Como entender uma frase usando a Metacognição (Passo 3)


Este é o terceiro post de uma série de três, onde mostro passo a passo uma técnica para facilitar a compreensão de frases difícieis. No passo 1, mostrei a importância da linguagem. No passo 2 a ênfase foi na estrutura lógica da frase. Hoje trabalharemos o seu conteúdo; mais específicamente a importância do conhecimento prévio na compreensão de frases difíceis. Comecemos então o nosso passo a passo.

Idéias primárias e secundárias

Já mostramos que a frase é mais que um mero conjunto de palavras. É uma ferramenta de comunicação que usa as palavras para transmitir idéias. Pois bem, estas ideias podem ser primárias ou secundárias, i. é, podem ser entendidas por elas mesmas ou apenas por referência à outras idéias. Estas idéias secundárias são mais “densas”, ou seja, contém em si outras idéias.

Tomemos a palavra “cadeira”. Ao ouvi-la o ouvinte se remete imediatamente ao objeto referido:


Claro que voê pode associar a este objeto outras idéias, mas isto não é obrigatório. Fala-se em “cadeira” e pronto – a compreensão se dá.

Já isto não ocorre quando ouvimos a palavra “Helenismo”.  Para entendê-la´é necessário resgatar da memória vários objetos. Apenas alguns exemplos: o país “Grecia”, a mitologia grega, a história da Grécia e sua influência que se estendeu ao longo dos séculos até os dias de hoje. Assim:

bandeira_grecia                               

Em síntese, há palavras cujo entendimento depende apenas delas mesmas e outras que demandam conhecimentos anteriores. Dito de outra forma, para entender determinadas frases e/ou textos são necessários estudos anteriores preparatórios.

A idéia principal da frase a ser compreendida

Agora já podemos voltar à frase com que temos trabalhado:

“Na Idade Moderna, a partir do séc XIII, na Europa, há uma volta às influências greco-romanas.”

Como vimos nos posts anteriores, há nesta frase uma idéia principal que é afirmada – “há uma volta às influências greco-romanas.” e informações de quando  – “Na Idade Moderna, a partir do séc XIII,” e onde isto ocorreu – “na Europa”.

Para compreender a frase atente para a ideia principal, contextualizando-a, tanto em relação aos seus complementos como também á algumas informações adicionais escolhidas.

Em primneiro lugar dá para entender que se há uma volta, implica que imediatamente antes não havia, mas um bom tempo antes as “influências greco-romanas” estavam presentes. Então cabe pensar em uma linha do tempo:

Como entender uma frase usando a metacognição passo 3a

E agora resta a pergunta: Influências greco-romanas em que? Bem para isto você precisa “sair” da frase e olhar o contexto. Em nosso caso o texto de onde foi retirada esta frase versava sobre Históra da Arte. Estamos portanto falando de influências greco-romanas em movimentos artísticos. Se é isto, cabe então saber que movimento era este na Idade Moderna. Uma consulta ao livro nos dá a resposta: Renascimento.

Continuando: Se foi o Renascimento que expressou estas influências, antes dele não havia isto (lembre-se  da “volta”), e qual foi? O mesmo livro nos dá a resposta: Arte Medieval. E agora então podemos enriquecer a linha do tempo:

Como entender uma frase usando a metacognição passo 3b

Começam a perceber como a compreensão vai aumentado com as informações adicionais?

Os conteúdos adicionais

E agora, o que falta? Ora, saber o que é esta tal de influência greco-romana nos movimentos artísticos citados. E para isto, de novo ao livro para descobrir quais são as características dos diferentes movimentos. Assim:

Greco-Romamo A. Medieval Renascimento
  • Ritmo
  • Equibrio
  • Harmonia
  • Proporção da figura humana
  • Representação da natureza
  • Deformação da figura huma
  • Temas religiosos
  • Imitação de formas rudes e alongadas
  • Nenhuma preocupação em imitar a natureza
  • Equibrio
  • Harmonia
  • Proporção da figura humana
  • Representação da natureza
  • Uso do claro-escuro

Na tabela então você pode perceber que a “volta às influências greco-romanas.” se refere à transformação da Arte Medieval descrita acima na Arte Renascentista, com as características que revelavam um retorno à arte presente no período greco-romano.

Para seguir o mesmo raciocínio, deveríamos agora discutir o que é “Idade Moderna” e “Europa”, mas acho que já ficou claro o processo. Ok?

Concluindo

Assim, entender uma frase difícil se faz em três etapas metacognitivas. O passo 1 é verificar a conpreensão da linguagem. O passo 2 é estudar a lógica da frase. E finalmente o passo 3 é estudar o seu conteúdo contextualizando-o em todos os conhecimentos anexos pertinentes.

E assim portanto, as perguntas metacognitivas a fazer neste passo 3 são:

  1. O que sei sobre a idéia principal da frase? Se não for o suficiente para sua compreensão então proseguir.
  2. O que preciso saber?
  3. Agora que já sei o suficiente, como o que sei me ajuda a compreender a frase? ou seja: Que significados novos posso atribuir a esta frase, agora que aprendi o que não sabia?

Bem, então por hoje é só. Dúvidas? Deixe sua questão no campo de comentários.

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