto não racional. Não podemos, em geral, justificar plenamente o que desejamos. Às vêzes o que fazemos é moderar nossos desejos. Mas quando isto se dá, o fazemos não porque acabamos com o desejo, mas porque o ocultamos.

Isto significa que quando pensamos dele ter se livrado, o   “sentimento ilhado, morto, amordaçado. Volta a       incomodar” como disse o Fagner em sua música “Revelação”. E é assim que acontece com o desejo. O fato de não termos plena consciência não significa que ele inexista. Continua presente e modulando nossas ações.

Precisamos estudar, mas queremos descansar. Precisamos aprender, mas desejamos festejar. Sabemos que para passar no concurso precisamos investir no estudo e na qualificação. Mas o nosso sentimento se opõe ao sacrifício prévio.

Ou por outra, decidimos buscar uma determinada posição porque racionalmente entendemos que é a mais adequada. No entanto não é ela que nos agrada. Há outras profissões e/ou atividades que nas quais seríamos mais felizes, embora não tão bem pagas.

Por exemplo, soube do caso de uma aluna de Relações Internacionais que à beira da graduação, estagiária remunerada e quase contratada por uma empresa, se demite para estagiar gratuitamente na ONU.

São decisões difíceis. Todas elas desenbocando na contrução do quadro horário. Assim, este quadro horário vai estabelecer meu compromisso com o que preciso fazer ou com o que desejo?

E o que você pode fazer:

Aqui entra um terceiro fator muito importante: A Realidade.  Dentro de certos limites, precisar e querer são abstrações. Existem apenas no plano das idéias.

É claro que ambos tem fortes raízes objetivas no real. É claro que se você percebe que falta dinheiro, é porque provavelmente “sobra mês no final do salário”. É claro que se você deseja uma vida melhor, é porque você percebe que sua vida atual, mesmo que satisfatória em vários aspectos, pode melhorar em outros.

Neste sentido sim, precisar e querer são coisas muito reais. Mas aqui me refiro ao plano operacional. Perceber necessidades e desejos podem ficar restritos ao pensamento e sentimento sem que passem para a ação. É só quando você age em função destas percepções, que a realidade se impõe.

Você pode querer um determinado cargo e precisar dele. Mas a realidade te diz que só quando passar no concurso, é que o desejo e a necessidade serão satisifeitos. E para isto, uma série de ações prévias serão necessárias.

E é aí que “a porca torce o rabo”. Para passar no concurso você precisa se qualificar. E  para isto, no mínimo, você precisa:

  • Tempo para estudar.
  • Tempo para frequentar aulas.
  • Competência para aprender.
  • Dinheiro para cursos, livros e apostilas.
  • Sustentar-se até a vitória final.

Note que os cinco itens acima são concorrentes entre si. Se você trabalha para sustentar-se, reduz-se o tempo para estudo o que diminui suas chances de aprovação. Se você se demite para aumentar o tempo de estudo e portanto aumentar a sua chance de sucesso; quem vai sustentá-lo?

Claro que este é só um exemplo dos múltiplos conflitos possíveis entre tempo, competência e dinheiro.  O que importa aqui é mostrar que, no plano das ações a realidade se impõe. E isto torna ainda mais difícil a decisão.

Concluindo:

O objetivo deste post não é ainda mostrar como construir um quadro horário, mas explicar porque ele é, às vêzes, muito difícil de fazer.

Mostramos que se do ponto de vista lógico o processo é muito simples, “o buraco é mais embaixo” quando se trata de real e concretamente implementá-lo. Isto é; não se trata de meramente alocar matérias em horários. Trata-se de tomar decisões pessoais que implicam em preços a serem pagos. Como na fábula da galinha e o milho, todos querem comer os bolos e o fubá, mas são poucos os que se dispõem a plantar, colher e processá-lo.

Mas na prática o que isto tudo significa? Apenas concluir que é difícil e conformar-se com isto?

Não! Não é isto o que proponho. O primeiro ponto é tomar consciência da dificuldade. Com isto você deixa de ser dominado por por ela. Passa a perceber que as dificuldades não estão apenas na técnica de construção do quadro horário. O verdadeiro campo de batalha é a sua mente.

Por isto chegamos ao segundo ponto. Livre-se das ilusões de que fazer o quadro resolve seus problemas. De que que uma nova e revolucionária forma de construir resolverá tudo. Técnicas de construção ajudam? Com certeza sim. Mas apenas se usadas corretamente pelo construtor; e ainda assim apenas se adequamente consciente dos pressupostos.

O que é melhor? Uma picape 4×4 ou um “carrão” de luxo ? Como veículos, ambos são de alto nível. Mas para compará-los é necessário saber quem vai usá-lo, para quê e onde. Na fazenda, para transporte de ferramentas e insumos agrícolas a picape é a mais indicada. E isto é muito claro. Ok? Já o “carrão” tem finalidades e exigências bem diferentes. O quadro horário é como um destes veículos. Existem de varios tipos, usados por diferentes pessoas, com variadas características e demandas.

Por isto, chegamos ao terceiro ponto. Livre-se da ilusão de que meramente copiar o quadro feito por terceiros irá resolver. Não há um quadro geral. Eles precisam ser personalizados. O que pode ser ensinado é o método geral de construção. Você pode ainda observar vários quadros contruidos, mas apenas para tentar entender como outras pessoas resolveram seus próprios problemas. Não adianta tentar imitar e achar que acabou.

Linhas atrás eu disse que a verdadeira batalha é a sua mente. E este é o quarto e último ponto: a Autoconsciência. Você precisa saber com a maior objetividade possível quem é você. Claro que neste caso o “quem é você” tem como foco a construção do quadro horário. Isto é; por um lado você precisa saber as técnicas de construção do quadro. Mas por outro lado e principalmente, você deve ser capaz de equilibrar o que você precisa, deseja e pode.

E como fazer isto eu explicarei para você na próxima semana, em mais um post deste blog. Até lá!

Aprenda mais rápido com a Técnica de Feynman

O vídeo abaixo mostra uma técnica de estudo que me parece bastante eficiente. Você verá ainda como a Metacognição tem um papel muito importante no processo.

A Metacognição, como já apresentada em outros posts é um discurso sobre a sua cognição. Desenvolvendo-a você pode gerenciar melhor sua aprendizagem.

Como todo o vídeo está em inglês, abaixo apresento um relato do que é dito. Note que não é uma tradução, mas uma explicação do seu conteúdo. E ao final faço algumas considerações pessoais sobre o conteúdo.

Richard Feynman

Richard P. Feynman (1918-1988), foi um cientista, professor, contador de histórias e músico. Em 1965 recebeu o Prêmio Nobel de Física.

Conta-se que costumava ir ao Departamento de Matemática e desafiar qualquer um que lá estivesse à explicar-lhe um assunto qualquer de sua especialidade. Ele afirmava que fosse qual fosse o assunto e por mais difícil que parecesse, ele entenderia desde que fosse explicado com palavras simples.

Você pode pensar que isto acontecia porque Feynman era um gênio. Isto é verdade, mas Scott Young, o autor deste vídeo afirma que qualquer um pode aprender qualquer coisa usando esta técnica. Bem vamos a ela, e veja se é útil para você.

A Técnica de Feyman

Para que serve?
  • Para ajudar a entender idéias nas quais você tem dificuldade em compreender.
  • Para aumentar a memorização de de idéias que você até compreende, mas tem dificuldade de memorizá-las para a prova.
  • Para rever o asunto antes da prova.
Passo 1 – Escolha o conceito
  1. Pegue uma folha de papel em branco: Ela será a “lousa” onde você vai trabalhar.  Ao final da técnica ele provavelmente estará completamente cheia de suas explicações e diagramas.
  2. Escolha o conceito com que você vai trabalhar.
    Escreva este conceito no alto da folha como um título.
  3. Pronto! Terminou o passo 1: Parece simples, mas note que ao escolher e escrever, você focou precisamente naquilo que te interessava. Este foco é importante, na medida em que simultâneamente te dirige para o que você quer e te afasta ddaquilo que não te interessa (no momento). Mais que isto, te faz agir: Você precisa pensar, escolher, decidir e escrever. É grande o efeito disto na sua memória.
Passo 2 – Imagine-se como Professor
  • Agora use a folha como uma lousa e explique para você mesmo o assunto.
  • Mas faça isto como se estivesse explicando o assunto para alguém que não sabe nada.
  • Note que a medida que vai explicando, você vai escrevendo e desenhando sobre a folha de papel.
  • É muito importante que você explique tanto as idéias já compreendidas como também aquelas ainda confusas para você.
    • Note que ao fazer isto você está não apenas clarificando as idéias, mas identificando precisamente aquilo que sabe e o que ainda precisa aprender.
  • Se perceber que alguma coisa está confusa, tente simplificar a linguagem ao máximo. Use exemplos comuns, palavras de uso cotidiano.
  • Uma alternativa sempre bem vinda é construir analogias. A ciência sempre usou isto. Por exemplo ao expicar a lei dos gases ela usa a mesa de sinuca. Aumentar a pressão é como botar muitas bolas na mesa. E com muitas bolas os choques são em maior quantidade, assim como as moléculas. É por isto que ao aumentar a pressão aumenta também a temperatura. Simples, não?
  • Sempre que parar em algum ponto mais difícil, vá ao livro, professor ou colega. Reaprenda este conceito até que possa explicá-lo com clareza.
  • Retorne ao seu papel e termine a explicação.
Como usar a técnica

Para compreender idéias

  • No caso da Matemática, um pouco na Física e em outras matérias técnicas o importante é compreender o passo a passo dos procedimentos.
  • Nas matérias de humanidades, importa compreender as relações e compilar grandes conjuntos de fatos em um único cenário.
    • Por isto passe por todas as etapas da explicação lentamente, para perceber exata e precisamente aquilo que não entendeu de modo a buscar no livro ou professor um auxílio dirigido específicamente àquilo que é necessário.

Para aumentar a memorização para as provas

  • Aqui você também passa por todas as etapas da explicação.
  • Mas a ênfase é nas melhores analogias e palavras simples que exprimem os conceitos. Óbvio que na prova você dará preferência aos termos técnicos. As palavras simples e analogias, são uma ferramenta para a sua compreensão, não para a redação das usa respostas na prova. Só as utilize com muito critério e em casos excepcionais.

Para a revisão antes das provas

  • De nôvo também passar por todas as etapas da explicação.
  • O detalhe é que esta passagem é feita SEM recorrer aos livros e professor.
  • É uma boa técnica para sua auto-avaliação.

Minha avaliação

É uma boa técnica de estudo? Acho que sim. Deve ser usada? Com certeza. Mas como tudo na vida tem limites e benefícios.

Seus limites

Não serve para tudo. Sua competência está no estudo/compreensão de idéias. Não lida com resolução de problemas (frequente em Matemática, Física ou Direito). Não serve para interpretar fatos e/ou teorias, uma habilidade que vem sendo cada vez mais solicitada.

É uma técnica que pressupõe um conteúdo relativamente estático a ser aprendido, e que será cobrado na prova de uma maneira mais ou menos similar à que foi apresentada.

É claro que te ajuda a compreender idéias, e isto é bom. Mas nos casos em que a demanda é pelo pensamento crítico e avaliação de conceitos, a compreensão é apenas uma das etapas iniciais.

Este é um limite que o aluno deve ter em mente quando decidir-se por ela. A técnica tem indicações precisas, que quando respeitadas  podem trazer bons resultados. Ou ao contrário, levar ao insucesso quando mal aplicada. E por isto o sucesso depende do discernimento do aluno ao escolhê-la.

Seus benefícios

Se usada apenas da forma explicada pelo vídeo, é interessante nos casos do ensino mais tradicional e em alguns concursos. Nestes casos o conteúdo é bem definido, e a cobrança privilegia sua reprodução.

Há ainda outra área que é benéfica; como procedimento de aplicação dos conceitos metacognitivos. Você pode usá-la atento ao seu processo de pensamento. Com isto simultâneamente o seu aprendizado se faz melhor e o nivel de conhecimento metacognitivo aumenta. E este aumento facilita o gerenciamento da sua aprendizagem, criando assim um circulo “beneficioso”, uma etapa ajudando a seguinte e esta a anterior.

Mas como usar para desenvolver a metacognição? Eu explico.

A metacognição é a consciênca dos seus processos cognitivos e o uso deste conhecimento para gerenciar sua aprendizagem. Assim note o que acontece na técnica.

No passo 1 você escolhe, seleciona e decide por um conceito. Neste caso preste atenção em como você faz isto. Em cada uma destas ações você estará aprendendo mais sobre você e atribuindo mais significado ao que aprende. Saber para que usará o conceito, te dará mais motivação para o estudo e aumentará sua memorização.

No passo 2 você explica. E para isto você precisa resgatar conhecimentos anteriores e, relacioná-los aos atuais. Precisa também traduzir estas idéias em palavras. Ao simplificar e ao inventar analogias vai à essência do conteúdo. Todas estas são operações mentais no domínio da metacognição. Dominá-las, de nôvo, aumenta sua motivação, compreensão e memorização. Mas também e novamente, aumenta sua competência em lidar com outros assuntos. Além do mais, ao exercitar tudo isto, você também está exercitando habilidades que serão úteis na prova.

Por isto sugiro que ao usá-la não se prenda apenas à técnica, mas amplie o seu significado. Como a ponta de um iceberg, o visível é apenas parte do todo. E lá como aqui a sua menor parte. Fui claro?

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