CONHECER é atividade


Na filosofia crítica, o conhecimento é algo que acontece com, ocorre dentre, sendo o aprendiz algo passivo. É uma relação essencialmente estática entre a mente do aprendiz e o mundo externo. Já na filosofia pós-crítica a atividade é fundamental porque;

  1. Não há conhecimento fora de um engajamento ativo entre o aprendiz e o que há a ser conhecido.
  2. O conhecimento é um ato de fazer. Não é algo que se tem, mas que se faz. Ela considera que o conhecimento surge apenas em um contexto concreto social e histórico. “Pessoas agem no mundo, e assim o fazendo, tanto adquirem como exibem conhecimento”.

Do trabalho de Piaget percebe-se como o desenvolvimento de habilidades cognitivas depende da atividade física, mesmo antes do seu comportamento lingüístico.

Contraste entre o processo inferencial e o ato integrativo

Na indução o aprendiz move-se do particular para o geral. Este processo é reversível, uma vez que as etapas podem ser identificadas passo a passo.

Já no ato integrativo, o aprendiz também se move do particular para o geral. No entanto a ponte entre o particular e o geral não se faz, como antes em um processo analisável, mas através de um ato irreversível de integração. O todo se mostra compreensível em função da interação dos particulares com a mente ativa e corporificada. O ato integrativo é logicamente anterior à inferência. De Aristóteles sabemos que toda dedução depende de prévia indução, pois este fornece as premissas de onde a dedução se inicia. E a indução depende de um ato anterior de reconhecimento, que provê o contexto dentro do qual é possível experienciar e identificar como tais as ditas premissas. Ainda mais; por definição a inferência (dedutiva ou indutiva) é um processo lógico que parte de um dado conhecimento para produzir outro. Ora, o primeiro conhecimento, necessariamente, deve partir do zero; o que significa que esta não pode, portanto basear-se em qualquer tipo de inferência.

Assim, todo o raciocínio inferencial (indutivo ou dedutivo), depende primariamente de um ato de reconhecimento. Conseqüência maior deste processo, é que o conhecimento, em seu aspecto mais primário não depende da inferência, mas de um indizível e incognoscível ato integrativo. E a dinâmica do ato integrativo baseia-se na atividade. Objetos e eventos do mundo tornam-se realidades para nós, porque interagimos com eles, não o contrário.

O “culto da objetividade”

Hegemônico na tradição ocidental, o culto da objetividade tem suas origens na negação da atividade como fulcro no processo de conhecer. Sob este ponto de vista, o objetivo da filosofia crítica é atingir o conhecimento através de progressiva depuração de todos os elementos subjetivos, estes apresentados como destituídos de valor. O problema neste caso é triplo:

  1. É utópico, por ser em princípio irrealizável; homens são subjetivos por natureza.
  2. Desvirtua a natureza óbvia do ato de conhecer; como demonstrado ao discutirmos o ato integrativo.
  3. É internamente inconsistente, pois ao valorizar a objetividade em detrimento da subjetividade, faz uso do conceito de valor, ele próprio subjetivo, afirmando portanto a priori, o que pretendia negar.

A solução do problema é considerar o conhecimento como surgindo dentro e a partir da relação. Isto é mais realístico, útil e consistente.

“Todo conhecedor, do cientista teórico interagindo com símbolos abstratos, ao atleta talentoso ao julgar o ângulo e velocidade de uma bola, adquire e emprega conhecimento em uma participação relacional com aquilo que é para ser conhecido. Assim, conhecer é uma atividade, um fazer.” (grifo meu)

Referência: Gill, Jerry H.: Learning to Learn: Toward a Philosophy of Education (cap 2), – Ed.:Humanities Press Internacional, Inc., Atlantic Highlands, New Jersey, pp 48-50 , 1993.

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