No Senado, com Maiakóvski


Em tempos de cinismo,  mentiras deslavadas e pizzas enlameadas, não resisti. Aí vai um extrato de antigo poema que mantem sua validade.

 No caminho, com Maiakóvski

Eduardo Alves da Costa, Editora Círculo do Livro, 1988,
página 40, caixa postal: 01051 – São Paulo – SP.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

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