A diferença fundamental entre esforço e eficiência no estudo (*)

A diferença fundamental entre esforço e eficiência no estudo (*)

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Trabalho árduo leva ao sucesso! Quantas vezes você já escutou isto? Claro que para aprender você precisa estudar. Mas quantas vezes você honestamente se dedicou intensamente e nem por isto obteve o que queria? Observe o gráfico abaixo:

 

Pense por exemplo na rememoração ativa. Você está estudando um assunto, fecha o livro e então tenta relembrar tudo aquilo que que acabou de estudar. Ela é muito eficiente, mas exige muito esforço. Agora pense na releitura; você lê e relê o mesmo assunto várias vezes. Ela exige menos esforço, mas por outro lado o resultado é menor. Você aqui está caminhado do lado do “muito esforço” para o lado do “pouco esforço”, mas note que está “descendo” no seu desempenho.

Agora suponha que que você continua usando a rememoração ativa pensando na sua eficácia mas porque exige muito, você não faz tudo junto. Faz um pouco cada dia. Aqui você obtém o melhor de dois mundos.
Usa uma estratégia eficaz E não se esforça em excesso. Entende porque sempre se diz que o melhor é estudar um pouco todo dia?
Claro que isto depende de quanto tempo e quanta matéria você tem para estudar. Mas note que as circunstâncias em que você não tem muito tempo para estudar costumam ser excepcionais, por exemplo, quando surge uma matéria de última hora. Normalmente é uma questão de planejamento.
Mesmo quando você trabalha e estuda, e portanto não tem muito tempo para o estudo, isto também é possível. Neste caso, o que você precisa fazer é determinar mais tempo para terminar os seus estudo. E isto é uma questão de paciência.

Quando estudamos, temos de levar em conta pelo menos duas variáveis. A qualidade e a quantidade do estudo.
A qualidade inclui o que você faz para estudar; a estratégia de aprendizagem que você utiliza, como você a executa, se a estratégia é adequada os tema e características do conteúdo que você está estudando, etc.
A quantidade inclui quanto tempo você usa para executar a técnica, a regularidade do estudo, o quanto de esforço você aplica em cada período de estudo, etc. Por isso eu digo que para “se dar bem” nos estudos você precisa estudar bem e bastante. Isto é fazer um estudo de qualidade (bem) e em quantidade suficiente (bastante).
É por isto que às vezes você estuda “bastante” e não consegue o que quer. Você se preocupa com o trabalho árduo, mas se esquece do trabalho inteligente.

Então, para concluir lembre-se sempre de que:

Eficiência é O QUE você faz.
Esforço é o QUANTO…

(*) Post baseado em https://www.scotthyoung.com/blog/?ck_subscriber_id=389264598

CITAÇÃO DA CITAÇÃO: DESCOMPLICANDO AS REGRAS DA ABNT

 

figura 1

Imagem extraída de: https://www.memurlar.net/haber/640732/sigorta-primi-tesviki-20-ilde-1-yil-uzatildi.html
Luciana Lima de Albuquerque da Veiga
Doutoranda em Educação em Ciências e Saúde
Instituto NUTES / Universidade Federal do Rio de Janeiro

Escrever um TCC, uma dissertação, tese ou mesmo um artigo científico não é uma tarefa fácil, até porque para legitimar o trabalho, é preciso se amparar em outras pesquisas, e a citação de outras obras é imprescindível.

Mas quantas vezes ao escrever nos deparamos com uma dúvida enorme: Como fazer a citação de uma citação, ou seja, como utilizar de forma adequado uma citação de um trabalho que foi citado por uma outra pessoa, e que eu não tive acesso a esse documento?

Então vamos lá descomplicar o tal do Apud.

De acordo com a Wikipédia, apud é uma expressão latina que significa “com”, “junto a”, “em”. Portanto em citações ela confere a ideia de conforme, de acordo, segundo. Geralmente se utiliza apud quando o autor não conseguiu ter acesso a uma citação que ele leu em um trabalho. O apud pode ser usado em citação direta ou indireta.

Vamos simplificar para facilitar:

Eu leio um trabalho de um autor X, portanto esse trabalho é minha fonte de consulta. Mas ao ler esse trabalho, eu me deparo com uma citação de um outro autor Y. Não consigo ter acesso a essa obra do autor Y, mas resolvo citar essa citação no meu trabalho, portanto, eu só li a citação de X sobre o trabalho de Y. Dessa forma eu tenho que aplicar uma regra própria para o caso, que é prevista na ABNT 10520 (conforme figura 1).

Figura 2

Figura 1: Trecho da ABNT que normatiza o uso da expressão apud.

Exemplificando:

Primeiro informa-se o sobrenome do autor do texto original, depois o termo apud (citado por), ano e, em seguida, o autor da obra consultada (Figura 2).

figura 3

Figura 2: Imagem produzida pela autora.

Essa citação da citação pode ser realizada de várias maneiras, sem infringir a regra da ABNT. Então para entendermos melhor como fazer, vamos usar como exemplo a citação da obra de POZO; CRESPO (2009, p. 20) em que os autores citam uma outra obra (CLAXTON, 1991), para enfatizar uma determinada situação. Segue trecho:

Durante muito tempo se concebeu que o conhecimento científico surgia de “escutar a voz da natureza de maneira adequada”, segundo Claxton (1991). Note que é uma citação indireta, portando não há a necessidade de incluir a página do autor CLAXTON (1991) que foi consultado por POZO; CRESPO (2009). Se a citação fosse direta, Claxton deveria ter a indicação da página também, aparecendo Claxton (1991 p. XX).

Desta forma vamos entender como podemos fazer essa citação:

  • Inclusão dos autores referenciados e o apud no início da citação:

De acordo com Claxton (1991 apud POZO; CRESPO, 2009, p. 20), durante muito tempo se concebeu que o conhecimento científico surgia de “escutar a voz da Natureza de maneira adequada”.

  • Inclusão do apud no término da frase:

Segundo Claxton (1991), durante muito tempo se concebeu que o conhecimento científico surgia de “escutar a voz da Natureza de maneira adequada” (apud POZO; CRESPO, 2009, p. 20).

  • Sem o uso do apud, mas que deixará explicito que trata-se de uma citação de citação:

De acordo com Claxton (1991), conforme citado por Pozo; Crespo (2009, p. 20), durante muito tempo se concebeu que o conhecimento científico surgia de “escutar a voz da Natureza de maneira adequada”.

Em relação a listagem final das referências, esta deverá mencionar apenas a obra que foi consultada, ou seja, nesse caso POZO; CRESPO (2009). Portanto não deverá incluir a fonte CLAXTON (1991), pois não tivemos acesso a essa obra.

Caso insira-se na lista de referências apenas a de CLAXTON (1991), isso configura que ocorreu a consulta dessa obra, o que não é real.

Descomplicou a sua dúvida? Se sim, curta nosso post!

 

 

Linguagem e dificuldade de aprender? Tem tudo a ver!

Linguagem e dificuldade de aprender? Tem tudo a ver!

Juliane de Jesus Pereira 1
César Silva Xavier 2 
Mauricio Abreu Pinto Peixoto 3

pessoas-se-comunicando

“Eu venho de uma família de baixo nível de escolaridade e entrei para uma boa faculdade pública. Logo de início foi um problema. Eu via meus professores falando de uma maneira muito nova para mim. Meus colegas entendiam tudo, e para mim aquilo tudo era grego…”.

 

 

Você já viu isto?  Quem sabe está acontecendo agora com você?

Que orgulho quando um filho ou filha entra para a faculdade. Ainda mais quando é a primeira pessoa da família que conseguiu isto!  E esta é uma situação que está se tornando cada vez mais comum. Nas universidades públicas vemos como dia a dia determinados estratos sociais estão se tornando mais e mais presentes.

E isto é bom. Mas entrar para uma faculdade é sempre e para todo mundo um desafio. E a dificuldade é ainda maior para aqueles que por uma razão ou outra vêm de classe sociais menos favorecidas. Precisam fazer um esforço adicional para se adaptar à este  novo e bem diferente ambiente. Como se adaptar? Claro que muita coisa tem que acontecer, mas aqui eu quero chamar a atenção para um ponto muito específico; a linguagem.

A gente fala e a gente ouve. Isto é, a gente se comunica. Deu para notar que sem linguagem não dá para aprender? Ou pelo menos aprender falando e ouvindo… E até lendo e escrevendo.

Aprendizagem é o que acontece quando aprendemos. É óbvio, não? Mas o que não é tão óbvio, é como aprendemos. Você sabe como aprende????

Você aprende como fala. Você fala como aprende…

Então vamos começar com uma ideia. Aprendemos quando alguma coisa que não sabemos chega para nós e aí a gente passa a conhecer. Mas “chega” como? De várias maneiras. A gente faz, a gente vê, a gente ouve e fala. E é por ai que a conversa vai.

A linguagem é o sistema através do qual o homem comunica suas ideias, sentimentos e ocorre através de signos convencionais, sonoros, gráficos e gestuais.

Vygotsky, um pesquisador russo lá no início do século passado, falava da Linguagem como um fenômeno social, construído ao sabor das relações humanas. Para ele ela regula a conduta, o pensamento e a si mesma.

Mas e você, já parou para pensar que para aprendermos qualquer coisa dependemos de linguagem? Não importa se vamos estudar química, português, matemática ou aprender um jogo diferente etc., todas elas dependem da linguagem.

E qual a relação da linguagem com a aprendizagem? Nós, seres humanos, precisamos que o desenvolvimento da nossa linguagem ocorra da melhor forma, pois todas as outras habilidades vão depender dela.

Um exemplo básico para você entender:

Imagine uma criança de 1 ano e meio de idade. Seria possível ensiná-la a jogar “Dama”? Não!

Nessa fase ela ainda está desenvolvendo a sua linguagem, por isso não vai compreender as palavras sobre as regras do jogo, nem o sentido que elas têm. Com certeza, essa criança se interessaria mais pelas cores das peças, formas e texturas, mas não compreenderia comandos como “espere a sua vez”, “mova a sua peça apenas na diagonal”, etc., pois o seu vocabulário é raso e sua compreensão de mundo é mínima para aprender coisas complexas.

E aí, fez sentido?

Outro exemplo. Veja o caso da aluna que veio daquela família mais humilde. Então, ela vai para o centro da cidade assistir algum tipo de palestra, e dependendo do vocabulário do palestrante, talvez ela saia de lá com muito pouco de aprendizado, não por causa do assunto, mas porque não conseguiu entender a linguagem do palestrante. Ok?

41298df7a28595548af5ea8a7ba78e23Parece obvio, não é mesmo? Mas quando nos deparamos com alguém que tenha dificuldade em aprendizagem, nunca relacionamos isso com a linguagem. E como acabamos de ler, tem tudo a ver.

E ae, está gostando?

Quer saber quais os fatores que determinam o desenvolvimento da nossa linguagem? Vem comigo!

Primeiramente, vamos falar das nossas próprias habilidades. Como assim?

Por exemplo, a nossa capacidade de ouvir, desde quando estamos na barriga da nossa mãe, faz parte do processo para adquirirmos linguagem verbal, ou seja, a nossa fala.

Em segundo lugar e importantíssimo é o meio social: que significa o ambiente em que vivemos e com quem vivemos.

O grau de escolaridade dos nossos pais vai influenciar na nossa aquisição de linguagem.

Curiosidade: Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais descobriram que os filhos de famílias com um vocabulário mais rico e que se comunicam entre si, escutam mais palavras, comparado as crianças de famílias menos comunicativas e com um vocabulário mais pobre.

Interessante, não acha?!

Você conhece alguém que se encaixe nesse contexto?

Sabe aquele colega que não tira as melhores notas na escola, que escreve ou fala muitas coisas “erradas”?! Não necessariamente exista algum problema nele ou muito menos seja falta de interesse pelos estudos, talvez fosse a realidade de vida dele que dificultou o seu processo de aprendizagem.

De acordo com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), crianças expostas a fatores de risco como: pobreza, doenças mentais, baixa escolaridade terão 90-100% de chance de atraso de linguagem. Portanto, se há um atraso na linguagem, certamente haverá uma dificuldade de aprendizagem.

5 dicas para melhorar sua linguagem:

Tá certo. Você já entendeu ok? Mas agora importa saber o que fazer com isto.

Então vamos à algumas dicas:

  1. Melhorar é SEMPRE possível: O ser humano é uma máquina de aprender. E você também é. Este é o primeiro ponto. Acredite nisto. É como dizem: “A fé remove montanhas”.
  2. Comece AGORA: Não amanhã, não depois, mas neste exato momento. Outro ditado para você: “Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje.”
  3. Preste atenção em quem fala bem:  “Aqueles que não querem imitar nada, não produzem nada.” O grande pintor Salvador Dali sabia disto. Imitar é uma forma de aprender. Mas atenção, não imite a pessoa, mas a habilidade de falar. Aprenda o vocabulário, veja com que propriedade a pessoa usa as palavras. E ao final respeite você, use a imitação para ser um você melhor e não uma cópia mal feita de outro.
  4. Leia tudo e muito: Tudo de boa qualidade, é claro. porque o ruim cola fácil…Assim você aprende o conteúdo que está escrito, mas também aprende a pensar e a escrever. Claro se você prestar atenção...“Quando você lê um clássico, não vê mais no livro do que antes; Você vê mais em si mesmo do que antes.” (Clifton Paul Fadiman)
  5. Escreva muito: A escrever treine expressar o mais precisamente possível aquilo que você está pensando. E isto significa duas coisas. Primeiro você tem que pensar antes de escrever, ou pelo menos pensar enquanto escreve. E depois use as palavras com precisão. Se você não sabe que palavra expressa precisamente sua ideia, use um dicionário, busque palavras parecidas na internet, consulte alguém. Escrevendo você treina e aprende. E para terminar mais uma citação (eu juro que é a últimaResultado de imagem para sorriso) – “Palavras. Palavras. Eu jogo com as palavras, com a esperança de que alguma combinação, mesmo que seja uma combinação por acaso, diga aquilo que eu quero dizer.” (Doris May Lessing)

Então mãos à obra. Ok?

Referências:

<http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2016/02/estatisticas-revelam-importancia-da-qualidade-de-vida-na-primeira>

SCOPEL, Ramilla Recla; SOUZA, Valquíria Conceição; LEMOS, Stela Maris Aguiar. A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE FAMILIAR E ESCOLAR NA AQUISIÇÃO E NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM: REVISÃO DE LITERATURA. Revista CEFAC, 2012, 14.4.

 

1 – Graduanda de Fonoaudiologia, extensionista do Laboratório de Currículo e Ensino (LCE) – Instituto de Tecnologia Educacional para a Saúde (NUTES) Universidade Federal do Rio de Janeiro

 2 – Doutorando em Educação em Ciências e Saúde – Laboratório de Currículo e Ensino (LCE) – Instituto de Tecnologia Educacional para a Saúde  (NUTES) Universidade Federal do Rio de Janeiro

3 – Doutor em Medicina, FM – UFRJ Professor Associado do Laboratório de Currículo e  Ensino (LCE) –  Instituto de Tecnologia Educacional para a Saúde (NUTES) Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

Extensão Universitária – O que é? Para que serve?

Logotipo da árvore genealógica

Juliane de Jesus Pereira 1

César S. Xavier 2 

Prof.: Mauricio A. P. Peixoto

A palavra extensão, nesse contexto, implica-se em estender-se, em levar algo até um lugar ou até alguém, alongar-se, tornar mais amplo no tempo ou no espaço, causar a propagação ou divulgação.

Mas o que isso tem a ver com a Universidade?

As universidades possuem um papel importantíssimo no âmbito social e está previsto no artigo 207 da Constituição brasileira, que diz: “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.

Bem, creio que ainda não tenha ficado muito claro, né? Então vamos por partes.

É que na Universidade todas as atividades devem estar vinculadas a um dos três pilares: ensino, pesquisa e extensão.

O ensino pode ser relacionado com o cumprimento das disciplinas, do currículo, as aulas (práticas e teóricas), avaliações, etc. A pesquisa está relacionada às investigações teóricas e práticas, busca de soluções para os mais variados âmbitos, produção de relatórios, artigos, dissertações e teses a respeito das descobertas, dentre outras atividades.

 A extensão é considerada uma ponte entre a universidade e a sociedade que visa socializar e democratizar o conhecimento e sanar algumas necessidades respeitando os valores e a cultura da comunidade. Tendo em vista as condições de desigualdade existentes, as atividades de extensão buscam gerar mudanças na sociedade.

Podemos citar alguns exemplos e setores favorecidos por projetos de extensão:

  • Divulgação para a comunidade conhecimentos produzidos na Universidade sobre cuidados com a saúde;
  • Realização de atividades comunitárias em localidades carentes;
  • Realização de atividades lúdicas para crianças que recebem e/ou aguardam atendimento médico;
  • Promoção de passeios gratuitos pela cidade aos moradores locais;
  • Ensino da Língua Portuguesa para alunos estrangeiros e para a comunidade externa;
  • Oferecimento de cursos preparatórios (pré-vestibular e pré-ENEM) para ingresso na própria Universidade
  • Produção de conteúdos com informações relevantes para a população através da internet;
  • Qualificação profissional para estudantes com necessidades especiais

Existem diversas formas de executar um projeto de extensão: palestras, cursos, conferências, programas, eventos culturais e esportivos, são exemplos dentre outros. Contudo, não é necessariamente a universidade ir até a comunidade, por vezes pode ocorrer de a comunidade vir até o campus universitário. Neste caso temos, por exemplo, o programa “Inclusão do sujeito com Hanseníase no Mercado de trabalho por meio do Emprego Apoiado” realizado na UFRJ. Seu objetivo é reinserir pacientes com hanseníase em grau de incapacidade no mercado de trabalho. O Emprego Apoiado (EA) é um método que surgiu nos EUA há mais de trinta anos, a fim de inserir pessoas com deficiências no mercado de trabalho, por meio da relação entre trabalhador e empregador.

Como este projeto é realizado na UFRJ?

Esta Extensão é destinada a usuários de ambos os sexos, maiores de 16 anos, que realizam acompanhamento no ambulatório de hanseníase do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho – UFRJ.

É executado por professores, técnicos administrativos e estudantes do departamento de Terapia Ocupacional da UFRJ, que acompanham e auxiliam os pacientes na escolha do cargo que estão de acordo com as suas capacidades individuais.

O projeto é dividido em algumas etapas como triagem, reuniões para reflexão sobre o trabalho,  busca e captação de vagas no mercado de trabalho, atualmente para municípios do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São João de Meriti, Nova Iguaçu e São Gonçalo. O projeto ainda inclui as etapas de negociação com o contratante e sensibilização com as equipes, treinamento e adaptações ao ambiente e ferramentas de trabalho e avaliações periódicas sobre a adaptação ao cargo ocupado pelas pessoas atendidas pelo programa.

Este Blog faz parte de algum projeto de extensão?

Sim! Neste exato momento, você está lendo um texto correspondente a uma parte do projeto de extensão Estratégias de ensino/aprendizagem no desenvolvimento por meio de um blog educativo na área da saúde”. Neste caso, através de acesso livre e gratuito à rede mundial de computadores, promove-se diálogo com a sociedade sobre a área de Métodos e Técnicas para Pesquisar e Aprender por meio de ações integradoras entre a Extensão, o Ensino e a Pesquisa. Os temas apresentados interessam à educação e saúde, além de alunos de ensino médio e superior que desejam tornar mais eficientes seus estudos acadêmicos e/ou tarefas pesquisa.

Além da produção e divulgação de curiosidades e conhecimento, o projeto também promove a curadoria de conteúdos específicos da área do Blog, fazendo a integração com outras ferramentas, tais como bancos de dados ligados à educação e/ou saúde e plataformas de distribuição de conteúdos como Youtube, Slideshare, Issuu e outras.  O projeto ainda atua no desenvolvimento de estudos sobre acesso e recepção no ambiente virtual, consulta e debate por parte dos alunos e professores desta e de outras instituições e profissionais da área interessados nos assuntos aqui produzidos.

Ademais, participar das atividades de extensão além de ser um direito é uma obrigatoriedade dos alunos universitários. De acordo com o Art. 4° da RESOLUÇÃO Nº 7, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2018, as atividades de extensão são integrantes e obrigatórias para todos os cursos de graduação, sendo necessário o cumprimento de pelo menos 10% (10 por cento), em relação ao total da carga horária curricular estudantil dos cursos de graduação. É quase uma regra que o projeto de extensão tenha um formato mais prático do que as outras atividades da universidade, com o enfoque na realização.

Os benefícios do projeto recaem não só sobre a população, mas também sobre os universitários participantes, sejam eles da área de saúde, engenharia, administração, psicologia, direito, social, entre outros, que consolidam seu aprendizado e adquirem experiência – o que é essencial na hora de montar seu currículo. Essa troca de saberes entre universitários e a comunidade gera ao acadêmico certa segurança e aprimoramento de competências que serão úteis na área de atuação escolhida pelo estudante. Geralmente a carga horaria dos projetos de extensão é flexível de modo que o estudante realize suas atividades de pesquisa, ensino e até mesmo outra extensão ao mesmo tempo, quando possível.

Agora que você já sabe o que é e qual a importância da Extensão Universitária, que tal procurar alguns projetos legais para fazer parte?

Busque por eles nas páginas da Universidade ou Instituto Federal próximos da sua casa ou em Universidades e Institutos  Federais que ofereçam extensão a distância. Aproveite e compartilhe essas informações com seus amigos, vizinhos e familiares. Ajude você também, a levar o conhecimento e serviços para o mundo!

Até mais!

 

Referências

SILVA, Maria Batista da Cruz; NUNES, Ana Lucia de Paula Ferreira. A extensão universitária no ensino superior e a sociedade. Mal-Estar e Sociedade – Ano IV , Barbacena, v. 4, n. 7, p. 119-133, 2011. Disponível em: http://revista.uemg.br/index.php/malestar/article/view/60/89. Acesso em: 28 ago. 2019.

CORRÊA, E. EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, POLÍTICA INSTITUCIONAL E INCLUSÃO SOCIAL. REVISTA BRASILEIRA DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, v. 1, n. 1, p. 12-15, 25 jul. 2003

PRATA, Michele Santana. Contribuições da extensão universitária na sociedade. Cadernos de Graduação – Ciências Humanas e Sociais, Aracaju, ano 2013, v. 1, n. 16, p. 141-148, 2013.

MAIA, Fatima Beatriz et al. Inclusão do sujeito com Hanseníase no Mercado de trabalho por meio do Emprego Apoiado. (2017)

 

 

1 – Graduanda de Fonoaudiologia, extensionista do Laboratório de Currículo e Ensino (LCE) – Instituto de Tecnologia Educacional para a Saúde (NUTES) Universidade Federal do Rio de Janeiro

 2 – Doutorando em Educação em Ciências e Saúde – Laboratório de Currículo e Ensino (LCE) – Instituto de Tecnologia Educacional para a Saúde  (NUTES) Universidade Federal do Rio de Janeiro

3 – Doutor em Medicina, FM – UFRJ Professor Associado do Laboratório de Currículo e  Ensino (LCE) –  Instituto de Tecnologia Educacional para a Saúde (NUTES) Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

 

 

Problema de pesquisa – O que é Problematizar?

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

Faz algum tempo escrevi alguns posts sobre o problema de pesquisa(*) Foram muito lidos e geraram várias perguntas. Por isto volto agora ao tema com um foco específico: O que é problematizar?

Mas porquê é importante saber disto. Vou resumir a ideia (detalhes você vê na lista de posts abaixo):

  • Problema é um evento ou situação não resolvida e que a solução não seja fácil ou conhecida.
  • Questão norteadora é deduzida do problema. Simplificando, é o problema sob a forma de pergunta.

Então está tudo fácil, você diz o problema e depois repete com um ponto de interrogação no final. É isto?

Por exemplo:

  1. O problema é a “relação entre saneamento básico e verminoses”.
  2. Então a pergunta fica assim: Qual é “relação entre saneamento básico e verminoses”?
  3. Em duas linhas resolve a situação.

Antes fosse. Se você puser isto no projeto, vai ser difícil alguém prestar atenção. É claro que em algum momento estas duas linhas vão ser escritas, mesmo que não precisamente desta maneira. Note que você precisa convencer o seu leitor que o projeto vale a pena. Seja porque você está pedindo um financiamento, seja porque você precisa passar na matéria, ou ainda fazer o seu TCC, a dissertação ou tese.

Não basta dizer o problema. Você precisa PROVAR que há um problema. Isto é: Você precisa PROBLEMATIZAR.

Então vamos lá!

Comece falando do saneamento básico. O que é, suas características, por que ele existe, para que serve, etc. Conte um pouco da historia, que benefícios trouxe, etc. Aqui você está construindo o contexto de onde vai aflorar o problema. Note então que não vai escrever uma extensa monografia falando tudo sobre o saneamento básico. Você vai falar apenas do que interessa ao problema, mais do que isto, de tudo o que leva ao problema: a “relação entre saneamento básico e verminoses”.

Todo mundo já sabe o que é saneamento básico? Então deixa pra lá a definição e o conceito. Não sabem? Então dá-lhe definição ampla e  conceito completo. Claro que provavelmente você dará apenas uma definição simples para o termo, principalmente se houver alguma variedade de conceitos. Algo do tipo: “Para fins deste estudo saneamento básico é…”. E pronto. Você já começou a encaminhar o leitor para entender e aceitar que há um problema.

Continuando, vamos às verminoses. Aqui tudo o que já disse se repete. Você vai definir, descrever, explicar, etc, selecionando de tudo o que existe sobre o tema apenas aquilo que encaminha o leitor para o problema. Acho que isto você já entendeu. Ok?

Agora é que é o problema. Veja bem, se todo mundo já sabe que a falta de saneamento é fator de risco para as verminoses, não há problema. Você perdeu o seu tempo. Para com isto e parte para outra. Mas vamos supor que não se sabe, então neste caso você tem que mostrar ao seu leitor duas coisas: Primeiro que ninguém sabe e depois que isto é um problema.

A primeira parte parece ser simples. É só dizer que você não encontrou esta informação em lugar nenhum. Só que isto não basta. De novo você tem que provar para o leitor que o seu “lugar nenhum” é lugar nenhum mesmo. E você faz isto descrevendo o seu processo de revisão da literatura, provando ao leitor (de novo) que seus critérios de busca permitiram afirmar que não havia nada.

Mas mesmo que você não tenha encontrado a resposta precisa, muito provavelmente você encontrou coisas parecidas. A literatura não deu a resposta, mas quase chegou lá. Então você fala disto, mostra o quão perto ou distante a literatura está da resposta que você procura. Com isto você obtém pelo menos duas coisas. Você complementou a afirmativa anterior e deu mais razões para o seu leitor confiar em você. Além disto, ficou sabendo mais do seu assunto, e aí pode saber mais precisamente do que você está tratando no seu estudo e isto te facilita a delimitar o objeto. O que é isto? É quando você diz claramente do que é que você esta tratando. Mas isto é matéria para outro post. Aguarde!

E ainda mais, buscando na literatura você mostra que alguns trabalhos anteriores ou sugeriram ou disseram coisas que faziam pensar que houvesse algum tipo de relação entre o saneamento básico e as verminoses. Aqui algum cuidado você deve ter, porque você está se aproximando perigosamente da justificativa, outro tema que fica para depois. O crítico aqui é que você vai falar deles principalmente para explicitar por que eles não chegaram a responder, o que faltou, o que precisa ser feito. Na justificativa você pode até a voltar a falar deles; só que de outra forma. Lá você vai mostrar porque é legítimo fazer a sua pesquisa.

Então voltando ao tema, você mostra as dificuldades em provar a almejada relação. Por um lado pela revisão de literatura (que você já fez). Mas outra forma é trazer as características de ambos os temas (saneamento e verminose) que tornam problemático estabelecer a relação. Pode ser poque se desconhecem determinados aspectos. Ou então porque os instrumentos de medida ou de coleta são insuficientes. Ou ainda porque o contexto é muito complexo para isolar apenas estas duas variáveis. Também é possível que os métodos de análise sejam inadequados. Ou finalmente por qualquer outro aspecto que você saiba ou possa imaginar que torne difícil estabelecer a relação entre saneamento e verminose.

Então com isto tudo você agora foi capaz de apresentar o problema. Você enfim foi capaz de PROBLEMATIZAR!

 

Nota: A sequencia que apresentei é meramente didática. Você pode segui-la se quiser. Mas qualquer outra forma que combine estes elementos com eficiência é também possível.

(*) Alguns posts que falam sobre Problema de pesquisa

Qual é a diferença entre metacognição e auto-regulação da aprendizagem?

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Doutor em Medicina, FM – UFRJ
Professor Associado do Laboratório de Currículo e Ensino
Núcleo de Tecnologia para a Saúde (NUTES)
Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

mulher com dúvidas

Uma aluna de pós-graduação me perguntou sobre a diferença entre metacognição e auto-regulação. Notem que faz

vários anos que estudo o tema e vejo os dois termos hora usados no mesmo artigo indistintamente, hora como conceitos separados e mais frequentemente usados, cada um deles em um artigo separado sem que um faça referência ao outro.

Então vou compartilhar com vocês minha opinião pessoal. Acho que são mínimas as diferenças, e se preciso usar os dois termos entendo que a metacognição é o termo mais amplo e a auto-regulação é uma característica ou propriedade da primeira. Então a metacognição refere-se à capacidade de acessar os processos cognitivos e a autorregulação o uso disto para tornar a aprendizagem mais eficiente.

Para defender este ponto de vista peço que você leia as citações abaixo, que são longas, mas necessárias. Mas peço que você as leia de uma maneira específica. Se você fizer isto, acredito, você terá condições de ter a sua própria opinião. Então eu proponho a você um execício de reflexão:

  1. Leia a primeira citação, pare e reflita sobre ela.
  2. Depois disto leia a segunda citação, pare e reflita sobre ela.
  3. Depois compare as duas entre si. Procure semelhanças e diferenças.
  4. Agora leia a terceira citação e procure refletir nas razões pelas quais existem as semelhanças e diferenças que você percebeu nas duas primeiras citações.
  5. Tire suas próprias conclusões!

Então vamos lá!

Leia a primeira citação, pare e reflita sobre ela:

Aqui eu mostro as definições de Auto-regulação da aprendizagem retiradas de:

  • FREIRE, L. G. L. Auto-regulação da aprendizagem. Ciências & Cognição, [s. l.], v. 14, n. 2, p. 276–286, 2009.

Perrenoud (1999: 96) conceitua a auto-regulação como as “capacidades do sujeito para gerir ele próprio seus projetos, seus progressos, suas estratégias diante das tarefas e obstáculos.” Na realidade todas as pessoas possuem um certo grau de auto-regulação, mas importa que esse grau, e em especial nos e para os processos de aprendizagem escolar, seja elevado, o que certamente favoreceria uma autonomia progressiva no aprender e por extensão na própria vida.
“Para aprender, o indivíduo não deixa de operar regulações intelectuais. Na mente humana, toda regulação em última instância, só pode ser uma auto-regulação, pelo menos se admitirmos as teses básicas do construtivismo: nenhuma intervenção externa age se não for percebida, interpretada, assimilada por um sujeito. Nessa perspectiva, toda acção educativa só pode estimular o autodesenvolvimento, a auto-aprendizagem, a auto-regulação de um sujeito, modificando seu meio, entrando em interacção com ele. Não se pode apostar, afinal de contas, senão na auto-regulação.”(Perrenoud, 1999: 96)

Segundo Zimmerman (2000) a auto-regulação da aprendizagem pode ser definida como qualquer pensamento, sentimento ou ação criada e orientada pelos próprios alunos para a realização dos seus objetivos. Enquanto, Silva e colaboradores (2004:13) sugere que:
“A aprendizagem regulada pelo próprio estudante resulta da interacção de conhecimentos, competências, e motivações, que são necessários ao planeamento, à organização, ao controlo e à avaliação dos processos adoptados e dos resultados atingidos.”

Essas três concepções acerca da Auto-regulação da aprendizagem realçam em maior ou menor grau, o caráter efetivamente intencional da ação, com vistas a um objetivo previamente estabelecido. Os processos através dos quais se pode alcançá-los dependem das características individuais e contextuais, ou melhor dito, da capacidade do aluno refletir e operar sobre essas mesmas características.

Leia a segunda citação, pare e reflita sobre ela.

Esta citação apresenta as definições de Metacognição. Note que foi retirada do mesmo artigo da primeira citação:

A metacognição é uma dimensão importantíssima, envolve o conhecimento sobre os processos e produtos cognitivos, como a atenção, a memória e a consciência, assim como, o conhecimento sobre as situações da aprendizagem. Embora se possa pensar em metacognição em diferentes níveis e enfoques conceptuais, aqui nos interessa a sua aplicação especificamente à educação. Paris e Winograd (1990, apud Silva e Sá, 1997:24)3 oferecem dois significados: a auto-apreciação cognitiva que se refere às reflexões pessoais sobre os conhecimentos, competências cognitivas, fatores da tarefa e estratégias para realizá-las e a autoconstrução cognitiva ou a metacognição em ação significando as reflexões pessoais acerca da organização e planificação da ação, antes do início da tarefa, nos ajustamentos feitos enquanto ela se realiza, e nas revisões necessárias à verificação dos resultados obtidos, ou seja, o conhecimento metacognitivo possibilita a consciência dos processos envolvidos na aprendizagem do próprio aluno.

Compare as duas entre si. Procure semelhanças e diferenças.

Note que as palavras são diferentes, mas elas se referem à mesma coisa? Em que elas são semelhantes? Em que são diferentes?

Agora leia a terceira citação e procure refletir nas razões pelas quais existem as semelhanças e diferenças que você percebeu nas duas primeiras citações:

Esta citação foi retirada de um livro sobre teorias de aprendizagem:

  • LEFRANÇOIS, Guy R. Psychological theories and human learning: Kongor’s report. Monterey, Calif: Brooks/Cole Pub. Co, 1972. (pg 319-321)

 

Jargão (estão sublinhados os termos do jargão)

Embora seja relativamente simples considerar as diferenças entre posições teóricas como superficiais e resultantes apenas do uso de termos diferentes para os mesmos conceitos, não seria inteiramente correto fazê-lo. Obviamente, existem algumas diferenças reais entre as posições teóricas descritas nas Tabelas 2 e 3; os respectivos teóricos provavelmente estariam entre os primeiros a fazer essa afirmação. De fato, parece ter sido algo da moda no desenvolvimento de posições teóricas começar demonstrando como teorias anteriores não poderiam explicar vários fenômenos considerados de algum significado psicológico. Para alguns teóricos, a depreciação de outras posições teóricas tem sido uma grande preocupação.

No entanto, apesar dessas supostas distinções teóricas, é verdade que existem muito mais semelhanças entre as teorias do que parece ser o caso de um exame superficial. O jargão esconde muitas dessas semelhanças, uma vez que cada teórico parece sentir que é seu direito inventar novos termos ou usar os antigos de novas maneiras. Mas o jargão às vezes faz mais do que simplesmente esconder a semelhança de uma nova teoria a uma antiga – freqüentemente ela oculta a ausência de substância. Por exemplo, é difícil ver como um subconjunto e uma categoria são diferentes, ou para ver como a subsunção e a categorização diferem. Verdade, os respectivos teóricos dizem coisas um pouco diferentes sobre cada um, mas se eles estão dizendo coisas diferentes sobre a mesma coisa (esta frase deve causar um pequeno espanto no cérebro humano), então talvez seja sábio usar os mesmos termos. Uma alternativa razoável seria apontar como as várias definições de um termo são inadequadas e, então, modificar a definição, em vez de começar mudando o rótulo e, depois, fornecer uma definição.

Um olhar casual na Tabela 2 revela numerosos termos que poderiam ser usados de forma intercambiável. Em muitos casos, outro, mais familiar porem menos jargônico poderia substituir qualquer uma delas. Por exemplo, a integração é na realidade condicionamento clássico – assim como a formação de um conjunto de células. Um conjunto de células tem uma forte semelhança com um conceito ou percepção, assim como uma categoria. Uma sequência de fases é o análogo neurológico de uma categoria, ou talvez de um esquema. Alcançar a dissociabilidade zero é esquecer; esquecer é submeter-se à subsunção obliterativa; subsunção obliterativa é definida pela dissociabilidade zero; alcançar a dissociabilidade zero é esquecer; esquecer .. . (até mesmo a mente de Koron fica um pouco atônita). Carimbar é aprender; Apagar é esquecer; esquecer é submeter-se à subsunção obliterativa. .. Uau! Decodificar é sentir; codificar é responder. Projeção é a transmissão neural ….

Tire suas próprias conclusões!

E então? o que é diferente e o que é igual? É certo que nem tudo é exatamente a mesma coisa. Mas talvez não devêssemos ser tão exigentes no uso destes diferentes termos. É diferente se você é um pesquisador. Mas mesmo neste caso e principalmente se somos profissionais da educação, talvez fosse mais adequado pensarmos mais nos significados práticos destes conceitos no nosso trabalho com as pessoas, que com as restritas e precisas definições destes termos.

O que você acha?

Ciência é diálogo

Lorenzo Macagno-AntropólogoSobre o  papel da tecnologia e internet (*)

A tecnologia ajuda bastante. Seriamos obscurantistas se criticássemos ferramentas como a internet e as redes sociais. O problema é que isso gera uma tsunami de informações. É preciso ter informação e formação prévias para deglutir tudo isso. Se você vai a um arquivo gigantesco fazer pesquisa sem plano prévio vai se perder. E o problema de tanta informação é incoerência. Cria-se portanto, o risco de uma ilusão de informação. Por isso, a teoria é importante nas ciências sociais. Ela cria instrumentos que o guiam. A Ciência é diálogo.

(*) Extrato da entrevista concedida por Lorenzo Macagno, antropólogo argentino, doutor pela UFRJ. O Globo, primeiro caderno, pg 2, 20/04/2016 

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