Do Ensino à Aprendizagem: O Pós-modernismo


“Homenagem a Magritte” (1984)
de José de Guimarães 

Filósofos e educadores apontam tendências atuais, ao término do milênio com crises de paradigmas nas ciências, na cultura e na sociedade. Dentre alguns caminhos apontados, aparece um novo discurso, superando o conteudismo e o politicismo, é a escola oniforme (não uniforme), crítica e participativa, autônoma, com sadio pluralismo de idéias, onde ensino não se confunde com consumo de idéias. Busca desenvolver onilateralmente todas as potencialidades humanas.

Propõem uma escola oniforme, única e popular que seria o oposto da escola burguesa, doutrinadora e padronizada. Escola significa alegria e lazer, segundo Georges Snyders “esse é o ideal da escola: a alegria de construir o saber elaborado.”

Essa base filosófica coloca em um novo patamar as correntes e tendências da educação, divididas em questões políticas, metodológicas e epistemológicas, que hoje se definem como perspectivas, que somam e integram, ao contrário das tendências, que limitam. Situam o fenômeno da educação não mais nas questões políticas (iluminismo), não mais nas questões científicas (positivismo), não mais nas questões metodológicas (escolanovismo). Essa nova concepção da educação fundamenta-se na antropologia.

Dentre as teorias surgidas nos últimos anos, desperta o interesse dos educadores os paradigmas holonômicos, incluindo aí as reflexões de Edgard Morin, autor de “O Enigma do Homem”, que propõe uma lógica do vivente, isto é, um princípio unificador do saber, do conhecimento em torno do homem, valorizando o seu cotidiano, o pessoal, a singularidade, o acaso e outras categorias como decisão, projeto, ruído, ambigüidade, escolha, síntese , vínculo e totalidade. Essas seriam as novas categorias dos paradigmas que se chamam holonômicos (holos – todo), que procuram não perder de vista a totalidade. Mais do que a ideologia, a utopia teria essa força de resgatar a totalidade do real. Pretendem restaurar a totalidade do sujeito individual, valorizando a iniciativa, a criatividade, o micro, a singularidade, a complementaridade, a convergência.

O novo brota do velho, no seio da crise da educação moderna surgem os elementos da educação do futuro, inserido no atual e recente movimento histórico-social chamado pós-modernismo, hoje considerado um movimento de indagação sobre o futuro.

A educação pós-moderna, que tem como identidade negação do modernismo e associação ao multiculturalismo, pretende transformá-la, tendo como concepção geral o respeito à diversidade, as minorias étnicas, etc. ampliando conhecimento, visão de mundo. Quer resgatar a unidade entre história e sujeito. Antes de conhecer, o homem está interessado em conhecer, isto é, trabalha mais com o significado do que com o conteúdo. Este, o conteúdo, não é negado o que se espera e que se torne significativo para o estudante. E esta é uma tarefa tanto do professor quanto do própio estudante. Na filosofia neo-humanista o conceito-chave é a equidade e a igualdade sem eliminar a diferença. O desafio é manter o equilíbrio entre a cultura local e a universal, patrimônio da humanidade.

A educação pós-moderna diz que a escola tem que ser local, como ponto de partida, e internacional/intercultural como ponto de chegada. A autonomia é peça chave para garantir o diálogo da escola com todas as culturas/concepções de mundo. Só assim será multicultural e cumprirá a sua nova função social. Os professores devem elaborar estratégias próprias para camadas populares, para compreendê-las na totalidade da sua cultura e de sua visão de mundo e abrir a possibilidade de abrir os horizontes para mostrar outras culturas. No entanto esta não é uma tarefa simples:
“Apesar de todas as idéias e propostas que surgiram, parece que a escola, em linhas gerais, resiste a transformar-se e mantém-se, em muitos aspectos, parecida com a escola tradicional: uma sala de aula com carteiras enfileiradas, lousa, giz e um professor tentando fazer das tripas, coração para ensinar alguma coisa. Os avanços tecnológicos do início do século parecem que ainda não chegaram à maioria das nossas escolas.[. . .]A escola deve representar uma vida que seja tão real para a criança quanto aquela que vive em sua casa, na rua, no campo de futebol, etc. A disciplina escolar deve surgir da vida da escola entendida como um todo e não diretamente do professor.[. . .]O aluno não pode continuar sendo paciente do processo, mas deve transformar-se em agente[. . .]substituir os métodos em que os alunos apenas ouve, apenas copia, apenas repete. Em seu lugar é preciso utilizar os métodos ativos, que levam o aluno a questionar, a procurar respostas para problemas, a ser estimulado a oferecer soluções para situações concretas, vividas no dia-a-dia.[…] Verifica-se também que não basta ensinar para que os alunos aprendam, muito menos quando este ensino é feito de forma a despejar conhecimentos sobre os alunos, para que estes os devolvam nas provas.[. . .]o ensino é mais eficiente quando leva em consideração as diferenças entre os alunos – de interesses, de aspirações, de hábitos de trabalho, etc. – e quando parte da realidade sócio-econômica vivida por eles, embora não se limite a ela” (Pilletti & Pilletti ).

Na obra Sociedade sem escolas Illich faz a crítica ao mito da escola formal, quando afirma:
[…]”percebem intuitivamente o que a escola faz por eles. Ela os escolariza para confundir processo com substância.[…]O aluno é, desse modo, “escolarizado” a confundir ensino com aprendizagem, obtenção de grau com educação, diploma com competência[…] O sistema escolar repousa ainda sobre uma segunda grande ilusão, de que a maioria do que se aprende é resultado do ensino. O ensino, é verdade , pode contribuir para determinadas espécies de aprendizagem sob certas circunstâncias. Mas a maioria das crianças adquire a maior parte de seus conhecimentos fora da escola[…]As crianças aprendem sua primeira língua casualmente[…]A maioria das pessoas que aprendem bem outra língua conseguem-no por causas de circunstâncias especiais e não de aprendizagem seqüencial[…] As escolas são fundamentalmente semelhantes em todos os países, sejam fascistas, democráticas ou socialistas, pequenos ou grandes, ricos ou pobres. Esta identidade do sistema escolar nos força a reconhecer a profunda identidade universal do mito, o modo de produção e o método de controle social, apesar da grande variedade de mitologias em que o mito é expresso […]” (Illich ).

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