Construtivismo: Piaget e a Adaptação


Em seus estudos de Biologia, Piaget comprovou que os organismos vivos podiam adaptar-se geneticamente a um novo meio, escolhendo, eles mesmos, de maneira ativa e auto-reguladora, utilizando seus meios de adaptação (Pulaski, 1986, p.22).
Esse é um processo dinâmico e contínuo, pelo qual a estrutura hereditária do organismo interage com o meio externo de modo a se reconstituir com vistas a uma melhor sobrevivência. Aplicando as conclusões de seus estudos de Biologia aos estudos do conhecimento humano, Piaget conclui que existe também uma relação evolutiva entre o sujeito e seu meio. Assim como as plantas e os animais inferiores se reconstruíram para sobreviver em um ambiente hostil, assim também a criança reconstroi suas ações e idéias quando se relaciona com novas experiências ambientais. Enquanto contata continuamente com seu meio, o sujeito elabora estruturas ou organizações de ação e pensamento que caracterizam diferentes faixas de idade, as quais Piaget classificou como estágios.
O conhecimento humano, portanto, se constrói na interação homem-meio, sujeito-objeto, não estando pré-determinado nem nos sujeitos nem nas condições ou características do objeto. As formas de conhecer são, portanto, construídas nas trocas com os objetos, tendendo a uma melhor organização em momentos sucessivos de adaptação ao objeto.
A adaptação ocorre através da organização. O organismo discrimina entre estímulos e sensações, selecionando aqueles que irá organizar em alguma forma de estrutura. Esta habilidade de integrar as estruturas físicas e psicológicas em um sistema coerente é um tendência implícita na herança biológica humana e não se separa da adaptação.
A adaptação, por sua vez, possui dois mecanismos opostos, mas complementares que garantem a continuidade do processo geral de desenvolvimento: a assimilação e a acomodação. O primeiro é um processo pelo qual as coisas, pessoas, idéias, costumes e preferências são incorporadas à atividade do sujeito. Já a acomodação é um processo de ajuste que consiste em dirigir-se para o meio. Por exemplo, a criança aprende a língua muito antes de ser capaz de falar. Assimila gradualmente tudo que ouve e transforma em coisa sua. Ainda mais, ouve e começa a balbuciar em resposta à conversa ao seu redor e gradualmente acomoda os sons que emite àqueles que ouve, passando a falar de forma compreensível.

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