O que é aprender a aprender? Nossos fundamentos


Introdução

Na semana passada  introduzimos o tema com a metáfora da piscina. Em resumo, nadar é como aprender. Você precisa aprender a nadar para poder beneficiar-se de um bahno de piscina. O prazer de nadar e refrescar-se em uma piscina pressupõe seu domínio das técnicas de natação. Mas são duas coisas diferentes. Da mesma mesma forma, conhecer um assunto é bom e te dá muitas vantagens. Mas para saber este assunto você precisa dominar as formas de aprendê-lo. Saber algo implica em aprender a aprender, mas uma coisa não se confunde com a outra.

Assim podemos agora fazer uma primeira tentativa de definir o que é aprender a aprender:

Aprender a aprender é a atitude do aprendiz de aprender os procedimentos necessários ao aprendizado de qualquer conteúdo.

Nesta definição rudimentar você percebe que há três termos importantes: atitude, procedimentos e conteúdo. Neste sentido digo que aprender a aprender é uma atitude, isto é, uma predisposição, uma postura ativa do aprendiz, uma decisão de agir. Esta postura é dirigida a um objetivo: apropriar-se de um conteúdo, isto é, saber fazer algo, conhecer um assunto, aproximar-se ou dominar uma área do conhecimento. Mas este objetivo só pode ser atingido por meio de algum procedimento, isto é, diferentes técnicas e/ou maneiras de fazer que permitem o aprendizado do conteúdo.

Estes procedimentos podem ser ações concretas que o aprendiz realiza, mas são também e principalmente formas de pensar tanto o conteúdo como também as maneiras de apropriar-se dele. Há determinados procedimentos que podem ser considerados mais gerais, servindo para qualquer conteúdo. Mas há também aqueles mais específicos, aplicáveis apenas a determinados assuntos.

Feita esta breve introdução, podemos agora aprofundar. Começaremos com algumas idéias mais gerais sobre o tema, e depois seremos mais específicos.

As pedagogias do “Aprender a aprender”

De uma forma geral, o termo aprender a aprender está ligado à linha construtivista, que teve como um de seus iniciantes Jean Piaget. De forma simples, a idéia construtivista é a de que o aprendizado se dá quando o indivíduo interage com o conteúdo. Neste sentido então o que se aprende é uma construção pessoal. Como conseqüência de sua percepção subjetivista, o construtivista encara o conhecimento como interpretação pessoal da experiência.

Um dos princípios do aprender a aprender é o desenvolvimento da autonomia do aprendiz, onde este aprende a construir o conhecimento por si mesmo. Neste sentido o aprendizado é de um nível mais significativo do que aquele que ocorre pela mera transmissão do conteúdo. No dizer do construtivista espanhol César Coll:

Numa perspectiva construtivista, a finalidade última da intervenção pedagógica é contribuir para que o aluno desenvolva a capacidade de realizar aprendizagens significativas por si mesmo numa ampla gama de situações e circunstâncias, que o aluno “aprenda a aprender”. (Coll, 1994, p. 136)

Um segundo princípio é o da apropriação do método científico. Piaget defende a idéia de que o conhecimento e suas regras são construidas pela criança em interação com o meio, daí o termo “Epistemologia Genética” para identificar sua teoria. De alguma forma suas idéias são uma extensão de suas pesquisas biológicas. Daí a força que os conceitos de adapatção, assimilação e método científico têm em sua teoria. Assim sendo, e em harmonia com o princípio anterior, advoga no processo educacional um papel de relevo para o método científico como ferramenta para construção autônoma do conhecimento.

O terceiro princípio do aprender a aprender é o de que que para a aprendizagem ser verdadeiramente educativa ela deve ser movida pelos interesses e necessidades da própria criança. E aqui podemos citar Ferrière e Claparède além de todos os outros ligados ao movimento da Escola Nova. Este movimento da escola nova valoriza sobremaneira o aprender como questão fundamental do processo educacional. , Dewey (1859-1952), afirma que o ensino deveria dar-se pela ação e não pela instrução – learning by doing. De acordo com tal visão, a educação é essencialmente processo e não produto se confundiria com o próprio processo de viver.

Finalmente o quarto principlio está ligado ao que se chamou de “Sociedade do Conhecimento” Tem como base uma visão de sociedade em constante mudança e valorização progressiva do trabalho intelectual. Aqui, embora necessárias, as habilidades manuais puras são cada vez menos valorizadas. Precisam integrar-se a um aprendizado contínuo como forma de sobrevivência.

Em uma sociedade baseada na informação, aquele que consegue apreendê-la transformando-a em conhecimento está em situação mais confortável que outro incapaz disto. Por isto cabem aqui as palavras de Pozzo:

Neste sentido, o valor crescente do conhecimento e sua gestão social em nossa sociedade deveriam valorizar também a importância dos processos de aquisição deste conhecimento, uma vez que são algumas das ferramentas mais poderosas para espalhar ou distribuir socialmente essas novas formas de gestão do conhecimento e, afinal, para democratizar o saber, no genuíno sentido de fazê-los mais popular, mais horizontal e mais acessível a todos. (Pozzo, J.I.- Aquisição de Conhecimento, 2005)

Por hoje é só.
Na semana que vem continuamos a série,
agora apresentando a nossa posição. Discutiremos
o aprenda a aprender sob a ótica das
crenças epistemológicas, metacognição, estilos
e estratégias de aprendizagem.
Até lá…

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