Pergunte “por quê? ”. Isto pode te ajudar!


Pedro Henrique Maraglia
Mestrando em Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

imagesSeres curiosos somos por natureza, imagine quantos “por quês? ” você já falou, leu e apenas pensou, incontáveis não?. Caro leitor, se você está lendo essa postagem acreditamos nós, do blog o aprendiz em saúde, que você está interessado em melhorar sua aprendizagem, ou no mínimo buscar informações, pressupomos isso. Na postagem de hoje vamos apresentar mais uma das técnicas de aprendizagem descritas no artigo “Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques: Promising Directions From Cognitive and Educational Psychology” de John Dunlosky e colaboradores. A estratégia da vez é o questionamento de elaboração (QE), ou questionamento elaborativo. Sem mais delongas vamos ao que interessa!

Basicamente essa técnica consiste em uma forma de aprofundamento. Quando você utiliza o “por que”, nitidamente há um direcionamento para algo mais essencial, elaborado, onde não lhe bastam apenas definições superficiais.  O QE é uma técnica onde o você deve gerar uma explicação para um fato, ou seja, você deve se questionar “por que”, e buscar a resposta, nesse sentido o “por que” é uma ferramenta que te motiva a se aprofundar mais.

Pesquisas demonstram que esta técnica tem obtido resultados expressivos durante a aprendizagem, atuando na estimulação da integração de novas informações aos conhecimentos que você já possui, facilitando a organização dos mesmos. Ela possibilita então, uma aprendizagem de forma mais significativa.

Apesar de os estudos até então publicados terem como público alvo estudantes de graduação, existe a possibilidade de que outros públicos possam a ser abordados, sendo também eficaz para alunos com pequenos problemas cognitivos. Contudo, outras pesquisas demonstram sua menor eficácia com públicos mais jovens, o que pode ser explicado já que esta técnica demanda um nível maior de autonomia. Como esta técnica está relacionada com os conhecimentos prévios, quanto maiores forem os conhecimentos prévios, melhor será o desempenho, portanto, é normal se esperar um maior rendimento de indivíduos mais experientes.

A utilização do QE requer um mínimo de treinamento, e não requer materiais sofisticados. A técnica é simples. Vamos a um exemplo prático:

Escolha um tópico de algum material que esteja estudando no momento. Em seguida escolha algum ponto que mais lhe chamou atenção, e faça seu questionamento. Por exemplo, se você está estudando português, e mais especificamente os tipos de orações; então você pode fazer o seguinte questionamento, “por que uma oração é subordinada? ”

Responda à questão da melhor maneira o possível, compare a resposta com o que você estudou. Você também pode usar as questões no final do capitulo do material, desde que, elas se enquadrem em suas necessidades. Lembre no entanto que os questionamento feitos por você mesmo são melhores. Eles tem maior capacidade de suprir suas necessidades pessoais de aprendizagem, pelo fato lógico de que elas partem de sua interação com situações de aprendizagem, então surgem de você e não do autor do livro.

Nitidamente o QE possui capacidade melhorar a aprendizagem, contudo ainda são necessárias maiores pesquisas sobre está técnica e sua generalidade, muito pelo fato de que, essa técnica depende muito do tipo de aprendiz que a implica, necessitando de uma mudança de postura, passiva, para uma postura ativa, de sempre estar se perguntando e buscando estes aprofundamentos.

Note que acima apresentamos um exemplo específico para alunos no nível do segundo grau. Mas a técnica é extensível a qualquer nível e área de conhecimento. Por exemplo, na área da saúde:

  1. Por que, no Ciclo de Krebs, são necessárias tantas transformações bioquímicas para produção de ATP?
  2. Por que, nos pacientes com icterícia devo pensar em alterações hepáticas?
  3. Por que, devo usar anticoagulantes em pacientes com hemorragia, como é o caso da Coagulação intra-vascular disseminada?
  4. Por que,….

Perceba que nestes casos, a capacidade de responder depende muito do que o aluno já sabe, o que é muito bom. Quando a resposta vem fácil é porque o conteúdo já está minimamente processado e o efeito é o de reforçar relações entre informações já presentes na mente do estudante. Por outro lado, se este não for o caso, a busca pelas respostas leva o aluno à um maior aprofundamento no conteúdo e simultânea aprendizagem mais significativa.

Finalmente, um alerta. Não é qualquer pergunta que tem estes efeitos.  E também não é qualquer resposta que leva à aprendizagem significativa. Note que os exemplos acima são sempre questões que demandam respostas que explicitam relações ente conteúdos diversos. Buscam explicitar fenômenos que são o pano de fundo para os eventos mais visíveis. Evite fazer perguntas simples que levam a respostas diretas. As melhores questões são as que te permitem explicitar e compreender a complexidade dos fenômenos que você está estudando.

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