Estilos de Aprendizagem na Graduação: uma experiência relacionada à seleção de intervenções de enfermagem

Um estudo realizado por Cecília Maria Izidoro Pinto (NUTES-Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde, UFRJ, 2000) buscou identificar os estilos de aprendizagem dos estudantes de enfermagem através da aplicação do LSI de Kolb, e relacioná-los à seleção de intervenções para a dor moderada. Fizeram parte do estudo trinta estudantes do 6o período do Curso de graduação da Escola de Enfermagem Ana Néri, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, submetidos ao LSI de Kolb. Utilizaram-se quinze intervenções para a dor, ordenadas pelos estudantes. A metodologia utilizada foi a descritivo-correlacional. Os resultados apontaram concordância significativa entre os estilos de aprendizagem identificados e os perfis de intervenção, sugerindo haver boa relação entre a maneira de aprender um conteúdo e sua forma de expressão prática. Sugere-se que os estilos de aprendizagem possam representar ferramentas importantes para que os estudantes sejam iniciados na tomada de conhecimento de seus próprios processos de aprender.

Identificação de Eventos metacognitivos presentes em mensagens de membros de uma comunidade virtual de Enfermagem

Um estudo  realizado por Roberta Pereira Coutinho (NUTES-Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde, UFRJ, 2005) teve como objeto a presença de eventos metacognitivos expressos nas mensagens de membros de uma comunidade virtual de enfermagem. Do ponto de vista do presente estudo, “evento metacognitivo” foi caracterizado quando, na mensagem, foi possível identificar características que permitiram inferir algum tipo de atividade reflexiva do aprendiz que demonstrasse algum grau de consciência sobre os seus processos cognitivos e/ou conduzindo a este. Seus objetivos foram: identificar eventos metacognitivos nas mensagens dos membros da comunidade virtual e caracterizar tais eventos em relação ao tipo apresentado (Pessoa, Estratégia e Tarefa). O tipo de abordagem metodológica utilizada foi do tipo survey com desenho sociométrico, tendo como material para análise do conteúdo, as mensagens postadas por membros do grupo de discussões em enfermagem, cenário desta pesquisa, até o sexto mês de existência. Foram encontradas 261 mensagens contendo eventos metacognitivos, das 934 analisadas neste estudo. Destas, 180 ocorrências são do tipo Pessoa, 115 são do tipo Tarefa e 64 são do tipo Estratégia. Estes resultados indicaram que existe atividade metacognitiva nesta Comunidade Virtual e que ela pode ser expressa e identificada em registros textuais. Acredita-se, que este resultado possa ser extensível a outras comunidades destinadas a aprendizagem.

Uma visão metacognitiva das estratégias diagnósticas de enfermagem

No estudo qualitativo desenvolvido por Marcos Antônio Gomes Brandão (NUTES-Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde, UFRJ, 1999) as estratégias diagnósticas de enfermagem foram descritas de um ponto de vista metacognitivo. Vinte e dois estudantes novatos de um curso de graduação em enfermagem foram entrevistados, utilizando-se de um formato semi-estruturado. Foi explorado o conhecimento metacognitivo dos sujeitos sobre seus processos diagnósticos. Dez estratégias diagnosticas foram classificadas em três categorias: (1) as estratégias diagnosticas aplicadas antes do encontro com o cliente; (2) as estratégias diagnosticas aplicadas durante o encontro com o cliente; (3) as estratégias diagnosticas aplicadas após o encontro com o cliente. Essas estratégias mostraram uma grande diversidade de significados para os sujeitos. Conclui-se que: as entrevistas semi-estruturadas foram válidas para analisar o raciocínio diagnóstico e a perspectiva metacognitiva foi eficiente para identificar os significados das estratégias diagnósticas de enfermagem.

Aprendizagem em uma comunidade virtual de enfermagem

A dissertação de Viviane Modesto Ferraz (NUTES-Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde, UFRJ, 2007) trata da aprendizagem em uma comunidade virtual de enfermagem tendo como objetivo descrever a aprendizagem que emerge desta comunidade, por meio de indicativos presentes nas mensagens eletrônicas dos participantes. Tomaram-se como conceitos centrais para este estudo: a aprendizagem enfermagem, a aprendizagem em comunidades virtuais, e o papel das novas Tecnologias da Informação e Comunicação para a aprendizagem. Utiliza como procedimento metodológico o survey interseccional, com abordagem quantitativa, e analisa as primeiras 864 mensagens de texto válidas enviadas pelas identidades virtuais à comunidade na primeira fase de sua existência. Desta análise surgem categorias empíricas que representam a aprendizagem adquirida pelos participantes dentro da comunidade, quais sejam: relato explícito de aprendizagem dentro da comunidade; relato de obtenção de novas informações na comunidade; relato de cogitação sobre algum tema discutido na comunidade; questionamento/solicitação de auxílio para resolução de alguma tarefa; relato de agradecimento sobre alguma questão respondida ou auxílio prestado; e relato de expectativa de aprendizagem na comunidade. Os resultados apontam para configuração de uma comunidade que aprende fundamentalmente questionando e solicitando auxílios, e para um ambiente onde diferentes categorias profissionais da enfermagem podem interagir buscando além do auto-conhecimento a construção coletiva de saberes. Finalmente, esta dissertação tem um propósito geral de contribuir para estudos futuros sobre a aprendizagem em comunidades virtuais.

Viver a Arte, Aprender a Ciência, Fazer Enfermagem: crenças epistemológicas, uma possibilidade para aprendizagem significativa de enfermagem

O trabalho de André Cunha do Nascimento (NUTES-Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde, UFRJ, 2000) mostra que o aprendizado da enfermagem envolve o questionar sobre valores como a vida, o cuidar, o sofrimento e o significado de ser enfermeiro. Estes valores podem ser definidos como crenças epistemológicas – “crenças individuais sobre a natureza do conhecimento e do processo de conhecer”. A adoção de uma dada crença por um indivíduo particular depende de um contexto simultaneamente pessoal, escolar e social. Da mesma forma o cuidar pode ser mais ou menos efetivo e significativo para o terapeuta e para o cliente, dependendo da crença do que seja o cuidado. Esta é uma pesquisa descritiva, utilizando o método “Survey” onde a população investigada é composta de enfermeiros em atuação assistencial, de ensino, pesquisa e gerenciamento. Os dados foram coletados através de um questionário, contendo três perguntas subjetivas de resposta aberta e cunho exploratório, interrogando o respondente sobre sua opinião do que caracteriza a enfermagem enquanto ciência, arte e prática. Obtidas tais características buscou-se criar categorias empíricas que aflorassem do conteúdo expresso pelos respondentes, estivessem presentes nas três categorias teóricas e permitissem subordinar as características previamente identificadas, independentemente das categorias teóricas sob as quais foram originalmente classificadas. Tais categorias permitiram descrever, na opinião dos respondentes, a maneira particular através da qual o cuidado de enfermagem se expressa enquanto ciência, arte e prática. As categorias empíricas a que chegamos foram : Fazer, Pensar e Relacionar. Descrevem modelos que seres humanos em constante evolução, os Enfermeiros, utilizam para a construção de seus cuidados.