Uma síntese dos conceitos de conhecimento


Faz algumas semanas iniciamos esta série de posts apresentando o livro “Learning how to learn: Toward a Phylosophy of Education” de Jerry H. Gill. Como já diz o título, o objetívo do autor é  propor uma modelo de base filosófica para compreeender o processo educacional. Na primeira etapa de suas reflexões, Gill revê os conceitos de conhecimento segundo quatro autores, aqui já apresentados: Whitehead, Dewey, Paulo Freire e Carl Rogers. São todos autores relevantes para a Educação já que suas idéias permeiam e alimentam, explícita ou implícitamente parcela siginificativa das teorias e práticas pedagógicas da atualidade.

Neste post encerramos o resumo desta primeira parte do livro, com uma tentativa de síntese integradora das ideías aqui apresentadas. Por um lado todos rejeitam a idéia tradicional do conhecimento como algo externo a ser passivamente aprendido pelo aprendiz. Cai por terra a noção da “tabula rasa”. No entanto cada um o faz à sua maneira. São autores que não fogem do seu tempo. De Whitehead a Paulo Freire, há como que uma progressiva modernização do conceito de conhecimento. De uma visão mais tradicional de conhecimento como algo a ser metabolizado pelo aluno até sua compreensão como de algo construido pela interação. Como se vê no quadro abaixo Whitehead e Dewey vivendo e produzindo na virada do século, enquanto Rogers e Freire transitando por quase todo este século que acabamos de deixar.

Whitehead Dewey Rogers Freire_Cronologia

A síntese

Mas entendê-los apenas como peregrinos do tempo seria agredir a complexidade de suas idéias. Gill procura uma forma de integra-los sem reduzi-los. Propõe que suas teorias sejam analizadas pelo entrecruzamento de duas categorias: o conhecimento e o conhecedor, ambas apresentando uma variação contínua entre dois polos.

Assim o conhecimento pode ser entendido de duas formas. Por um lado pode ser considerado como produto; é um conteúdo que externo ao indivíduo é por ele assimilado. Em Whitehead por exemplo o conhecimento é algo quantitativo e essencialmente aquisitivo. No outro extremo há a compreensão do conhecimento como um processo, um método de construção. Aqui o conhecimento aflora da relação que o aprendiz estabelece com o mundo em que vive, como encontramos em Paulo Freire por exemplo.

A outra categoria refere-se ao conhecedor. Já dito, os quatro autores rejeitam a proposição de considerar o aprendiz como elemento passivo no processo de aprendizagem. No entanto diferem quanto ao seu papel. Em Whitehead, organicista, o aprendiz como que “digere” a informação transformando-a em conhecimento e condicionamento de habilidades. Rogers também toma o aprendiz como locus do aprendizado, mas afasta-se um pouco da relação com o mundo enfatisando as forças internas do conhecedor e sua atribuição pessoal de significado aos conteúdos. Já Dewey o entende como atuando no mundo para aprender. Afirma que o conhecimento aflora da experiência do conhecedor com o ambiente.  Finalmente  Freire enfatisa o coletivo, mas  o seu aprendiz insere-se em um mundo social e político. Seu aprendizado se dá dialógicamente elevação do nível de consciência o que lhe permite defrontar-se com  problemas reais cuja resolução leva ao aprendizado. Desta forma então é possível entender a categoria do conhecedor variando entre o polo do aprendiz individual e o coletivo.

Desta forma uma integração possível entre estes quatro autores é a que se apresenta na figura abaixo:

Relação entre Whitehead Dewey Rogers e Freire Assim é que podemos alocar os pensadores: Whitehead como representante da abordagem mais tradicional, parece combinar uma ênfase no conteudo e no aprendizado individual. Dewey e Freire diametralmente opostos com suas abordagens enfatizando o aprendizado coletivo e valorizando o processo. Finalmente Rogers diferindo um pouco destas duas abordagens, com sua enfase no indivíduo e no processo.

Segundo Gill, o desenvolvimento de pesquisas que dêem um enfoque mais sólido à experiência educacional, depende de uma abordagem mais profunda do caráter da relação entre o aprendiz e o conhecimento. E isto, independente da corrente a que se filie o pesquisador. Em sua opinião isto envolve a conformação de um modelo epistemológico bastante diferente daquele presente em qualquer um dos pensadores cosiderados. E é isto que desenvolveremos nos próximos posts.

Referência:

Gill, Jerry H.: Learning to Learn:Toward a Plilosophy of Education (cap 1), – Ed.:Humanities Press International, Inc., Atlantic Highlands, New jersey, pp 35-36, 1993

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Leia também:

O CONHECIMENTO segundo CARL ROGERS
O CONHECIMENTO segundo PAULO FREIRE

O CONHECIMENTO segundo DEWEY

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