Como elaborar flashcards? Parte II

Pedro Henrique Maraglia
Mestrando em Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Como fazer um flashcard?

Fabulous-Flash-Card-Template-Download (1)É simples, você precisa apenas de papel, caneta, talvez uma tesoura, e claro ter estudado antes. Você pode comprar pequenos cartões encontrados em papelarias, podendo ser coloridos, ou não, isso fica a seu critério. Você pode também usar folhas de papel oficio A4 e cortar os cartões da forma que desejar. Você pode ainda fazer os flashcards em aplicativos ou programas de computador, com o Flashcardpro®, Supercard®. Ou em sites, como o Goconqr.

A logica de construção dos flashcards é simples. Você pode, por exemplo, fazer um flashcard sobre uma palavra. Você pode utilizar qualquer palavra, por exemplo, “Paralelepípedo”.  Neste caso o seu objetivo é fazer com que essa palavra possa ativar sua memoria, de forma a acessar informações que se relacionam com a palavra escolhida, como em nosso exemplo, “Paralelepípedo” pode estar relacionado com a seguinte informação “formado por seis faces, sendo que duas são idênticas e paralelas entre si”, o que se pretende é que ao ler essa palavra você possa se lembrar desta informação.  Então em um dos lados do papel você escreve a palavra, e este lado será considerado como a frente, e no verso você escreve informações referentes a esta palavra.

Sem título

Outra forma de construção dos flashcards pode ser uma pergunta, por exemplo, quem descobriu o Brasil? Nesse caso a pergunta tem a mesma função da palavra, ativar sua memória para que você possa acessar alguma informação, neste caso do exemplo, “quem descobriu o Brasil? ”Em um dos lados você escreve uma pergunta, e este lado será a frente, e no verso, você adiciona a resposta para essa pergunta.

Sem título

Note que você pode moldar os flashcards de acordo com sua necessidade. Use palavras, perguntas, imagens, equações ou esquemas. O importante é que você obedeça a estrutura básica. De um lado aquilo que vai funcionar como uma solicitação à sua memória, e do outro o conteúdo com o qual você vai confirma se o que você lembrou era mesmo aquilo.

Como utilizar?

Há varias formas de utilizá-los. A escolha entre uma ou outra depende do conteúdo a ser estudado e de suas possibilidades e recursos, entre outros. Aqui sugerimos uma que é muito simples e rápida. Se você achar útil, mais tarde poderá experimentar outras maneiras de usá-los.

O flashcard individual

Como você já leu, o flashcard é um cartão que na frente tem a o tema e no verso a explicação do tema. Então o objetivo é a partir do que está na frente relembrar o que está no verso. Então:

  1. Leia a pergunta ou palavra escrita na frente do flashcard atentamente: Aqui você deve ativar a sua memória de maneira a buscar a informação relacionada com a palavra ou pergunta. Tente relembrar das informações relacionadas a aquela palavra ou pergunta. Você pode fazer isso mentalmente ou em voz alta. Nesse esforço você vai associando a palavra ou pergunta com a informação, e assim você irá fortalecendo a memorização das relações. Faça isso com calma, pois, não adianta pressa e fazer algo de qualquer maneira, sua memória as vezes precisa de tempo.
  2. Após tentar relembrar as informações, confira no verso se acertou ou errou, aferindo seu rendimento. Mas não pare por aí. Acertando ou errando procure memorizar a resposta correta. Repita mentalmente (ou em voz alta)> Isso é muito importante.

flashcards homeopatia

O flashcard em conjunto

Como você viu, a tarefa é simples. Ler e ativar a memória. Isso acontece sempre que você tem um flashcard na mão. Mas note que você provavelmente fará muitos cartões. Então agora você precisa ter uma maneira de utilizá-los ordenadamente. Então:

  1. Estude o assunto antes: É claro, não é? Como você vai construir os cartões se não sabe nada do assunto? Você não precisa saber o assunto profundamente, mas um mínimo que te permita fazer as perguntas e as respostas. Ah! E só para lembrar; enquanto você está fazendo os cartões está também aprendendo. Ok?
  2. Crie o conjunto de cartões: Crie conjuntos específicos por temas. Não será eficiente se você criar centenas de cartões sobre tudo o que você precisa e depois tentar utiliza-los todos ao mesmo tempo. Os conjuntos devem ser sobre um tema específico e ter um tamanho manipulável. Qual é esse tamanho? 10? 20? 30? Isso depende do assunto e da sua memória. Ok?
  3. Coloque os cartões em ordem: Esta ordem depende da estrutura do assunto e de como você acha melhor memorizar.Flashcards-Conjunto de cartões
  4. Use os cartões: Da maneira que já descrevemos. Lendo o tema e tentando responder às perguntas. Comece do início e vá até o final.
  5. Separe os cartões: Faça dois montes. Em alguns cartões você não lembrou não acertou a resposta. Estes vão para o primeiro monte. Os outros ficam no segundo monte.Flashcards-Conjunto de cartões-Lmbrados e esquecidos
  6. Reveja rapidamente o monte dos cartões esquecidos: Para estes, você dedica especial atenção. Faça cuidadosamente o esforço de ler e buscar a resposta. Os cartões lembrados  vão para o segundo monte. Os esquecidos retornam ao primeiro.
  7. Reveja rapidamente o monte dos cartões lembrados. Você já sabe. Ler e responder agora, é só para reforçar a memória.

Então terminou? Sim. Por agora. Mas o estudo se faz em ciclos. Você faz estes 7 passos em vários períodos, repetido as etapas. Você pode ainda, se julgar interessante, embaralhar os cartões entre um ciclo e outro, mantendo os montes separados, é claro.

Mas só um detalhe: Do segundo ciclo em diante comece pelo monte dos cartões esquecidos. Idealmente repetição após repetição, o monte dos cartões esquecidos vai ficando progressivamente menor.

Ainda mais, pode haver um momento em que tudo fica no monte dos cartões lembrados. Aí chega a hora de você avaliar se cabe então fazer novos cartões , aprofundando ou ampliando o conteúdo do conjunto. Ok?

Lembre-se

  • Cada cartão deve conter apenas uma pergunta ou palavra, para você não confundir sua memória.
  • Seja sintético, e valorize o que é realmente importante, um flashcard não deve conter um capítulo de um livro, pois, são maiores as chances de que você esqueça algo quanto maior for o número de informações.
  • Utilize um formato que você compreenda, faça seus próprios flashcards, isso é importante, por que você os constrói de acordo com seu próprio funcionamento, otimizando a utilização dos flashcards.

Lembre-se de atualizar o conjunto de flashcards, mas em que sentido? Você já confeccionou uma série de flashcards para uma determinada disciplina, e pretende continuar utilizando a estratégia com flashcards, continue fazendo os flashcards no decorrer do avanço do seu processo de estudo.

Ao fazer os flashcards você pode gastar uma pouco de tempo, afinal, você tem que por a mão na massa, mas, este esforço provavelmente irá valer a pena, visto que você pode melhorar de forma significativa seu rendimento.

Utilize, e faça proveito desta ferramenta.

Leia também:

O que são flashcards? Parte I

Pergunte “por quê? ”. Isto pode te ajudar!

Pedro Henrique Maraglia
Mestrando em Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

imagesSeres curiosos somos por natureza, imagine quantos “por quês? ” você já falou, leu e apenas pensou, incontáveis não?. Caro leitor, se você está lendo essa postagem acreditamos nós, do blog o aprendiz em saúde, que você está interessado em melhorar sua aprendizagem, ou no mínimo buscar informações, pressupomos isso. Na postagem de hoje vamos apresentar mais uma das técnicas de aprendizagem descritas no artigo “Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques: Promising Directions From Cognitive and Educational Psychology” de John Dunlosky e colaboradores. A estratégia da vez é o questionamento de elaboração (QE), ou questionamento elaborativo. Sem mais delongas vamos ao que interessa!

Basicamente essa técnica consiste em uma forma de aprofundamento. Quando você utiliza o “por que”, nitidamente há um direcionamento para algo mais essencial, elaborado, onde não lhe bastam apenas definições superficiais.  O QE é uma técnica onde o você deve gerar uma explicação para um fato, ou seja, você deve se questionar “por que”, e buscar a resposta, nesse sentido o “por que” é uma ferramenta que te motiva a se aprofundar mais.

Pesquisas demonstram que esta técnica tem obtido resultados expressivos durante a aprendizagem, atuando na estimulação da integração de novas informações aos conhecimentos que você já possui, facilitando a organização dos mesmos. Ela possibilita então, uma aprendizagem de forma mais significativa.

Apesar de os estudos até então publicados terem como público alvo estudantes de graduação, existe a possibilidade de que outros públicos possam a ser abordados, sendo também eficaz para alunos com pequenos problemas cognitivos. Contudo, outras pesquisas demonstram sua menor eficácia com públicos mais jovens, o que pode ser explicado já que esta técnica demanda um nível maior de autonomia. Como esta técnica está relacionada com os conhecimentos prévios, quanto maiores forem os conhecimentos prévios, melhor será o desempenho, portanto, é normal se esperar um maior rendimento de indivíduos mais experientes.

A utilização do QE requer um mínimo de treinamento, e não requer materiais sofisticados. A técnica é simples. Vamos a um exemplo prático:

Escolha um tópico de algum material que esteja estudando no momento. Em seguida escolha algum ponto que mais lhe chamou atenção, e faça seu questionamento. Por exemplo, se você está estudando português, e mais especificamente os tipos de orações; então você pode fazer o seguinte questionamento, “por que uma oração é subordinada? ”

Responda à questão da melhor maneira o possível, compare a resposta com o que você estudou. Você também pode usar as questões no final do capitulo do material, desde que, elas se enquadrem em suas necessidades. Lembre no entanto que os questionamento feitos por você mesmo são melhores. Eles tem maior capacidade de suprir suas necessidades pessoais de aprendizagem, pelo fato lógico de que elas partem de sua interação com situações de aprendizagem, então surgem de você e não do autor do livro.

Nitidamente o QE possui capacidade melhorar a aprendizagem, contudo ainda são necessárias maiores pesquisas sobre está técnica e sua generalidade, muito pelo fato de que, essa técnica depende muito do tipo de aprendiz que a implica, necessitando de uma mudança de postura, passiva, para uma postura ativa, de sempre estar se perguntando e buscando estes aprofundamentos.

Note que acima apresentamos um exemplo específico para alunos no nível do segundo grau. Mas a técnica é extensível a qualquer nível e área de conhecimento. Por exemplo, na área da saúde:

  1. Por que, no Ciclo de Krebs, são necessárias tantas transformações bioquímicas para produção de ATP?
  2. Por que, nos pacientes com icterícia devo pensar em alterações hepáticas?
  3. Por que, devo usar anticoagulantes em pacientes com hemorragia, como é o caso da Coagulação intra-vascular disseminada?
  4. Por que,….

Perceba que nestes casos, a capacidade de responder depende muito do que o aluno já sabe, o que é muito bom. Quando a resposta vem fácil é porque o conteúdo já está minimamente processado e o efeito é o de reforçar relações entre informações já presentes na mente do estudante. Por outro lado, se este não for o caso, a busca pelas respostas leva o aluno à um maior aprofundamento no conteúdo e simultânea aprendizagem mais significativa.

Finalmente, um alerta. Não é qualquer pergunta que tem estes efeitos.  E também não é qualquer resposta que leva à aprendizagem significativa. Note que os exemplos acima são sempre questões que demandam respostas que explicitam relações ente conteúdos diversos. Buscam explicitar fenômenos que são o pano de fundo para os eventos mais visíveis. Evite fazer perguntas simples que levam a respostas diretas. As melhores questões são as que te permitem explicitar e compreender a complexidade dos fenômenos que você está estudando.

Leia também:

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O que são flashcards? Parte I
Você precisa de tempo! A Prática Distribuída (Parte 1) – O que é?
Você precisa de tempo! A Prática Distribuída (Parte 2) – Como fazer?

 

Você precisa de tempo! A Prática Distribuída (Parte 1) – O que é?

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Pedro Henrique Maraglia
Mestrando do Programa de Pós-Graduação Educação em Ciências e Saúde

 

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“Relógio Mole, momento da primeira explosão” de Dali, como referencia ao Big Bang.

Estudar durante longo tempo, passar noites em claro. Você conhece isto?

É muito comum que alunos façam grandes blocos de estudo. São horas a fio,  lendo, fazendo exercícios, e muitas vezes isso se estende por dias. É frequente que isto seja entendido como o “bom estudo”, como a atitude mais adequada, principalmente quando se aproxima a semana que todo estudante “ama” – a semana de provas.

Mas seria isso realmente a forma adequada de estudar, estudar em massa, por longos períodos? Esta estratégia pode ter te salvado, pode ter sido útil em alguns momentos. Afinal de contas é melhor isto que fazer nada. Mas, caro leitor, esta não é a melhor maneira para aprender.

Hoje vamos apresentar a vocês, uma estratégia presente no artigo escrito por John Dunlosky e colaboradores, “Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques: Promising Directions From Cognitive and Educational Psychology”, esta estratégia é chamada de Prática Distribuída (PD).

Todo mundo sabe que repetir ajuda a lembrar. Então é só ficar repetindo para se dar bem nas provas? É… Mas não é!

Um primeiro problema é que se eu falo de repetir as pessoas pensam logo em logo em decorar. Não, por favor, não é isto. Decorar não dá certo, não funciona e cada vez mais as provas de “decoreba” estão desaparecendo. No ensino superior então nem se fala… Aprender é muito mais que decorar uma lista de nomes, datas, fatos ou processos. É saber tudo isto e poder usar na prova, mas também na sua vida diária e profissional. Não é objetivo deste texto aprofundar o assunto. Então, dado o aviso, vamos ao segundo problema.

Suponhamos que você decidiu  estudar um determinado assunto e sabe que uma vez só não basta. Você esquece o que estudou. Então tem que estudar de novo. O “aluno padrão” como e que faz? Deixa tudo para depois e na véspera da prova estuda, estuda e estuda. Isto é, repete, repete e repete. Grande candidato para a decoreba e o fracasso!

O aluno menos “padrão” começa um pouco antes. Dependendo da quantidade de matéria, talvez alguns dias ou semanas. Já é melhor. Estuda durante mais tempo e em cada período de estudo se cansa menos porque fica menos tempo estudando. E então na hora da prova a nota melhora.

Já o aluno “fora do padrão” faz melhor. Procura ser ativo no estudo e compreender o que estuda. Estuda desde o início do curso. Repete o estudo dos temas com critério e regularidade. Na hora da prova não tira “10” necessariamente. É melhor em algumas matérias e pior em outras. Mas suas notas são regularmente boas e altas.

E porque isto acontece? Há várias causas, mas no que importa aqui, uma boa razão é que ele não estuda “muito”. Ele estuda “bem”. Ele utiliza a Prática Distribuída (PD).

O que é a Prática Distribuída?

É o que diz o termo, você faz a PD quando você distribui o seu estudo ao longo do tempo. Isto é, você estuda um mesmo tema várias vezes. Mas, e isto é importante, entre uma sessão e outra do estudo você deixa passar um tempo. Ou seja, você distribui ao longo do tempo as repetidas sessões de estudo. Entendeu?

Mas observe que repetir não é decorar. E, além disto, ao repetir você não precisa fazer sempre a mesma coisa. Por exemplo, primeiro você poderia ler sobre o assunto, em outro momento você poderia fazer um esquema, depois um resumo, fazer exercícios, ou ainda  tentar repetir de memória, conferindo no livro depois. Então entenda que o que você repete é o estudo daquele tópico específico que você precisa aprender. As formas de fazê-lo podem e devem ser variadas.

A PD funciona? Por que?

A PD é uma estratégia de aprendizagem que faz muito tempo, vem sendo pesquisada com resultados positivos. Por exemplo, já em 1979 Bahric fez um experimento para comparar o estudo maciço (repetição sem intervalo) com a PD. Para isto comparou 3 grupos com cada um com diferentes intervalos de tempo entre uma sessão de estudo e 30 dias depois da última sessão todos fizeram  uma prova. Vejam na figura abaixo o que ele encontrou:pratica-distribuida

Foram 6 sessões de estudo, e no início de cada uma foi feito um teste sobre o assunto. Notem que o teste era sempre feito antes do estudo. O primeiro grupo, representado pelos círculos fez as seis sessões uma seguida da outra. O segundo grupo (quadrados) fez o estudo em dias seguidos e o terceiro (triângulos) fez um intervalo de 30 dias entre uma e outra sessão.

O que você pode perceber é que o desempenho de todos os grupos foi progressivamente crescente, mas o que fez o intervalo mais longo foi sempre pior nas provas. Nada demais, você diria. Com tanto tempo entre um estudo e outro, é claro que eles tinham que esquecer muita coisa.  Eu concordo, faz sentido. Mas vejam o que aconteceu  na prova final, um mês depois que eles pararam de estudar. Observe que a seta mostra que o grupo de maior intervalo (30 dias) teve desempenho melhor que os outros dois!

Ué? Como assim? Parece maluquice, não? Pois bem, há várias teorias que procuram explicar isto. Aqui vou apresentar apenas uma, que não só faz sentido como também é particularmente interessante para este texto.

Note que, ao contrário dos intervalos curtos, o grupo do intervalo longo precisava fazer um esforço extra para lembrar-se dos assuntos, tanto na hora do teste inicial como também durante a sessão de estudo subsequente. Isto quer dizer que estes alunos, ao contrário dos outros,  tinha que buscar as respostas. Os outros já as tinham “na ponta da língua”. Desta forma, os alunos do intervalo longo, ao responder o teste estavam exercitando também os seus mecanismos de busca, coisa que os outros não precisavam. É por isto que se diz: “Vem fácil, vai fácil”.

Há ainda uma série de outros estudos que não cabe citar aqui. Por agora basta saber que a PD foi testada em muitas e diferentes situações e em todas,  a PD se mostrou superior ao estudo maciço. Foi demonstrado que a PD independe da idade, de crianças a idosos podem utiliza-la com benefícios. Também seus benefícios se apresentaram em diferentes conteúdos, do ensino elementar ao superior, nelas incluídas as da área da saúde. Finalmente ela não se restringe à instituição escolar. Estudos clínicos demonstraram seus efeitos na esclerose múltipla, traumatismo craniano e amnesia.

Talvez neste momento  você esteja confrontando a sua experiência com estudo e o que aqui se apresenta. Quando as pessoas estudam repetidamente e em curtos intervalos, geralmente ficam mais tranquilas, já que ao final de algumas repetições  elas passam a acreditar que sabem tudo. Não é verdade?

Aqui entra um detalhe importante  do que sabemos sobre a metacognição (conhecimento sobre o conhecimento).  Quando você estuda há duas perguntas que parecem iguais, mas não o são: a) Aprendi o assunto? e b) Serei capaz de responder bem às questões de prova?  Não é exatamente verdadeiro que se você aprendeu, vai responder.  Note que nem sempre saber significa que você pode demonstrar que sabe. É aquela situação em que te perguntam: Ah! Você sabe isto? Então explica!

Note no gráfico como isto aparece. Já mostrando que a PD distribuída melhora o desempenho na prova que é feita trinta dias após, e isto é um argumento em defesa da PD. Mas outra coisa é o desempenho dos alunos durante as sessões de estudo. Perceba como o gráfico mostra que os seus desempenhos são muito melhores no estudo maciço.

Isto não explica porque você se sente melhor após várias etapas seguidas de estudo?  É o que Michael (1991) chamou de “curva da procrastinação”, que é um nome complicado para se referir ao “aluno padrão” descrito linhas acima. Ou seja, quando a prova está longe, o estudo fica esquecido. A medida que ela se aproxima mais intensa e frequentemente o aluno passa a estudar.  E perceba como, por vias tortas, isto acaba sendo verdade. O aluno favorece a memorização imediata. E isto é bom (pelo menos parece que é bom); mas o preço que se paga é o rápido esquecimento.

Uma vez, conversando com um oficial de alta patente, ligado ao ensino militar, escutei o seguinte comentário:

– Meus alunos estudam muito para as provas, e respondem bem às questões. O problema é que  normalmente após os testes fazemos sessões de treinamento físico, e depois  todo o conhecimento sai pelo ralo junto com a água do banho!

Então? Percebeu como a Prática Distribuida pode te ajudar? Espero que sim.

Se você se interessou, talvez agora você tenha outras perguntas sobre a PD. Por exemplo:

  • Como fazer a PD?
  • Repetir como?
  • E as matérias?
  • Repetir quando?
  • Como estudar para a prova?

Estas perguntas são legítimas e vamos respondê-las no próximo post. Ok?

Um grande abraço

Nota: Este artigo prossegue no post “Você precisa de tempo! A Prática Distribuída (Parte 2) – Como fazer?

Quer aprender? Durma!!

Pedro Henrique Maraglia
Mestrando do Programa de Pós-Graduação Educação em Ciências e Saúde
Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

garfield-dormindo-e-sonhando-com-conhecimentos

“ Preciso estudar muito, tenho que passar no vestibular”

“Tenho
que estudar e tirar boas notas nas provas. Preciso melhorar meu desempenho!”

Certamente você já ouviu e muito provavelmente disse estas frases. Claro, porque quanto mais se estuda maiores são as notas. Se estudo muito vou bem nas provas.  Se estudo pouco vou mal nas provas.  Ou não?

E neste momento caro leitor, você deve estar se perguntando sobre a sanidade mental deste que vos fala.

  • “Mais é muita matéria, como que não vou estudar muito?”
  • “Olha estou indo bem, estou me matando mas pelo menos tiro boas notas”
  • “Sempre me falaram que tenho que estudar muito para ter resultados”.

Se é assim, porque às vezes mesmo depois de muito estudo, as notas não são o que você espera? Há muitas causas para isto, mas agora vamos nos dedicar apenas a uma: Se você quer aprender tem que estudar. Mas também tem que dormir!

Nem sempre a quantidade de estudo é suficiente. Às vezes você faz um esforço enorme, mas se decepciona com o resultado.  E no caso específico deste post, depende do que você faz com o que estudou. Mas atenção. Cuidado com a conclusão fácil:

  • “ Mas então, se estou estudando muito, vou estudar pouco, em cima da hora, assim poupo meu trabalho e, ainda vai ser mais difícil esquecer”.

Mais  devagar amigo! Vamos por os “pingos nos ” i´s”. Não adianta estudar muito e fracassar ,mas também estudar tão pouco a ponto de não estar preparado. Encontrar o equilíbrio aqui é o ideal e claro se valer dos conhecimentos que vem sendo produzidos por pesquisadores que se dedicam a entender e buscar o melhor para sua aprendizagem. E é isso que vamos apresentar vocês hoje.

Vamos entender a memória:

Quando você se lembra de algo, você diz que este algo está armazenado na sua memória. Ok? Então vamos pensar na memória como uma função do seu cérebro. Há uma memória que chamamos de “curto prazo” e outra de “longo prazo”.

O que importa aqui é que na memória de curto prazo a lembrança é muito rápida. Algo do tipo, ao discar um número de telefone, lembrar-se da sequência dos números.  E às vezes não nos lembramos dos primeiros números e esquecemo-nos dos finais? E aí temos que voltar ao catálogo para terminar de discar? A memória de curto prazo é provisória e, por isto se aquilo que você estudou ficar só na memória de curto prazo pode ser que no dia seguinte, após  uma noite de sono você não lembre de nada. Já pensou?

Mas para isto existe a memória de longo prazo. É ela que você usa para guardar tudo o que você precisará no futuro. Do nome de uma pessoa ao conteúdo da prova.  E felizmente para você há um certo automatismo na passagem do curto para o longo prazo.  Esta é a razão pela qual pelo menos uma parte do que você estudou ontem está disponível hoje e estará amanhã (assim você espera). E o problema é este; você espera…

O que fazer então?

Você já sabe que a memória de curto prazo é…de curto prazo. Ok? E ainda que o sono “apaga” esta memória. E isto é importante porque  se assim não fosse você ficaria a vida inteira se lembrando de tudo o que aconteceu o tempo todo. E o que é pior, haveria um momento em que o “espaço da memória iria acabar” e, sem espaço para lembrar, não iria guardar mais nada. Sua vida seria um eterno presente. Por isto o sono é fundamental ao limpar sua memória de curto prazo preparando-a para novos eventos e informações.

Neste caso então é que ao estudar o dia todo,  acumular muitas informações na sua memória de curto prazo e, no final do dia dormir, você corre o risco jogar fora todo um dia de trabalho.

  • “ Mas então não devo dormir????”

Não, não é bem assim. A memória de longo prazo está disponível para ser usada. E te interessa que as informações possam passar  da memória de curto prazo para a de longo prazo.  Alguma informação sempre passa sem que você faça nada para isto. Mas o que importa aqui é que você seja capaz de ter algum controle sobre isto. Você precisa “dizer” para o seu cérebro qual informação deve ser guardada, e qual pode ser descartada.  Ok?

O critério que o cérebro usa é o da importância. Guarda o que importa e abandona o resto. Assim  o que você precisa fazer é avisar seu cérebro que determinada informação é importante para que ela possa ser transportada para a memória de longo prazo e, não descartada. Para isto, você precisa usar alguns recursos que mostrem ao seu cérebro que aquela informação é importante. E isto se faz de variadas maneiras. Por exemplo:

  • Repetindo as informações (não é muito eficiente)
  • Fazendo ligações entre os assuntos (isto é mais eficiente)
  • Realizando autotestes (ver Como transformar os testes em seus melhores amigos)
  • Estabelecendo metas de aprendizagem (eficiente)
  • Associando o assunto com emoções significativas para você (eficiente)
  • Etc, etc, etc…

Como você viu, há muitas maneiras de sinalizar a importância de um tema ou informação. E todas elas merecem maior detalhamento. Mas e esta história de dormir? Afinal este o tema de agora.

Dormir para aprender. Mas como?

Em resumo o que você precisa fazer é:

  1. Carregar sua memória de curto prazo.
  2. Transferir as informações da memória de curto prazo para a de longo prazo.
  3. Aproveitar a memória!

E então como fazer?

Comece alimentando sua memória. Faça isto estudando. Sublinhe, esquematize, resuma, leia de forma eficiente, faça exercícios, repita o conteúdo. Ou seja, estude bem e em quantidade suficiente.  Mas até aí novidade nenhuma! É o que todos dizem para fazer.

É, mas tem um detalhe. A maneira com que você faz isto faz toda a diferença. Note que esta coisa de curto e longo prazo não é assim tão estanque. Não se pode colocar estes processos em “caixinhas “ separadas. O tempo todo uma se comunica com a outra. Então a forma como você estuda vai favorecer ou não a transferência  de informação da memória de curto prazo para a de longo prazo. Por isto é que acima sugerimos algumas técnicas e entre parênteses dissemos o que era e o que não era eficiente. Por exemplo; conectar os assuntos entre si é muito mais eficiente que simplesmente ficar repetindo a informação.

E o sono? Onde entra nisto? Ele é importante porque auxiliar a fixação do conteúdo. Veja só:

A passagem de informações da memória de curto prazo para a de longo prazo ocorre normalmente durante o dia, mas, é durante o sono que esse trânsito de informações se intensifica.  Além de limpar a memória de curto prazo, o sono é importante para sua memorização.

Durante o sono, sua atividade cerebral aumenta. Isto é comprovado por uma série de estudos. E é neste momento que as informações  armazenadas durante o dia vão ser descartadas, ou  então , direcionadas a memória de longo prazo. Por isto dormir é importante para memorizar.

Mas não basta dormir e deixar para o automatismo cerebral a passagem  das informações para a memória de longo prazo.  Você já sabe que o cérebro guarda o que é importante. Mas ele só sabe qual informação é importante se ela está “marcada” de alguma maneira. E isto você também sabe. Mas questão aqui é que inevitavelmente você sempre está “marcando” informações. Quer você saiba (ou queira) ou não.  É o processamento dos eventos e informações do dia que vai “marcar” a informação como importante ou não.

Por exemplo; as informações que estão relacionadas a emoções acabam por ser memorizadas mais facilmente.  Às vezes você lembra mais da piada ruim que seu professor contou, do que do conteúdo da aula. Não é verdade? Um evento traumático certamente será lembrado; talvez um acidente ou ainda uma notícia ruim. Esses eventos acabam sendo sinalizados para seu cérebro como algo importante e que tem que ser armazenado, e por isso, saem da memória de curto prazo para a memória de longo prazo.

Então se as coisas que acontecem ao longo do dia fazem esta sinalização; o que você deveria fazer para sinalizar com importante aquilo que você estudou?

Como fazer isso?

Eis a sugestão:

  • Estude pouco, mas com qualidade, pouco, mais todo dia e antes de dormir reserve um tempo para fazer uma revisão do que você estudou durante o dia.

Simples não é? Não há nada de mirabolante.

Quando você estuda antes de ir dormir, você está avisando ao seu cérebro que essa informação é importante  e, que não deve ser jogada fora. E durma. Dormir é importante alimentar a sua memória de longo prazo.  Fazendo isso você pode potencializar sua aprendizagem e, ter tempo para outras atividades que também são frutíferas a vida. Estude pouco, mas estude todos os dias!  Esta é a fórmula:

  • Boa memória = Estudar bem e sempre + Revisão antes de dormir

E depois? É só continuar fazendo isto e verificar como dá certo. Ok?

Como transformar os testes em seus melhores amigos

Pedro Henrique Maraglia
Mestrando em Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

O Autoteste
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Chega a semana de provas, as olheiras aparecem, o sono é enxotado pelas consecutivas xícaras de café e, parece haver uma montanha sobre as costas. Assim, as provas acabam por se tornar objeto de pavor e, não ferramentas para auxiliar sua aprendizagem, o que na verdade deveriam ser. Neste artigo, você verá como a utilização de autotestes ou testes práticos, podem incrementar sua aprendizagem.

O que queremos aqui é lhe apresentar uma ferramenta que pode ser muito interessante e, que pode melhorar o seu processo de aprendizagem. Como você verá,  os testes podem deixar de ser aqueles instrumentos temidos, para se transformar em um auxílio para o seu aprendizado. Estamos falando então dos autotestes e não das  provas.

O que é? E por que utilizar?

O Autoteste é em uma forma de avaliação não formal, no qual, você pode obter informações sobre sua própria aprendizagem. Sua utilização pode potencializar seu processo de aprendizagem. Há  uma serie de estudos que afirmam isso. Na produção desta postagem utilizamos como referencial o artigo “Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques: Promising Directions From Cognitive and Educational Psychology” (Melhorando à aprendizagem de estudantes com técnicas eficazes de aprendizagem: Diretrizes promissoras da Psicologia Cognitiva e Educacional) escrito por John Dunlosky e outros autores.

Um exemplo de sua utilização aconteceu  com um grupo de estudantes de psicologia, que durante um curso sobre cérebro e comportamento, foram divididos em dois grupos. Toda a semana um dos grupos  fazia um  autoteste sobre o conteúdo das aulas. O outro, em vez disto, fazia uma revisão sobre o assunto. Nas provas, o grupo dos autotestes teve melhor desempenho que o das revisões.

E há outras vantagens do autoteste.  Primeiro, em comparação com a revisão, ele é mais rápido. Você também não precisa de nenhum treinamento especial para fazer um autoteste. Você já sabe. Afinal, há quanto tempo você já vem fazendo provas? E para professores é a mesma coisa, professores sabem construir provas, portanto sabem construir autotestes.

Outro benefício, é que você faz um “controle de qualidade” do seu estudo. Identificando o que respondeu com facilidade ou não, o que sabe e o que não sabe, o que aprendeu ou não. Ao  encontrar os erros que cometeu, pode saber o que precisa estudar novamente. Desta forma,   observando e mapeando seus  erros e dificuldades , você agora pode otimizar o seu estudo, deixando em segundo plano o que já sabe e dedicando mais tempo naquilo que ainda precisa aprender.

Há aspectos negativos no autoteste, mas eles são muito pequenos se comparados a seus benefícios. Em geral se resumem a uma seleção inadequada do material, isto é, fazer um autoteste fácil sobre coisas que você já sabe não ajuda muito. E então fiquem atentos ao que selecionar. Procure fazer autotestes dos assuntos mais importantes ou difíceis da matéria. Que os seus autotestes não sejam fáceis demais, pois isto criaria a ilusão de que você sabe mais do realmente aprendeu. Mas que também não sejam difíceis em excesso, para que você não fique paralisado. Isto não ajuda em nada. Ficar no meio termo aqui é uma virtude.

 Como fazer?

Os materiais para os autotestes em geral são simples, e consistem em, lista de palavras, figuras, exercícios do seu livro didático e outros, ou seja, não tem nada de mirabolante, sofisticado, são coisas que em geral você já dispõe na sua casa.

Você mesmo pode elaborar e fazer esses testes resolvendo os exercícios do  final do capítulo, ou dos materiais suplementares que em geral acompanham os livros didáticos. Essa resolução pode ser feita de forma rápida, mentalmente, ou o que é ainda melhor, fazer como se fosse um prova, escrever todas as respostas e somente depois checar identificando os acertos e os erros. Mas importante, não basta a atitude de “acertei este”, “errei aquele”. O que importa é reforçar em sua mente, o que acertou e descobrir o certo naquilo que errou. E melhor ainda, pensar nas razões do erro, e assim buscar aprender a aprender!

Testes de memória também podem ser utilizados. Um bom exemplo são os Flashcards, que são pequenos cartões (impressos ou digitais ) que contem na frente uma pergunta ou informação a ser completada e, no verso a resposta ou a informação que falta e complementa a primeira informação. Por exemplo, se você estivesse estudando inglês, poderia usar o flashcard abaixo para memorizar o significado de “paint”.

flashcards5

Ao preparar e fazer os seus autotestes, leve em consideração os três fatores que influenciam suas condições de aprendizagem:

  1. O formato, que pode variar de acordo com o que você concluir como melhor para sua aprendizagem. Os exemplos citados acima são apenas dois deles, você também pode utilizar testes de múltipla escolha, responder questões formuladas por você mesmo, ou seja, também depende de sua criatividade e autonomia.
  2. A dosagem, é basicamente a quantidade de teste que você deve fazer, e quanto a isso, não existe qualquer indicação de um número ideal de testes, pois, isso vai depender do seu processo de aprendizagem. Feito um teste, se você foi bem, talvez não seja necessário fazer outro, porém, se não deu nada certo, talvez seja interessante refazer o teste, podendo utilizar um novo formato.
  3. O tempo entre os testes, é importante perceber que deve haver algum intervalo entre um teste e outro. Fazer sucessivos  testes, um após outro,  talvez não seja o mais adequado. Isto provavelmente  mais prejudica que  auxilia a sua aprendizagem.  Mais razoável é esperar pelo menos um dia de intervalo entre um teste e outro.

Não se preocupe muito com a sua idade, apesar dos estudos terem trabalhado principalmente com estudantes de graduação, os autotestes podem ser utilizados em qualquer nível de instrução e em diversas situações. Acreditamos que não seja aplicável a situações de aprendizagem para crianças, mais ele é bastante adequado  para as demais faixas etárias.

Concluindo:

Como diz o artigo  base desta postagem, os autotestes apresentam bons resultados nas situações de aprendizagem, em diversos formatos, idades e tempos de realização. Por isto  achamos que você pode, como diz o título deste post: “TRANSFORMAR OS TESTES EM SEUS MELHORES AMIGOS” Ok?

 

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