Gardner e as Inteligências Pessoais – Parte 2


InteligenciasPessoais

Resumo de Gardner, H.: As Inteligências Pessoais,
in Gardner, H.:Estruturas da Mente:
A Teoria das Inteligências Múltiplas,
Porto Alegre, Editora Artes Médicas Sul, 1994

Na semana passada tratamos de um dos critérios em defesa da existência de uma Inteligência Pessoal: o Isolamento potencial por dano cerebral. Mostramos porque no caso das Inteligências Pessoais este critério é satisfeito

Hoje lidamos com mais um deles, a:

História e Plausibilidade Evolutiva

Aqui, o que é necessário para satisfazer este critério é demonstrar que:

  • No ser humano a inteligência apresenta uma história. Isto é; se inicia incipiente em uma idade precoce, sofisticando-se ao longo do crescimento.
  • Que a inteligência, respeitadas as diferenças e limites das diferentes espécies, também se expressa em animais.

Os sentimentos e privação materna nos animais

O reconhecimento de rostos e vozes, a formação de ligações próximas com outros organismos e a experiência de uma gama de sentimentos não são propriedades exclusivas dos humanos. Podem ser encontrados no reino animal e certamente na ordem primata. Mas a capacidade de ligar estas formas de conhecimento ao eu e ao nosso conhecimento mais público dos outros surge como função humana singular.

Por meio de estudos com macacos órfãos, sabemos que a ausência de alguns estímulos produzirão seres que não reagem adequadamente a outros macacos. Eles não conseguem assumir seu papel adequado nas hierarquias de dominação e provam ser incapazes de criar sua prole. A privação materna exerce efeitos irrevogáveis nas inteligências pessoais, não exercendo efeitos comparáveis à outras capacidades cognitivas.

O senso de eu e sua formação nos seres humanos

A maneira pela qual ocorre a formação de um senso de eu, na adolescência, determinará se o indivíduo poderá funcionar com eficácia dentro do contexto social no qual escolheu viver.

Dois fatores estão ligados à ascendência do conhecimento pessoal na evolução da nossa espécie. O primeiro fator é a infância prolongada e sua íntima ligação com a mãe, o que fornece modelos para a prole jovem. O segundo fator é o surgimento de uma cultura na qual a caça de grandes animais assumiu grande importância, necessitando da participação e cooperação de um maior número de pessoas.

Se ainda bebê, o ser humano apresenta pouca evidência destas inteligências, na meia infância, elas começam a se expressar. As crianças mostram-se envolvidas em amizades, dedicando maior tempo a pensar sobre a esfera interpessoal. São ainda capazes de se colocar na pele de outras pessoas para iniciar formas recursivas de conhecimento pessoal.

Já a criança em idade escolar demonstra capacidade de relacionar-se de uma maneira mais flexível e forjar amizades com os outros. Há um declínio do egocentrismo. Isto é, diminui a característica infantil de perceber o mundo como centrado exclusivamente em si mesma. Nesta fase surge ainda a capacidade de reconhecer como tratar os outros de maneira justa. A criança começa a perceber que há intenções e motivações nos outros que nem sempre aparecem explícita e objetivamente na relação. Finalmente a criança começa a demonstrar preocupação com a aquisição de habilidades e conhecimentos.

Por outro lado, as crianças na meia infância podem adquirir sentimentos de desamparo, quando tornam-se convencidas de que há determinadas buscas que não podem desempenhar. E também podem sentir-se completamente sozinhas se forem incapazes de forjarem amizades efetivas com outras pessoas.

Na adolescência ocorre um amadurecimento do conhecimento da própria pessoa assim como o de outras pessoas. É um período no qual os indivíduos devem unir estas duas formas de conhecimento pessoal em um sentido maior e mais organizado, ou seja, um senso de identidade ou um senso de eu.

Nesta fase os relacionamentos não são mais fundados apenas nas recompensas físicas que os outros possam oferecer, mas no apoio psicológico e entendimento que um indivíduo pode oferecer. O adolescente busca amigos que o valorizem também por seus próprios insights, conhecimento e sensibilidade e não apenas por sua força ou posses materiais.

 

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2 thoughts on “Gardner e as Inteligências Pessoais – Parte 2

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