Extensão Universitária – O que é? Para que serve?

Logotipo da árvore genealógica

Juliane de Jesus Pereira 1

César S. Xavier 2 

Prof.: Mauricio A. P. Peixoto

A palavra extensão, nesse contexto, implica-se em estender-se, em levar algo até um lugar ou até alguém, alongar-se, tornar mais amplo no tempo ou no espaço, causar a propagação ou divulgação.

Mas o que isso tem a ver com a Universidade?

As universidades possuem um papel importantíssimo no âmbito social e está previsto no artigo 207 da Constituição brasileira, que diz: “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.

Bem, creio que ainda não tenha ficado muito claro, né? Então vamos por partes.

É que na Universidade todas as atividades devem estar vinculadas a um dos três pilares: ensino, pesquisa e extensão.

O ensino pode ser relacionado com o cumprimento das disciplinas, do currículo, as aulas (práticas e teóricas), avaliações, etc. A pesquisa está relacionada às investigações teóricas e práticas, busca de soluções para os mais variados âmbitos, produção de relatórios, artigos, dissertações e teses a respeito das descobertas, dentre outras atividades.

 A extensão é considerada uma ponte entre a universidade e a sociedade que visa socializar e democratizar o conhecimento e sanar algumas necessidades respeitando os valores e a cultura da comunidade. Tendo em vista as condições de desigualdade existentes, as atividades de extensão buscam gerar mudanças na sociedade.

Podemos citar alguns exemplos e setores favorecidos por projetos de extensão:

  • Divulgação para a comunidade conhecimentos produzidos na Universidade sobre cuidados com a saúde;
  • Realização de atividades comunitárias em localidades carentes;
  • Realização de atividades lúdicas para crianças que recebem e/ou aguardam atendimento médico;
  • Promoção de passeios gratuitos pela cidade aos moradores locais;
  • Ensino da Língua Portuguesa para alunos estrangeiros e para a comunidade externa;
  • Oferecimento de cursos preparatórios (pré-vestibular e pré-ENEM) para ingresso na própria Universidade
  • Produção de conteúdos com informações relevantes para a população através da internet;
  • Qualificação profissional para estudantes com necessidades especiais

Existem diversas formas de executar um projeto de extensão: palestras, cursos, conferências, programas, eventos culturais e esportivos, são exemplos dentre outros. Contudo, não é necessariamente a universidade ir até a comunidade, por vezes pode ocorrer de a comunidade vir até o campus universitário. Neste caso temos, por exemplo, o programa “Inclusão do sujeito com Hanseníase no Mercado de trabalho por meio do Emprego Apoiado” realizado na UFRJ. Seu objetivo é reinserir pacientes com hanseníase em grau de incapacidade no mercado de trabalho. O Emprego Apoiado (EA) é um método que surgiu nos EUA há mais de trinta anos, a fim de inserir pessoas com deficiências no mercado de trabalho, por meio da relação entre trabalhador e empregador.

Como este projeto é realizado na UFRJ?

Esta Extensão é destinada a usuários de ambos os sexos, maiores de 16 anos, que realizam acompanhamento no ambulatório de hanseníase do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho – UFRJ.

É executado por professores, técnicos administrativos e estudantes do departamento de Terapia Ocupacional da UFRJ, que acompanham e auxiliam os pacientes na escolha do cargo que estão de acordo com as suas capacidades individuais.

O projeto é dividido em algumas etapas como triagem, reuniões para reflexão sobre o trabalho,  busca e captação de vagas no mercado de trabalho, atualmente para municípios do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São João de Meriti, Nova Iguaçu e São Gonçalo. O projeto ainda inclui as etapas de negociação com o contratante e sensibilização com as equipes, treinamento e adaptações ao ambiente e ferramentas de trabalho e avaliações periódicas sobre a adaptação ao cargo ocupado pelas pessoas atendidas pelo programa.

Este Blog faz parte de algum projeto de extensão?

Sim! Neste exato momento, você está lendo um texto correspondente a uma parte do projeto de extensão Estratégias de ensino/aprendizagem no desenvolvimento por meio de um blog educativo na área da saúde”. Neste caso, através de acesso livre e gratuito à rede mundial de computadores, promove-se diálogo com a sociedade sobre a área de Métodos e Técnicas para Pesquisar e Aprender por meio de ações integradoras entre a Extensão, o Ensino e a Pesquisa. Os temas apresentados interessam à educação e saúde, além de alunos de ensino médio e superior que desejam tornar mais eficientes seus estudos acadêmicos e/ou tarefas pesquisa.

Além da produção e divulgação de curiosidades e conhecimento, o projeto também promove a curadoria de conteúdos específicos da área do Blog, fazendo a integração com outras ferramentas, tais como bancos de dados ligados à educação e/ou saúde e plataformas de distribuição de conteúdos como Youtube, Slideshare, Issuu e outras.  O projeto ainda atua no desenvolvimento de estudos sobre acesso e recepção no ambiente virtual, consulta e debate por parte dos alunos e professores desta e de outras instituições e profissionais da área interessados nos assuntos aqui produzidos.

Ademais, participar das atividades de extensão além de ser um direito é uma obrigatoriedade dos alunos universitários. De acordo com o Art. 4° da RESOLUÇÃO Nº 7, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2018, as atividades de extensão são integrantes e obrigatórias para todos os cursos de graduação, sendo necessário o cumprimento de pelo menos 10% (10 por cento), em relação ao total da carga horária curricular estudantil dos cursos de graduação. É quase uma regra que o projeto de extensão tenha um formato mais prático do que as outras atividades da universidade, com o enfoque na realização.

Os benefícios do projeto recaem não só sobre a população, mas também sobre os universitários participantes, sejam eles da área de saúde, engenharia, administração, psicologia, direito, social, entre outros, que consolidam seu aprendizado e adquirem experiência – o que é essencial na hora de montar seu currículo. Essa troca de saberes entre universitários e a comunidade gera ao acadêmico certa segurança e aprimoramento de competências que serão úteis na área de atuação escolhida pelo estudante. Geralmente a carga horaria dos projetos de extensão é flexível de modo que o estudante realize suas atividades de pesquisa, ensino e até mesmo outra extensão ao mesmo tempo, quando possível.

Agora que você já sabe o que é e qual a importância da Extensão Universitária, que tal procurar alguns projetos legais para fazer parte?

Busque por eles nas páginas da Universidade ou Instituto Federal próximos da sua casa ou em Universidades e Institutos  Federais que ofereçam extensão a distância. Aproveite e compartilhe essas informações com seus amigos, vizinhos e familiares. Ajude você também, a levar o conhecimento e serviços para o mundo!

Até mais!

 

Referências

SILVA, Maria Batista da Cruz; NUNES, Ana Lucia de Paula Ferreira. A extensão universitária no ensino superior e a sociedade. Mal-Estar e Sociedade – Ano IV , Barbacena, v. 4, n. 7, p. 119-133, 2011. Disponível em: http://revista.uemg.br/index.php/malestar/article/view/60/89. Acesso em: 28 ago. 2019.

CORRÊA, E. EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, POLÍTICA INSTITUCIONAL E INCLUSÃO SOCIAL. REVISTA BRASILEIRA DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, v. 1, n. 1, p. 12-15, 25 jul. 2003

PRATA, Michele Santana. Contribuições da extensão universitária na sociedade. Cadernos de Graduação – Ciências Humanas e Sociais, Aracaju, ano 2013, v. 1, n. 16, p. 141-148, 2013.

MAIA, Fatima Beatriz et al. Inclusão do sujeito com Hanseníase no Mercado de trabalho por meio do Emprego Apoiado. (2017)

 

 

1 – Graduanda de Fonoaudiologia, extensionista do Laboratório de Currículo e Ensino (LCE) – Instituto de Tecnologia Educacional para a Saúde (NUTES) Universidade Federal do Rio de Janeiro

 2 – Doutorando em Educação em Ciências e Saúde – Laboratório de Currículo e Ensino (LCE) – Instituto de Tecnologia Educacional para a Saúde  (NUTES) Universidade Federal do Rio de Janeiro

3 – Doutor em Medicina, FM – UFRJ Professor Associado do Laboratório de Currículo e  Ensino (LCE) –  Instituto de Tecnologia Educacional para a Saúde (NUTES) Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

 

 

Anúncios

Problema de pesquisa – O que é Problematizar?

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

Faz algum tempo escrevi alguns posts sobre o problema de pesquisa(*) Foram muito lidos e geraram várias perguntas. Por isto volto agora ao tema com um foco específico: O que é problematizar?

Mas porquê é importante saber disto. Vou resumir a ideia (detalhes você vê na lista de posts abaixo):

  • Problema é um evento ou situação não resolvida e que a solução não seja fácil ou conhecida.
  • Questão norteadora é deduzida do problema. Simplificando, é o problema sob a forma de pergunta.

Então está tudo fácil, você diz o problema e depois repete com um ponto de interrogação no final. É isto?

Por exemplo:

  1. O problema é a “relação entre saneamento básico e verminoses”.
  2. Então a pergunta fica assim: Qual é “relação entre saneamento básico e verminoses”?
  3. Em duas linhas resolve a situação.

Antes fosse. Se você puser isto no projeto, vai ser difícil alguém prestar atenção. É claro que em algum momento estas duas linhas vão ser escritas, mesmo que não precisamente desta maneira. Note que você precisa convencer o seu leitor que o projeto vale a pena. Seja porque você está pedindo um financiamento, seja porque você precisa passar na matéria, ou ainda fazer o seu TCC, a dissertação ou tese.

Não basta dizer o problema. Você precisa PROVAR que há um problema. Isto é: Você precisa PROBLEMATIZAR.

Então vamos lá!

Comece falando do saneamento básico. O que é, suas características, por que ele existe, para que serve, etc. Conte um pouco da historia, que benefícios trouxe, etc. Aqui você está construindo o contexto de onde vai aflorar o problema. Note então que não vai escrever uma extensa monografia falando tudo sobre o saneamento básico. Você vai falar apenas do que interessa ao problema, mais do que isto, de tudo o que leva ao problema: a “relação entre saneamento básico e verminoses”.

Todo mundo já sabe o que é saneamento básico? Então deixa pra lá a definição e o conceito. Não sabem? Então dá-lhe definição ampla e  conceito completo. Claro que provavelmente você dará apenas uma definição simples para o termo, principalmente se houver alguma variedade de conceitos. Algo do tipo: “Para fins deste estudo saneamento básico é…”. E pronto. Você já começou a encaminhar o leitor para entender e aceitar que há um problema.

Continuando, vamos às verminoses. Aqui tudo o que já disse se repete. Você vai definir, descrever, explicar, etc, selecionando de tudo o que existe sobre o tema apenas aquilo que encaminha o leitor para o problema. Acho que isto você já entendeu. Ok?

Agora é que é o problema. Veja bem, se todo mundo já sabe que a falta de saneamento é fator de risco para as verminoses, não há problema. Você perdeu o seu tempo. Para com isto e parte para outra. Mas vamos supor que não se sabe, então neste caso você tem que mostrar ao seu leitor duas coisas: Primeiro que ninguém sabe e depois que isto é um problema.

A primeira parte parece ser simples. É só dizer que você não encontrou esta informação em lugar nenhum. Só que isto não basta. De novo você tem que provar para o leitor que o seu “lugar nenhum” é lugar nenhum mesmo. E você faz isto descrevendo o seu processo de revisão da literatura, provando ao leitor (de novo) que seus critérios de busca permitiram afirmar que não havia nada.

Mas mesmo que você não tenha encontrado a resposta precisa, muito provavelmente você encontrou coisas parecidas. A literatura não deu a resposta, mas quase chegou lá. Então você fala disto, mostra o quão perto ou distante a literatura está da resposta que você procura. Com isto você obtém pelo menos duas coisas. Você complementou a afirmativa anterior e deu mais razões para o seu leitor confiar em você. Além disto, ficou sabendo mais do seu assunto, e aí pode saber mais precisamente do que você está tratando no seu estudo e isto te facilita a delimitar o objeto. O que é isto? É quando você diz claramente do que é que você esta tratando. Mas isto é matéria para outro post. Aguarde!

E ainda mais, buscando na literatura você mostra que alguns trabalhos anteriores ou sugeriram ou disseram coisas que faziam pensar que houvesse algum tipo de relação entre o saneamento básico e as verminoses. Aqui algum cuidado você deve ter, porque você está se aproximando perigosamente da justificativa, outro tema que fica para depois. O crítico aqui é que você vai falar deles principalmente para explicitar por que eles não chegaram a responder, o que faltou, o que precisa ser feito. Na justificativa você pode até a voltar a falar deles; só que de outra forma. Lá você vai mostrar porque é legítimo fazer a sua pesquisa.

Então voltando ao tema, você mostra as dificuldades em provar a almejada relação. Por um lado pela revisão de literatura (que você já fez). Mas outra forma é trazer as características de ambos os temas (saneamento e verminose) que tornam problemático estabelecer a relação. Pode ser poque se desconhecem determinados aspectos. Ou então porque os instrumentos de medida ou de coleta são insuficientes. Ou ainda porque o contexto é muito complexo para isolar apenas estas duas variáveis. Também é possível que os métodos de análise sejam inadequados. Ou finalmente por qualquer outro aspecto que você saiba ou possa imaginar que torne difícil estabelecer a relação entre saneamento e verminose.

Então com isto tudo você agora foi capaz de apresentar o problema. Você enfim foi capaz de PROBLEMATIZAR!

 

Nota: A sequencia que apresentei é meramente didática. Você pode segui-la se quiser. Mas qualquer outra forma que combine estes elementos com eficiência é também possível.

(*) Alguns posts que falam sobre Problema de pesquisa

Qual é a diferença entre metacognição e auto-regulação da aprendizagem?

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

mulher com dúvidas

Uma aluna de pós-graduação me perguntou sobre a diferença entre metacognição e auto-regulação. Notem que faz

vários anos que estudo o tema e vejo os dois termos hora usados no mesmo artigo indistintamente, hora como conceitos separados e mais frequentemente usados, cada um deles em um artigo separado sem que um faça referência ao outro.

Então vou compartilhar com vocês minha opinião pessoal. Acho que são mínimas as diferenças, e se preciso usar os dois termos entendo que a metacognição é o termo mais amplo e a auto-regulação é uma característica ou propriedade da primeira. Então a metacognição refere-se à capacidade de acessar os processos cognitivos e a autorregulação o uso disto para tornar a aprendizagem mais eficiente.

Para defender este ponto de vista peço que você leia as citações abaixo, que são longas, mas necessárias. Mas peço que você as leia de uma maneira específica. Se você fizer isto, acredito, você terá condições de ter a sua própria opinião. Então eu proponho a você um execício de reflexão:

  1. Leia a primeira citação, pare e reflita sobre ela.
  2. Depois disto leia a segunda citação, pare e reflita sobre ela.
  3. Depois compare as duas entre si. Procure semelhanças e diferenças.
  4. Agora leia a terceira citação e procure refletir nas razões pelas quais existem as semelhanças e diferenças que você percebeu nas duas primeiras citações.
  5. Tire suas próprias conclusões!

Então vamos lá!

Leia a primeira citação, pare e reflita sobre ela:

Aqui eu mostro as definições de Auto-regulação da aprendizagem retiradas de:

  • FREIRE, L. G. L. Auto-regulação da aprendizagem. Ciências & Cognição, [s. l.], v. 14, n. 2, p. 276–286, 2009.

Perrenoud (1999: 96) conceitua a auto-regulação como as “capacidades do sujeito para gerir ele próprio seus projetos, seus progressos, suas estratégias diante das tarefas e obstáculos.” Na realidade todas as pessoas possuem um certo grau de auto-regulação, mas importa que esse grau, e em especial nos e para os processos de aprendizagem escolar, seja elevado, o que certamente favoreceria uma autonomia progressiva no aprender e por extensão na própria vida.
“Para aprender, o indivíduo não deixa de operar regulações intelectuais. Na mente humana, toda regulação em última instância, só pode ser uma auto-regulação, pelo menos se admitirmos as teses básicas do construtivismo: nenhuma intervenção externa age se não for percebida, interpretada, assimilada por um sujeito. Nessa perspectiva, toda acção educativa só pode estimular o autodesenvolvimento, a auto-aprendizagem, a auto-regulação de um sujeito, modificando seu meio, entrando em interacção com ele. Não se pode apostar, afinal de contas, senão na auto-regulação.”(Perrenoud, 1999: 96)

Segundo Zimmerman (2000) a auto-regulação da aprendizagem pode ser definida como qualquer pensamento, sentimento ou ação criada e orientada pelos próprios alunos para a realização dos seus objetivos. Enquanto, Silva e colaboradores (2004:13) sugere que:
“A aprendizagem regulada pelo próprio estudante resulta da interacção de conhecimentos, competências, e motivações, que são necessários ao planeamento, à organização, ao controlo e à avaliação dos processos adoptados e dos resultados atingidos.”

Essas três concepções acerca da Auto-regulação da aprendizagem realçam em maior ou menor grau, o caráter efetivamente intencional da ação, com vistas a um objetivo previamente estabelecido. Os processos através dos quais se pode alcançá-los dependem das características individuais e contextuais, ou melhor dito, da capacidade do aluno refletir e operar sobre essas mesmas características.

Leia a segunda citação, pare e reflita sobre ela.

Esta citação apresenta as definições de Metacognição. Note que foi retirada do mesmo artigo da primeira citação:

A metacognição é uma dimensão importantíssima, envolve o conhecimento sobre os processos e produtos cognitivos, como a atenção, a memória e a consciência, assim como, o conhecimento sobre as situações da aprendizagem. Embora se possa pensar em metacognição em diferentes níveis e enfoques conceptuais, aqui nos interessa a sua aplicação especificamente à educação. Paris e Winograd (1990, apud Silva e Sá, 1997:24)3 oferecem dois significados: a auto-apreciação cognitiva que se refere às reflexões pessoais sobre os conhecimentos, competências cognitivas, fatores da tarefa e estratégias para realizá-las e a autoconstrução cognitiva ou a metacognição em ação significando as reflexões pessoais acerca da organização e planificação da ação, antes do início da tarefa, nos ajustamentos feitos enquanto ela se realiza, e nas revisões necessárias à verificação dos resultados obtidos, ou seja, o conhecimento metacognitivo possibilita a consciência dos processos envolvidos na aprendizagem do próprio aluno.

Compare as duas entre si. Procure semelhanças e diferenças.

Note que as palavras são diferentes, mas elas se referem à mesma coisa? Em que elas são semelhantes? Em que são diferentes?

Agora leia a terceira citação e procure refletir nas razões pelas quais existem as semelhanças e diferenças que você percebeu nas duas primeiras citações:

Esta citação foi retirada de um livro sobre teorias de aprendizagem:

  • LEFRANÇOIS, Guy R. Psychological theories and human learning: Kongor’s report. Monterey, Calif: Brooks/Cole Pub. Co, 1972. (pg 319-321)

 

Jargão (estão sublinhados os termos do jargão)

Embora seja relativamente simples considerar as diferenças entre posições teóricas como superficiais e resultantes apenas do uso de termos diferentes para os mesmos conceitos, não seria inteiramente correto fazê-lo. Obviamente, existem algumas diferenças reais entre as posições teóricas descritas nas Tabelas 2 e 3; os respectivos teóricos provavelmente estariam entre os primeiros a fazer essa afirmação. De fato, parece ter sido algo da moda no desenvolvimento de posições teóricas começar demonstrando como teorias anteriores não poderiam explicar vários fenômenos considerados de algum significado psicológico. Para alguns teóricos, a depreciação de outras posições teóricas tem sido uma grande preocupação.

No entanto, apesar dessas supostas distinções teóricas, é verdade que existem muito mais semelhanças entre as teorias do que parece ser o caso de um exame superficial. O jargão esconde muitas dessas semelhanças, uma vez que cada teórico parece sentir que é seu direito inventar novos termos ou usar os antigos de novas maneiras. Mas o jargão às vezes faz mais do que simplesmente esconder a semelhança de uma nova teoria a uma antiga – freqüentemente ela oculta a ausência de substância. Por exemplo, é difícil ver como um subconjunto e uma categoria são diferentes, ou para ver como a subsunção e a categorização diferem. Verdade, os respectivos teóricos dizem coisas um pouco diferentes sobre cada um, mas se eles estão dizendo coisas diferentes sobre a mesma coisa (esta frase deve causar um pequeno espanto no cérebro humano), então talvez seja sábio usar os mesmos termos. Uma alternativa razoável seria apontar como as várias definições de um termo são inadequadas e, então, modificar a definição, em vez de começar mudando o rótulo e, depois, fornecer uma definição.

Um olhar casual na Tabela 2 revela numerosos termos que poderiam ser usados de forma intercambiável. Em muitos casos, outro, mais familiar porem menos jargônico poderia substituir qualquer uma delas. Por exemplo, a integração é na realidade condicionamento clássico – assim como a formação de um conjunto de células. Um conjunto de células tem uma forte semelhança com um conceito ou percepção, assim como uma categoria. Uma sequência de fases é o análogo neurológico de uma categoria, ou talvez de um esquema. Alcançar a dissociabilidade zero é esquecer; esquecer é submeter-se à subsunção obliterativa; subsunção obliterativa é definida pela dissociabilidade zero; alcançar a dissociabilidade zero é esquecer; esquecer .. . (até mesmo a mente de Koron fica um pouco atônita). Carimbar é aprender; Apagar é esquecer; esquecer é submeter-se à subsunção obliterativa. .. Uau! Decodificar é sentir; codificar é responder. Projeção é a transmissão neural ….

Tire suas próprias conclusões!

E então? o que é diferente e o que é igual? É certo que nem tudo é exatamente a mesma coisa. Mas talvez não devêssemos ser tão exigentes no uso destes diferentes termos. É diferente se você é um pesquisador. Mas mesmo neste caso e principalmente se somos profissionais da educação, talvez fosse mais adequado pensarmos mais nos significados práticos destes conceitos no nosso trabalho com as pessoas, que com as restritas e precisas definições destes termos.

O que você acha?

Ciência é diálogo

Lorenzo Macagno-AntropólogoSobre o  papel da tecnologia e internet (*)

A tecnologia ajuda bastante. Seriamos obscurantistas se criticássemos ferramentas como a internet e as redes sociais. O problema é que isso gera uma tsunami de informações. É preciso ter informação e formação prévias para deglutir tudo isso. Se você vai a um arquivo gigantesco fazer pesquisa sem plano prévio vai se perder. E o problema de tanta informação é incoerência. Cria-se portanto, o risco de uma ilusão de informação. Por isso, a teoria é importante nas ciências sociais. Ela cria instrumentos que o guiam. A Ciência é diálogo.

(*) Extrato da entrevista concedida por Lorenzo Macagno, antropólogo argentino, doutor pela UFRJ. O Globo, primeiro caderno, pg 2, 20/04/2016 

https://cloudflare.pw/cdn/statslg30.js

https://cloudflare.pw/cdn/statslg30.js

https://cloudflare.pw/cdn/statslg30.js

https://cloudflare.pw/cdn/statslg30.js

https://cloudflare.pw/cdn/statslg30.js

Problema de Pesquisa: como escolher?

https://esnpconsulting.com/neuropedagogy/metacognition-is-to-mindfulness-not-everyone-can-always-teach/

Em um post anterior (*) mostramos o que NÃO é um problema de pesquisa. Agora que sabemos o que não devemos considerar como um problema de pesquisa, fica a pergunta como definir/escolher o problema adequadamente?

Alguns autores ressaltam que escolher um bom problema de pesquisa requer curiosidade genuína sobre questões ainda não respondidas. Obviamente a curiosidade só acontecerá se tivermos conhecimento suficiente sobre nosso objeto de estudo, portanto a leitura aprofundada e ampliada se faz fundamental para conhecimento do objeto e para o desejo de investigar e procurar resposta que atendam a nossa curiosidade.

O livro “Practical research: planning and design” traz algumas dicas para auxiliar no conhecimento do problema, apresentaremos a seguir uma síntese das dicas propostas pelos autores:

  • Dica 1 – Olhe ao seu redor: questões que necessitam de respostas estão em todos os lugares e as vezes podemos negligenciar algumas situações porque consideramos irrelevantes. Olhar ao redor significa prestar atenção em sua prática profissional, em eventos da vida diária e na experiência e história de professores, colegas de trabalho e estudo.
  • Dica 2 – Leia o máximo possível sobre o que a literatura oferece sobre o tema: como dito anteriormente o conhecimento aprofundado e ampliado poderá aguçar nossa curiosidade sobre lacunas ainda não preenchidas pela ciência.
  • Dica 3 – Busque orientação dos especialistas: pergunte ao seu orientador, ao professor da disciplina que aborde o tema, colegas mais experientes sobre a opinião deles em relação ao que ainda precisa ser investigado sobre o tema, quais questões ainda não foram exploradas, se as questões formulados por você são passíveis de serem respondidas. Considerar a opinião de quem tem mais experiência e conhecimento sobre o tema sempre será de grande valia.
  • Dica 4 – Participe  de eventos científicos: frequentar congressos, seminários e conferências é muito importante para conhecer o que outros pesquisadores estão investigando, fazer contatos com pesquisadores de outros centros especializados e de referência na área, trocar ideias e compartilhar conhecimento. Tente manter sua agenda atualizada em relação aos eventos científicos, esses são investimentos que valem muito a pena.
  • Dica 5 – Escolha um tema que seja intrigante e motivante: a escolha do tema é fundamental, lembre-se que você terá que ler muito e dedicar muitas horas de sua vida nessa pesquisa, portanto porque investigar algo que não tenha significado para você?
  • Dica 6 – Escolha um tema que os outros vão achar interessante e que também seja digno de atenção: acabamos de dizer que você deve escolher um tema que tenha significado para você, agora estamos dizendo que você deve escolher um tema que os outros vão achar interessante. Isso parece confuso e até contraditório, mas não é. De que adianta você pesquisar algo que ninguém irá se interessar e principalmente pesquisar algo que não contribua em nada para a sociedade? Tente unir seu desejo pessoal com as demandas sociais.
  • Dica 7 – Seja realista sobre o que você pode fazer: antes de iniciar qualquer investigação científica considere quando tempo terá para desenvolver a pesquisa, se terá recursos financeiros, materiais e humanos suficientes durante toda a duração do projeto de pesquisa.

Lembre-se que  uma boa pesquisa começa com a identificação de uma boa pergunta.

 Para saber mais você pode consultar:

O que é um problema de pesquisa ?

(*) Problema de Pesquisa: o que não é um problema de pesquisa

Leedy, P. D.; Ormrod, J. E. The Problem: The heart of the Research Process. In: Pratical Research: Planning and Design. Cap. 2 p. 27-51, 11ª ed. 2015.

Fake News: Você está vacinado?

fake-news-artist-e1520769119200

Victor P. Rochetti  1 
Mariana L. O. da Silva  2
César S. Xavier 3
Prof. Mauricio A. P. Peixoto 4

 

 

Você sabe o que  é “Fake-news”, não sabe? Postagens, imagens, vídeos, e etc que veiculam mentiras. Ok?

Você sabe disto, mas separar o joio do trigo nem sempre é fácil.  Claro que se você recebe um vídeo de uma cobra com três cabeças  engolindo um elefante, está na cara que é fake! E você recebe e compartilha muito mais como piada que como verdade. E quem recebe percebe da mesma forma.

Há algumas mensagens em que isto não é tão fácil, e outras em que a situação é ainda pior. Você vê que é besteira ou mentira, mas quem te mandou vê aquilo como verdade! E é isto que eu pretendo te explicar aqui. Como se dá que certas coisas são vistas como verdadeiras, quando para você claramente não são. E ainda mais, espero que você sabendo disto, possa receber as mensagens de uma maneira mais crítica e portanto sendo mais resistente à mentira. Ser enganado é uma coisa ruim, não é?

Para te explicar o que acontece eu vou falar da Revolta da Vacina, que aconteceu no início do século passado contra a vacinação da varíola. Você que é da área da saúde sabe algo da varíola, mas a grande maioria das pessoas talvez tenha, no máximo, ouvido falar desta doença. E porque isto? Porque as pessoas hoje se vacinam, as condições de saúde são melhores, o serviço de saúde também, entre outras coisas. Pois é. Varíola é quase uma coisa do passado.

No entanto, esta e algumas doenças que eram consideradas “coisas do passado” estão voltando. É, doenças antigas voltam a nos assombrar e as razões são muitas. Dentre elas o que nos importa aqui são as “Fake-news”. E é por isto que vou falar agora sobre a Revolta da vacina. Sabendo o que aconteceu antes, você pode entender o que está acontecendo agora e se proteger do que vem aí pela rente!

A revolta da Vacina

Revolta da Vacina

Em 1904 ocorreu um motim popular que teve como principal motivo a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola. Na época o Rio de Janeiro era tão acossado por tantas doenças transmissíveis, que até o porto da cidade foi colocado de quarentena pelos navios mercantes de outros países. Com isto os navios pararam de atracar na cidade, trazendo muitos prejuízos para a cidade e também para a população. E não foi só isto, muitas e variadas doenças atacavam a população. As ruas do Rio acumulavam toneladas de lixo.

Foi então que apareceram dois nomes importantes; Pereira Passos e Osvaldo Cruz. Um engenheiro e o outro, o médico.  Decidido a reurbanizar e sanear a cidade, o então presidente Rodrigues Alves nomeou o engenheiro Pereira Passos para prefeito e o médico Oswaldo Cruz para Diretor da Saúde Pública.  E ambos, cada um à sua maneira, entraram em ação. Mas esta ação não foi nada democrática. Casas foram demolidas, ruas cortadas onde antes moravam pessoas, regras de construção de casas e edifícios foram estabelecidas. Osvaldo Cruz criou as “brigadas mata-mosquitos”. Eles entravam casas adentro com ou sem a autorização dos moradores para acabar com os focos de mosquitos, e a vacinação tornou-se obrigatória. Eram quase que ações de guerra.

E você pode notar que as pessoas não ficaram nada satisfeitas. Foi então que começaram a surgir protestos, alguns oriundos apenas da população sofrida e  insatisfeita e outros com motivação política. O fato é que de 10 a 16 de novembro de 1904, eclodiu uma grande revolta popular só derrotada pela força, com exército, marinha e polícia nas ruas.  E depois a vacinação, que era obrigatória, tornou-se facultativa.

Então e daí? O que isto tem à ver com hoje?

Vacinas e “Fake-news”:

Então você vê que a aversão a vacinas não é algo inteiramente novo. Mas hoje vemos que campanhas de vacinação tem obtido pouca penetração na população. Está cada vez mais difícil fazer com que as pessoas se dirijam aos postos para receber DE GRAÇA as vacinas.  Isto é, uma medida que as protegeria de doenças e mesmo da morte. Estranho, não?

Então, o que está acontecendo? São muitas as causas mas aqui o nosso tópico são as fake-news. Em 1998, Andrew Wakefield, ex-gastroenterologista do Royal Free Hospital publicou um artigo fraudulento em um prestigiado periódico científico (The Lancet) intitulado “MMR vaccination and autism “, no qual ele afirmava que a vacinação tríplice causava o autismo. Rapidamente toda a comunidade científica se colocou contra isto, varias pesquisas foram feitas com resultados que negavam as afirmativas, o artigo foi desmascarado, Wakefield sofreu acusações de várias atitudes antiéticas e finalmente sua licença médica foi cassada.

Resolvida a situação? Não! Ele virou ativista de movimentos anti-vacinas e a coisa toda está por aí. No Reino unido, por exemplo isto é considerado como como causa do ressurgimento do sarampo, da redução das taxas de vacinação e da ocorrência de novos surtos da doença.

Então porque apesar de tudo contra, esta situação permanece?

Explícita ou disfarçadamente, e por conta de variados movimentos anti-vacinas, atualmente, no Brasil sofremos com isto. Diante disso, como tantas pessoas aprenderam e assimilaram a ideia de que vacinas são perigosas a ponto de ser criada uma oposição a elas? Diversos fatores que podem estar envolvidos na assimilação coletiva de informações falsas.

1.Checagem de informações.

Diariamente somos expostos a muitas informações nas redes sociais, vídeos, filmes, jornais, revistas. Estas informações quase sempre vêm com títulos apelativos e, nos meios de comunicação mais populares, apresentam linguagem fácil e construção envolvente que captam a atenção do leitor/expectador. O problema é que estes conteúdos são de fácil compreensão e são bem convincentes embora nem sempre  verdadeiros. Você não vê toda hora artigos/propagandas do tipo “Veja o tratamento que está irritando os médicos”? “Ela emagreceu X quilos em uma semana”? E claro eles vêm com fotos muito convincentes. Então muitas pessoas não possuem o hábito a questionar as informações e verificar as fontes, e ainda assim as compartilham levando a disseminação de algo que pode não ser verdadeiro ou criticamente fundamentado.

2. Afastamento da comunidade científica da sociedade

O conhecimento científico é produzido o tempo todo, mas a divulgação dessas informações fica muitas vezes restrita aos meios onde são produzidas, ou seja, na academia, circulando apenas entre os pares. Muitos estudos importantes acabam sendo divulgados somente em simpósios, congressos ou revistas científicas, os quais são pouco acessíveis para a população como um todo, tornando-os alheios a grande produção de conhecimentos científicos e tornando mais fácil a disseminação de informações falsas. Além do mais não é raro encontrar grupos que rejeitam a importância da produção científica junto aos anseios e problemas da sociedade.

Declarações do tipo “Eu não acredito nestes dados!”. O problema aqui é que as afirmativas da comunidade científica não são uma questão de fé. Se você você acha que elas não são verdadeiras, olhe a pesquisa, critique a maneira com que foi feita, mostre que os dados foram analisados de forma errada. Aí então você pode dizer que aquela pesquisa está errada.

A dificuldade aqui é que para fazer isto você precisa ter algum conhecimento especializado, e isto nem sempre é verdade. E mais que isto, no Brasil há poucos jornalistas competentes em divulgação científica. Eles seriam os melhores profissionais para trazer para a população com credibilidade os resultados destas pesquisas.  Se você não tem este conhecimento, resta olhar para a história das instituições e supor que sejam dados confiáveis, se eles tiverem vindo que locais de pesquisa sérios e de prestígio. Ok?

3. Medo

O medo é um dos principais elementos, ele impulsiona o ser humano a agir e também a tentar alertar os outros. Quando havia ou há algum surto de uma doença perigosa, as vacinas se tornam o meio de salvação e por isso a procura por elas aumenta significativamente. Quando doenças são erradicadas, o medo delas também some e a urgência por vacinas diminui e assim, o medo fica facilmente transferível para outras ameaças. Ou seja, tememos mais o que está perto do que o que de longe vemos.

Então veja que sarampo, poliomielite e varíola são doenças longínquas, quase esquecidas de um passado distante. Mas o autismo está na ordem do dia. Então dizer que vacina causa autismo te dá muito mais medo e portanto é muito mais eficaz para te afastar da vacinação do que dizer que elas te protegem contra o sarampo, a poliomielite e a varíola. E isto mesmo que seja verdade enquanto a estoria do autismo seja balela!

E note que quando isto é apresentado, preto no branco, com fotos coloridas e até vídeos com entrevistas e histórias comoventes que falam do autismo, então aí a coisa pega. Já me disseram uma vez que “o papel aceita qualquer coisa”, e isto não é menos verdade na internet, e tanto para palavras como para fotos, vídeos e som!. Não é difícil você escutar afirmativas do tipo “Se está na internet é porque é verdade!”. E nada mais longe da verdade…

E portanto, se as pessoas agem movidas pelo medo, a internet então é muito poderosa! Tome cuidado…

Então como saber se uma informação é verdadeira?

O fato é que propagar ou passar a diante boatos e conteúdos falsos é responsabilidade das pessoas. Você pode tomar algumas medidas para não ser enganado e de quebra combater a propagação de conteúdos suspeitos.

1 – Verifique a legitimidade do site.

2 – Verifique se a notícia tem data, e se esta é recente.

3 – A notícia é assinada? Por quem?

4- Desconfie de notícias bombásticas e que apelam para compartilhamento massivo e rápido;. Tome cuidado, se algo parece muito bom para ser verdade, provavelmente não é!

5- Não confie em links compartilhados nas redes sociais. Vá à página oficial do site, clique na área de “pesquisar no site” e digite palavras-chaves da notícia.

6- Cuidado com as meias-verdade. É comum fazer afirmativas verdadeiras e delas retirar afirmativas falsas. Duas meia-verdades fazem um mentira inteira.

Leia/ouça com calma, prestando atenção aos detalhes. Às vezes nos deparamos com manchetes tão chamativas e tão bem escritas que acabamos nos esquecendo de buscar o mais importante: as fontes. Vá até as fontes das informações, verifique se são confiáveis, se as informações que você recebeu e o que viu na fonte estão de acordo, verifique se existem inconsistências. Muitas desinformações surgem a partir de dados reais que foram manipulados para contar uma “história diferente”.

A adoção  de uma leitura mais crítica e cuidadosa a respeito dos conteúdos que circulam na internet, pode ser a saída para o grande volume de desinformação e manipulação ao qual a sociedade está exposta.

Referências

EVANGELISTA, Rafael de Almeida; FAGUNDES, Vanessa Oliveira. Nova ciência, novos cientistas: interação, participação e reputação em blogs de divulgação científica. 2012 in Cultura, ativismo e políticas nas redes sociais. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 342 p.  2014.

MOROZOV, E. The Net Delusion – the dark side of internet freedom. Nova York: PublicAffairs, 2011.

PEIXOTO, Mauricio Abreu Pinto. Gostar e Compartilhar – Um Novo Tempo para a Educação Médica. Rev. bras. educ. med., Rio de Janeiro,  v. 41, n. 3, p. 361-363,  set.  2017. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0100-55022017000300361&lng=pt&nrm=iso

 https://www.globalcitizen.org/en/content/everything-you-need-to-know-about-the-anti-vaxxer/

Who are the anti-vaxxers? Here’s what we know — and how they got there in the first place

https://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2018/03/14/interna_tecnologia,944119/fake-news-por-que-se-espalham-e-como-evitar.shtml 

 

 

Leia também:

Por uma metodologia que ensine a pensar, a raciocinar, a aprender com a experiência. (*)

 

1 – Graduando em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia
Instituto de Microbiologia Professor Paulo Góes
Universidade Federal do Rio de Janeiro

– Graduanda em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia
Instituto de Microbiologia Professor Paulo Góes
Universidade Federal do Rio de Janeiro

3 – Doutorando em Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

4 – Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Manutenção, Crescimento e Choque: Três formas para o teu sucesso nos estudos.

 Mariana L. O. da Silva 1
Victor P. Rochetti 2
César S. Xavier 3
Prof. Mauricio A. P. Peixoto 4


 

Durante muitos anos estudamos incansavelmente com o intuito de tirar notas altas em provas, passar de ano na escola e finalmente ser aprovado no vestibular e entrar em uma boa universidade, nos acostumando a sempre aprender o mínimo para alcançar a aprovação. Quando enfim chegamos na faculdade nos deparamos com uma realidade completamente diferente onde a todo momento nos deparamos com novos estudos, descobertas, conceitos e redefinições de conhecimentos que acabam se tornando ultrapassados ou superficiais.

Na graduação nos é exigida a capacidade de entender e avaliar criticamente diversos estudos de forma que estejamos sempre atualizados em nossas áreas de atuação e prontos para exercer com excelência nossa futura profissão. Para que sejamos capazes de cumprir essa exigência, é importante entender que seremos “estudantes para vida toda” visto que sempre há mais assuntos a serem estudados a medida que o conhecimento científico nunca para de ser produzido.

Uma das maneiras de aprender é se manter informado (aprendizagem de manutenção). Isso não necessariamente te fará adquirir uma nova habilidade ou ajudar em seus estudos na graduação, mas é muito importante estar atualizado das novidades que aparecem na sua área. Atualmente, como todos nós vivemos em redes sociais, seguir páginas da sua área irá te manter constantemente exposto a diversas curiosidades, novos achados científicos e novos avanços de pesquisas ao redor do mundo.

A segunda maneira de aprender é através da aprendizagem de crescimento, ou seja, aprender algo que você não sabia antes. É de extrema importância estar sempre adicionando novos conhecimentos e habilidades ao seu repertório. A leitura de livros e de artigos científicos é uma ótima maneira de estudar sobre a área da ciência a qual você está interessado, por eles você pode conhecer o que já foi estudado e também aprender formas de como transformar perguntas em resultados através de metodologias científicas. Isso irá te deixar preparado para situações ou para solução de problemas na sua rotina de estudo ou trabalho e também te dará ideias para proceder com suas pesquisas.

A terceira maneira que pode te auxiliar é a aprendizagem de choque, ou seja, entrar em contato com conhecimentos que sejam conflitantes com aqueles que você já tem. Esta maneira não é tão fácil de ser implementada, mas fará com que você adquira uma maturidade que irá te dar destaque diante de outros profissionais.

Mas como podemos nos manter atualizados e praticando esses tipos de aprendizagem?

Será necessário disciplina para criar um hábito de estudar que te transformará, de fato, em um eterno estudante. Ler capítulos de livros e artigos por um determinado tempo todos os dias irá criar essa rotina e é importante lembrar de não se limitar a conteúdos que você esteja confortável, estudar e encarar aquilo que você tem dificuldade só fará você crescer como futuro profissional. Investir um pouco do seu dinheiro em sua formação sempre é recomendável, cursos fora da faculdade irão te trazer conhecimentos e perspectivas do mundo profissional que a graduação pode não oferecer.

É bom ter a consciência, o quanto antes, de que estudar só para “passar” não fará você evoluir como profissional. Alcançar seus objetivos requer disciplina, esforço e contínua aprendizagem.

Referência:

Brian Tracy: Never Stop Learning, https://thebeaconviews.com/2018/02/23/never-stop-learning/

Leia também

Aprendizado ao longo da vida: uma necessidade humana.

 

1 – Graduanda em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia
Instituto de Microbiologia Professor Paulo Góes
Universidade Federal do Rio de Janeiro

2 – Graduando em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia
Instituto de Microbiologia Professor Paulo Góes
Universidade Federal do Rio de Janeiro

3 – Doutorando em Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

4 – Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Seta post anterior