Ciência é diálogo

Lorenzo Macagno-AntropólogoSobre o  papel da tecnologia e internet (*)

A tecnologia ajuda bastante. Seriamos obscurantistas se criticássemos ferramentas como a internet e as redes sociais. O problema é que isso gera uma tsunami de informações. É preciso ter informação e formação prévias para deglutir tudo isso. Se você vai a um arquivo gigantesco fazer pesquisa sem plano prévio vai se perder. E o problema de tanta informação é incoerência. Cria-se portanto, o risco de uma ilusão de informação. Por isso, a teoria é importante nas ciências sociais. Ela cria instrumentos que o guiam. A Ciência é diálogo.

(*) Extrato da entrevista concedida por Lorenzo Macagno, antropólogo argentino, doutor pela UFRJ. O Globo, primeiro caderno, pg 2, 20/04/2016 

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Problema de Pesquisa: como escolher?

https://esnpconsulting.com/neuropedagogy/metacognition-is-to-mindfulness-not-everyone-can-always-teach/

Em um post anterior (*) mostramos o que NÃO é um problema de pesquisa. Agora que sabemos o que não devemos considerar como um problema de pesquisa, fica a pergunta como definir/escolher o problema adequadamente?

Alguns autores ressaltam que escolher um bom problema de pesquisa requer curiosidade genuína sobre questões ainda não respondidas. Obviamente a curiosidade só acontecerá se tivermos conhecimento suficiente sobre nosso objeto de estudo, portanto a leitura aprofundada e ampliada se faz fundamental para conhecimento do objeto e para o desejo de investigar e procurar resposta que atendam a nossa curiosidade.

O livro “Practical research: planning and design” traz algumas dicas para auxiliar no conhecimento do problema, apresentaremos a seguir uma síntese das dicas propostas pelos autores:

  • Dica 1 – Olhe ao seu redor: questões que necessitam de respostas estão em todos os lugares e as vezes podemos negligenciar algumas situações porque consideramos irrelevantes. Olhar ao redor significa prestar atenção em sua prática profissional, em eventos da vida diária e na experiência e história de professores, colegas de trabalho e estudo.
  • Dica 2 – Leia o máximo possível sobre o que a literatura oferece sobre o tema: como dito anteriormente o conhecimento aprofundado e ampliado poderá aguçar nossa curiosidade sobre lacunas ainda não preenchidas pela ciência.
  • Dica 3 – Busque orientação dos especialistas: pergunte ao seu orientador, ao professor da disciplina que aborde o tema, colegas mais experientes sobre a opinião deles em relação ao que ainda precisa ser investigado sobre o tema, quais questões ainda não foram exploradas, se as questões formulados por você são passíveis de serem respondidas. Considerar a opinião de quem tem mais experiência e conhecimento sobre o tema sempre será de grande valia.
  • Dica 4 – Participe  de eventos científicos: frequentar congressos, seminários e conferências é muito importante para conhecer o que outros pesquisadores estão investigando, fazer contatos com pesquisadores de outros centros especializados e de referência na área, trocar ideias e compartilhar conhecimento. Tente manter sua agenda atualizada em relação aos eventos científicos, esses são investimentos que valem muito a pena.
  • Dica 5 – Escolha um tema que seja intrigante e motivante: a escolha do tema é fundamental, lembre-se que você terá que ler muito e dedicar muitas horas de sua vida nessa pesquisa, portanto porque investigar algo que não tenha significado para você?
  • Dica 6 – Escolha um tema que os outros vão achar interessante e que também seja digno de atenção: acabamos de dizer que você deve escolher um tema que tenha significado para você, agora estamos dizendo que você deve escolher um tema que os outros vão achar interessante. Isso parece confuso e até contraditório, mas não é. De que adianta você pesquisar algo que ninguém irá se interessar e principalmente pesquisar algo que não contribua em nada para a sociedade? Tente unir seu desejo pessoal com as demandas sociais.
  • Dica 7 – Seja realista sobre o que você pode fazer: antes de iniciar qualquer investigação científica considere quando tempo terá para desenvolver a pesquisa, se terá recursos financeiros, materiais e humanos suficientes durante toda a duração do projeto de pesquisa.

Lembre-se que  uma boa pesquisa começa com a identificação de uma boa pergunta.

 Para saber mais você pode consultar:

O que é um problema de pesquisa ?

(*) Problema de Pesquisa: o que não é um problema de pesquisa

Leedy, P. D.; Ormrod, J. E. The Problem: The heart of the Research Process. In: Pratical Research: Planning and Design. Cap. 2 p. 27-51, 11ª ed. 2015.

Fake News: Você está vacinado?

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Victor P. Rochetti  1 
Mariana L. O. da Silva  2
César S. Xavier 3
Prof. Mauricio A. P. Peixoto 4

 

 

Você sabe o que  é “Fake-news”, não sabe? Postagens, imagens, vídeos, e etc que veiculam mentiras. Ok?

Você sabe disto, mas separar o joio do trigo nem sempre é fácil.  Claro que se você recebe um vídeo de uma cobra com três cabeças  engolindo um elefante, está na cara que é fake! E você recebe e compartilha muito mais como piada que como verdade. E quem recebe percebe da mesma forma.

Há algumas mensagens em que isto não é tão fácil, e outras em que a situação é ainda pior. Você vê que é besteira ou mentira, mas quem te mandou vê aquilo como verdade! E é isto que eu pretendo te explicar aqui. Como se dá que certas coisas são vistas como verdadeiras, quando para você claramente não são. E ainda mais, espero que você sabendo disto, possa receber as mensagens de uma maneira mais crítica e portanto sendo mais resistente à mentira. Ser enganado é uma coisa ruim, não é?

Para te explicar o que acontece eu vou falar da Revolta da Vacina, que aconteceu no início do século passado contra a vacinação da varíola. Você que é da área da saúde sabe algo da varíola, mas a grande maioria das pessoas talvez tenha, no máximo, ouvido falar desta doença. E porque isto? Porque as pessoas hoje se vacinam, as condições de saúde são melhores, o serviço de saúde também, entre outras coisas. Pois é. Varíola é quase uma coisa do passado.

No entanto, esta e algumas doenças que eram consideradas “coisas do passado” estão voltando. É, doenças antigas voltam a nos assombrar e as razões são muitas. Dentre elas o que nos importa aqui são as “Fake-news”. E é por isto que vou falar agora sobre a Revolta da vacina. Sabendo o que aconteceu antes, você pode entender o que está acontecendo agora e se proteger do que vem aí pela rente!

A revolta da Vacina

Revolta da Vacina

Em 1904 ocorreu um motim popular que teve como principal motivo a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola. Na época o Rio de Janeiro era tão acossado por tantas doenças transmissíveis, que até o porto da cidade foi colocado de quarentena pelos navios mercantes de outros países. Com isto os navios pararam de atracar na cidade, trazendo muitos prejuízos para a cidade e também para a população. E não foi só isto, muitas e variadas doenças atacavam a população. As ruas do Rio acumulavam toneladas de lixo.

Foi então que apareceram dois nomes importantes; Pereira Passos e Osvaldo Cruz. Um engenheiro e o outro, o médico.  Decidido a reurbanizar e sanear a cidade, o então presidente Rodrigues Alves nomeou o engenheiro Pereira Passos para prefeito e o médico Oswaldo Cruz para Diretor da Saúde Pública.  E ambos, cada um à sua maneira, entraram em ação. Mas esta ação não foi nada democrática. Casas foram demolidas, ruas cortadas onde antes moravam pessoas, regras de construção de casas e edifícios foram estabelecidas. Osvaldo Cruz criou as “brigadas mata-mosquitos”. Eles entravam casas adentro com ou sem a autorização dos moradores para acabar com os focos de mosquitos, e a vacinação tornou-se obrigatória. Eram quase que ações de guerra.

E você pode notar que as pessoas não ficaram nada satisfeitas. Foi então que começaram a surgir protestos, alguns oriundos apenas da população sofrida e  insatisfeita e outros com motivação política. O fato é que de 10 a 16 de novembro de 1904, eclodiu uma grande revolta popular só derrotada pela força, com exército, marinha e polícia nas ruas.  E depois a vacinação, que era obrigatória, tornou-se facultativa.

Então e daí? O que isto tem à ver com hoje?

Vacinas e “Fake-news”:

Então você vê que a aversão a vacinas não é algo inteiramente novo. Mas hoje vemos que campanhas de vacinação tem obtido pouca penetração na população. Está cada vez mais difícil fazer com que as pessoas se dirijam aos postos para receber DE GRAÇA as vacinas.  Isto é, uma medida que as protegeria de doenças e mesmo da morte. Estranho, não?

Então, o que está acontecendo? São muitas as causas mas aqui o nosso tópico são as fake-news. Em 1998, Andrew Wakefield, ex-gastroenterologista do Royal Free Hospital publicou um artigo fraudulento em um prestigiado periódico científico (The Lancet) intitulado “MMR vaccination and autism “, no qual ele afirmava que a vacinação tríplice causava o autismo. Rapidamente toda a comunidade científica se colocou contra isto, varias pesquisas foram feitas com resultados que negavam as afirmativas, o artigo foi desmascarado, Wakefield sofreu acusações de várias atitudes antiéticas e finalmente sua licença médica foi cassada.

Resolvida a situação? Não! Ele virou ativista de movimentos anti-vacinas e a coisa toda está por aí. No Reino unido, por exemplo isto é considerado como como causa do ressurgimento do sarampo, da redução das taxas de vacinação e da ocorrência de novos surtos da doença.

Então porque apesar de tudo contra, esta situação permanece?

Explícita ou disfarçadamente, e por conta de variados movimentos anti-vacinas, atualmente, no Brasil sofremos com isto. Diante disso, como tantas pessoas aprenderam e assimilaram a ideia de que vacinas são perigosas a ponto de ser criada uma oposição a elas? Diversos fatores que podem estar envolvidos na assimilação coletiva de informações falsas.

1.Checagem de informações.

Diariamente somos expostos a muitas informações nas redes sociais, vídeos, filmes, jornais, revistas. Estas informações quase sempre vêm com títulos apelativos e, nos meios de comunicação mais populares, apresentam linguagem fácil e construção envolvente que captam a atenção do leitor/expectador. O problema é que estes conteúdos são de fácil compreensão e são bem convincentes embora nem sempre  verdadeiros. Você não vê toda hora artigos/propagandas do tipo “Veja o tratamento que está irritando os médicos”? “Ela emagreceu X quilos em uma semana”? E claro eles vêm com fotos muito convincentes. Então muitas pessoas não possuem o hábito a questionar as informações e verificar as fontes, e ainda assim as compartilham levando a disseminação de algo que pode não ser verdadeiro ou criticamente fundamentado.

2. Afastamento da comunidade científica da sociedade

O conhecimento científico é produzido o tempo todo, mas a divulgação dessas informações fica muitas vezes restrita aos meios onde são produzidas, ou seja, na academia, circulando apenas entre os pares. Muitos estudos importantes acabam sendo divulgados somente em simpósios, congressos ou revistas científicas, os quais são pouco acessíveis para a população como um todo, tornando-os alheios a grande produção de conhecimentos científicos e tornando mais fácil a disseminação de informações falsas. Além do mais não é raro encontrar grupos que rejeitam a importância da produção científica junto aos anseios e problemas da sociedade.

Declarações do tipo “Eu não acredito nestes dados!”. O problema aqui é que as afirmativas da comunidade científica não são uma questão de fé. Se você você acha que elas não são verdadeiras, olhe a pesquisa, critique a maneira com que foi feita, mostre que os dados foram analisados de forma errada. Aí então você pode dizer que aquela pesquisa está errada.

A dificuldade aqui é que para fazer isto você precisa ter algum conhecimento especializado, e isto nem sempre é verdade. E mais que isto, no Brasil há poucos jornalistas competentes em divulgação científica. Eles seriam os melhores profissionais para trazer para a população com credibilidade os resultados destas pesquisas.  Se você não tem este conhecimento, resta olhar para a história das instituições e supor que sejam dados confiáveis, se eles tiverem vindo que locais de pesquisa sérios e de prestígio. Ok?

3. Medo

O medo é um dos principais elementos, ele impulsiona o ser humano a agir e também a tentar alertar os outros. Quando havia ou há algum surto de uma doença perigosa, as vacinas se tornam o meio de salvação e por isso a procura por elas aumenta significativamente. Quando doenças são erradicadas, o medo delas também some e a urgência por vacinas diminui e assim, o medo fica facilmente transferível para outras ameaças. Ou seja, tememos mais o que está perto do que o que de longe vemos.

Então veja que sarampo, poliomielite e varíola são doenças longínquas, quase esquecidas de um passado distante. Mas o autismo está na ordem do dia. Então dizer que vacina causa autismo te dá muito mais medo e portanto é muito mais eficaz para te afastar da vacinação do que dizer que elas te protegem contra o sarampo, a poliomielite e a varíola. E isto mesmo que seja verdade enquanto a estoria do autismo seja balela!

E note que quando isto é apresentado, preto no branco, com fotos coloridas e até vídeos com entrevistas e histórias comoventes que falam do autismo, então aí a coisa pega. Já me disseram uma vez que “o papel aceita qualquer coisa”, e isto não é menos verdade na internet, e tanto para palavras como para fotos, vídeos e som!. Não é difícil você escutar afirmativas do tipo “Se está na internet é porque é verdade!”. E nada mais longe da verdade…

E portanto, se as pessoas agem movidas pelo medo, a internet então é muito poderosa! Tome cuidado…

Então como saber se uma informação é verdadeira?

O fato é que propagar ou passar a diante boatos e conteúdos falsos é responsabilidade das pessoas. Você pode tomar algumas medidas para não ser enganado e de quebra combater a propagação de conteúdos suspeitos.

1 – Verifique a legitimidade do site.

2 – Verifique se a notícia tem data, e se esta é recente.

3 – A notícia é assinada? Por quem?

4- Desconfie de notícias bombásticas e que apelam para compartilhamento massivo e rápido;. Tome cuidado, se algo parece muito bom para ser verdade, provavelmente não é!

5- Não confie em links compartilhados nas redes sociais. Vá à página oficial do site, clique na área de “pesquisar no site” e digite palavras-chaves da notícia.

6- Cuidado com as meias-verdade. É comum fazer afirmativas verdadeiras e delas retirar afirmativas falsas. Duas meia-verdades fazem um mentira inteira.

Leia/ouça com calma, prestando atenção aos detalhes. Às vezes nos deparamos com manchetes tão chamativas e tão bem escritas que acabamos nos esquecendo de buscar o mais importante: as fontes. Vá até as fontes das informações, verifique se são confiáveis, se as informações que você recebeu e o que viu na fonte estão de acordo, verifique se existem inconsistências. Muitas desinformações surgem a partir de dados reais que foram manipulados para contar uma “história diferente”.

A adoção  de uma leitura mais crítica e cuidadosa a respeito dos conteúdos que circulam na internet, pode ser a saída para o grande volume de desinformação e manipulação ao qual a sociedade está exposta.

Referências

EVANGELISTA, Rafael de Almeida; FAGUNDES, Vanessa Oliveira. Nova ciência, novos cientistas: interação, participação e reputação em blogs de divulgação científica. 2012 in Cultura, ativismo e políticas nas redes sociais. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 342 p.  2014.

MOROZOV, E. The Net Delusion – the dark side of internet freedom. Nova York: PublicAffairs, 2011.

PEIXOTO, Mauricio Abreu Pinto. Gostar e Compartilhar – Um Novo Tempo para a Educação Médica. Rev. bras. educ. med., Rio de Janeiro,  v. 41, n. 3, p. 361-363,  set.  2017. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0100-55022017000300361&lng=pt&nrm=iso

 https://www.globalcitizen.org/en/content/everything-you-need-to-know-about-the-anti-vaxxer/

Who are the anti-vaxxers? Here’s what we know — and how they got there in the first place

https://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2018/03/14/interna_tecnologia,944119/fake-news-por-que-se-espalham-e-como-evitar.shtml 

 

 

Leia também:

Por uma metodologia que ensine a pensar, a raciocinar, a aprender com a experiência. (*)

 

1 – Graduando em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia
Instituto de Microbiologia Professor Paulo Góes
Universidade Federal do Rio de Janeiro

– Graduanda em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia
Instituto de Microbiologia Professor Paulo Góes
Universidade Federal do Rio de Janeiro

3 – Doutorando em Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

4 – Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Manutenção, Crescimento e Choque: Três formas para o teu sucesso nos estudos.

 Mariana L. O. da Silva 1
Victor P. Rochetti 2
César S. Xavier 3
Prof. Mauricio A. P. Peixoto 4


 

Durante muitos anos estudamos incansavelmente com o intuito de tirar notas altas em provas, passar de ano na escola e finalmente ser aprovado no vestibular e entrar em uma boa universidade, nos acostumando a sempre aprender o mínimo para alcançar a aprovação. Quando enfim chegamos na faculdade nos deparamos com uma realidade completamente diferente onde a todo momento nos deparamos com novos estudos, descobertas, conceitos e redefinições de conhecimentos que acabam se tornando ultrapassados ou superficiais.

Na graduação nos é exigida a capacidade de entender e avaliar criticamente diversos estudos de forma que estejamos sempre atualizados em nossas áreas de atuação e prontos para exercer com excelência nossa futura profissão. Para que sejamos capazes de cumprir essa exigência, é importante entender que seremos “estudantes para vida toda” visto que sempre há mais assuntos a serem estudados a medida que o conhecimento científico nunca para de ser produzido.

Uma das maneiras de aprender é se manter informado (aprendizagem de manutenção). Isso não necessariamente te fará adquirir uma nova habilidade ou ajudar em seus estudos na graduação, mas é muito importante estar atualizado das novidades que aparecem na sua área. Atualmente, como todos nós vivemos em redes sociais, seguir páginas da sua área irá te manter constantemente exposto a diversas curiosidades, novos achados científicos e novos avanços de pesquisas ao redor do mundo.

A segunda maneira de aprender é através da aprendizagem de crescimento, ou seja, aprender algo que você não sabia antes. É de extrema importância estar sempre adicionando novos conhecimentos e habilidades ao seu repertório. A leitura de livros e de artigos científicos é uma ótima maneira de estudar sobre a área da ciência a qual você está interessado, por eles você pode conhecer o que já foi estudado e também aprender formas de como transformar perguntas em resultados através de metodologias científicas. Isso irá te deixar preparado para situações ou para solução de problemas na sua rotina de estudo ou trabalho e também te dará ideias para proceder com suas pesquisas.

A terceira maneira que pode te auxiliar é a aprendizagem de choque, ou seja, entrar em contato com conhecimentos que sejam conflitantes com aqueles que você já tem. Esta maneira não é tão fácil de ser implementada, mas fará com que você adquira uma maturidade que irá te dar destaque diante de outros profissionais.

Mas como podemos nos manter atualizados e praticando esses tipos de aprendizagem?

Será necessário disciplina para criar um hábito de estudar que te transformará, de fato, em um eterno estudante. Ler capítulos de livros e artigos por um determinado tempo todos os dias irá criar essa rotina e é importante lembrar de não se limitar a conteúdos que você esteja confortável, estudar e encarar aquilo que você tem dificuldade só fará você crescer como futuro profissional. Investir um pouco do seu dinheiro em sua formação sempre é recomendável, cursos fora da faculdade irão te trazer conhecimentos e perspectivas do mundo profissional que a graduação pode não oferecer.

É bom ter a consciência, o quanto antes, de que estudar só para “passar” não fará você evoluir como profissional. Alcançar seus objetivos requer disciplina, esforço e contínua aprendizagem.

Referência:

Brian Tracy: Never Stop Learning, https://thebeaconviews.com/2018/02/23/never-stop-learning/

Leia também

Aprendizado ao longo da vida: uma necessidade humana.

 

1 – Graduanda em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia
Instituto de Microbiologia Professor Paulo Góes
Universidade Federal do Rio de Janeiro

2 – Graduando em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia
Instituto de Microbiologia Professor Paulo Góes
Universidade Federal do Rio de Janeiro

3 – Doutorando em Educação em Ciências e Saúde
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

4 – Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Seta post anterior

Como apresentar as características do problema de pesquisa?

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

Para começo de conversa

Em primeiro lugar você precisa saber o que é um problema de pesquisa. Dito de forma simples é um problema, ou seja, algo cuja solução não é imediata. Você tem que buscar, tem que pensar para obter uma solução. Para saber mais sobre isto tem um post que já publiquei(*).

Mas antes e tudo não confunda TEMA com PROBLEMA. “Educação no Brasil” por exemplo não é um problema; é um TEMA. Da mesma forma “Diabetes Gestacional”, “Ciclo de Krebs” ou ainda “Aspectos Físicos da Bacia Amazônica”. Note que todos estes parecem títulos de livros ou de capítulos. Isto é, apenas indicam o conteúdo do texto que eles encabeçam. Então eles não são problema. É só escrever o título e então desenvolver o conteúdo. Coloque o título “O Conhecimento segundo Paulo Freire” e depois fale sobre isto. Ah! Você não tem nem ideia sobre o que Paulo Freire falou sobre o conhecimento?(**) Bem, isto já é um problema…

O problema

Então se você não sabe e precisa saber, você terá de pensar, de pesquisar, de buscar fontes para dizer o que Paulo Freire falou sobre o conhecimento. E é um problema porque responder não é fácil, já que você não sabe. Você ainda não pensou. Pesquisar dá trabalho. Buscar fontes é às vezes difícil. Você então está frente à um problema. o que nos leva ao próximo passo.

A Questão norteadora

Então se você não sabe nada do que Paulo Freire falou do conhecimento, já está aí uma pergunta pronta: “O que Paulo Freire falou do conhecimento? “. Eis aí a sua questão norteadora. É uma questão porque faz uma pergunta, é obvio não? E é também norteadora porque te dá o norte, ou seja, indica o caminho que você deve seguir para responder a pergunta. E este caminho é a solução do problema. E para caminhar use as…

Questões Aristotélicas

Então agora vamos responder à pergunta do título. É simples, use as Questões Aristotélicas!

Como assim? Aristóteles, filósofo grego, nos ensina. Responda à estas questões e você terá apresentado o seu problema de pesquisa. Então vamos a elas, usando como exemplo o tema “Diabetes Gestacional” como é apresentado pela Wikipedia

Que? O que?

O que é o seu problema? Divida o seu problema em partes e as apresente. É onde você define o problema. Você diz o que ele é:

  • “Diabetes gestacional é a a condição em que uma mulher sem diabetes apresenta níveis elevados de glicose no sangue durante a gravidez”

Descreve o problema:

  • “A diabetes gestacional geralmente manifesta poucos sintomas.”
  • ‘”A diabetes gestacional afeta entre 3 e 9% de todas as gravidezes, dependendo da população estudada.”
  • “O diagnóstico é feito por análises ao sangue. Em pessoas de risco normal, o rastreio é recomendado entre a 24ª e a 28ª semanas de gestação. Em pessoas de elevado risco, o rastreio pode ter lugar na primeira consulta pré-natal.”

Quem?

Quem são as pessoas afetadas? Quem são os sujeitos do problema?

  • “A prevalência varia com a idade. A doença afeta apenas 1% das grávidas com menos de 20 anos de idade, enquanto que afeta 13% das grávidas com mais de 44 anos de idade.[3] Alguns grupos étnicos apresentam maior risco de diabetes gestacional, entre os quais asiáticos, nativos norte-americanos, aborígenes australianos e habitantes das ilhas do Pacífico.”

Onde?

Em que local se situa o problema. No caso da diabetes você poderia escrever:

  • A diabetes é uma doença sistêmica com efeitos no corpo todo, inclusive no feto em desenvolvimento.

Quando?

Em que época surge o problema? Qual a data?

  • “A doença é particularmente comum durante o terceiro trimestre de gravidez. Em 90% dos casos, após o parto a doença resolve-se por si própria.”

Como?

Como se dá o problema. Descreva o processo por meio do qual o processo se dá:

  • O processo mais fundamental da diabetes envolve o pâncreas, órgão responsável pela produção da insulina. Produzida pelas ilhotas de Langerhans, regula o processo de queima e armazenamento dos nutrientes consumidos através dos alimentos. Isto é, a digestão dos alimentos promove o aumento da glicemia, que na presença da insulina é dirigida para o interior das células onde, metabolizada produzirá energia ou será armazenada.  Quando a insulina é insuficiente, os níveis de glicose  aumentam em excesso (hiperglicemia), causando efeitos tóxicos em vários setores do organismo.

Porque?

Qual a razão? Qual a causa?

  • “A diabetes gestacional é causada pela quantidade insuficiente de insulina no contexto de resistência à insulina. Os fatores de risco incluem ter sobrepeso, ter tido anteriormente diabetes gestacional, história na família de diabetes do tipo 2 e ter síndrome do ovário policístico.”

Para quê?

Qual o objetivo? Quais as consequências?

  • A diabetes “aumenta o risco de pré-eclampsia, depressão e necessidade de uma cesariana. Os bebés de mães com diabetes gestacional tratada de forma ineficaz apresentam risco acrescido de macrossomia, de baixos níveis de glicose após o nascimento e de icterícia. Quando não é tratada, a doença pode resultar em nado-morto. A longo prazo, as crianças apresentam maior risco de sobrepeso e de desenvolver diabetes do tipo 2”

Concluindo

Note que eu te descrevi um processo:

  1. Comece pelo TEMA
  2. Identifique o PROBLEMA
  3. Construa a QUESTÃO NORTEADORA
  4. Responda às QUESTÕES ARISTOTÉLICAS

Fácil, né? Só que não. Isto não é uma receita de bolo onde você tem uma lista é é só seguir sem pensar. Não! O que descrevi foi um método. Uma maneira de pensar. Portanto você precisa PENSAR. Precisa refletir no seu problema, precisa adequar estas etapas à natureza e especificidades do seu campo de estudo. Não é uma caixa preta em que você introduz a receita, gira uma manivela e do outro lado sai tudo prontinho.

Ah! E ainda mais. Qualquer um que já tentou fazer um bolo viu que não basta a receita, é necessário saber executá-la com competência. Ok?

Para saber mais:

(*) O que é um problema de pesquisa ?
(**) O CONHECIMENTO segundo PAULO FREIRE