Cognitivismo clássico – Posições sobre a Inteligência


 Howard Gardner

A Teoria das Inteligências Múltiplas sugere que há várias formas de inteligência e que cada indivíduo as possui em graus variados. Gardner (1993) propõe sete formas primárias: lingüística, musical, lógico-matemática, espacial, corporal-cinestésica, intrapessoal (p. ex. perspicácia, metacognição) e interpessoal (p. ex. habilidades sociais). Há ainda, mais recentemente a proposição de dois outros tipos de inteligência, a naturalística e a existencial.
De acordo com Gardner, a principal característica dessa teoria é que aprender e ensinar devem estar centrados nas inteligências particulares de cada pessoa. Uma implicação adicional da teoria é que as medições de habilidades pessoais deveriam contemplar todas as formas de inteligência, não só lingüística e lógico-matemática.
Gardner cita também o contexto cultural de inteligências múltiplas, pois cada cultura tende a enfatizar inteligências particulares. Pelas suas implicações práticas, entre outras, a Teoria da Inteligências Múltiplas tem tido grande aceitação na literatura e no mundo educacional e empresarial. Do mesmo passo tem sofrido críticas, pela sua visão, no dizer de alguns, neomecanicista, ao fundar suas idéias em estruturas neuronais e condicionamento genético da inteligência. Em nossa opinião entretanto, tratam-se de críticas infundadas. Primeiro porque embora presentes na teoria, tais conceitos não são considerados pelo autor como fundamentais para a definição de um tipo ou outro de inteligência. Na verdade, fazem parte de um conjunto variado de critérios, que presentes no todo ou em parte sugerem a idéia da existência de um determinado tipo de inteligência. Ressalte-se ainda que este conjunto de critérios abrange um arco desde aqueles mais próximos de conceitos organicistas até os mais caracterizáveis como sociais e/ou culturais. Em segundo lugar o próprio autor alerta para os perigos de reificar o conceito de inteligência:
“Um ponto final crucial antes de voltar-me para as inteligências em si. Há uma tentação humana universal de dar crédito a uma palavra à qual nos tornamos apegados, talvez porque nos ajudou a entender melhor uma situação. Conforme observei no início deste livro, inteligência é uma destas palavras; nós a usamos com tanta frequência que viemos a acreditar em sua existência como uma entidade mensurável e tangível genuína ao invés de como uma maneira conveniente para rotular alguns fenômenos que podem (mas é bem possível que possam não) existir.
Este risco de reificação é grave num trabalho de exposição, especialmente em um trabalho que tenta apresentar conceitos científicos novos. Eu e leitores simpatizantes tenderemos a pensar — e a cair no hábito de dizer — que aqui observamos a ‘inteligência lingüística’, a ‘inteligência pessoal’ ou ‘a inteligência espacial’ em funcionamento, e isto é tudo. Mas não é. Estas inteligências são ficções — no máximo, ficções úteis — para discutir processos e capacidades que (como tudo na vida) são contínuos; a natureza não tolera qualquer descontinuidade aguda do tipo aqui proposto. Nossas inteligências estão sendo separadamente definidas e descritas estritamente para esclarecer questões científicas e fazer frente a problemas práticos prementes. E permissível incidir no pecado da reificação, contanto que permaneçamos conscientes de que isto é o que estamos fazendo. Então, quando voltamos nossa atenção para as inteligências específicas, devo repetir que elas existem não como entidades fisicamente verificáveis, mas apenas como construtos científicos potencialmente úteis.”

A teoria de inteligências múltiplas compartilha algumas idéias comuns com outras teorias de diferenças individuais como as de Cronbach & Snow, Guilford, e Sternberg. Gardner (1994) e também Marks-Tarlow investigam as implicações da estrutura teórica em relação à criatividade.
A teoria de sistemas de símbolos de Salomon (1977) trata da relação entre a aprendizagem e a maneira pela qual uma mensagem é apresentada. De maneira simples, afirma que o código (visual, lingüístico, etc.) em que um conteúdo é apresentado modula o quanto e como um dado indivíduo nele aprende. Neste sentido, guarda relações com a teoria de Gardner das Inteligências Múltiplas e ainda com as pesquisas de estrutura de computadores.
A teoria de Interação Aptidão – Estratégia Instruciona de Cronbach e Snow (1977), diz que algumas estratégias instrucionais são mais efetivas para indivíduos com determinadas habilidades. As suas pesquisas cobrem uma gama variada de aptidões e estratégias instrucionais. São usadas para investigar novas estratégias de ensino, mantendo um forte vínculo com teorias de inteligência, sugerindo uma visão multidimensional de habilidades.
A Tríplice Teoria de inteligência (1977) congrega três sub-teorias, todas interagindo para proporcionar a aprendizagem. Diferenciam-se pelo seu enfoque particular sobre o comportamento inteligente. A sub-teoria dos componentes delineia a sua estrutura. A experencial interpreta-o como um contínuo do novo para o familiar. Já a contextual, leva em conta o ambiente em interação com o indivíduo.
De acordo com Sternberg, um dos componentes mais fundamentais de sua teoria é a metacognição ou processos executáveis, que controlam as estratégias e táticas utilizadas em comportamentos inteligentes.
Na teoria da Estrutura do Intelecto de Guilford a inteligência contém operações, conteúdos e produtos. Há 5 tipos de operações (cognição, memória, produção divergente e convergente e avaliação), 5 tipos de conteúdos (visual, auditivo, simbólico, semântico e comportamental) e 6 tipos de produtos (unidades, classes, relações, sistemas, transformações e implicações). Uma vez que cada uma dessas dimensões é independente, existem teoricamente, 150 componentes diferentes de inteligência. É uma teoria geral de inteligência humana, sendo que sua principal aplicação, além da pesquisa educacional (Meeker, 1969), é na seleção e alocação de pessoal.

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5 thoughts on “Cognitivismo clássico – Posições sobre a Inteligência

  1. O cognitivo é uma evidência de que todo o ser humano pensa de forma diferente ,mas entender esta complexidade do outro são buscas incessantes. Pesquisadores,professores e alunos buscam intensamente uma resposta para este fenomeno que é a inteligência . Como é ? De qual maneira vamos conhecer? Mensurála ,como ,as teorias estão surgindo de vários estudiosos .Vygotyski e Piaget estudaram estê tema e também obtiveram suas conclusões. Mas por fim o mais importante é saber o que pensam os analistas deste assunto.
    Valdeci de Sá xavier

    Sim Valdeci,
    Concordo com você sobre a importância de ouvir os especialistas, mas muito importante também é você aplicar na sua vida os relevantes questionamentos que fez.
    um grande abraço,
    Prof. Mauricio Peixoto

  2. Muito se fala na multiplicidade das inteligências e as nuances cognitivas. Agora, sobre a origem da inteligência, encontrei apenas um estudo sério. Sem sombra de dúvida, o evolucionista Alirio Freire (o cara é brasileiro) conseguiu tecer a mais convincente teoria sobre a origem da inteligência. Este foi um tema que perseguí durante muito tempo, até que me deparei com o estudo do Alírio. Soube que o estudo será publicado na íntegra no próximo ano.

  3. Professor estou precisando de uma apreciando critica sore Gardner inteligencia multiplas e de stnberg inteligencia Humana (um) e suas multiplas dimensões.
    Obrigada

  4. Obrigado pela colaboração. Procurei na web mas não encontrei nehum artigo deste autor em revista científica. talvez uma pesquisa mais profunda (quem sabe no Portal de periódicos da CAPES), me permita encontrar algo. Só encontrei um artigo do próprio em um blog (http://origemdainteligencia.blogspot.com/) mas infelizmente ele não continha nenhuma referência nem crítica externa. Mas como vc diz que em breve ele publicará o seu artigo, peço que logo que isto ocorra me comunique, que darei publicidade em meu blog. É muito relevante para mim divulgar idéias de pesquisadores brasileiros.
    Para colaborar, apresento abaixo três referências sobre as origens da inteligência. Lamento mas elas estão em inglês, pois não encontrei nada adequado em português na web pública .
    Prof. Mauricio
    1)
    http://www.pnas.org/content/99/15/10221.abstract
    2)
    http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=BMXVZzvLXz8C&oi=fnd&pg=PA193&dq=%22origins+of+intelligence%22&ots=KZmWjJ-QtA&sig=mnC0CJeSFQ0UjUUD4wpqnHbGCr8#v=onepage&q=%22origins%20of%20intelligence%22&f=false (ver página 193 e seguintes)
    3) http://jhupbooks.press.jhu.edu/ecom/MasterServlet/GetItemDetailsHandler?iN=9780801866715&qty=1&viewMode=3&loggedIN=false&JavaScript=y

  5. No meu blog tenho publicado algumas coisas. Procure nas tags “inteligência” e “inteligências múltiplas”. Pode também fazer um busca pelo termo “Gardner”
    Abs,
    Prof. Mauricio Peixoto

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