Como elaborar flashcards? Parte II

Pedro Henrique Maraglia
Mestrando em Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Como fazer um flashcard?

Fabulous-Flash-Card-Template-Download (1)É simples, você precisa apenas de papel, caneta, talvez uma tesoura, e claro ter estudado antes. Você pode comprar pequenos cartões encontrados em papelarias, podendo ser coloridos, ou não, isso fica a seu critério. Você pode também usar folhas de papel oficio A4 e cortar os cartões da forma que desejar. Você pode ainda fazer os flashcards em aplicativos ou programas de computador, com o Flashcardpro®, Supercard®. Ou em sites, como o Goconqr.

A logica de construção dos flashcards é simples. Você pode, por exemplo, fazer um flashcard sobre uma palavra. Você pode utilizar qualquer palavra, por exemplo, “Paralelepípedo”.  Neste caso o seu objetivo é fazer com que essa palavra possa ativar sua memoria, de forma a acessar informações que se relacionam com a palavra escolhida, como em nosso exemplo, “Paralelepípedo” pode estar relacionado com a seguinte informação “formado por seis faces, sendo que duas são idênticas e paralelas entre si”, o que se pretende é que ao ler essa palavra você possa se lembrar desta informação.  Então em um dos lados do papel você escreve a palavra, e este lado será considerado como a frente, e no verso você escreve informações referentes a esta palavra.

Sem título

Outra forma de construção dos flashcards pode ser uma pergunta, por exemplo, quem descobriu o Brasil? Nesse caso a pergunta tem a mesma função da palavra, ativar sua memória para que você possa acessar alguma informação, neste caso do exemplo, “quem descobriu o Brasil? ”Em um dos lados você escreve uma pergunta, e este lado será a frente, e no verso, você adiciona a resposta para essa pergunta.

Sem título

Note que você pode moldar os flashcards de acordo com sua necessidade. Use palavras, perguntas, imagens, equações ou esquemas. O importante é que você obedeça a estrutura básica. De um lado aquilo que vai funcionar como uma solicitação à sua memória, e do outro o conteúdo com o qual você vai confirma se o que você lembrou era mesmo aquilo.

Como utilizar?

Há varias formas de utilizá-los. A escolha entre uma ou outra depende do conteúdo a ser estudado e de suas possibilidades e recursos, entre outros. Aqui sugerimos uma que é muito simples e rápida. Se você achar útil, mais tarde poderá experimentar outras maneiras de usá-los.

O flashcard individual

Como você já leu, o flashcard é um cartão que na frente tem a o tema e no verso a explicação do tema. Então o objetivo é a partir do que está na frente relembrar o que está no verso. Então:

  1. Leia a pergunta ou palavra escrita na frente do flashcard atentamente: Aqui você deve ativar a sua memória de maneira a buscar a informação relacionada com a palavra ou pergunta. Tente relembrar das informações relacionadas a aquela palavra ou pergunta. Você pode fazer isso mentalmente ou em voz alta. Nesse esforço você vai associando a palavra ou pergunta com a informação, e assim você irá fortalecendo a memorização das relações. Faça isso com calma, pois, não adianta pressa e fazer algo de qualquer maneira, sua memória as vezes precisa de tempo.
  2. Após tentar relembrar as informações, confira no verso se acertou ou errou, aferindo seu rendimento. Mas não pare por aí. Acertando ou errando procure memorizar a resposta correta. Repita mentalmente (ou em voz alta)> Isso é muito importante.

flashcards homeopatia

O flashcard em conjunto

Como você viu, a tarefa é simples. Ler e ativar a memória. Isso acontece sempre que você tem um flashcard na mão. Mas note que você provavelmente fará muitos cartões. Então agora você precisa ter uma maneira de utilizá-los ordenadamente. Então:

  1. Estude o assunto antes: É claro, não é? Como você vai construir os cartões se não sabe nada do assunto? Você não precisa saber o assunto profundamente, mas um mínimo que te permita fazer as perguntas e as respostas. Ah! E só para lembrar; enquanto você está fazendo os cartões está também aprendendo. Ok?
  2. Crie o conjunto de cartões: Crie conjuntos específicos por temas. Não será eficiente se você criar centenas de cartões sobre tudo o que você precisa e depois tentar utiliza-los todos ao mesmo tempo. Os conjuntos devem ser sobre um tema específico e ter um tamanho manipulável. Qual é esse tamanho? 10? 20? 30? Isso depende do assunto e da sua memória. Ok?
  3. Coloque os cartões em ordem: Esta ordem depende da estrutura do assunto e de como você acha melhor memorizar.Flashcards-Conjunto de cartões
  4. Use os cartões: Da maneira que já descrevemos. Lendo o tema e tentando responder às perguntas. Comece do início e vá até o final.
  5. Separe os cartões: Faça dois montes. Em alguns cartões você não lembrou não acertou a resposta. Estes vão para o primeiro monte. Os outros ficam no segundo monte.Flashcards-Conjunto de cartões-Lmbrados e esquecidos
  6. Reveja rapidamente o monte dos cartões esquecidos: Para estes, você dedica especial atenção. Faça cuidadosamente o esforço de ler e buscar a resposta. Os cartões lembrados  vão para o segundo monte. Os esquecidos retornam ao primeiro.
  7. Reveja rapidamente o monte dos cartões lembrados. Você já sabe. Ler e responder agora, é só para reforçar a memória.

Então terminou? Sim. Por agora. Mas o estudo se faz em ciclos. Você faz estes 7 passos em vários períodos, repetido as etapas. Você pode ainda, se julgar interessante, embaralhar os cartões entre um ciclo e outro, mantendo os montes separados, é claro.

Mas só um detalhe: Do segundo ciclo em diante comece pelo monte dos cartões esquecidos. Idealmente repetição após repetição, o monte dos cartões esquecidos vai ficando progressivamente menor.

Ainda mais, pode haver um momento em que tudo fica no monte dos cartões lembrados. Aí chega a hora de você avaliar se cabe então fazer novos cartões , aprofundando ou ampliando o conteúdo do conjunto. Ok?

Lembre-se

  • Cada cartão deve conter apenas uma pergunta ou palavra, para você não confundir sua memória.
  • Seja sintético, e valorize o que é realmente importante, um flashcard não deve conter um capítulo de um livro, pois, são maiores as chances de que você esqueça algo quanto maior for o número de informações.
  • Utilize um formato que você compreenda, faça seus próprios flashcards, isso é importante, por que você os constrói de acordo com seu próprio funcionamento, otimizando a utilização dos flashcards.

Lembre-se de atualizar o conjunto de flashcards, mas em que sentido? Você já confeccionou uma série de flashcards para uma determinada disciplina, e pretende continuar utilizando a estratégia com flashcards, continue fazendo os flashcards no decorrer do avanço do seu processo de estudo.

Ao fazer os flashcards você pode gastar uma pouco de tempo, afinal, você tem que por a mão na massa, mas, este esforço provavelmente irá valer a pena, visto que você pode melhorar de forma significativa seu rendimento.

Utilize, e faça proveito desta ferramenta.

Leia também:

O que são flashcards? Parte I

Raciocínio Clínico: por que é tão necessário ao aprendiz em saúde?

Márcia Regina de Assis
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em
Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES).

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

duvidaDe forma geral, o raciocínio clínico é o processo usado por profissionais da área da saúde para refletir e planejar o tratamento do paciente, ou seja, é a tomada de decisão. Serve para orientar e conduzir da melhor maneira possível o tratamento do paciente. É uma função essencial da atividade dos profissionais da saúde. Sem o raciocínio clínico será muito difícil chegar a um diagnóstico, e mais que do que isso, será impossível a condução do tratamento do paciente, seja ele o tratamento fisioterapêutico, fonoaudiológico, terapêutico ocupacional, médico ou de enfermagem.

Durante a graduação os alunos dos cursos da área da saúde, em algum momento aprendem ou pelo menos ouvem falar sobre o raciocínio clinico. No entanto, nem sempre é fácil entender como esse raciocínio será utilizado durante a vida profissional.

Para que o raciocínio clínico seja eficiente não pode haver dicotomia entre a prática e a teoria. É preciso aprender a unir essas duas instâncias para realizar a tomada de decisão.

Não é uma tarefa fácil, mas existem algumas estratégias que podem facilitar esse processo de promoção do raciocínio clínico. Por exemplo:

  1. Realize de exercícios práticos de casos clínicos – sabe aqueles exercícios que muitos livros didáticos, como os de semiologia e os das disciplinas aplicadas, apresentam ao final de cada capítulo? Eles contribuem muito para o processo de desenvolvimento do raciocínio clínico.
  2. Faça esses exercícios utilizando a técnica de mapa mental(*), assim ficará mais clara a visualização de seu processo cognitivo;
  3. Leia prontuários (se já estiver no estágio ou na residência) de forma cronológica. Leia os prontuários sempre fazendo perguntas sobre o porquê de cada decisão tomada. Pense se você tomaria decisão diferente e discuta com o seu professor/preceptor/tutor;
  4. Após (ou durante) a leitura destes prontuários pense em pelo menos mais uma hipótese diagnóstica adicional. Então compare suas semelhanças e diferenças.
  5. Sempre tire suas dúvidas com seu professor. preceptor ou tutor.

O raciocínio clínico depende muito da integração entre o conhecimento teórico e o prático do profissional. Por isto, ao aprendiz é fundamental a leitura crítica dos capítulos de livros acadêmicos, de artigos com evidências científicas, reavaliação constante do aprendizado em sala e muita atenção no campo de estágio e/ou residência.

Se você já é um acompanhante deste blog, sabe que a metacognição ajuda muito nesse processo de aprendizado. Se for a primeira vez que entra aqui, sugiro a leitura dos seguintes posts:

O que é aprender a aprender? Uma metáfora;
Identificação de Eventos metacognitivos presentes em mensagens de membros de uma comunidade virtual de Enfermagem

Boa leitura!

Referência:

Gabinete de Educação Médica da Faculdade de Medicina. Universidade de Coimbra. Estratégias de promoção do raciocínio clínico. Essências Educare. https://www.uc.pt/fmuc/gabineteeducacaomedica/fichaspedagogicas/essencias_n18

(*) Para saber mais sobre mapas mentais clique aqui e acesse uma das aulas do Professor Mauricio Peixoto.

Cédric Villani fala sobre Educação Matemática

Saiu no Globo de 14/08/2012. Li, gostei e trago para vocês um extrato da entrevista. Há um grifo meu em determinados trechos, que considero mais relevantes. Quem sabe você concorda comigo…

A entrevista:

digitalizar0001Um dos maiores gênios da matemática, o francês Cédric Villani foge do estereótipo do professor sisudo. Visual extravagante, que lhe rendeu a alcunha de “Lady Gaga da matemática”, o ganhador da Medalha Fields de 2010 – o equivalente ao Prêmio Nobel de sua área – está no Rio para fazer uma conferência no Instituto de Matemática Pura e Aplicada. Em entrevista, ele se disse encantado com a cidade.

• O senhor também mencionou a necessidade de atrair os jovens para a matemática. Com fazer isso diante do fato de a maioria dos estudantes, e das pessoas em geral, ter “medo” de matemática e dos estudos de ciências em geral?

Este é realmente um dos maiores perigos que devemos temer. Primeiro temos que reconhecer que as pessoas aprendem e usam a matemática há milhares de anos, então temos várias ferramentas pedagógicas que são boas e funcionam. São muitos os sistemas usados e hoje temos a possibilidade de compará-los e experimentar. Outra coisa que as pessoas tendem a esquecer é que na pedagogia o melhor método costuma ser aquele que é o preferido do professor; o que ele ou ela desenvolveram por si próprios e sabem por experiência própria que seu sistema funciona. No fim, o que importa é a relação entre os alunos e o professor. Os professores mais motivadores que encontrei na escola eram os que tinham seu próprio estilo, seus próprios exercícios e que davam mais atenção para os alunos que se mostravam mais interessados. Eram os que realmente gostavam da matéria que ensinavam, e isso é motivador. E na matemática, embora alguns princípios sejam importantes, deve-se ter paciência. A matemática não é algo natural para nós. Nossa maneira de pensar é baseada em emoções, sentimentos na identidade visual e no contato com as pessoas, e não na lógica matemática. Esta lógica foi desenvolvida por várias civilizações ao longo do tempo e chegou a nós com esforço. Temos que lembrar disso e que leva tempo para entrarmos no espírito da matemática. E o mais importante na educação matemática não é o

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MentoMob – Uma lista que ensina

Uma “Playlist” comum é uma lista de músicas que você gosta e compartilha com outras pessoas. As listas do MentorMob são diferentes, são uma ferramenta de ensino.

Suponha que você quer ensinar uma coisa que está na web, só que espalhada por vários lugares. E que nestes vários lugares há informação com diferentes níveis de complexidade e formatos.  Então você cria uma lista destes lugares. Configura a sequência que eles devem ser vistos e dá algumas orientações que você acha pertinentes. E aí voce compartilha com o seu aluno o endereço da lista.

O que o seu aluno vê, não é uma lista simples, mas um conjunto de telas nas quais em sequência, como se fosse uma apresentação de slides, aparecem todos os sites, documentos, vídeos e etc. que você definiu. O aluno controla as idas e vindas, e ecebe orientações que você achou adequado colocar.

MentorMob

Como você vê, a “playlist” do MentorMob é quase um tutorial sobre o assunto que você quer ensinar. Inclui ainda vários recursos de compartilhamento e diálogo.

Gostei!

 

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Copiar ou prestar atenção? Relações entre termos correlatos

No post da semana passada terminamos uma etapa importante. Ensinanos como fazer a Atitude Mental de Atenção. Com isto você já se capacitou para fazer o que prometemos desde o início desta série: Prestar atenção!

No entanto, há alguns alertas que devemos fazer. Isto porque frequentemente confundimos a atenção com outras coisas bem diferentes. E quando isto acontece, nem prestamos atenção nem obtemos estas outras coisas. Mais que isto, às vezes, esperamos da atenção benefícios que ela não pode dar.

Por isto hoje trabalharei com vocês três palavras que que podem ser um problema para quem quer prestar atenção. São elas:

  • Memória
  • Interesse
  • Compreensão

Memória e atenção

Do que foi dito até agora, pode parecer que a construCapturar018ção das formas mentais é uma técnica de memorização. É razoável imaginar que eu internalizo uma informação ela estará disponível sempre que necessário. Mas isto não é verdade. Quantas vezes não conseguimos lembrar-se de algo que já soubemos, até com muita profundidade?

Você dirá: Claro, há coisas que não uso há muito tempo e com isto a memória vai se “apagando”. E você estará certo. A prática é uma forma muito eficaz de memorizar. Mas isto nos leva à uma característica essencial da memória e que a diferencia d atenção.

Quando nos lembramos de algo, o fazemos por conta de duas coisas:

  1. Este algo já estava dentro de nossa mente e;
  2. de alguma maneira conseguimos trazê-lo à consciência.

E é esta a diferença. Na atenção apenas introjetamos o objeto. Na memorização o objeto já introjetado é trazido de volta à consciência.

Outra forma de discriminar um termo do outro é ressaltar que na atenção temos em nossa presença o objeto a ser apreendido. Ele é algo do mundo externo e para fazê-lo existir na mente, construo a forma mental correspondente. Já na memória não: o objeto não está mais no mundo externo (pelo menos não na minha presença). Ele existe apenas como forma mental.

Na atenção fazemos existir mentalmente algo que lá estava ausente. Na memória este algo já existe; nossa tarefa é recuperá-lo.

Outro ponto importante, é que a atenção é indispensável para a memória. Se a memória recupera uma forma mental pré-existente, é por meio da atenção que ela é construída. Não é possível memorizar sem a atenção anterior.

Por exemplo, se você está em sala de aula e o professor está explicando um conteúdo, cabe primeiro atentar para ele (construir a forma mental), e isto durante a aula. Já na hora da prova, longe da explicação do professor você precisa exercitar a memória (recuperando a forma mental criada pela atenção)

Assim temos:

  • Atenção = Presença do objeto + Construção da forma mental correspondente.
  • Memória = Ausência do objeto + Recuperação da forma mental pré-existente.

Esta diferença tem consequências práticas. Sendo diferentes as tarefas – construir e recuperar as formas mentais – são também diferentes as operações mentais que as executam. O propósito deste capítulo é ensiná-lo a praticar a atitude mental de atenção. A atitude mental de memorização é tema de outro texto.

Gostar do assunto (Interesse) e Atenção

Segundo o Aurélio; interesse é “estado de espírito que se tem para com aquilo que se acha digno de atenção”. É portanto resultante do valor que se dá a algo. É só após isto que surge a atenção, Eis aí uma primeira distinção. Outra definição da mesma fonte: “qualidade do que retém a atenção, que prende o espírito”. Isto é é algo que atrai, que prende a atenção. Não é ela própria a atenção.

Que não se negue a importância do interesse. Para atentar, já disse antes, é preciso valorizar o mundo apreendido. Quando gostamos de algo, tudo é mais fácil. É muito importante queo professor motive os seus alunos. Sem saber o valor dos conteúdos apresentados, é difícil que se sintam atraídos por ele.

Qual a função do interesse?

Mas a questão aqui é outra. Afirmo que o interêsse não é suficiente para que o aluno aprenda. Se o caminho é aplainado por ele, o aprendizado começa a ocorrer apenas no momento da atenção. Tomemos um exemplo de La Garanderie: Capturar019

“Filipe é apaixonado por motos. Observa-as, assiste corridas, vai a oficinas. Lê revistas, coleciona fotos. Fala sobre elas o tempo todo, com seus amigos e com quem mais estiver por perto. Questionado, sabe tudo sobre elas. E por quê este desempenho? Porque dado o seu interesse está atento a tudo o que se refere a elas.”

Nos termos deste texto, está constantemente criando formas mentais do objeto do seu interesse. Tem imagens mentais das motos, relembra corridas importantes, executa em sua imaginação os movimentos do piloto de sua preferência. Assim é que por conta do seu interesse criou espontaneamente uma “biblioteca mental” sobre o assunto. E. quando questionado, basta recuperar a forma mental pertinente[1].

O que chama a atenção neste exemplo é a criação espontânea das formas mentais. Aqui o interesse foi o ponto de partida, mas o desempenho de Filipe não se deu apenas em função do seu interesse por motos, mas porque desenvolveu em relação à elas o hábito de regularmente criar formas mentais dos objetos do seu interesse.

Agora tomemos outro exemplo.

Suponhamos que João não tenha qualquer interesse em motos, mas que por conta do destino empregou-se em uma loja de vendas de motocicletas. Ele não se interessa por elas, nem mesmo gosta, mas sabe que do seu conhecimento e da sua capacidade de se relacionar com os amantes do veículo, depende seu desempenho como vendedor e, portanto o seu sustento.

A diferença está na atenção!

Agora João se comporta exatamente como Felipe, lê as revistas, assiste à corridas, fala com pessoas, etc. Como Felipe, cria as formas mentais adequadas. Como Felipe, portanto, aprende bastante sobre motos, porém não por prazer, mas apenas pelas suas necessidades profissionais. De novo, assim como Felipe a razão para o seu desempenho não foi o interesse, muito pelo contrário, mas sim a criação de formas mentais.

Em defesa do papel do interesse, é provável que Felipe e João se comportem de forma diferente ao longo do tempo. O desempenho de Felipe, provavelmente se manterá alto durante longo tempo, já que ele gosta de motos. Já o de João, provavelmente desaparecerá tão logo ele troque de emprego. Afinal, ele não gosta delas, aprendeu apenas para poder ganhar dinheiro.

Compreensão e Atenção

Parece, às vezes, que basta prestar atenção à aula para compreender um assunto. Basta que o professor explique direito o tema, para que o aluno compreenda. É como se a compreensão fosse uma consequência direta e automática da aula e atenção adequadas.

Neste sentido então, quase se iguala atenção à compreensão. Isto se deve em parte ao desconhecimento das operações mentais específicas à cada tarefa. Já nos referimos à atitude mental de atenção. Vejamos agora o que se passa durante o processo de compreender.

É comum em sala de aula que o professor pergunte aos alunos se compreenderam o que foi dito. Mas o que é compreender? Quando na dúvida, o professor costuma testar a compreensão fazendo perguntas ao aluno sobre o que foi dito. Talvez isto já tenha acontecido com você. As respostas em geral, situam-se em quatro categorias. O aluno: Capturar020

  1. Não se lembra de nada.
  2. Repete “ipsis literis” o que foi dito, mas não consegue explicar o que foi repetido.
  3. Repete e explica.
  4. Repete, explica e completa a explicação fazendo ligações com assuntos correlatos.

Estas quatro categorias dão ao professor uma ideia do que se passa na mente do aluno. Da mesma forma podem dar a você uma indicação do seu grau de aprendizado sobre um assunto específico.

No primeiro caso, o aluno nada sabe. Significa dizer que a aula “não entrou” na sua mente. E, do ponto de vista específico deste texto, não houve a construção das formas mentais. Se nada existe, então nada pode ser recuperado. Logo, ele “Não se lembra de nada.”. Neste sentido então, não houve atitude mental de atenção.

No segundo dizemos que há informação, mas o aluno não sabe o que ela significa. Por isto ele repete sem conseguir explicar. Não houve, neste caso o conhecimento. O aluno não consegue responder às perguntas do professor E isto só se dá no terceiro caso quando a repetição se associa às respostas corretas, frequentemente dadas com suas próprias palavras. É neste momento que o professor (e também você) pode perceber que o aluno conhece o assunto.

Mas compreender vai além de conhecer. Quando compreende, você tem consciência sobre quatro aspectos metacognitivos:

  1. O que você sabe sobre o assunto.
  2. O que não sabe e precisa saber.
  3. Como se relaciona tudo o que você sabe, não sabe e precisa saber.
  4. E finalmente como o que você sabe se relaciona com outros conhecimentos correlatos.

Se as resposta de uma pessoa revelam o seu conhecimento, são as perguntas que indicam a compreensão. Avaliar a compreensão de alguém é analizar a percepção e profundidade de suas perguntas, E esta é uma ferramenta que tanto você como o seu professor podem usar.

Assim, podemos dizer que compreender é uma ação mental onde você torna explícitas as relações entre o todo e as partes. E você sabe que está fazendo isto quando tem respostas para perguntas do tipo: Para que e porque isto se dá; como ocorre, quais seus benefícios, etc.

Por isto fica claro que compreender não é prestar atenção. Na atitude mental de atenção, já dito, você faz existir mentalmente (por meio de formas mentais) um conteúdo que originalmente estava no meio externo.

Mas uma vez criadas as formas mentais, é necessário todo um processamento para gerar o conhecimento e posteriormente a compreensão. Nos termos deste texto, compreender é estabelecer as ligações entre as formas mentais atuais (as que se referem ao conteúdo que está sendo ministrado no presente) e as anteriores (formas mentais de conteúdos passados). Ainda mais, significa usar o seu raciocínio para destas relações, tirar consequências.

Fica claro então a diferença entre a atenção e a compreensão. Mas fica também explícita a função da atenção na compreensão.

Para compreender é preciso atentar

Para compreender é preciso atentar: “Cumprehendere é “tornar para si” ; é também “ter o sentido de”. Há portanto a necessidade prévia de trazer para consciência o objeto a ser compreendido. A ausência da atenção determina a ausência da compreensão. Sem a matéria prima, não há como obter o produto.

Entendeu?


[1]  Reitere-se aqui o que já dissemos sobre a metáfora da memória-arquivo; didaticamente forte, mas imprecisa à luz da literatura corrente.

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Hoje terminamos o ato de prestar atenção. Mas a série continua! Se agora você já pode ficar atento, está na hora de trabalhar o ANOTAR. Lembra que no início mostramos que Copiar era impossível e que o melhor era anotar?

Então nos vemos na próxima semana!

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Copiar ou Prestar Atenção? A Estrutura da Atitude Mental da Atenção

Como prometi no post da semana passada, hoje inicio a mostrar como objetivamente prestar atenção.

No início desta série apresentamos o conceito de “prestar atenção” como uma atitude. Uma atitude que envolvia:

  • ficar olhando para o professor,
  • pensar naquilo que ele diz,
  • fazer um esforço para se concentrar,
  • não pensar em outros assuntos,
  • e outras coisas semelhantes.

É bem verdade que quando você está atento em geral você olha para o professor, pensa no que ele diz e etc.  Mas o problema aqui é que estas atitudes são eventos externos e secundários ao verdadeiro ato da atenção. São consequência de algo. E tanto isto é verdade, que se você está desatento, não consegue tomar estas atitudes. Mas se está atento elas estão presentes sem que você precise se preocupar com elas. Elas surgem “naturalmente”.

Na verdade estas atitudes não são naturais no sentido de surgem sem causa. Mas você pode toma-las como “naturais” na medida em que surgem sem esforço porque consequentes de algo que lhes antecede: A Atitude Mental de Atenção.

Ter Intenção – O Projeto de fazer o necessário.

Você talvez tenha percebido que desde que iniciei este texto dei muita importância a consciência, seja no sentido de perceber o mundo à sua volta, seja na intenção de fazer algo. E este é o ponto de partida da Atenção. Note que usei o termo intenção. Poderia ter escolhido desejo? Vontade?

Acho que não. No desejo você apenas quer que algo aconteça. Na intenção você se compromete a fazer o que é necessário para atingir o objetivo. A diferença aqui está em dois aspectos. Um, já dito, é o compromisso. Mas o outro é a clareza do necessário. O seu compromisso é com um conjunto de ações, que você sabe quais são e como fazê-las.

Isto é, sua intenção é um projeto que descreve objetivamente tudo o que você fará e como vai fazê-lo. Mas como fazer isto?

Por meio de uma ordem mental para você mesmo. Por exemplo; procure lembrar-se de uma circunstância qualquer em que você teve que fazer algo difícil e muito complicado. Provavelmente antes de fazer, você repassou na sua mente tudo o que deveria fazer. E você fez isto às vezes “vendo”, às vezes “dizendo” para você mesmo tudo o que deveria ser feito. Não foi mais ou menos assim?

É isto o que me retiro como “ordem mental”. Assim, para dar início à. Atitude Mental de Atenção, diz para você mesmo:

1. Que vai executar a atitude.clip_image002[5]

2. Quando vai executá-la (durante a aula ou palestra).

3. Como vai fazê-la (descreve os procedimentos necessários).

Uma sugestão que dou é enunciar mentalmente, pouco antes da aula estas três etapas. Algo como: “Na próxima aula eu vou prestar atenção. Isto é, vou usar as formas mentais para construir na minha mente o conteúdo da aula.”

Note que este detalhamento, na realidade, só é necessário no início, quando você está aprendendo. Depois, o processo todo vai se automatizando. Progressivamente a ordem mental vai se tornando mais sintética. E é possível que ao final ela não passe de uma rápida lembrança do tipo:”- Atenção!”.

Mas note que neste caso, dizer para si “Atenção!” não foi uma mera redução; foi um adensamento. Com aquela única palavra, você continua dizendo tudo o que dizia antes, apenas não precisa falar tanto.

Fazer existir mentalmente o conteúdo (Formas mentais):

Ao ler o texto, talvez você já tenha se perguntado sobre como fazer para internalizar o conteúdo da aula. Além disto, ainda pouco falei de “formas mentais”. O que é isto?

Isto nos leva a uma questão maior. A realidade externa; por exemplo, o que o professor diz ou faz, acontece fora de nós. E para tornar este conteúdo próprio, é necessário que ele passe à existir dentro de nós. Então é legítimo que nos perguntemos sobre como a mente faz para internalizar estes conteúdos.

clip_image004[5]Responder a esta pergunta é ainda tarefa para a pesquisa científica e filosófica. E há no momento variadas respostas, sobre as quais não há acordo universal. Discuti-las foge do escopo deste texto.

Mas há uma que se não é muito precisa, tem a vantagem de ser didática. E ainda mais nos ajuda a resolver o seu problema prático de prestar atenção em aula. Esta resposta é: A mente internaliza a realidade externa por meio de representações mentais. Isto quer dizer que se eu sei reconhecer uma cadeira, é porque eu criei para mim mesmo uma “cadeira mental”, ou seja, uma espécie de “fotografia mental” desta cadeira. E é esta foto a que posso usar para comparar o que vejo com o que já possuo na mente e assim dizer se o objeto a minha frente é uma cadeira ou outra coisa.

Assim, para prestar atenção você precisa internalizar os conteúdos da aula. E isto só é feito quando você os faz existir internamente. E eles só existem sob a forma de representações mentais. E as representações mentais existem na sua mente como formas mentais que são semelhantes ao conteúdo externo. Portanto agora tenho já uma definição:

Atitude Mental de Atenção é o processo de criação de formas mentais dos conteúdos a serem aprendidos.

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Agora que você já sabe que para ter a Atitude Menta de Atenção, aguarde a próxima semana quando mostrarei a você o que é uma forma mental.

Até lá!

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Copiar ou prestar atenção ?

MP900443316[1]Um problema:

Não sei quanto a você, mas ao longo da minha vida de estudante sempre tive um grande problema: copiar OU prestar atenção. Eu assistia as aulas e a maior parte do que eu deveria aprender (e “caía” na prova) era falada pelo professor. Logo, obviamente eu deveria copiar para o caderno para poder depois estudar (frequentemente na véspera da prova).

Mas o que acontecia era que eu não conseguia acompanhar o professor em tudo o que ele falava. Tentava escrever e me perdia no caderno. Pelo menos para minha velocidade de escrever, os professores falavam rápido demais. E assim quando terminava de descrever uma ideia, o professor já estava muitos conceitos à frente na explicação e eu completamente perdido.

Mais que isto; quando conseguia copiar aula, o fazia de forma tão automática que mal percebia o que estava sendo dito. Ao chegar em casa e tentar estudar, tinha dificuldades. Isto porque eu havia copiado as ideias e às vezes as explicações; mas como não havia prestado atenção na aula, já que a estava copiando, então entender o que havia escrito era um desafio. A “salvação da lavoura” para mim era quando topava com um daqueles raríssimos professores que primeiro escreviam tudo no quadro (dando tempo para o aluno copiar) para só depois começar a explicar.

Para mim, copiar a aula era uma tarefa insana, e por isto volta e meia desistia de fazê-lo para dedicar-me apenas a prestar atenção na aula. Nestes períodos as aulas ficavam muito mais tranquilas. Entendia o que estava sendo dito e acreditava ter aprendido o assunto. Mas quando chegava a casa para estudar e ainda mais nas vésperas das provas descobria que não me lembra de quase nada da aula. E para piorar, não tinha nenhum recurso para ajudar a memória. Afinal, o caderno estava em branco (ou quase).

Durante todo o meu segundo grau vivi este conflito, de resolver um problema, apenas para cria outro. Sim, porque se copiava, eu tinha material para estudo posterior, mas como não prestava atenção, não conseguia estudar depois. Se prestava atenção, a situação se invertia; havia compreensão, mas logo depois esquecendo do que havia sido dito, ficava muito complicado estudar apenas com um caderno quase em branco. E assim durante longo tempo, vivi este conflito, tentando fazer ao mesmo tempo duas coisas para mim mutuamente excludentes.

Será que esta situação não lhe é familiar? Como disse no início do texto, não sei se especificamente você, mas em minha já algo longa vida de professor, tenho percebido isto como um problema muito comum. Portanto acho que se isto não ocorre com você provavelmente vê acontecer com amigos.

Uma descoberta:

Continuando minha história, fui inventado soluções. Ler mais os livros da disciplina, perguntar a colegas, estudar em grupo, etc. Mas uma delas acabou despontando como a mais prática. Lá para o final do segundo grau e início da faculdade, descobri um personagem importantíssimo: A Fanática Copiadora[1]! Embora alguns homens pudessem assim ser classificados, geralmente eram mulheres as ocupantes desta função. Eram colegas de turma dotadas da rara (e muito apreciada) capacidade de copiar com rapidez e eficiência.

Assim, durante algum tempo, uma fanática copiadora e uma máquina Xerox resolveram o meu problema. Durante a aula eu prestava atenção, confiando que antes das provas poderia “xerocar” o caderno da amiga. Ainda mais que na faculdade; livros, artigos científicos e eventualmente apostilas, assumiram um papel mais relevante que no segundo grau.

Mas como tudo muda, isto não funcionou durante muito tempo. Como disse, copiar com eficiência é uma qualidade muito rara. Ao longo do tempo a “minha turma” foi se reduzindo. No início da faculdade éramos 320 alunos, logo fomos subdividos em grupos de 40, com horários e disciplinas diferentes. No meu internato mais divisões e a turma reduziu-se para doze alunos. No mestrado seis e no doutorado dois alunos. E em algum ponto do caminho perdi minha fanática copiadora.

E assim progressivamente fui voltando ao início, ou quase. Isto porque ao longo do tempo fui descobrindo o “caminho das pedras”. Descobri que se por um lado era necessário registrar tudo o que era apresentado em aula, não era necessário copiar tudo o que o professor dizia.

Copiar e Anotar: Dá tudo no mesmo?

O que hoje para mim é óbvio, e talvez também para você; na época não parecia. Vejo hoje que isto continua não sendo óbvio para um bom número de estudantes. Vamos então explorar um pouco isto e logo depois explico a razão deste aprofundamento.

Peço então que você pense no que significa COPIAR. Agora pare alguns segundos e em um papel escreva as ideias que vêm à sua mente para o significado de COPIAR.

. . .

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. . . Pensou???

Bem, então vamos ao que o dicionário Houaiss[2] apresenta como significado[3]:

  • Produzir cópia de, por transcrição ou por imitação
  • Tornar a produzir, por qualquer processo de reprodução; reproduzir
  • Transcrever (trecho selecionado de texto, ou uma imagem do documento ativo) para a área de transferência, sem alterar o conteúdo do documento ativo

Os significados acima são de alguma forma, próximos aos que você pensou? Note que em síntese tudo se refere a que ao copiarmos algo a cópia é idêntica ao original. Chamo sua atenção para isto:

ORIGINAL = CÓPIA !

Agora então eu pergunto: É possível COPIAR uma aula? Isto é; produzir algo que seja IGUAL à aula que você acabou de assistir? Note que ao usar o termo igual, estou perguntando se é possível produzir algo que seja indistinguível do original. É possível produzir algo que você possa mostrar a alguém e esta pessoa possa acreditar que está REALMENTE assistindo a aula que você assistiu?

Acho que você concordará que não é possível. Mesmo que você filme a aula, o espectador saberá que está assistindo a um vídeo de uma aula que já ocorreu. Por melhores que sejam os dispositivos técnicos a serem usados, eles só permitirão uma experiência no máximo muito similar à aula verdadeira. O resultado será apenas uma referência ao original[4].

Assim, acho que neste momento você já está convencido que copiar uma aula é tarefa impossível. Mas se assim é porque usamos o verbo copiar para expressar aquilo que fazemos ao assistir uma aula? Sabemos lá no fundo o que significa copiar. Mas também e ao mesmo aceitamos fazer algo que não é copiar. Aceitamos uma coisa que é uma “meia-sola” do copiar. Ou seja “copiamos” uma aula –  na medida do possível.

Assim, sem nos darmos muita conta do que que fazemos, aceitamos dia após dia executar uma missão impossível. Pode não parecer, mas isto cria um conflito cognitivo e emocional no estudante. Daí as resistências em relação à tarefa. Quem, exceto heróis de cinema, aceitam em sua rotina executar missões impossíveis (e as realizam com sucesso)?

Uma solução possível é utilizar outro verbo: Anotar. Você ou seus amigos talvez usem copiar e anotar como sinônimos. E aí neste caso a missão deixa de ser impossível. Sabe por quê? De novo o Houaiss que nos diz que anotar obviamente é fazer uma anotação e esta significa[5]:

  • Indicação; escrita breve; apontamento, nota, chamada.
  • Série de comentários gerais sobre produção literária, artística ou científica; observação.

Então perceba que anotar não é copiar.

Copiar é passivo, exige do estudante uma atitude de mera reprodução. O que diz o professor é para ser escrito e ponto final. Nada mais. Aliás, o aluno NÃO pode colocar na cópia nada que já não tivesse sido dita pelo professor na aula. Da mesma forma, não pode dela retirar nada. Nos dois casos seria uma distorção do original.

Ao contrário, anotar envolve uma série de ações do aluno para extrair da aula alguns aspectos. Anotar é então uma ação ativa. Implica em uma participação do estudante. Exige sua crítica ao discurso do professor, para selecionar o que é importante e o que não é. Demanda ainda uma decisão do aluno no momento de organizar no papel as informações selecionadas. Ele precisa pensar e decidir tendo em vista o tipo de aula e professor, conteúdo, suas características pessoais, e objetivos futuros da anotação.

Assim; a grande mensagem deste post é que você deve parar de copiar e passar a anotar. Para isto pensar sobre você e seus objetivos para então  produzir as SUAS observações sobre a aula que está assistindo.

Como fazer isto é o que ensinarei nos próximos posts.

Até lá!


[1] Antes que seja criticado enfatizo que na época não usava e hoje também não uso este termo como pejorativo, Atualmente, não acho que esta seja a melhor solução, mas acredito que neste mundo real, para as pessoas que vivem o dilema de copiar ou prestar atenção, ser amigo de uma fanática copiadora é extremamente valioso.

[2]http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=copiar&x=11&y=17&stype=k em 06/11/2011

[3] São vários, mas cito aqui o s mais relevantes.

[4] Note que não estou aqui valorando diferenças entre original e cópia. Não importa aqui que uma ou outra pessoa prefira o vídeo da aula que a própria. Aui, isto não importa. O que procuro enfatizar é a diferença reconhecível entre o original e o que se apresenta como cópia.

[5]http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=anota%E7%E3o&stype=k em 06/11/2011

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