O CONHECIMENTO segundo DEWEY


JOHN DEWEY

JohnDewey

Ênfase na experiência

No seu livro Experience and Education, Dewey fundamenta sua teoria da educação na experiência do aprendiz, sendo esta sua origem, objetivo e norma de toda atividade cognitiva. Para ele, a cognição é o meio através do qual o aprendiz responde às alterações de seu meio ambiente. Em oposição a Whitehead, visto como realista (conhecimento é uma correspondência entre o pensado e o real), Dewey é conhecido como pragmático, definindo conhecimento como aquilo que permite ao indivíduo executar determinadas tarefas, ou seja, o que funciona.

Esta ênfase na experiência implica em ser necessária sua análise mais rigorosa, visando determinar que características da experiência permitem estabelecer critérios de avaliação de objetivos e procedimentos educacionais. Critério fundamental é a qualidade da experiência, tanto no seu sentido imediato de prazer ou desprazer, como na sua influência sobre experiências futuras. Neste sentido, central na educação é a seleção de experiências que possam continuar frutífera e criativamente em experiências futuras. A isto, Dewey denomina de princípio da continuidade, e o usa para estabelecer um critério de julgamento. Assim, para um dado meio, experiência ou causa de ação, a questão é se o desenvolvimento nesta direção favorece ou não o desenvolvimento em geral. Neste sentido, defende que crescimento indutor de mais crescimento, assegura a obtenção de outros objetivos de valor, tais como liberdade individual, satisfação pessoal, respeito alheio e diálogo social.. Quando preferimos a democracia `outras formas de governo, por exemplo.

Como segundo critério para julgar a qualidade da experiência , Dewey oferece a noção de interação, sabendo-se que a noção de continuidade envolve estruturas da situação educacional  em termos de atitudes internas e condições externas. Já o princípio da interação estuda o caráter dinâmico de toda experiência dentro de um dado contexto. Aqui Dewey difere marcadamente de Whitehead  ao enfatizar o caráter recíproco da experiência de aprendizagem. Ele resume a relação entre esses princípios da seguinte forma: os conceitos de situação e interação são inseparáveis um do outro. Uma experiência sempre é  o que é porque  a transação acontece sempre entre um indivíduo e o que naquele momento é o meio ( outra pessoa, um livro etc…). Isto mostrou, para Dewey, que o ponto de partida para o desenvolvimento de uma filosofia educacional é a natureza da experiência de aprendizagem. Mais ainda, ele considera a atividade cognitiva como recíproca e simbiótica,  onde ambos se constituem mutuamente e se moldam um ao outro, o aprendiz e o  que se aprende.

Aprender fazendo

Em apologia a Karl Marx, pode-se dizer que Dewey não se contenta com que o aprendiz entenda o mundo, seu objetivo é mudá-lo. Para ele, aprende-se fazendo. A compreensão da cognição como um processo ativo, é enfocada em termos de duas dimensões principais no seu livro Experiência e Educação. São elas;  liberdade e participação.  Assim; “a única liberdade de  importância duradoura é a liberdade da inteligência” isto é; liberdade de observação e julgamento exercidas em função de objetivos intrinsecamente meritórios. Com relação à participação, ele se agrega aos progressistas que frizam a importância da liberdade de ação como uma maneira de participar na formação dos objetivos que direcionam o processo de aprendizagem. Enfatiza a diferença entre atividade  participatória como um fim em si mesma e  quando é guiada por objetivos  inteligentes. Esta forma de cognição é complexa e envolve:

  1. Observação do meio.
  2. Conhecimento imediato e também o reflexivo do que aconteceu no passado em circunstâncias similares.
  3. Capacidade de julgar as conseqüências advindas  da combinação entre as observações e o conhecimento.

Um último aspecto é a  frequente menção do caráter social na vida humana e no aprendizado. Neste sentido, tem duas coisas em mente. Se por um lado nenhuma experiência nem educação acontece sem a presença do indivíduo, por outro afirma que o controle  social deve ser muito mais interno que imposto pelo meio. É esta dimensão social, que confere pragmatismo e direção responsável ao empreendimento educacional.

Para Dewey o conhecimento é função de inferências dedutivas e indutivas de dados e hipóteses visando a solução de problemas específicos que surgem na dinâmica entre a experiência humana e seus objetivos. A ênfase do pensar como solução de problemas é talvez tanto uma característica da filosofia educacional de Dewey como é do pensamento moderno em geral.

Finalmente é possível comparar Whitehead e Dewey, dizendo que ambos tendem a achar que o conhecimento é algo externo ao conhecedor, algo que precisa ser encontrado por ele. Para o primeiro entretanto, o processo de conhecer é uma forma de aquisição ou de assimilação e para o segundo uma oportunidade de experimentação.

Referência:

Gill, Jerry H.: Learning to Learn:Toward a Plilosophy of Education (cap 1), – Ed.:Humanities Press International, Inc., Atlantic Highlands, New jersey, pp 20-25, 1993.

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