A Arte tem algum papel na Medicina Científica?

Extrato de:
CLAY JONES. Is There a Role for the Art of Medicine in Science-Based Practice? «?Science-Based Medicine. Disponível em: <http://www.sciencebasedmedicine.org/is-there-a-role-for-an-art-of-medicine-in-science-based-practice/?utm_source=feedly&utm_reader=feedly&utm_medium=rss&utm_campaign=is-there-a-role-for-an-art-of-medicine-in-science-based-practice&gt;.
Acesso em: 25/6/2014.

A prática da medicina é uma arte, não um comércio; uma vocação, não um negócio; uma chamada em resposta da qual o seu coração e a sua cabeça serão igualmente solicitados.

A prática da medicina é uma arte, baseada na ciência.

O conceito de arte para descrever a prática da medicina surge com frequência e numa variedade de contextos. Logo no início de nossa educação médica, estamos expostos ao conceito e ao que ele supostamente significa,… Mas a arte da medicina é sempre pintada (trocadilho intencional) sob luz positiva. Admito que tenho uma opiniões marcantes, talvez influenciadas por meu envolvimento com o movimento da medicina baseada na ciência e uma exposição igualmente precoce durante a minha formação médica a mestres na prática baseada em evidências e ao uso do pensamento crítico na abordagem da assistência ao paciente …

O que é a arte da medicina?

Esta é uma pergunta que muitas vezes me fiz. Nestas horas freqüentemente me lembro de como os políticos são apresentados ao público em programas de rádio e televisão: “O Candidato Jenkins é a favor das coisas boas e contra as coisas ruins!”, Ou a favor do mal e contra o bem, se ele cair no outro lado do espectro político. Mas os apresentadores realmente não dizem nada sobre o candidato como pessoa. De forma semelhante, ao falar da arte da medicina quase sempre focamos nos aspectos positivos. Sempre um Rembrandt, nunca um Bush.

Segundo Sharon Bahrych, médica assistente baseada em Denver,…, a arte da medicina envolve vários componentes:

  1. Cuidar dos pacientes, mostrando sincera preocupação e compaixão
  2. Dar tempo aos pacientes, não realizando o exame clínico de forma apressada, ser paciente com eles, desenvolvendo boa atitude a beira do leito.
  3. Utilizar os algoritmos da medicina baseada em evidências como uma diretriz, aplicando-os a todo e cada um dos pacientes que vemos. Entender que cada paciente é um indivíduo que tem circunstâncias individuais que afetam suas vidas.
  4. Ajudar a cada paciente adquirir o melhor resultado que possam por si mesmos, trabalhando com eles, educando-os, e chegar a a uma solução mutuamente acordada para o plano de ação.

Isto está de acordo com a maioria dos exemplos de como a arte da medicina está definida. Trata-se de compaixão, comunicação, profissionalismo, respeitando a autonomia do paciente, tratando cada indivíduo como um floco de neve bonito e original, e não ter medo de sair de protocolo quando as coisas ficam nebulosas. Tudo isso soa muito bem e é difícil de contrapor.

O aspecto mais atraente da arte da medicina envolve a comunicação. Muito embora isso não seja tão importante se você é um excelente comunicador cheio de empatia e de amor com um paciente com diagnóstico de infecção no ouvido, o próximo paciente pode não ser tão simples. Como Harriet Hall escreveu certa vez: “A medicina não é uma arte como a pintura. Também não é uma ciência como a física. É uma ciência aplicada”. Embora eu muitas vezes, ironicamente, diga que um robô poderia realizar muito do meu trabalho com sucesso, ninguém quer que uma máquina diga que ele têm câncer. A aplicação da ciência ao paciente sempre vai precisar de um componente humano.

Existe um lado escuro da arte da medicina?

Se, como a Força no universo de Star Wars, a arte da medicina se manifesta como a nossa “compaixão, abnegação, autoconhecimento e iluminação, cura, misericórdia e benevolência”, então parece apropriado que haja também um lado escuro. Como a água toma a forma do recipiente que a contém, a natureza do fluido deste aspecto da prática médica permite uso indevido em mãos erradas. Há, afinal, uma “arte” que é mais do que apenas a prática médica. Os defensores da quiropraxia, acupuntura e naturopatia, para não mencionar todas as outras modalidades de medicina alternativa, incorporam uma linguagem semelhante em sua propaganda.

O lado negro da arte, por assim dizer, da prática médica é muitas vezes empregada como uma racionalização quando ignora a evidência estabelecida. A Medicina pode ser muito complicada, confusa mesmo, mas uma grande parte dela é realmente bastante simples…. E quando não podemos curar, muitas vezes podemos controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. Claro que existem lacunas em nosso conhecimento, mas elas estão encolhendo. A chamada arte da medicina muitas vezes prospera nessas lacunas, e isto pode ser uma coisa boa, mas é nelas que reside o maior potencial de dano quando entendidas como licença para fazer o que se quiser, independentemente da plausibilidade e da ciência básica.

O que muitas pessoas pensam como uma arte na medicina é a capacidade de fazer um diagnóstico. Mark Crislip certa vez se referiu a ele como um ofício ao invés de uma arte, mas eu simplesmente prefiro chamá-lo de reconhecimento de padrões. Dr. Crislip passou a elucidar ainda mais o seu conceito de arte da medicina:

“A arte na medicina pode se expressar como o pensamento em um dado caso que, ao longo do tempo, se move mais e mais do nível de consciência de um estudante de medicina terceiro ano para o nível subconsciente de um médico experiente. Reconheço sutilezas e achados importantes mais rápido do que os novatos ou inexperientes.”

Certamente sempre haverá exceções onde os pacientes não se apresentam, de tal forma que um protocolo aplicável seja facilmente escolhido ou mesmo disponível, e o diagnóstico por vezes nos escapa. Os pacientes nem sempre respondem ao tratamento como nós esperamos. Mas temos de ter cuidado com a prática baseada na experiência que se concentra demais na individualização. Sem a devida cautela e consciência dos muitos preconceitos e erros de percepção que nos afligem, pode não ser sempre clara a diferença entre o reconhecimento de padrões subconsciente do perito e o conceito falso de intuição médica.

No mundo da medicina alternativa, a complexidade da medicina é trocada pela simplicidade da pura invenção e generalização excessiva…, mesmo enquanto estiver atacando medicina por não ser holística o bastante. Embora possamos discutir sobre o papel que a arte tem na medicina, isto é realmente tudo o que os médicos alternativos têm para oferecer, com raras exceções. E assim exemplos de nossa dificuldade ocasional em aplicar o que sabemos ao paciente individual, comumente servem de justificativa para ignorar inteiramente o progresso científico.

Os médicos não são imunes a isso. A arte da medicina é muitas vezes descrita como a maneira pela qual aplicamos a ciência ao indivíduo, mas isto levado muito longe pode servir como um escudo contra as críticas, um lugar para charlatães de todos os tipos se abrigarem contra as evidências. A arte da medicina é excessivamente usada como justificativa final para o que é simplesmente má prática médica.

Conclusão

Em minha opinião, a expressão “arte da medicina” precisa ser aposentada ou pelo menos ter uso mais restrito. Além de ser nebulosa, a ponto de quase perder todo o significado, e servir como terreno fértil para todos os tipos de abordagens falsas aos cuidados de saúde, para mim quase implica que deve haver algum tipo de habilidade inata para praticar a medicina que algumas pessoas têm e outras não. Eu não acredito que existam equivalentes médicos de Leonardo da Vinci ou Yo Yo Ma, virtuosos com habilidade que não podem ser adquiridas apenas pela prática .

Mas não devemos deitar fora o bebé com a água do banho. Embora eu certamente entenda o desejo de ter um conceito ideal e universal, acredito que seria melhor ser mais específico quando se fala sobre os aspectos importantes de ser um profissional de saúde eficaz, e mais honesto sobre quando na ausência de provas estamos fazendo uma hipótese razoável. Quando um profissional de saúde legítimo delineia como arte suas ações, ele dá credibilidade à um charlatão que faz a mesma coisa.

Boa comunicação, na minha opinião, se destaca como o aspecto mais legítimo da arte da medicina. Embora seja verdade que algumas pessoas têm um talento especial para isso, e mesmo que alguns médicos provavelmente nunca venham a se transformar em excelentes comunicadores, à grande maioria dos médicos pode ser ensinado como falar com os pacientes com competência. E habilidades sobrenaturais de comunicação não são assim tão necessárias na medicina.

Eu não sei se o saldo é positivo em concentrar-se na arte da medicina. Não sei se isto vale a pena. Talvez sim… No entanto eu me sinto muito confortável em dizer que certamente seria muito melhor nós nos concentramos mais no pensamento crítico durante a formação médica. Uma base sólida em ceticismo científico, muito provavelmente, diminuiria o potencial para o abuso da arte da medicina.

Estilos de Aprendizagem – Sua importância na Medicina

De forma crescente os educadores estão reconhecendo que o processo de aprendizagem é extremamente importante e que compreender o modo de aprender dos indivíduos é a chave da melhoria educacional. Segundo Griggs (1991) são abundantes as evidências de que o sistema educacional americano está comparativamente atrás do da Europa Ocidental e nações asiáticas para ensinar aos jovens os conhecimentos básicos e habilidades necessárias para competir na era de alta tecnologia. Diz ainda que o grande desafio para as escolas hoje é avaliar os estilos de aprendizagem característicos de cada estudante e prover meios para ensinar e aconselhar de acordo com estas características. Surge então o papel do conselheiro que é duplamente importante: como consultor de professores e como provedor de serviços de aconselhamento.

Importância na Medicina:

Segundo Kearsley (1998c), no caso particular do ensino médico, extensivo às profissões ligadas a área da saúde, estes aspectos assumem importância pelo fato dos altos custos praticados e fraco desempenho alcançado pelos estudantes (McGuire et al. 1983; Tosteson, 1979). Uma das características do conhecimento médico é a sua grande amplitude e constante e veloz mudança.

Os profissionais médicos têm que adquirir e lembrar de um grande número de detalhes, tornando críticas as técnicas de memorização. Teorias de Continuar a ler

Neurociência e Aprendizagem: A Língua no Cérebro

Sobre o alemão Peter Indefrey, bastaria dizer que ele é um dos mais respeitados neurolingüistas da atualidade e autor de vários livros e artigos sobre os processos cerebrais envolvidos na aquisição de uma segunda língua.

Porém, a linha mais peculiar em seu vasto currículo – para o público brasileiro, pelo menos – é o fato de ele ter trabalhado como médico em uma pequena cidade do Espírito Santo e ter aprendido português para entender as músicas cantadas por Gal Costa. “As pessoas de lá foram muito simpáticas, e eu vivi alguns dos melhores momentos da minha vida naquela época”, revela. Sua única decepção foi descobrir que, por aqui, bandas estrangeiras faziam mais sucesso que sua então Intérprete favorita.

Doutor pela Universidade Helnrich Heine (Alemanha), Indefrey é pesquisador do Instituto Max Planck para a Psicolingüístlca e do Centro F. C. Donders para Neuroimagens da Cognição, ambos na Holanda.

A questão da proficiência é, no momento, um dos temas mais quentes da neurociência de aquisição da segunda língua. Um ponto de Interesse desse tópico pode ser resumido na seguinte pergunta:

É possível falar uma língua estrangeira com a mesma desenvoltura com que se fala a primeira?

Para esse neurolingüista alemão, sim. Mas a resposta está longe do consenso entre especialistas.

E ter ‘ouvido’ para a música facilita falar uma segunda língua?

Quantas línguas nosso cérebro é capaz de aprender?

Há uma idade-limite para se falar outra língua sem sotaque?

O que dizem estudos neurolingüisticos sobre a chamada hipótese do período crítico [ou seja, a de que haveria uma janela temporal para se aprender uma língua]? É verdade que todas as crianças têm o prazo de 12 anos para adquirir uma língua? O que acontece realmente no cérebro depois disso?

O período crítico, assim descrito, é um mito. Nada se ‘encerra’. Em vez disso, o que pesquisadores como meu colega David Birdsong [da Universidade do Texas, em Austin (Estados Unidos) e, desde 2002, professor visitante do Instituto Max Planck de Psicolingüística, em Nijmegen] observam é um declínio gradual na proporção de pessoas que aprendem uma segunda língua e passam a falá-Ia com a mesma proficiência que têm na língua materna.

Mas sempre se achará alguém que fala uma segunda língua perfeitamente, mesmo que tenha começado a aprendê-Ia tardiamente. Esse declínio gradual começa em idades diferentes para aspectos diferentes da língua.

Para falar sem sotaque, é mais importante começar cedo. Já para ganhar vocabulário, mais importante do que a idade de início é a quantidade de tempo dedicada à aprendizagem. Não há, portanto, nenhuma mudança súbita no cérebro por volta dos 12 anos de idade.

O que pode acontecer é que, no decurso da aquisição da primeira língua, algumas regiões do cérebro se otimizam para as propriedades dela. Mais tarde, quando se aprende uma segunda língua, usam-se as mesmas estruturas, mas elas, então, já não são tão eficazes para outras línguas. É por isso que essas estruturas cerebrais tendem a ser mais fortemente ativadas quando a pessoa tem mais dificuldade em aprender outra língua, pois elas devem se esforçar mais.

Confira a integra desta entrevista exclusiva em: Ciência Hoje, vol 41, no. 242, pg 10-13.