O que são flashcards? Parte I

Pedro Henrique Maraglia
Mestrando do Programa de Pós-Graduação Educação em Ciências e Saúde
Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Se você leu a palavra flashcards e pensou na seguinte imagem:

Flashcard do flash

Você está um pouquinho enganado!!!

Então o que são os flashcards?

São uma espécie de base de dados, utilizados em estratégias instrucionais. Nada mais do que a representação visual e pratica de um método conhecido como “resgate ativo” (active recall), que é um principio para a aprendizagem eficiente, e que se dá por meio de uma estimulação da memória durante a aprendizagem. Este resgate ativo acontece em situações quando você mesmo busca estimular sua memória, por meio de auto questionamentos, por exemplo. O resgate passivo acontece quando, por exemplo, alguém lhe fala alguma coisa e você automaticamente se lembra de que tem que fazer algo. Ou seja, o fato de ativar sua memória não parte de você mesmo, mas, de um agente externo.

Se você já fez algum tipo de curso de inglês, espanhol, italiano, enfim, algum tipo de curso de línguas, você talvez já tenha se utilizado dos flashcards, pois é nesse campo que seu uso é mais comum.  Um flashcard do verbo “to paint” teria o seguinte formato:

Flashcard do verbo pintar

Perceba então que de um lado do cartão você vê o verbo em inglês, associado a uma imagem representativa dele.  Do outro você vê o seu significado em português. Note que aqui apresentamos apenas um exemplo de um flashcard muito simples, introdutório. Há outros exemplos possíveis desta ferramenta, com objetivos de aprendizado mais elevados. Por exemplo, um flashcard para você memorizar a definição de “Metacognição”:

Flashcard da definição de Metecognição

Quais os seus benefícios?

Dentre os benefícios em utilizar os flashcards destacamos alguns como:

  1. Estimulo ao resgate ativo de informações: Ao ler a palavra ou pergunta você poderá acessar as informações em sua memória, e assim poderá utilizá-las;
  2. Ativa uma postura metacognitiva1: É uma postura de consciência e avaliação do andamento do próprio processo de aprendizagem, o que é muito interessante;
  3. É uma metodologia de auto teste: Nela você pode constantemente avaliar o nível do seu aprendizado e localizar os pontos fortes e fracos, podendo assim, trabalhar os assuntos de maneira diferenciada mediante a dificuldade apresentada;
  4. Melhoram a retenção de conteúdos: Os flashcards auxiliam de forma muito efetiva o processo de memorização2, o que impacta diretamente no seu rendimento, assim, você pode se sair melhor em provas, no trabalho, nas aulas, por exemplo.

Os flashcards podem ser uma boa alternativa para auxiliar você
em seus momentos de estudos e em sua vida profissional.
Em uma próxima postagem demonstraremos
como fazer os flashcards, fique atento!

(1) Para saber mais sobre metacognição, clique nos links abaixo:

Os flashcards são particularmente interessantes para aprendizes visuais. Para saber mais sobre a Inteligência Visual-espacial, clique nos links abaixo:

 

 

Você precisa de tempo! A Prática Distribuída (Parte 2) – Como fazer?

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Pedro Henrique Maraglia
Mestrando do Programa de Pós-Graduação Educação em Ciências e Saúde

 

carteiro-fazendo-a-triagem-das-cartasHoje continuamos  o post anterior sobre a Prática Distribuída (1). Vamos detalhar um pouco mais (com alguns comentários pessoais) esta estratégia, analisada  por John Dunlosky e colaboradores no artigo “Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques: Promising Directions From Cognitive and Educational Psychology”.

No primeiro post (1),  mostramos que na Prática Distribuída (PD), você distribui o seu estudo ao longo do tempo. Isto é, você estuda um mesmo tema várias vezes. Mas, e isto é importante, entre uma sessão e outra do estudo você deixa passar um tempo. Ou seja, você distribui ao longo do tempo as repetidas sessões de estudo. Mostramos ainda que quando você faz a PD sua memorização é melhor no longo prazo.  No entanto, não explicamos em detalhe como aplicar esta estratégia. É o que faremos agora.

Como fazer a PD?

A resposta simples e incompleta é: Repita o seu estudo dando um tempo entre uma sessão de estudo e outra. O problema é que sempre ficam outras perguntas.

Repetir como?

Se você vai repetir é bom que varie as técnicas de estudo. Em primeiro lugar para evitar a monotonia e a “decoreba”. Além disto, diferentes técnicas permitem ver o assunto sob diferentes perspectivas. A variação também é importante porque cada técnica enfatiza um aspecto diferente do assunto. Por exemplo, uma técnica favorece a memorização de fatos enquanto outra o relacionamento entre eles.

Por isto um  aspecto importante é que os benefícios da PD variam conforme o objetivo do estudo. As pesquisas existentes mostram claramente que quanto mais o objetivo se aproxima da memorização de fatos e eventos, melhores são os resultados. Já em matérias que exigem a compreensão de processos complexos, ou nas quais a correta tomada de decisão é fundamental, os resultados não são tão claros.

Aqui entra em jogo a técnica de estudo, a motivação e a intenção. Em síntese, não se trata apenas de repetir e pronto. Importa muito como e porque e para que você o faz.

Por exemplo, ao estudar você o faz motivado? Você realmente quer aprender aquele assunto? Tem clareza dos benefícios que aquele conhecimento trará para você? É bastante óbvio que se as respostas para as perguntas são positivas então o estudo será muito melhor. Ok?

Outra variável é a intenção. Não confunda com a motivação. A motivação te dá a energia necessária para o estudo, mas a intenção de aponta o objetivo. Isto é, você precisa ter clareza de onde você que chegar no estudo. Dito de outra forma, você precisa ter metas explícitas para o seu estudo. Que informação você precisa memorizar? Que tipo de problema você precisa ser capaz de resolver? Quais os diagnósticos que você precisa fazer? Que tipos de ações ou procedimentos você precisa se tornar hábil? Sem isto você não vai saber o que tem de fazer, nem poderá julgar se conseguiu. Como disse Sêneca: “Não há vento favorável para quem não sabe para onde vai.”

E finalmente a técnica de estudo. Neste sentido é que você precisa aprender a aprender. Por exemplo, se o objetivo é a memorização, suas repetições enfatizarão a repetição de memória. Já o autoquestionamento te ajuda a organizar os fatos, favorecendo seu desempenho em provas de resposta aberta. Se um assunto é complexo, você pode esquematiza-lo de modo a poder perceber as suas múltiplas partes assim como a relação existente entre elas.  Por outro lado. Mais que isto, se você varia as técnicas de estudo durante as repetições o estudo se torna mais eficiente. Por isto começamos este tópico  falando da variação como uma peça chave na PD.

E as matérias?

Normalmente você tem muitas matérias para estudar. Então precisa dar um jeito para estuda-las todas e, além disto, repetir os seus tópicos. Este é um assunto que demanda maior espaço de explicação e foge ao escopo deste texto. Mas ele já foi tratado em outros lugares. Você precisa aprender a gerenciar o seu tempo e uma forma de fazê-lo é construir e manter um Quadro Horário (2).

Repetir quando?

Isto é, quanto tempo entre uma sessão de estudo e outra?. Isto depende de dois fatores. Primeiro algo muito óbvio. Quanto tempo  você tem para finalizar o estudo?  Se você faz uma disciplina que dura vários meses e tem apenas uma prova final , o intervalo pode ser de meses semanas. Se a prova é mensal ou semanal este intervalo cai necessariamente para dias. É uma questão de bom senso.

Em segundo lugar, agora já não tão óbvio, depende do tempo que você deseja (ou precisa) memorizar a informação. Isto é, por quanto tempo você precisa que aquela informação esteja disponível na sua mente? Como regra geral, quanto mais longo, por mais tempo você se lembrará dela. Reveja o gráfico deste texto. Mas é claro que o numero de sessões importa (3)!

Sendo um pouco mais preciso, experimentalmente calculou-se que o melhor intervalo consiste em 10% a 20% do tempo desejado de retenção. Por exemplo, para memorizar por uma semana o intervalo deveria ser de 12 a 24 horas. Para lembrar-se por cinco anos, as repetições deveriam ser realizadas a cada 6 a 12 meses.

Estudando para a(s) prova(s):

Na prática isto significa que você precisa analisar o seu conteúdo de estudo. Se você fizer isto, descobrirá que de todos os tópicos  que são cobrados em prova, há alguns que são periféricos e outros centrais. Estes são de três tipos: a) aqueles que vão fundamentar sua prática profissional ao longo dos anos, b) são fundamento ou indispensáveis para o estudo de disciplinas subsequentes e finalmente c) os que serão cobrados em exames que avaliam o aprendizado cumulativo ao longo dos anos. Já os periféricos criam o contexto que permite a compreensão e o aprendizado dos tópicos centrais. Por isto pense em intervalos diferentes p
ara estes dois tipos de tópicos.

Vamos voltar ao gráfico. Nele é possível perceber pelo menos dois aspectos.

O primeiro já falamos. Para a memorização  de longo prazo, o melhor é fazer pratica-distribuidaa PD. Intervalos longos entre as sessões são melhores que os curtos. Lembrou do “vem fácil, vai fácil”? Então a PD deve ser aplicada principalmente quando a memorização é a de longo prazo. E em quando isto? Ora, nos itens de conhecimento central; “a”, “b” e “c” acima. Conhecimentos fundamentais para a prática profissional futura ou para o aprendizado de disciplinas subsequentes e provas de conhecimento acumulado.

Agora vamos à um segundo aspecto. A PD é ótima para o longo prazo. Ok. Mas, e o curto prazo? Volte ao gráfico. Observe que o estudo maciço é melhor. Veja que o desempenho dos alunos em testes imediatos (círculo) ou separados de 1 dia (quadrados) foi sempre melhor que os da PD.  Claro que naquele teste feito 30 dias após foi pior, mas aqui eu estou me referindo  à testes que acontecem logo após a sessão de estudo.

Então ficamos assim: Quando você perceber que os conhecimentos a serem cobrados são do tipo periféricos, criadores de contexto, o melhor é estudar mais intensivamente. Ou seja, o estudo maciço favorece o “vem fácil”, e neste caso ( e apenas neste) o “vai fácil” não importa muito.

Ah! Então ficamos assim: “Importantes” é PD e “decoreba” é estudo maciço? Não! Alto lá! Estas duas “categorias”, principalmente a “decoreba”  não substituem  a classificação de central e periférico. Você ainda precisa discriminar entre o centro e a periferia. Até porque, há itens que precisam ser memorizados para que outros possam ser aprendidos. Um exemplo muito simples: Nomes. Seja em língua estrangeira seja na nomenclatura técnica. Se você não sabe o nome da “coisa”, não pode aprender a usar o “troço”. Ok?

E só mais um detalhe. O estudo maciço funciona melhor para itens de memorização simples. Já para resolução de problemas, compreensão de processos e conhecimento interdisciplinar a PD é bem superior.

Por isto cuidado com as simplificações. Ao estudar faça-o com critério e Inteligência. Acreditamos que a Prática Distribuída pode ser benéfica para você. Experimente e nos mantenha informados de seus progressos nos comentários.

Um grande abraço

(1) Você precisa de tempo! A Prática Distribuída (Parte 1) – O que é?

(2) Caso você queira saber mais, há três outras postagens que podem ajudá-lo. São elas:

(3) Portanto não me venha com “piadinhas” dizendo que basta estudar um assunto hoje e mais uma vez dali a 10 anos para lembrar-se dele até o resto da vida. Ok?

Curso de Técnicas de Estudo e Motivação para a Aprendizagem

Olá a todos;

Este ano estou mais uma vez oferecendo a disciplina de aprendizagem “NUT001- Estratégias para o aprimoramento da aprendizagem na saúde.”. Se você é aluno de graduação da UFRJ na área da saúde, este convite é para você. Seja bem vindo!

Professor Mauricio Peixoto

nut001-estrategias-para-aprimoramento-da-apdz-na-saude-2017-01-cartaz-a4-retrato

Convite para alunos de Pós-Graduação

Convite estendido para a atividade (não obrigatória, mas bacana) que estamos organizando com a turma de mestrado 2016 no marco da disciplina ECS II…
Todo mundo convidado! Se agradece divulgação!
*Pode assistir de manhã, de tarde, ou em ambos dos momentos!

Turma ECSII – Mestrado Educação em Ciências e Saúde

sem7

 

 

Mostra Audiovisual sobre Diversidade

Convidamos para visita à Mostra Audiovisual sobre Diversidade, organizada pelxs alunxs da disciplina de graduação Imagem e Educação, Ciências e Saúde, que ocorrerá de 17 a 21 de outubro, sempre das 12 às 13 horas, no hall do Bloco A.A3 - Programação completa (1).jpg

As sete inteligências de Gardner


Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Olá!

Veja abaixo um resumo da Teoria das inteligências Múltiplas de Howard Gardner.

Prof. Mauricio Peixoto

Próximo post: